O Projeto Final

O projeto final de planejamento em permacultura precisa apresentar um plano para autossuficiência, segurança alimentar, hídrica e energética, em curto, médio e longo prazo. Ele deverá quantificar os processos e prever a segurança financeira, caso necessário, para se alcançar a autossuficiência. Entre os passos sugeridos para o desenvolvimento do projeto final, o quadro a seguir apresenta alguns itens a serem seguidos.

Linha de desenvolvimento Fase do planejamento da propriedade/território
InventárioAvaliação EstratégiaPlanejamento Implementação
Paisagem naturalGeologia, geomorfologia, clima, solos, flora e fauna Sistemas de paisagem e componentes Sistemas de paisagem e componentes Sistemas de paisagem e componentes Sistemas de paisagem e componentes
Infraestrutura Sistemas e estruturas existentesPotenciais e limitaçõesRedes e nós (elos)Plano e especificaçõesAgendas de manutenção e atualização
Empresa
(monetário)
Pesquisa de tecnologias e métodos Análise SWOT*Plano de negócios Planejamento e especificações
Finanças
Tecnologia de trabalho
Programação e etapas
Doméstico/comunidade
(não monetário)
Pesquisa de campoSetores e zonasConceito do planejamentoLista de espécies, ações e materiaisCiclos sazonais
SWOT – Análise de determinação das forças, fraquezas, ameaças e oportunidades de um processo.
Quadro baseado nas estratégias de planejamento publicadas em HOLMGREN, David. Trees on the Treeless Plains: Revegetation Manual for the Volcanic Landscapes of Central Victoria. Victoria, Australia: Holmgren Design Services, 1994 (republished as Ebook 2006).

 

O que apresentar?

O projeto deve ser apresentado tanto graficamente quanto textualmente, ou seja, além de ser apresentado na forma de maquete virtual ou analógica, planta ou mapa, deverá também possuir um relatório que defina o plano de manejo da área planejada ao longo do tempo. Esses produtos devem apresentar:

  • leitura da paisagem;
  • setores na propriedade;
  • zonas energéticas;
  • elementos em conexão (nas zonas e entre zonas); e
  • análise de elementos quantificada (cada elemento).
Maquete do projeto final de planejamento, no qual foram utilizadas folhas de papelão para a construção da morfologia do terreno e linhas de barbante para a separação de zonas energéticas e cursos d’água. Foto: Arthur Nanni.

Mapas que se sobreponham, seja por meio de transparências ou por meio de aplicativos de geoprocessamento, são muito úteis para melhor compreender a espacialização do planejamento. É necessário desenvolver pelo menos seis mapas temáticos para um melhor entendimento do planejamento:

  • Mapa-base – deve conter informações como limite da área e estruturas permanentes como acessos, casas e cursos de água. É importante também situar o Norte e, se possível, expressar a escala em que foi desenhado o mapa.
  • Mapa de águas – deve indicar por onde passam os fluxos e onde podem ser estocados volumes de água para sua utilização. É importante incluir as trajetórias e reservatórios, tanto os naturais quanto aqueles que modificarão esse cenário após implementado o planejamento. É importante considerar, nesse mapa, as curvas de nível, pois elas indicarão os melhores caminhos para se planejar o manejo das águas.
  • Mapa de setores – deve incluir os setores com suas manifestações energéticas, águas (áreas drenadas e sujeitas a cheias), ventos predominantes e suas direções, insolação genérica, inclinações do terreno (declividade), curvas de nível; microclimas, risco de incêndios, ruídos, deslizamentos, etc.
  • Mapa de zonas energéticas – deve incluir a distribuição das zonas energéticas de manejo da área planejada.
  • Mapa de insolação – é um mapa de detalhe e deve indicar a intensidade com que o sol incide na área a ser planejada, considerando as flutuações inerentes às estações do ano (solstícios) e os elementos naturais e construídos no terreno em relação a sua posição relativa e sombreamentos associados. Procure estabelecer locais onde o sol incide por mais de 6 horas, de 3 a 6 horas e menos de 3 horas. Isso permitirá enquadrar algumas espécies vegetais em determinadas áreas, de acordo com exigências específicas de luminosidade.
  • Mapa-mestre do planejamento – deve incluir os elementos necessários previstos no planejamento. A posição de cada elemento deverá considerar a análise de elementos desenvolvida no projeto final. Via de regra, o mapa-mestre de planejamento tem mais de uma versão. Isso é normal e deve ser incentivado. Na prática, o dinamismo do manejo fará com que novas versões dessa distribuição de elementos no terreno ocorram em escala real, espacial e ao longo do tempo.

Dica: Você pode usar os programas Google Sketchup e Earth, que possibilitam visualizar o sombreamento no terreno.

Mapa de setores. Fonte: Grupo Sol, no segundo semestre de 2015 da disciplina “Introdução à Permacultura”.
Mapa de insolação para o inverno e para o verão em uma das áreas planejadas na disciplina “Introdução à Permacultura” da UFSC. Fonte: Arthur Nanni.
Mapa de zonas energéticas. Fonte: Grupo “Sol”, no segundo semestre de 2015 da disciplina “Introdução à permacultura”.

A apresentação dos projetos finais é um momento chave do curso, pois possibilita uma intensa interação entre os participantes e uma fabulosa troca de saberes. É nesse momento que cada um dos participantes tem a oportunidade de reconhecer novas possibilidades de planejamento, bem como agregar outras linhas de manejo ao seu projeto.

Na UFSC, primamos por desenvolver de três a quatro projetos em diferentes grupos para a mesma área em cada edição da disciplina. Sempre sugerimos aos grupos que maximizem as discussões intragrupo e evitem saber sobre os projetos dos demais grupos. Isso gera projetos diferentes e enriquece o processo do grupo todo. No dia final do curso, as apresentações mostram isso, na prática.

Discussão coletiva após a apresentação dos projetos finais de planejamento.

Atividade no EaD

É preciso deixar claro que o projeto final será realizado na área de trabalho previamente escolhida pelo participante quando da sua inscrição no curso e a qual o aluno tem focado, durante as atividades de avaliação do curso até aqui. É importante o participante considerar o número de pessoas que serão envolvidas na execução do projeto.

Para auxiliar no projeto final, será preciso apresentar o planejamento tal como foi comentado e como é aplicado no curso presencial.

Síntese

O projeto final apresentará muitas formas de apresentação e interpretação. Erros de representação em escala, tanto para a base cartográfica quanto para os elementos, aparecerão intensamente.

Na mesma linha, o relatório final apresentará algumas confusões de interpretação e de disposição dos itens a serem versados. O que reparamos é sempre uma confusão na análise de elementos, em que frequentemente os participantes conseguem muito bem definir as funções dos elementos, mas ficam devendo uma melhor compreensão das características e necessidades. Acreditamos que isso se deva à visão utilitarista da natureza que nos é inculcada desde a infância. Assim, sugere-se que se aborde essa temática sempre que possível ao longo do curso.

É importante lembrar que o perfil do participante de permacultura é bastante eclético. Assim, fica difícil fazer com que todos tenham uma boa compreensão de elementos do terreno, como topografia, declividade, etc. Alguns manifestarão mais afinidade pelas espécies vegetais e animais. Ainda haverá aquele grupo que mostrará afinidade com questões de planejamento social. Enfim, alunos de ciência naturais terão aptidões diferentes daqueles que provêm da área da saúde, das ciências sociais, das engenharias, etc.

Ao longo do curso, caberá ao grupo de instrutores perceber essas nuances de aptidão e, a partir delas, melhor guiar o grupo para um aprendizado mais fluido. Esse é um dos principais papéis do instrutor-âncora, que deverá estar em todos os encontros, fazendo as conexões temáticas necessárias.

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