Permacultura e sociedade

Importância

Traz a reflexão a respeito de todas as estruturas (sociais, culturais, políticas, econômicas e biológicas) que influenciam na vida humana e seus impactos para a aplicação do planejamento permacultural.

Objetivos

Fomentar entre os participantes uma reflexão pessoal sobre perceber o impacto da permacultura para além da organização e produção da terra. Facilitar a percepção de estruturas invisíveis que moldam suas ações e que são fundamentais para contemplar as éticas da permacultura. Assimilar uma nova perspectiva de vida apresentada através dos demais conteúdos para:

  • aprender a aplicar os princípios da permacultura em qualquer ambiente social;
  • ser capaz de fazer uma autoanálise;
  • ampliar o planejamento permacultural para questões subjetivas;
  • utilizar os conhecimentos adquiridos durante o curso logo após sua finalização, tendo ou não espaço físico destinado a isso;
  • disseminar uma nova perspectiva de vida em sociedade; e
  • identificar a presença de estruturas invisíveis nos mais variados campos possíveis.

Conteúdo mínimo

Estruturas sociais, ambientais, culturais, econômicas e políticas. Sua identificação, aplicações e implicações. A permacultura e o cuidado com os animais (sem especismo), a utilização dos princípios para pensar e organizar a vida.

Metodologia

Práticas

Olhando para a Zona 1

30 min

Para fazer uma reflexão sobre o que são e como impactam as estruturas invisíveis, essa prática propõe um exercício autorreflexivo, aplicando os princípios da permacultura para um planejamento pessoal. Consiste em pedir para que os aprendizes respondam, em uma folha, as seguintes questões: “Quem sou? Por que sou? Por que e para o que eu vivo? Quais são meus objetivos? Conheço minhas qualidades e defeitos? Sou capaz de descrevê-los? Quanto aos defeitos, posso mudar? Devo mudar? Isso impacta a minha vida e/ou a vida das pessoas próximas?” As questões são pessoais, devem ser respondidas individualmente, sem necessidade de serem concluídas. O objetivo é fomentar um processo de reflexão que deve ser contínuo.

Planejamento pessoal: implementando a permacultura imediatamente

60 min

Inicia-se a prática perguntando quantos dos aprendizes possuem um espaço de terra para a aplicação do planejamento permacultural aprendido até então. Ao verificar que nem todos têm essa possibilidade, argumenta-se que existem outras possibilidades de utilizar a permacultura desde já. Caso nem todos possam aplicar a permacultura em uma propriedade rural, ainda assim é necessário lembrá-los dos três princípios éticos, entre eles, o cuidado dos animais (no qual incluímos o homem, sem especismo). A prática consiste em iniciar um projeto pessoal de planejamento permacultural. Para tanto, é sugerido que os doze princípios de planejamento estejam bem visíveis para a turma. Pensando na questão: “Como os princípios se aplicam de agora em diante na minha vida?”, o facilitador deve exemplificar que, por exemplo, ao pensarmos no princípio “capte e armazene energia” é preciso pensar em como vivenciamos isso diariamente, questionando a dinâmica diária da nossa vida. Moradia versus distância do trabalho; alimentação versus qualidade nutricional e preço; e outras possibilidades de análises, onde o estudante é levado a refletir sobre suas escolhas, se é, por exemplo, possível ou não atribuir três qualidades para o local onde mora e assim por diante. Ao final do exercício, em roda, cada um dos aprendizes compartilha uma das conclusões à qual chegou e debate com os outros sobre ela.

Dinâmicas

Memento Morin

60 min

Para a realização desta dinâmica, é necessário que os aprendizes sejam avisados que devem levar um objeto pessoal de grande estima para a aula. Em roda, todos devem comentar brevemente o motivo da escolha e a importância do objeto. Após todos terem falado do seu objeto, o facilitador diz que eles devem doar esse objeto para a pessoa que está ao lado, dando a entender que é o momento de se desfazer dele. Após isso, é necessário explicar o significado da expressão latina “memento mori”, que remete à necessidade de lembrar que somos todos mortais. Depois disso, inicia-se um debate sobre apego, materialismo, consumismo, estruturas sociais, necessidades, compartilhamento e outras questões que os aprendizes irão levantar.

Dinâmica dos grupos

15 min

Com espaço para circulação de um lado para outro, para iniciar essa dinâmica é necessário dividir os aprendizes em dois grupos iniciais: de um lado, aqueles que nasceram com pênis (esquerda, por exemplo) e do outro, aqueles que nasceram com vagina (ficariam à direita). Após os aprendizes se posicionarem, o facilitador explica que essa é a primeira divisão realizada desde que nascemos e que é uma classificação biológica que não está relacionada exatamente com as nossas afinidades. Apesar disso, essa classificação, que pertence a uma estrutura sociocultural invisível, vai determinar vários aspectos da nossa vida. Após isso, o facilitador faz uma série de questões que farão com que essa configuração inicial se modifique. As perguntas sugeridas são: “Quem já sofreu preconceito? (Pede-se para que se posicione à direta, por exemplo. Aqueles que acreditam não ter sofrido, ficam à esquerda.) Quem está apaixonado? Quem pratica algum esporte? Quem toca algum instrumento? Quem sente saudades dos pais? Quem gosta de frio? Quem gosta de café? Quem segue alguma religião? Quem já sofreu por amor? Quem já se sentiu sozinho? Quem está passando por alguma dificuldade na vida? E a última: Quem acredita no amor?”. Após, o grupo deve ser levado a uma reflexão sobre as estruturas invisíveis que nos classificam e a variação nos grupos, que nem percebemos, mas existem. Além disso, se todo o grupo demonstrar que acredita no amor, é possível debater sobre as coisas boas que unem a humanidade.

Exposição

30 min

O tema para exposição é: ciclos e imperfeição. Podem ser utilizadas imagens de plantas, de pessoas jovens e velhas, saudáveis e doentes, imagens que descrevem o ciclo menstrual, entre outras. O objetivo é questionar a ideia de busca de uma perfeição inexistente, aceitar os ciclos naturais, a saúde e a doença e tantas outras questões que são negligenciadas na sociedade atual, levando o aprendiz a refletir sobre a existência de um equilíbrio constante na vida, e aceitando as adversidades, apesar de a sociedade buscar um ideal de vida que as negue. Lembre os princípios da permacultura que abordam a temática, por exemplo: pensar criativamente e responder às mudanças, observar e interagir, usar e valorizar a diversidade etc.

As duas obras de Vitória Olivier, “Pachamama” (2017) (a esquerda) e “Ciclos e transformações” (2017) (a direita) representam os ciclos de vida sobre uma nova ótica, evidenciando transformações e continuidade, além da conexão e possibilidades de leituras, indo desde o ciclo feminino (menstrual), até o ciclo de transformação da água, que evapora, congela, também é chuva, mar e rio.

Tarefas

Pedir para que após a aula os aprendizes pesquisem em casa os seguintes temas: banco de tempo, economia solidária, cooperativismo, Dragon Dreaming, métodos de decisão para diferentes grupos (consenso, representação direta etc.). Essa tarefa é importante por possibilitar que os aprendizes conheçam diferentes possibilidades para questões socioeconômicas.

Atividade no EaD

Com base no vídeo Marinaleda (Veja na playlist PDC – permacultura e sociedade no canal da Rede NEPerma Brasil), solicite ao participante que [re]pense como o [des]envolvimento social pode ser potencializado na sua comunidade.

Considerando a realidade da comunidade que abriga a sua área de planejamento permacultural, desenvolva uma crítica sobre quais as melhores formas de tornar efetivas as estruturas invisíveis.

Conteúdo complementar

Vídeos

Aula

Referências sugeridas

ARENDT, Hannah. Trabalho, obra, ação. Tradução Adriano Correia. Cadernos de Ética e Filosofia Política, n. 7 , v. 2, p. 175-201, 2005. Disponível em: https://filosoficabiblioteca.files.wordpress.com/2013/10/arendt-trabalho-obra-acao.pdf. Acesso em: 7 jun. 2019.

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Tradução Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

DE WAAL, Frans. A era da empatia: lições da natureza para uma sociedade mais gentil. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

FOUCAULT, Michel. História da sexualidade I: a vontade de saber. 19. ed. Rio de Janeiro: Graal, 2009.

MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. Tradução Eliane Lisboa. Porto Alegre: Sulina, 2005. 120 p.

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