{"id":80,"date":"2023-10-14T17:09:42","date_gmt":"2023-10-14T20:09:42","guid":{"rendered":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/?post_type=article&#038;p=80"},"modified":"2025-02-04T19:11:27","modified_gmt":"2025-02-04T22:11:27","slug":"e11202302","status":"publish","type":"article","link":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/article\/e11202302\/","title":{"rendered":"Agricultura Ecol\u00f3gica: uma conversa com Fukuoka, Jackson e Mollison"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\" align=\"right\"><span style=\"font-size: small\"><span lang=\"pt-BR\"><i><b>Perma<\/b><\/i><\/span><\/span><span style=\"font-size: small\"><span lang=\"pt-BR\"><i> \u2013 Rev. <\/i><\/span><\/span><span style=\"font-size: small\"><span lang=\"pt-BR\"><i>P<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-size: small\"><span lang=\"pt-BR\"><i>erma \u2013 <\/i><\/span><\/span><span style=\"font-size: small\"><span lang=\"pt-BR\"><i>Perma jour.<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-size: small\"><span lang=\"pt-BR\"><i>, v. 1, <\/i><\/span><\/span><span style=\"font-size: small\"><span lang=\"pt-BR\"><i>n. 1<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-size: small\"><span lang=\"pt-BR\"><i>,<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-size: small\"><span lang=\"pt-BR\"><i> e1<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-size: small\"><span lang=\"pt-BR\"><i>1<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-size: small\"><span lang=\"pt-BR\"><i>20230<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-size: small\"><span lang=\"pt-BR\"><i>2<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-size: small\"><span lang=\"pt-BR\"><i>,<\/i><\/span><\/span><i> <\/i><span style=\"font-size: small\"><span lang=\"pt-BR\"><i>primavera de <\/i><\/span><\/span><span style=\"font-size: small\"><span lang=\"pt-BR\"><i>2023<\/i><\/span><\/span><\/p>\n<p><b>Refer\u00eancia completa da obra que foi traduzida<\/b>:<\/p>\n<p align=\"justify\">Mother Earth News. (1987). Ecological Farming: A Conversation With Fukuoka, Jackson and Mollison. <i>Mother Earth News<\/i>. <a href=\"https:\/\/www.motherearthnews.com\/homesteading-and-livestock\/ecological-farming-zmaz87mazgoe\">https:\/\/www.motherearthnews.com\/homesteading-and-livestock\/ecological-farming-zmaz87mazgoe<\/a><\/p>\n<p align=\"left\"><i><b>Ecological Farming: a conversation with Fukuoka, Jackson and Mollison<\/b><\/i><\/p>\n<p align=\"left\"><a href=\"https:\/\/orcid.org\/0000-0002-1978-6811\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-61\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/09\/ORCIDiD_icon24x24.png\" alt=\"\" width=\"24\" height=\"24\" \/><\/a>CAMPOS, Paulo Eduardo Rolim<sup><span style=\"font-size: medium\"><a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote1sym\" name=\"sdfootnote1anc\">1<\/a><\/span><\/sup>; <a href=\"https:\/\/orcid.org\/0000-0001-7713-0223\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-61\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/09\/ORCIDiD_icon24x24.png\" alt=\"\" width=\"24\" height=\"24\" \/><\/a>MEDEIROS, Luciana Melo de<sup><span style=\"font-size: medium\"><a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote2sym\" name=\"sdfootnote2anc\">2<\/a> <\/span><\/sup><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"font-size: small\"><i>Submetido em 5 dez 2022, Aceito em 23jun2023<br \/>\n<\/i><\/span><span style=\"font-size: small\"><i>Avaliado por Elias Ribeiro Arruda<\/i><\/span><\/p>\n<p><em>DOI: <\/em><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.5281\/zenodo.14749043\"><em>https:\/\/doi.org\/10.5281\/zenodo.14749043<\/em><\/a><\/p>\n<p><b>Resumo: <\/b>Em 1986, nos Estados Unidos da Am\u00e9rica, ocorreu a 2\u00ba Confer\u00eancia Internacional de Permacultura que propiciou o extraordin\u00e1rio encontro entre alguns dos mais prof\u00edcuos pensadores do movimento global por uma agricultura regenerativa. Na ocasi\u00e3o registrou-se uma conversa entre Masanobu Fukuoka (1913-2008), anci\u00e3o japon\u00eas, microbiologista, praticante da agricultura selvagem; Wes Jackson (1936), <i>cowboy<\/i> norte-americano, geneticista com sua agricultura perene e Bill Mollison (1928-2016), rebelde jardineiro australiano, bioge\u00f3grafo, cocriador da Permacultura. O manuscrito retrata o hist\u00f3rico encontro, e apresenta uma inusitada entrevista entre estes importantes agricultores \u2013 pesquisadores, que s\u00e3o fundamentais no processo de ruptura epistemol\u00f3gica sob uma ci\u00eancia de base hol\u00edstica.<\/p>\n<p><b>Palavras-chave:<\/b> Ecologia radical; Hist\u00f3ria da Permacultura; Virada paradigm\u00e1tica.<\/p>\n<p lang=\"en-US\"><b>Abstract:<\/b> In 1986, in the United States of America, the 2<sup>nd<\/sup> International Conference on Permaculture took place, which provided an extraordinary meeting between some of the most fruitful thinkers of the global movement for regenerative agriculture. On that occasion, a conversation was recorded between: Masanobu Fukuoka (1913-2008), Japanese elder, microbiologist, practitioner of wild agriculture; Wes Jackson (1936), American cowboy, geneticist with his perennial agriculture; and Bill Mollison (1928-2016), rebellious Australian gardener, biogeographer, co-creator of Permaculture. The manuscript portrays the historic meeting, and presents an unusual interview between these important farmers &#8211; researchers, who are fundamental in the process of epistemological rupture under a science with holistic basis.<\/p>\n<p><b>Keywords:<\/b> History of Permaculture; Paradigmatic turn; Radical ecology.<\/p>\n<h1 class=\"western\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h1>\n<p>Teremos, a seguir, um di\u00e1logo entre tr\u00eas sujeitos que optaram em assumir pap\u00e9is de vanguarda durante sua passagem no planeta Terra. O registro desse encontro inusitado entre sujeitos not\u00e1veis adquire import\u00e2ncia tamb\u00e9m no sentido de manter acesa a chama dos ideais de transforma\u00e7\u00e3o social a partir de uma urgente e necess\u00e1ria virada paradigm\u00e1tica da rela\u00e7\u00e3o com a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e o manejo da terra.<\/p>\n<p>Dos tr\u00eas, apenas Wes Jackson encontra-se vivo, hoje com 87 anos. Masanobu Fukuoka faleceu em 2008 aos 95 anos e Bill Mollison em 2016, com ent\u00e3o 88 anos. Vale ressaltar que de 1986 para c\u00e1, ano do registro, se passaram mais de tr\u00eas d\u00e9cadas e o que mais chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a atualidade e urg\u00eancia do seu conte\u00fado.<\/p>\n<p>O bate-papo entre estes sujeitos not\u00e1veis aconteceu por ocasi\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o da 2\u00b0 Confer\u00eancia Internacional de Permacultura, ocorrida nos Estados Unidos da Am\u00e9rica, de 8 a 10 de agosto de 1986, nas depend\u00eancias do Evergreen State College, em Olympia, capital do estado de Washington. A entrevista foi conduzida pelo jornalista Pat Stone e publicada originalmente na revista <i>Mother Earth News<\/i><a href=\"https:\/\/www.zotero.org\/google-docs\/?H6bMaa\">[1]<\/a>, em sua edi\u00e7\u00e3o de mar\u00e7o-abril de 1987. Abaixo reproduzimos na \u00edntegra o di\u00e1logo ocorrido.<\/p>\n<p class=\"western\"><strong><span style=\"font-size: 14pt\">Uma conversa com tr\u00eas agricultores-pesquisadores e l\u00edderes do movimento global por uma agricultura natural e permanente, falando sobre agricultura ecol\u00f3gica e as sementes do nosso futuro.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Em agosto passado (1986), tr\u00eas l\u00edderes do movimento global por uma agricultura natural e permanente (tamb\u00e9m chamada de Permacultura) reuniram-se no Evergreen State College, em Olympia, Washington, para a 2\u00ba Confer\u00eancia Internacional de Permacultura. O <i>Mother Earth News <\/i>tamb\u00e9m esteve l\u00e1, e nosso colunista do <i>Seasons of the Garden<\/i>, obteve uma tripla entrevista exclusiva com os sujeitos que foram rotulados como a &#8220;Sant\u00edssima Trindade&#8221; da agricultura ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Logo mais abaixo, de maneira editada, apresenta-se um di\u00e1logo entre pessoas que est\u00e3o assumindo pap\u00e9is-chave na defini\u00e7\u00e3o do futuro do nosso planeta. Antes, deixe que Pat Stone, o editor-assistente que conduziu a entrevista, apresente a voc\u00ea algumas informa\u00e7\u00f5es sobre os tr\u00eas sujeitos:<\/p>\n<p>O australiano Bill Mollison criou o conceito de Permacultura, a partir da Agricultura Ecol\u00f3gica. Com uma barba grisalha e voz grossa, Bill tem um senso de humor seco, um temperamento mal-humorado e uma absoluta dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 sua causa. Antes de discursar na confer\u00eancia, ele se apresentou como \u201cum grande contador de hist\u00f3rias que j\u00e1 motivou milhares de pessoas a entrar em a\u00e7\u00e3o\u201d. Mollison ocupou v\u00e1rios postos de trabalho: de marinheiro a professor-pesquisador s\u00eanior de Psicologia Ambiental na Universidade da Tasm\u00e2nia. Dois anos antes de sua aposentadoria, ele deixou essa est\u00e1vel posi\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria para abrir os caminhos para a Permacultura.<\/p>\n<p>Para Mollison, a agricultura permanente significa sistemas sustent\u00e1veis cuidadosamente projetados, nos quais o arranjo, a organiza\u00e7\u00e3o e as intera\u00e7\u00f5es de plantas e animais s\u00e3o os fatores centrais. Plantas perenes, especialmente \u00e1rvores, desempenham um grande papel em suas paisagens multiesp\u00e9cies. Um sistema permacultural exige muito planejamento e um bom trabalho para se concretizar. Entretanto, quando consolidado tem a capacidade de se auto manter.<\/p>\n<p>Wes Jackson pesquisa combina\u00e7\u00f5es de lavouras perenes em Salina, Kansas\/EUA. Ele \u00e9 um imponente \u201ccowboy\u201d do centro-oeste americano, de m\u00e3os grandes e sempre com um sorriso no rosto. Jackson combina uma natureza calorosa, um humor original e pesquisas cient\u00edficas de excel\u00eancia (Ele \u00e9 doutor em Gen\u00e9tica). Um de seus temas favoritos para proferir palestras, por exemplo, \u00e9: \u201cPolicultura de herb\u00e1ceas perenes produtoras de gr\u00e3os: uma contribui\u00e7\u00e3o ao fim da possibilidade do holocausto nuclear e a solu\u00e7\u00e3o para todos os problemas conjugais\u201d.<\/p>\n<p>Nos 80 hectares do Land Institut, nas pradarias do meio-oeste americano, Wes e sua equipe de pesquisa trabalham para criar uma mistura de lavouras perenes como girassol, centeio e outras que possam produzir uma colheita cont\u00ednua de gr\u00e3os durante todo o ano. Esse sistema de alto rendimento responderia por sua pr\u00f3pria fertilidade, minimizaria problemas com pragas e ervas daninhas e n\u00e3o necessitaria preparar anualmente o solo de forma um tanto erosiva. O sistema alimentar autossustent\u00e1vel seria projetado por humanos, mas seguiria os princ\u00edpios da natureza. \u201cN\u00e3o \u00e9 que os humanos n\u00e3o executem com a mesma rapidez da Natureza , mas \u00e9 s\u00f3 porque a Natureza j\u00e1 faz isso h\u00e1 muito mais tempo.\u201d diz Jackson.<\/p>\n<p>Masanobu Fukuoka \u00e9 um homem completamente fascinante, dif\u00edcil de entender. Esse pequeno sujeito oriental de quimono, \u00e9 na ess\u00eancia um monge budista que escolheu o caminho da agricultura. Ele n\u00e3o fala ingl\u00eas, mas sua gentileza se comunica por seu semblante (Seus olhos cintilantes revelam que um humilde fil\u00f3sofo e um sujeito brincalh\u00e3o dividem o mesmo corpo)<\/p>\n<p>Fukuoka era um cientista agr\u00edcola que ap\u00f3s uma grave doen\u00e7a teve um &#8220;lampejo de percep\u00e7\u00e3o&#8221; de que a Natureza era perfeita e que o conhecimento humano n\u00e3o tinha sentido. Ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial ele partiu para p\u00f4r \u00e0 prova suas ideias atrav\u00e9s da agricultura, desde ent\u00e3o tem cultivado em uma pequena fazenda comercial, arroz, cevada e frutas c\u00edtricas. Fukuoka defende o que ele chama de agricultura do \u201cn\u00e3o fazer nada\u201d. H\u00e1 quatro d\u00e9cadas ele n\u00e3o usa fertilizante, nem pesticida, n\u00e3o faz capina e nem plantio direto, e ainda alcan\u00e7a rendimento de gr\u00e3os t\u00e3o alto quanto os agricultores japoneses convencionais. Um exemplo de suas t\u00e9cnicas \u00e9 envolver sementes de cevada e trevo em bolas de barro e lan\u00e7\u00e1-las em sua lavoura de arroz j\u00e1 madura. Ap\u00f3s isso, ele espalha a palha do arroz sobre a cevada, que em seguida brota. A cobertura permanente composta de palha e trevo impede o crescimento de ervas espont\u00e2neas e promove a fertilidade do solo.<\/p>\n<p>Hoje, Fukuoka-san (Na tradi\u00e7\u00e3o japonesa, o termo \u201csan\u201d \u00e9 adicionado ap\u00f3s o nome pr\u00f3prio de um idoso, de forma a prestar rever\u00eancia ao anci\u00e3o) desfruta de um estilo de vida alinhado a seus m\u00e9todos de cultivo. Doou a maioria de seu patrim\u00f4nio \u00e0 fam\u00edlia, possui tr\u00eas conjuntos de roupas, e vive sozinho em uma pequena cabana.<\/p>\n<p>Um australiano, um norte-americano do Kansas e um japon\u00eas, esses tr\u00eas apresentam uma vis\u00e3o ampla das maneiras pelas quais uma agricultura verdadeiramente natural poderia ajudar a salvar nosso solo e nosso planeta.<\/p>\n<p>Pat Stone <b>(PS)<\/b>: Talvez a melhor maneira de come\u00e7ar seja simplesmente perguntando a cada um de voc\u00eas sobre o seu prop\u00f3sito de vida e trabalho.<\/p>\n<p>Bill Mollison <b>(BM)<\/b>: Eu sou uma pessoa muito simples, tudo que quero fazer \u00e9 regenerar a Terra. \u00c9 nisso que trabalho o tempo todo.<\/p>\n<p>Wes Jackson <b>(WJ)<\/b>: Para mim, o objetivo \u00e9 salvar os solos, deixar de introduzir no meio ambiente esses produtos qu\u00edmicos que fazem a degenera\u00e7\u00e3o de nossas c\u00e9lulas. Sair da matriz de combust\u00edvel f\u00f3ssil para operar a agricultura sob a luz do sol.<\/p>\n<p>Masanobu Fukuoka <b>(MF)<\/b>: Parte do meu prop\u00f3sito \u00e9 criar uma sociedade onde ningu\u00e9m tenha que fazer nada.<\/p>\n<p><b>PS:<\/b> Perd\u00e3o, n\u00e3o entendi!<\/p>\n<p><b>MF:<\/b> Esse \u00e9 um fazendeiro natural dormindo em pleno dia de sol (desenha um homem dormindo debaixo de uma \u00e1rvore). Ele n\u00e3o faz quase nenhum trabalho, nem aragem, nem aduba\u00e7\u00e3o e nem capina. Eu poderia dizer que tenho dormido por 40 anos, mas meus rendimentos s\u00e3o t\u00e3o altos, quanto aqueles dos fazendeiros que trabalham o tempo todo.<\/p>\n<p><b>PS:<\/b> Fukuoka-san, voc\u00ea poderia explicar brevemente a diferen\u00e7a entre o seu m\u00e9todo de cultivo natural e a agricultura convencional?<\/p>\n<p><b>MF:<\/b> A agricultura natural e a cient\u00edfica s\u00e3o diametralmente opostas. A primeira procura se aproximar mais da Natureza e a outra de se afastar. A pesquisa cient\u00edfica discrimina, decomp\u00f5e e analisa. Portanto, por defini\u00e7\u00e3o, o conhecimento cient\u00edfico \u00e9 fragmentado e incompleto.<\/p>\n<p>Mas a Natureza \u00e9 um todo indivis\u00edvel. N\u00e3o h\u00e1 ponto de partida ou destino, apenas um fluxo sem fim. Para aprender com a Natureza, voc\u00ea deve livrar-se de seus preconceitos, suas an\u00e1lises, suas distin\u00e7\u00f5es intelectuais. Seja como o beb\u00ea que v\u00ea tudo de uma vez, holisticamente. Torne-se uma pessoa tola, deixe a sua cabe\u00e7a vazia, n\u00e3o pense em nada. Ent\u00e3o voc\u00ea pode entender a Natureza e instintivamente entender o que precisa ser feito e o que n\u00e3o deve ser feito para trabalhar em harmonia com seus processos.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, h\u00e1 um problema: para fazer a agricultura natural a pessoa deve conhecer o que \u00e9 a Natureza inalterada. Ao observar a Natureza artificial criada pelos humanos, as pessoas acabam entendendo mal a Natureza. Voc\u00ea n\u00e3o pode ser um agricultor natural abandonando a Natureza ap\u00f3s alter\u00e1-la, em vez disso, ap\u00f3s examinar o solo e a Natureza real de uma \u00e1rea, voc\u00ea deve selecionar cuidadosamente a semente e determinar quando, onde e como cultiv\u00e1-la.<\/p>\n<p><b>PS:<\/b> Bill, voc\u00ea acha que o tipo de agricultura natural de Fukuoka est\u00e1 inclu\u00eddo na Permacultura?<\/p>\n<p><b>BM:<\/b> N\u00e3o somente inclu\u00edda, como \u00e9 bem-vinda. Na verdade, eu tinha uma mentalidade contra toda lavoura tempor\u00e1ria, ent\u00e3o eu n\u00e3o inclu\u00ed nenhuma refer\u00eancia a isso em meu primeiro livro Permacultura Um, at\u00e9 que Fukuoka escreveu A Revolu\u00e7\u00e3o de uma Palha. Agora eu sei que as abordagens desses dois cavalheiros se encaixam naturalmente na estrutura da Permacultura. De fato, eu e Fukuoka-san, somos basicamente a mesma pessoa.<\/p>\n<p><b>PS:<\/b> Todos voc\u00eas tr\u00eas acreditam em uma agricultura ambientalmente saud\u00e1vel que usa uma mistura integrada de plantas e plantio direto, mas sinto que existem algumas diferen\u00e7as reais entre voc\u00eas.<\/p>\n<p><b>BM: <\/b>Simplesmente eu acho que somos tr\u00eas aspectos de um esfor\u00e7o para fazer a mesma coisa. Fukuoka-san trabalha na produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os sem plantio. Wes se preocupa em revitalizar as pradarias desenvolvendo uma lavoura perene de gr\u00e3os de bom rendimento. E eu e muitos outros que est\u00e3o comigo, trabalhamos com a sa\u00fade do solo, plantas comest\u00edveis, e tamb\u00e9m com integra\u00e7\u00e3o financeira para apoiar empresas ambientalmente respons\u00e1veis.<\/p>\n<p><b>WJ:<\/b> Eu diria que Fukuoka-san trabalha muito com lavouras tempor\u00e1rias de herb\u00e1ceas. Ele est\u00e1 tentando tirar proveito da integra\u00e7\u00e3o natural entre as culturas contempor\u00e2neas e as tradicionais. Mollison enfatiza o <i>design<\/i> da paisagem, paisagismo comest\u00edvel e assim por diante. No Land Institut, estamos tentando integrar ecossistemas herb\u00e1ceos perenes e sustent\u00e1veis para os agricultores.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m estamos tentando determinar quais princ\u00edpios biol\u00f3gicos podem estar em a\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 uma das contribui\u00e7\u00f5es mais importantes de nossos esfor\u00e7os: descobrir os princ\u00edpios ecossist\u00eamicos da agricultura. Esses princ\u00edpios seriam aplic\u00e1veis no Chade, na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, no Jap\u00e3o ou em qualquer outro lugar.<\/p>\n<p>Estamos tentando nos tornar \u201cecossistem\u00f3logos\u201d que usam uma abordagem dial\u00e9tica de todo o sistema, n\u00e3o uma abordagem cartesiana de uma parte sobre o todo. E digo-lhe \u00e9 dif\u00edcil. Para nos ajudar a manter essa abordagem interconectada, estamos criando uma conex\u00e3o natural e f\u00edsica entre nossos pesquisadores. Cientistas do solo, t\u00e9cnicos agr\u00edcolas, ecologistas, entomologistas e fitopatologistas, todos usam as mesmas instala\u00e7\u00f5es do laborat\u00f3rio e todos t\u00eam seus nomes em qualquer documento produzido. Esperamos que o ambiente compartilhado ajude a ditar um padr\u00e3o de pensamento e um comportamento hol\u00edstico e ecossist\u00eamico.<\/p>\n<p><b>MF:<\/b> N\u00e3o h\u00e1 tempo! N\u00e3o h\u00e1 tempo! Se voc\u00ea adotar essa abordagem passo a passo, no momento em que obtiver seus resultados, ser\u00e1 tarde demais. Al\u00e9m disso, o Sr. Jackson acha mesmo que pode controlar tudo neste centro de pesquisa? Cada departamento se desenvolve de forma centr\u00edfuga, \u00e9 muito dif\u00edcil de alcan\u00e7ar uma unidade.<\/p>\n<p>Existe outro caminho. N\u00e3o fa\u00e7a sua pesquisa perguntando: E se tent\u00e1ssemos isso? Que tal se tentasse isso? Ao inv\u00e9s disso, v\u00e1 \u00e0 dire\u00e7\u00e3o oposta e pergunte: E se n\u00e3o fizermos isso? E se n\u00e3o fizermos aquilo? Ap\u00f3s 30 anos de esfor\u00e7os consegui reduzir meu pr\u00f3prio trabalho a apenas, e essencialmente, espalhar palha e plantar sementes.<\/p>\n<p><b>WJ:<\/b> Esta \u00e9 uma diferen\u00e7a saud\u00e1vel de opini\u00e3o sobre o papel da ci\u00eancia. Nosso conhecimento cient\u00edfico atual veio \u00e0s custas de florestas, solos e combust\u00edvel. Considerar esse conhecimento como conden\u00e1vel simplesmente porque foi acumulado a custo de muito capital ecol\u00f3gico \u00e9 trat\u00e1-lo da mesma maneira que tratamos essas florestas e solos. N\u00f3s n\u00e3o podemos fazer isso agora, precisamos transformar esse conhecimento para trabalhar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 regenera\u00e7\u00e3o da Terra, ela tem o potencial de ser regenerada, assim como se faz em qualquer paisagem menor.<\/p>\n<p><b>MF:<\/b> Sr. Jackson, qu\u00e3o bem voc\u00ea acha que a humanidade conhece a Natureza?<\/p>\n<p><b>WJ:<\/b> Bem, claro que n\u00f3s n\u00e3o conhecemos a Natureza muito bem. Mas desde o in\u00edcio da agricultura, tivemos que descobrir o m\u00e1ximo poss\u00edvel sobre como trabalhar com a Natureza. Por bem, acho que devemos perguntar: a ci\u00eancia \u00e9 uma for\u00e7a intrinsecamente alienante na sociedade? Essa quest\u00e3o deve estar sempre diante de n\u00f3s porque se somos cientistas em primeiro lugar e seres humanos em segundo lugar, n\u00e3o podemos nos dar ao luxo de fazer essa pergunta. Mas se somos seres humanos em primeiro lugar e os cientistas em segundo lugar, n\u00e3o podemos nos dar ao luxo de n\u00e3o fazer essa pergunta.<\/p>\n<p>Acho que talvez voc\u00ea esteja reagindo \u00e0 conjuntura atual da ci\u00eancia. N\u00e3o acredito que a ci\u00eancia tenha que nos alienar da Natureza. Vamos esperar que a ci\u00eancia futura tenha alta precis\u00e3o, com uma maior medida de humildade sobre suas pr\u00f3prias imperfei\u00e7\u00f5es e os mist\u00e9rios da Natureza.<\/p>\n<p align=\"left\"><b>MF<\/b>: A confus\u00e3o come\u00e7ou quando os humanos comeram o \u201cfruto do conhecimento\u201d. Ad\u00e3o e Eva foram jogados fora do <i>Jardim do \u00c9den<\/i>. A \u00fanica maneira de voltar \u00e9 jogar fora o conhecimento! Apenas se torne tolo como um p\u00e1ssaro ou um beb\u00ea!<\/p>\n<p align=\"left\">Entendo a abordagem cient\u00edfica do Sr. Jackson. Eu costumava ter a mesma vis\u00e3o quando era cientista. Voc\u00ea pode pensar em n\u00f3s tr\u00eas como estando no cavalo de Dom Quixote. Estamos no mesmo cavalo, mas parece que estamos dizendo coisas diferentes. O cavalo est\u00e1 correndo em dire\u00e7\u00e3o ao abismo, Wes Jackson est\u00e1 tentando parar os p\u00e9s do cavalo, Bill Mollison est\u00e1 tentando virar a cabe\u00e7a do cavalo e eu estou apenas pendurado na cauda do cavalo! (Risos)<\/p>\n<p align=\"left\"><b>PS<\/b>: Seria dif\u00edcil ignorar a insinua\u00e7\u00e3o de desgra\u00e7a colorindo essa conversa. Qu\u00e3o ruim voc\u00eas tr\u00eas sentem a nossa situa\u00e7\u00e3o atual?<\/p>\n<p align=\"left\"><b>BM<\/b>: A agricultura moderna \u00e9 a atividade mais destrutiva na face da Terra. Se vamos melhorar as coisas, temos que faz\u00ea-lo em breve ou n\u00e3o. Estou absolutamente convencido disso. Eu viajo muito e tenho visto em todos os lugares sinais do colapso dos grandes sistemas.<\/p>\n<p align=\"left\"><b>WJ<\/b>: Os altos rendimentos da agricultura criam uma ilus\u00e3o de sucesso, mas \u00e9 apenas o resultado da transfer\u00eancia de carbono f\u00f3ssil para o carbono dos produtos agr\u00edcolas. Se houvesse uma contabilidade completa ter\u00edamos que dizer que a agricultura industrial moderna \u00e9 a forma de agricultura menos eficiente e mais devastadora que j\u00e1 foi inventada, ela degrada a pr\u00f3pria base de nossa exist\u00eancia.<\/p>\n<p align=\"left\">Para mim, a agricultura \u00e9 o problema ambiental n\u00famero um, al\u00e9m da possibilidade de holocausto nuclear. Em s\u00edntese, estamos enfrentando a situa\u00e7\u00e3o mais perigosa que a humanidade j\u00e1 se encontrou.<\/p>\n<p align=\"left\"><b>MF<\/b>: O alimento produzido nos Estados Unidos da Am\u00e9rica n\u00e3o \u00e9 produzido pelo solo, mas pelo petr\u00f3leo. Herbicidas, pesticidas, fertilizantes, petr\u00f3leo, petr\u00f3leo, petr\u00f3leo&#8230; Se a agricultura qu\u00edmica continuar, a Terra ser\u00e1 destru\u00edda muito mais cedo do que voc\u00ea espera.<\/p>\n<p align=\"left\"><b>PS<\/b>: Um dia as pessoas famosas dir\u00e3o: \u201cVoc\u00ea notou que fulano est\u00e1 comendo produtos de lavouras tempor\u00e1rias?\u201d<\/p>\n<p align=\"left\"><b>BM<\/b>: Vou me concentrar apenas nas rea\u00e7\u00f5es catal\u00edticas destrutivas que estamos causando na atmosfera. Parece que agora produtos qu\u00edmicos com cloro est\u00e3o destruindo a camada de oz\u00f4nio sobre a Ant\u00e1rtida, criando uma janela ultravioleta maior que a Am\u00e9rica, que caso ela se expanda, deixar\u00e1 a Terra est\u00e9ril.<\/p>\n<p align=\"left\">Al\u00e9m disso, h\u00e1 o problema do ac\u00famulo de CO<sub>2<\/sub>. A ci\u00eancia prev\u00ea que mesmo que paremos agora, no m\u00ednimo, derreteremos parcialmente as calotas polares, pois com os atuais n\u00edveis de CO<sub>2<\/sub>, isso j\u00e1 foi iniciado. Ent\u00e3o teremos que evacuar as regi\u00f5es litor\u00e2neas do globo. Tudo isso devido ao uso excessivo de combust\u00edveis f\u00f3sseis, de energia solar gerada no passado e \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da biomassa vegetal, que absorve CO<sub>2 <\/sub>.<\/p>\n<p align=\"left\"><b>MF<\/b>: Se a Terra perder pelo menos entre 3 % e 7 % a mais de sua cobertura vegetal, n\u00e3o conseguiremos. Haver\u00e1 uma cr\u00edtica escassez de oxig\u00eanio que afetar\u00e1 os sentidos e o modo de pensar dos seres humanos.<\/p>\n<p align=\"left\"><b>BM<\/b>: Agora na Gr\u00e9cia, s\u00e3o realmente cr\u00edticos os deficits de oxig\u00eanio, l\u00e1 em breve voc\u00ea ver\u00e1 uma s\u00e9ria falta de oxig\u00eanio.<\/p>\n<p align=\"left\"><b>WJ<\/b>: Eu duvido. Eu n\u00e3o acho que a falta de oxig\u00eanio seja o problema.<\/p>\n<p align=\"left\"><b>BM<\/b>: Ele acha que \u00e9 o excedente de carbono.<\/p>\n<p align=\"left\"><b>WJ<\/b>: Eu acho que o desmatamento deve parar, mas a perda de oxig\u00eanio devido ao desmatamento \u00e9 um problema min\u00fasculo se comparado ao aumento da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis e \u00e0 perda acelerada de carbono do solo devido \u00e0 eros\u00e3o, etc. Mas concordamos que o planeta est\u00e1 em apuros. N\u00f3s poder\u00edamos sentar aqui e analisar os detalhes e gastar a maioria do nosso tempo declarando suposi\u00e7\u00f5es, o importante \u00e9 que concordamos que o mais positivo a se fazer \u00e9 aumentar a cobertura vegetal e manter o solo coberto durante o ano todo, o m\u00e1ximo poss\u00edvel.<\/p>\n<p align=\"left\"><b>PS<\/b>: Como voc\u00eas tr\u00eas est\u00e3o progredindo com seus esfor\u00e7os?<\/p>\n<p align=\"left\"><b>BM<\/b>: Eu tenho trabalhado com pessoas que est\u00e3o indo para al\u00e9m do projeto de suas propriedades particulares, dando o pr\u00f3ximo passo, na economia. Estamos viabilizando um financiamento inovador, um investimento \u00e9tico para viabilizar uma s\u00e9rie de neg\u00f3cios em pequenas comunidades. Objetivamos implantar lavouras de policultivo para pessoas que tenham como objetivo criar e preservar agroecossistemas est\u00e1veis baseados na Permacultura. J\u00e1 conseguimos isso em partes da Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p align=\"left\">Tamb\u00e9m estamos promovendo a forma\u00e7\u00e3o de mais professores de Permacultura. E estamos tentando preservar as \u00e1reas ricas em esp\u00e9cies que ainda existem. Por exemplo, em breve compraremos uma \u00e1rea de floresta tropical amea\u00e7ada, estabelecendo uma unidade de conserva\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea at\u00e9 pode revender sua parte, mas voc\u00ea simplesmente n\u00e3o pode alterar a floresta tropical. \u00c0s vezes compramos \u00e1reas degradadas, recuperamos e as preservamos.<\/p>\n<p align=\"left\"><b>MF<\/b>: N\u00e3o h\u00e1 agricultura natural no Jap\u00e3o. Na China, eles come\u00e7aram a implanta\u00e7\u00e3o de uma fazenda de agricultura natural de 1 milh\u00e3o de hectares. H\u00e1 alguma agricultura natural acontecendo na \u00cdndia e nos Estados Unidos da Am\u00e9rica. Sinto um forte interesse do povo na \u00c1frica, mas ainda n\u00e3o come\u00e7ou.<\/p>\n<p align=\"left\"><b>WJ<\/b>: Em geral, um dos problemas b\u00e1sicos em nossas tentativas de aumentar os rendimentos em lavouras perenes, \u00e9 a pr\u00f3pria Natureza. Enquanto num ano a planta coloca suas energias na produ\u00e7\u00e3o de sementes para garantir \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras, no outro negligencia suas sementes e coloca a maioria de suas energias em um sistema de ra\u00edzes sobreviventes. Ent\u00e3o a primeira pergunta b\u00e1sica que temos que fazer \u00e9: Alto rendimento e a lavouras perenes podem caminhar juntos?<\/p>\n<p align=\"left\">Estamos obtendo resultados encorajadores o suficiente para que agora eu possa dizer que a resposta \u00e9 sim. Estou ansioso pelo dia em que as pessoas da moda em um restaurante de comida natural em Berkeley ou Cambridge digam: \u201cVoc\u00ea notou que fulano de tal ainda est\u00e1 comendo produtos de lavouras tempor\u00e1rias?\u201d<\/p>\n<p align=\"left\">S\u00e9rio, acredito firmemente que, se conseguirmos obter altos rendimentos por tr\u00eas anos consecutivos de uma lavoura perene, a agricultura perene ter\u00e1 um grande impacto na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Mas acho que tudo isso levar\u00e1 de 50 a 100 anos.<\/p>\n<p align=\"left\"><b>PS<\/b>: O que mais precisa ser feito?<\/p>\n<p align=\"left\"><b>BM<\/b>: Para escaparmos do desastre, precisamos abrir uma discuss\u00e3o em larga escala sobre a defini\u00e7\u00e3o do futuro, da mesma forma que l\u00e1 na Su\u00e9cia, os suecos discutem quest\u00f5es pol\u00edticas na televis\u00e3o. Recentemente tivemos na Austr\u00e1lia uma s\u00e9rie de televis\u00e3o chamada \u201c<i>Heartlands<\/i>\u201d, que em cinco epis\u00f3dios mostrou exemplos de a\u00e7\u00f5es positivas realizadas por indiv\u00edduos, a s\u00e9rie teve a maior audi\u00eancia da hist\u00f3ria do pa\u00eds.<\/p>\n<p align=\"left\">Se em breve n\u00e3o levarmos essa discuss\u00e3o para uma m\u00eddia de base global, pode ser tarde demais. Talvez dev\u00eassemos tomar conta das esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio e televis\u00e3o locais e apresentar ao povo dos Estados Unidos da Am\u00e9rica e dos outros pa\u00edses, casos e mais casos de a\u00e7\u00f5es. Acessar pessoas que tenham sugest\u00f5es sensatas sobre como reverter as coisas. Contatar bons cientistas que falem sobre isso. Uma de minhas paix\u00f5es \u00e9 identificar pequenas experi\u00eancias de autossufici\u00eancia, h\u00e1 pessoas fazendo com que as coisas funcionem em tudo quanto \u00e9 lugar. Isso nos tem permitido continuar ensinando que a Permacultura funciona de muitas maneiras, tanto nas Ilhas Fiji, como na Am\u00e9rica, ou em Sydney. Em primeiro lugar, devemos principalmente direcionar os fundos de investimento para a regenera\u00e7\u00e3o da Terra, dizendo a muitas pessoas como fazer e fazendo com que estas digam para muitas outras pessoas. O fato \u00e9 que a maior cura para o problema da agricultura est\u00e1 na autoconfian\u00e7a das pessoas em produzirem alimentos em seu pr\u00f3prio quintal.<\/p>\n<p align=\"left\"><b>WJ<\/b>: Bill, eu tenho dificuldade em falar de algo que n\u00e3o estou por perto, at\u00e9 mesmo do condado aqui pr\u00f3ximo, porque eu tamb\u00e9m nunca estive l\u00e1, assim tenho receio de falar pelo resto do mundo. Eu nunca estive na \u00c1frica ou na \u00c1sia.<\/p>\n<p align=\"left\">O que posso falar \u00e9 da agricultura estadunidense, que provavelmente \u00e9 a agricultura de maior responsabilidade no mundo. Infelizmente, tamb\u00e9m se tornou o padr\u00e3o idealizado na maioria do restante do mundo. O problema com a agricultura estadunidense \u00e9 que ela \u00e9 supercapitalizada. Os tratores de tra\u00e7\u00e3o nas quatro rodas custam 120.000 d\u00f3lares, os implementos custam 80.000 d\u00f3lares. Pesquisas mostram que, se um agricultor m\u00e9dio tem agora 10.000 d\u00f3lares para gastar, \u00e9 mais rent\u00e1vel contratar uma pessoa do que comprar mais equipamentos.<\/p>\n<p align=\"left\">Isso \u00e9 um bom sinal. N\u00e3o seria um retrocesso. O que precisamos para ter uma agricultura biol\u00f3gica resiliente \u00e9 ter muitas pessoas na terra: uma alta propor\u00e7\u00e3o de olhos por hectare.<\/p>\n<p align=\"left\"><b>BM<\/b>: Floresteiros cuidando de planta\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores. \u00c9 isso que ele est\u00e1 falando, floresteiros.<\/p>\n<p align=\"left\"><b>WJ<\/b>: N\u00e3o, entre as vinte principais safras apenas duas s\u00e3o \u00e1rvores, banana e coco, a d\u00e9cima nona e a vig\u00e9sima respectivamente. Quando voc\u00ea realmente est\u00e1 com fome e falando s\u00e9rio sobre comer, voc\u00ea busca gr\u00e3os e legumes. Considerando a convic\u00e7\u00e3o e o forte ponto de vista de Bill, acho que essa declara\u00e7\u00e3o exigiu muita coragem de minha parte! (Risos)<\/p>\n<p align=\"left\">Estou dizendo que para fazer a agricultura sustent\u00e1vel funcionar, precisamos de cada vez mais de pequenos agricultores. Voc\u00ea precisa manter seus sistemas pequenos o suficiente para que voc\u00ea possa continuar observando e aprendendo. Acho que como Thomas Jefferson (1743 &#8211; 1826) tinha em mente, a presen\u00e7a de pequenos agricultores aqui n\u00e3o \u00e9 nostalgia, mas \u00e9 uma necessidade pr\u00e1tica. Conseguir isso \u00e9 o desafio para o nosso tempo.<\/p>\n<p align=\"left\">Eu concordo com Bill que a primeira coisa que temos que fazer \u00e9 encontrar os bons exemplos que j\u00e1 existem em todo o pa\u00eds e torn\u00e1-los altamente vis\u00edveis. Eu n\u00e3o sei se devemos espalhar a palavra atrav\u00e9s de um boletim ou no boca-a-boca, ou o qu\u00ea, eu n\u00e3o sou t\u00e3o f\u00e3 como Bill da ideia de usar a televis\u00e3o. Mas h\u00e1 algumas pessoas que v\u00eam fazendo uma agricultura sustent\u00e1vel h\u00e1 anos e somente Deus tem observado.<\/p>\n<p align=\"left\">Voc\u00ea sabe que o problema da agricultura n\u00e3o \u00e9 insuper\u00e1vel, n\u00e9? Este \u00e9 fundamentalmente um problema religioso. A terra n\u00e3o \u00e9 um presente de Deus, n\u00f3s n\u00e3o possu\u00edmos isso, o que temos \u00e9 o direito de usar a terra. N\u00e3o temos o direito de danific\u00e1-la. Em vez disso, temos que obedecer ao que \u00e9 efetivamente um mandamento: devemos cuidar do jardim de Deus.<\/p>\n<p align=\"left\"><b>PS<\/b>: Fukuoka-san?<\/p>\n<p align=\"left\"><b>MF<\/b>: Se n\u00e3o pudermos mudar agora o caminho da agricultura, ser\u00e1 tarde demais! Mesmo se praticarmos a agricultura natural, mesmo sendo algo que temos que fazer, tenho a sensa\u00e7\u00e3o de que ainda assim ser\u00e1 tarde demais.<\/p>\n<p align=\"left\"><b>PS<\/b>: Voc\u00eas tr\u00eas acham de verdade que podemos mudar as coisas? Ou temos que enfrentar um <i>Armagedom<\/i> agr\u00edcola?<\/p>\n<p align=\"left\"><b>BM<\/b>: Eu concordo com o Sr. Fukuoka que n\u00e3o h\u00e1 muito tempo. No entanto, se ocorrer o desastre, embora afete a agricultura e possa ter sido causado pela agricultura, isso n\u00e3o acontecer\u00e1 em termos de agricultura. N\u00e3o vamos conseguir devastar todo o solo antes de desequilibrarmos finalmente a atmosfera.<\/p>\n<p align=\"left\">E eu n\u00e3o tenho nenhum grande otimismo de que iremos sobreviver. N\u00e3o muito tempo atr\u00e1s, foi pedido a cerca de 900 (novecentos) cientistas australianos que ajudassem a convocar todos os australianos para se reunirem e discutirem maneiras de mudar o futuro do meio ambiente, 700 (setecentos) deles n\u00e3o ajudaram, eles disseram que j\u00e1 era tarde demais.<\/p>\n<p align=\"left\">O que eu tenho \u00e9 a determina\u00e7\u00e3o de dar a qualquer um, toda chance que houver, mas todos temos que come\u00e7ar a trabalhar agora. O tempo para coletar evid\u00eancias j\u00e1 acabou, s\u00f3 h\u00e1 tempo para a\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 mais espectadores, apenas jogadores.<\/p>\n<p align=\"left\"><b>WJ<\/b>: Bem, acho que as coisas v\u00e3o piorar antes de come\u00e7armos a fazer uma mudan\u00e7a significativa, n\u00e3o precisamos nos perguntar sobre isso, as coisas v\u00e3o piorar.<\/p>\n<p align=\"left\">Voc\u00ea tem que perceber que a escala do problema \u00e9 muito mais ampla do que pens\u00e1vamos, a agricultura n\u00e3o \u00e9 um sat\u00e9lite que precisa ser consertado. Toda a nossa sociedade ter\u00e1 que se afastar da energia vertical, isto \u00e9, energia de combust\u00edvel f\u00f3ssil, a energia antiga, para coletar energia horizontal, energia contempor\u00e2nea, como energia e\u00f3lica, hidroeletricidade, etc.<\/p>\n<p align=\"left\">Mas podemos fazer melhor. Estou certamente esperan\u00e7oso.<\/p>\n<p align=\"left\"><b>MF<\/b>: H\u00e1 uma \u00faltima chance. No sum\u00f4, h\u00e1 uma maneira de vencer no \u00faltimo momento. Quando um pequeno lutador vai sendo empurrado para tr\u00e1s por um grande lutador, no momento em que se chega ao final do ringue, ele usa o peso e a for\u00e7a que vem sobre ele e vira o grandalh\u00e3o por cima do ombro. O grande \u00e9 jogado para fora do ringue e o pequeno vence.<\/p>\n<p align=\"left\">Nossos l\u00edderes mundiais devem ser como lutadores de sum\u00f4 e terem grande coragem. Eles devem carregar os m\u00edsseis e os bombardeiros, com bombas e implementos de guerra e levar para bem longe. Em seguida, carregarem os m\u00edsseis com sementes de todos os diferentes tipos de vegetais, de \u00e1rvores frut\u00edferas e de gr\u00e3os. Atirarem por toda a Terra espalhando sementes. Espalhando-as sobre os desertos, cobrindo gramados e outras paisagens artificiais.<\/p>\n<p align=\"left\">No primeiro ano, pode parecer uma bagun\u00e7a, depois que a chuva chegar, tudo surgir\u00e1 aqui e ali. No segundo, a Natureza come\u00e7ar\u00e1 a lhe dizer, onde e quais plantas crescer\u00e3o bem. No terceiro ano, microrganismos, minhocas e pequenos animais ir\u00e3o aumentar e come\u00e7ar a enriquecer o solo.<\/p>\n<p align=\"left\">Ent\u00e3o, quando houver comida para as pessoas de todos os lugares, as atitudes das pessoas v\u00e3o mudar, pois elas n\u00e3o estar\u00e3o em um estado de esp\u00edrito t\u00e3o confuso. Voc\u00ea recuperar\u00e1 a Terra, consertar\u00e1 a crise ecol\u00f3gica, consertar\u00e1 a crise econ\u00f4mica e dar\u00e1 \u00e0s pessoas chances de encontrarem a felicidade.<\/p>\n<p align=\"left\">E ent\u00e3o poder\u00e1 haver paz.<\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Open Sans, serif\"><span style=\"font-size: medium\"><b>Agradecimentos<\/b><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\">Agradecemos a gentileza <i>The Mother Earth News Editors<\/i> na disponibiliza\u00e7\u00e3o do direito de tradu\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o em l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n<p align=\"left\"><a name=\"_3znysh7\"><\/a> <span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Open Sans, serif\"><span style=\"font-size: medium\"><b>Contribui\u00e7\u00f5es<\/b><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"left\">Autor: Paulo Eduardo Rolim Campos \u2013 Tradu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"left\">Autora: Luciana Melo de Medeiros \u2013 Revis\u00e3o de tradu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<div id=\"sdfootnote1\">\n<p><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote1anc\" name=\"sdfootnote1sym\">1<\/a><span style=\"font-size: small\">&#8211; Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial \/ Universidade do Estado da Bahia (PPGADT\/UNEB), <\/span><a href=\"mailto:permaculturakariry@gmail.com\"><span style=\"color: #0563c1\"><span style=\"font-size: small\"><u>permaculturakariry@gmail.com<\/u><\/span><\/span><\/a><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote2\">\n<p><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote2anc\" name=\"sdfootnote2sym\">2<\/a> &#8211;<span style=\"font-size: small\"> Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia \/ Universidade Federal de Pernambuco (PPGA\/UFPE), <\/span><a href=\"mailto:lucianamm13@gmail.com\"><span style=\"color: #0563c1\"><span style=\"font-size: small\"><u>lucianamm13@gmail.com<\/u><\/span><\/span><\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O manuscrito apresenta uma inusitada conversa entre Masanobu Fukuoka (1913-2008), anci\u00e3o japon\u00eas, microbiologista, praticante da agricultura selvagem; Wes Jackson (1936), cowboy norte-americano, geneticista com sua agricultura perene e Bill Mollison (1928-2016), rebelde jardineiro australiano, bioge\u00f3grafo, cocriador da Permacultura<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"menu_order":2,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"issuem_issue":[7],"issuem_issue_categories":[12],"issuem_issue_tags":[21,22],"coauthors":[2],"class_list":["post-80","article","type-article","status-publish","format-standard","hentry","issuem_issue-primavera-2023","issuem_issue_categories-traducoes-e-resenhas","issuem_issue_tags-historias-da-permacultura","issuem_issue_tags-permaculture-stories"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/article\/80","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/article"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/types\/article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=80"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/article\/80\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":365,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/article\/80\/revisions\/365"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=80"}],"wp:term":[{"taxonomy":"issuem_issue","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/issuem_issue?post=80"},{"taxonomy":"issuem_issue_categories","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/issuem_issue_categories?post=80"},{"taxonomy":"issuem_issue_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/issuem_issue_tags?post=80"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=80"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}