Nós da Rede Brasileira de Núcleos e Estudos em Permacultura estamos desenvolvendo uma pesquisa com objetivo de registrar “técnicas permaculturais” desenvolvidas pelo Brasil afora em cada um de seus contextos, por exemplo, para as realidades de cada bioma. Para isso, estaremos na estrada nos próximo meses cobrindo os estados das regiões Sudeste, Centro-oeste e Sul em busca de permacultores (por formação), assentados e originais (povos tradicionais, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, etc.) que desenvolvem uma “cultura de permanência”. Isto é, que estão há gerações vivendo de forma sustentável em seus locais, com o mínimo de necessidade de importação de recursos externos ao seu sistema, priorizando, assim, ciclos curtos e fechados. Se você tiver contatos de parcerias nessa linha, por favor, nos informe.
A Revista Perma é uma publicação da Rede NEPerma Brasil, que busca promover e popularizar a permacultura. A obtenção do registo ISSN 3085-6760 consolida a Revista como periódico científico-popular na temática da permacultura.
Agora, cada artigo publicado conta com um DOI que fornece um link permanente, facilitando o acesso e o compartilhamento das obras publicadas na Revista Perma.
Com dois números publicados, a Revista Perma está com chamada aberta para submissões de manuscritos para o próximo número, que serão recebidas até 1º de Maio de 2025 para que as primeiras publicações sejam lançadas em fluxo contínuo a partir de 22 de setembro no equinócio de primavera de 2025.
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Marsha Hanzi é uma personagem icônica na permacultura brasileira. Formada pela primeira turma em 1992, seus anos de experiência e luta na difusão da permacultura no Brasil, nos mostram muitas possibilidades de caminharmos para um futuro de energia em decrescimento e exigentes adaptações ao novo regime climático.
Nesse episódio do Permacultura em prosa visitamos Marsha Hanzi nos Jardins Marizá em Tucano/BA. Na entrevista, ela nos conta um pouco sobre sua história e da permacultura no Brasil. Desde constatações de manejo no semiárido e temas mais polêmicos como a educação básica, Marsha fala da sua experiência passados 21 anos de vivências da permacultura no nordeste brasileiro. Fique à vontade e confira essa prosa em todos seus detalhes.
No roteiro de visitas dessa etapa do projeto Permacultura Brasileira – Permabrasuca – conhecemos sete experiências na Bahia e duas no Espírito Santo.
Uma comunidade, cansada de esperar a conclusão das obras de uma escola, se organizou para ocupar e administrar o espaço de ensino e atender as crianças do distrito de Maniaçu em Caetité na Bahia. Nesse contexto, a comunidade adentra as instalações inacabadas e inicia uma revolução na educação local, permitindo as crianças acessarem um local mais adequado para aprenderem e socializarem. O pátio da escolha virou um grande sistema agroflorestal e aos poucos outras práticas da permacultura e agroecologia seguem sendo implantadas.
Em Barreiras, no oeste da Bahia, um espaço de vida bioconstruído junto as escarpas da Serra do Mimo, mostra a harmonização da ocupação territorial pensada nos moldes da permacultura com o entorno. Materiais locais, conforto térmico e qualidade de vida em um contexto de temperaturas elevadas.
Depois do Oeste baiano, o leste se fez presente em Tucano, onde vive Marsha Hanzi, referência em permacultura no Brasil. Em seu espaço de vida conhecido como Jardins Marizá, a permacultura aparece em todos os cantos, revelando a sabedoria dessa mestra em planejamento de ambientes naturais.
Ainda em Tucano, conhecemos o espaço de produção de Luiz, um dos seguidores dos conhecimentos de Marsha. Em seu espaço, o permacultor cultiva alimentos em sistemas agroflorestais fertirrigados por gravidade com águas provenientes de um açude à montante dos plantios, fornecendo boas condições de crescimento para as plantas.
Em direção ao litoral, conhecemos o Quilombo Tenondé, em Valença. Nesse espaço coletivo de resistência tivemos a oportunidade de vivenciar a expressão cultural do Permangola e pudemos aprender melhor sobre sistemas produtivos pensados para o contexto da floresta atlântica. No local, há também um arranjo de captação de águas das chuvas que abastece um sistema de aquaponia de pequena escala que utiliza águas reservadas excedentes em sua manutenção.
No litoral acompanhamos de perto o cotidiano da ecovila Piracanga em Maraú. O espaço conta com moradores permanentes e temporários e possui duas escolas, uma de formação básica e outra com viés na educação ambiental. Pensada para se adaptar ao contexto de ter sob suas casas às águas de consumo, a ecovila possui sistemas ecológicos de tratamento de efluentes. A mobilidade do espaço também merece destaque no que tange o estímulo ao caminhar e socializar-se.
No Estado do Espírito Santo, essa etapa de visitas do Permabrasuca, teve como objetivo cobrir o Norte do Estado em complementação ao sul, visitado em 2022. No interior de Conceição da Barra em meio a um mar de eucaliptos, visitamos o espaço de retomada do Quilombo de Santana, onde em um pouco mais de 1ha, Sidilei cultiva muitos alimentos em sistemas agroflorestais, o que estimula a infiltração das águas nos mananciais porosos do litoral capixaba. O espaço ainda em estruturação mostra bem o potencial produtivo do contexto dessa região, quando há um bom manejo da natureza.
Por último, visitamos na localidade de Riacho doce em Conceição da Barra, o espaço de vida de uma comunidade tradicional em busca do seu reconhecimento como indígenas. Podemos entender melhor como essas pessoas resistem às pressões das imposições governamentais sobre suas tradições em virtude da implantação do Parque Estadual de Itaúnas.
Espaço agroflorestal em São Mateus/ES.Bioconstrução em Itaúnas/ESKilombo Tenondé em Valença/BAEcolvila de Piracanga em Maraú/BAJardins Marizá em Tucano/BASistemas produtivos em Tucano/BAEscola em Caetité/BABiocontrução em Barreiras/BA
Ao longo de mês de setembro o projeto de pesquisa Permabrasuca percorreu a região nordeste e conheceu experiências José Dias/PI, região do Cariri Cearense e em Ibimirim/PE.
No entorno do Parque da Serra da Capivara, o Instituto Olho D’água trabalha com a ressignificação territorial dos povos que vivem o cotidiano do semiárido. Lá, as crianças aprendem em atividades profissionais de contraturno, uma série de afazeres e conhecimentos que fortalecem as raízes culturais da região.
Na região do Cariri Cearense, berço da primeira iniciativa brasileira de pós-graduação em permacultura junto à UFCA, conhecemos o Instituto de Permacultura Aldeia da Luz, que conta com um espaço de formação bioconstruído em Barbalha/CE e com uma RPPN em estruturação no município do Crato/CE, onde são desenvolvidas ações com a comunidade de Monte Alverne. Além desses, visitamos o espaço de vida e produção da Família Gomides no Crato/CE, onde sistemas agroflorestais adaptados às condições bioclimáticas geram fartura à mesa. Ainda conhecemos o ponto de cultura Beatos, que desenvolve ações e iniciativas de preservação das culturas e saberes da tradição oral, preservação do meio ambiente, educação, cultura e artes dos povos do Cariri cearense.
Prosseguindo na região do Cariri, houve a passagem pela UFCA para conhecer o trabalho da Profa. Francisca Pereira, que rendeu encontros e reuniões que focaram a disseminação da permacultura em um projeto de extensão e junto à esfera administrativa da universidade.
Já em Pernambuco, a visita ocorreu no Serviço de Tecnologia Alternativa – SERTA – uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), que promove o empoderamento de pessoas por meio de formações em permacultura e agroecologia, para atuarem na transformação das circunstâncias econômicas, sociais, ambientais, culturais e políticas e na promoção do desenvolvimento sustentável, com foco no campo.
Projeto de extensão com alunos da UFCAEspaço de vida da família Gomides no Crato/CEInstituto Olhos d´agua em José Dias/PIRPPN Aldeia da luz no Crato/CESERTA em Ibimirim/PEONG Beatos no Crato/CEEspaço do Instituto Aldeia da Luz em Barbalha/CE