Método de planejamento do espaço

Importância

A metodologia de planejamento do espaço, proposta pela permacultura, é o passo-chave no processo de planejar um sistema, pois considera os fluxos energéticos presentes na paisagem, bem como aqueles demandados pelo permacultor, para manejar uma área/território. Com sua aplicação, é possível reduzir os tempos e esforços para resolver as rotinas de manejo de uma área, envolvendo a produção de alimentos e a manutenção dos elementos que irão compor o ambiente planejado.

Objetivo

Mostrar aos participantes a parte mais “sistemática” da permacultura, que congrega essencialmente os conhecimentos de ecologia, clima e leitura da paisagem.

Conteúdo mínimo

Setores climáticos, zonas energéticas e análise dos elementos, considerando suas características, necessidades e funções. Estabelecimento de conexões entre elementos e zonas.

Metodologia

  • Aula expositiva e dialogada com construção coletiva de conceitos, onde os participantes vão incorporando as relações de ambiente e espacialização de elementos.
  • Prática em grupos para análise de elementos.

Exposição

60 min

Introduza o cenário de contexto, conceito e técnicas, onde o contexto de planejamento está vinculado à paisagem que será planejada, ao número de habitantes, suas necessidades, características e funções. O conceito de planejamento é a própria aplicação da filosofia da permacultura e, por fim, as técnicas de manejo de cada elemento entram para auxiliar no planejamento sistêmico.

As escalas de observação no planejamento. Imagem: Lucas Espírito Santo.

A partir daqui à exposição torna-se participativa. Não há projeção de imagens, o conteúdo será construído a caneta/giz e em tempo real com a opinião dos participantes.

Sugerimos que comece pela escala dos elementos. Escolha um bem fácil de analisar, como, por exemplo, a galinha ou a minhoca. Desenhe o elemento no quadro, separe três balões, sendo um para necessidades, outro para características e mais um para funções. Dos três quesitos, sugere-se não começar pelas funções, pois elas devem aparecer naturalmente, uma vez que a maior parte das pessoas tem uma visão utilitarista da natureza. Pergunte, então, quais são as necessidades do elemento e peça que descrevam suas características intrínsecas. Paralelamente, vá inserindo funções que acabam sendo “cantadas” pelo grupo.
Após a análise desse elemento de exemplo, parta para uma distribuição de elementos em uma área espacial. Proponha uma dinâmica hipotética, em que o grupo irá pensar em uma propriedade rural para atender às necessidades de uma família. Solicite que o grupo indique o que é preciso para viver no campo. Em um canto do quadro, vá anotando essas coisas (elementos) e deixe o restante do quadro (maior parte) em branco.

A galinha como exemplo de elemento móvel, suas características, necessidades e funções. Foto: Arthur Nanni.

Após esgotar os elementos que o grupo deseja colocar no espaço hipotético, migre para o espaço em branco reservado. Coloque um Norte e tome a decisão de descrever setores do local onde está sendo desenvolvido o PDC. Desenhe as direções dos ventos principais, indique se são quentes ou frios, secos ou úmidos. Trace a trajetória do sol de verão e de inverno. Enfim, ponha no quadro os diferentes setores reconhecidos pelo grupo.

Após isso, coloque a casa no meio desse espaço em branco e parta para a distribuição de cada elemento listado pelo grupo. Posicione-os considerando a necessidade de tempo/energia a ser gasto para seu manejo. Mais do que isso, agregue informações das características de cada elemento e suas necessidades de manutenção e, não se esqueça de posicioná-los de forma a servir outros elementos além de você. A distribuição desses elementos tende a seguir a lógica energética, ficando os que necessitam de maior tempo de cuidado próximos da casa e vice-versa. Vá marcando/riscando os elementos que já foram posicionados, para que os participantes possam ver o que ainda falta para ser alocado na paisagem.

Ao terminar de posicionar todos os elementos, desenhe as envoltórias das zonas energéticas e, ao terminar, faça uma espécie de curva de gasto de tempo e energia em relação a essas zonas, como se fosse um gráfico.

O Gasto energético de manejo na paisagem planejada, os elementos e as zonas. Foto: Arthur Nanni

Práticas

Análise de elementos

45 min

A ideia dessa prática é fazer com que os participantes, separados preferencialmente pela composição de seus grupos de planejamento final, possam iniciar o processo de análise de elementos, que será necessário ao projeto de conclusão do curso.

Materiais necessários:

  • folha parda ou cartolina com espaço para escrita e desenhos; e
  • canetas coloridas e lápis de cor.

Solicite aos participantes que escolham três elementos hipotéticos, sendo um animal, outro vegetal e, por fim, um estrutural. Solicite que os grupos façam a análise de cada elemento e definam as inter-relações entre eles. Essa análise de inter-relação é fundamental, porque o elemento cumpre a sua função direta e, somado a esses dois adicionais, poderá cumprir mais duas necessárias para ser inserido na paisagem de planejamento.

Prática de análise de elementos com a tutoria dos instrutores. Foto: Marcelo Venturi.

Reconhecendo zonas

60 a 180 min

Para essa prática, deve-se ter um ambiente planejado segundo a lógica energética da permacultura e, claro, um bom conhecimento sobre ele. O ideal é contar com o apoio de quem o planejou. No caso da disciplina da UFSC, são utilizadas geralmente propriedades permaculturais da Grande Florianópolis, como o Sítio Igatu, o Sítio Silva e o Sítio Curupira.

Prepare antecipadamente imagens aéreas desse ambiente planejado e imprima-as em folhas A4 em quantidade equivalente aos grupos que farão o projeto final, ou separe em três ou quatro grupos, caso os projetos finais sejam individuais. Distribua um conjunto contendo uma prancheta, a impressão e canetas em cores para cada grupo.

Dica: Use imagens do Google Earth capturadas via printscreen e imprima-as em uma folha. Insira elementos que possam dar ideia de dimensões (escala) e, claro, sinalize o Norte.

Mostre a imagem a todos os grupos e, uma vez separados, busque explicar-lhes como navegar olhando a imagem. Mostre onde estão no espaço e comente sobre a trajetória do passeio que farão nessa prática.

Alerte todos os grupos de que, ao longo da caminhada pela propriedade, serão apontados apenas elementos no sistema planejado. A tarefa de cada grupo é reconhecer a que zona pertencem determinados elementos. Após isso, dá-se início à dinâmica percorrendo um caminho que cruze todas as zonas e possibilite a visualização de suas trocas. A cada passagem podem ser feitos avisos a respeito da mudança de zonas, principalmente quando a mudança não for muito clara. Nessa caminhada, os grupos deverão desenhar a envoltória de cada uma das zonas energéticas na imagem.

Ao final da caminhada, cada grupo apresenta sua interpretação de zonas, e o instrutor faz uma breve discussão sobre as diferenças de cada interpretação, buscando clarear a distribuição das zonas energéticas. Nesse momento, vários conceitos-chave poderão/deverão ser trabalhados. O uso de um gabarito ajudará no processo didático. Caso algum grupo tenha acertado a distribuição das zonas, utilize essa interpretação como gabarito.

Atividade no EaD

Fixando os conceitos de zonas

Sugira uma zona energética correspondente para cada questão colocada conforme as características apresentadas:

  • Área onde há floresta preservada ou em estágio de regeneração. Serve como barreira perante outras propriedades. Local de inspiração, descanso e lazer. (Zona 5)
  • Zona onde está a casa ou a edificação principal. (Zona 0)
  • Zona intensamente manejada, com árvores que necessitam de podas, frutíferas de pequeno porte, açudes e criação de aves. (Zona 2)
  • Zona com a menor interferência humana possível. (Zona 5)
  • Aqui devem estar elementos que necessitam pouco manejo, como cultivos perenes, anuais ou bianuais. (Zona 3)
  • Zona que pode conter açudes ou tanques maiores de água, que servem como reserva para ser utilizada em período de seca. (Zona 3)
  • Utilizada para extração de madeira, serapilheira, alguns frutos e sementes. (Zona 4)
  • Podem ser criados aqui animais que se sustentam sozinhos, aqueles que necessitam o mínimo de atenção humana. (Zona 4)
  • Zona onde há maior interação e convívio entre as pessoas. (Zona 0)
  • Onde se encontram horta, composteira, plantas medicinais e ervas. (Zona 1)
  • Podem ser plantadas, nesta zona, árvores que servem de barreira contra o vento. (Zona 2)
  • Zona ao redor da casa ou edificação principal. (Zona 1)

Metodologia do planejamento

Para esta atividade, solicite ao aluno que trabalhe no croqui feito anteriormente na atividade de leitura da paisagem.

  • Setores: com base na interpretação da paisagem da propriedade realizada na aula sobre Leitura da Paisagem, defina e desenhe os setores no croqui da propriedade:
    • insolação no inverno e verão;
    • ventos e suas épocas predominantes;
    • risco de incêndios;
    • áreas úmidas; e
    • fonte de ruídos e outras interferências externas.
  • Zonas energéticas: com base na rotina e no propósito da propriedade, estabeleça a melhor distribuição para zonas energéticas. Desenhe-as sobre o croqui. (O desenho pode ser feito no software de sua preferência ou a mão e, após, escaneado ou fotografado para envio ao tutor).
  • Análise de elementos: a partir dos elementos mapeados no módulo anterior para a propriedade que você escolheu:
    • Realize a análise de elementos, estabelecendo as características intrínsecas, as necessidades e as funções para cada elemento. Sistematize-os em forma de tabela.
    • Uma vez determinadas essas variáveis, reposicione os elementos nas zonas energéticas.

Conteúdo complementar

Vídeos

Leitura

Aula

Referências sugeridas

MARS, R. O design básico em permacultura. Porto Alegre: Via Sapiens, 2008.

Permaculture design strategies and Techniques. In: MCKENZIE, Lachlan; LEMOS, Ego. The Tropical Permaculture Guidebook: A Gift from Timor-Leste. International Edition, 2017. v. 1. ISBN: 978-0-6481669-9-3. Disponível em: http://permacultureguidebook.org/. Acesso em: 31 maio 2019.

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