{"id":566,"date":"2025-12-17T11:42:32","date_gmt":"2025-12-17T14:42:32","guid":{"rendered":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/?post_type=article&#038;p=566"},"modified":"2025-12-17T11:43:18","modified_gmt":"2025-12-17T14:43:18","slug":"e31202506","status":"publish","type":"article","link":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/article\/e31202506\/","title":{"rendered":"A permacultura como estrat\u00e9gia para recupera\u00e7\u00e3o e ressurg\u00eancias de paisagens humanas e n\u00e3o humanas na era das muta\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>Permaculture as a strategy for the recovery and resurgences of human and non-human landscapes in the age of climate mutations<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/orcid.org\/0000-0003-3564-7288\"><\/a> <em>Francisca Pereira dos Santos<\/em><sup><em><a href=\"#sdfootnote1sym\" id=\"sdfootnote1anc\"><sup>1<\/sup><\/a><\/em><\/sup><br><em>Submetido em 31mai2025. Aceito em 3dez2025<\/em><br><em>Revis\u00e3o por Adriana Angelita Concei\u00e7\u00e3o e Arthur Nanni<\/em><br>DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.5281\/zenodo.17956091\">https:\/\/doi.org\/10.5281\/zenodo.17956091<\/a><em><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.5281\/zenodo.17956091\"><\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resumo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apresento nesse di\u00e1logo historiogr\u00e1fico, o contexto, os desdobramentos e as proposi\u00e7\u00f5es que explicam a emerg\u00eancia da Permacultura. Destaco os processos sobre como ela se constituiu como <em>design<\/em> ecol\u00f3gico, teorias, tecnologias, sistemas, formas de comunica\u00e7\u00e3o, para regenera\u00e7\u00e3o de paisagens degradadas, humanas e n\u00e3o humanas. A d\u00e9cada de 1970 \u00e9 o pano de fundo da primeira b\u00fassola orientadora a nos guiar neste cen\u00e1rio marcado por movimentos da contracultura e ambientais; novas teorias, epistemes, abordagens e ontologias, quest\u00f5es pol\u00edticas de classe, ra\u00e7a, g\u00eanero, meio ambiente, sexualidade, etc. A segunda b\u00fassola explica como se constituiu as bases da ideia de Bill Mollison, fundamentada na recupera\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o epistemol\u00f3gica e ontol\u00f3gica de povos, da ci\u00eancia e institui\u00e7\u00f5es diversas, com v\u00e1rias disciplinas e saberes em conflu\u00eancia. A terceira b\u00fassola traz as formas e as for\u00e7as da permacultura, baseada em uma \u00e9tica e princ\u00edpios, at\u00e9 chegarmos na reflex\u00e3o de quanto precisamos de novas b\u00fassolas, no contexto das muta\u00e7\u00f5es. Por fim, na quarta b\u00fassola, o objetivo \u00e9 confirmar a import\u00e2ncia da permacultura como \u201cferramenta\u201d de transforma\u00e7\u00e3o sociobiocultural, estrat\u00e9gia educativa para educar comunidades pr\u00f3speras e regeneradas e, em especial, mostrar como ela se reinventa na atualidade ante o Novo Regime Clim\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave<\/strong>: permacultura, crise civilizat\u00f3ria, crise cultural, muta\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Abstract<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>In this historiographical dialogue, I present the context, developments and propositions aiming to explain the emergence of Permaculture. I highlight the processes that constituted it as ecological design, including theories, technologies, systems, forms of communication, to regenerate human and non-human degraded landscapes. The 1970s is the backdrop for the first compass to guide us in this scenario marked by counterculture and environmental movements; new theories, epistemic, approaches and ontologies, political issues of class, race, gender, environment, sexuality, etc. The second compass explains how the foundations of Bill Mollison&#8217;s idea were formed, based on the recovery of epistemological and ontological information from people, science and diverse institutions, with confluence of disciplines and knowledge. The third compass brings the forms and forces of permaculture, based on ethics and principles, until we arrive at the reflection of how much we need new compasses, in the context of mutations. Finally, in the fourth compass, the objective is to confirm the importance of permaculture as a \u201ctool\u201d for sociobiocultural transformation, an educational strategy to educate prosperous and regenerated communities and reveal how updates reinvents itself considering the New Climatic Regime.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Keywords<\/strong>: permaculture, civilization crisis, cultural crisis, climatic mutations<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">B\u00fassola 1: os contextos da crise cultural e ambiental<\/h1>\n\n\n\n<p>A d\u00e9cada de 1970 \u00e9 o pano de fundo da b\u00fassola orientadora (Figura 1) a nos guiar nesta an\u00e1lise. Atravessam e se estabelecem nesse cen\u00e1rio v\u00e1rios movimentos, como os aqui elencados: os da contracultura, liderados por movimento de mulheres, negros, punk, ind\u00edgenas, LGBTQIAPN+ e, os ambientais, que denunciam a degrada\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, desencadeando v\u00e1rias frentes de ativismo e contesta\u00e7\u00e3o ao <em>status quo<\/em>; novas teorias, epistemes, abordagens e ontologias vindas da academia e dos movimentos aut\u00f3ctones e, para o tema em tela: as presen\u00e7as dos agentes pol\u00edticos Bill Mollison e David Holmgren, nesse contexto. Trata-se de uma d\u00e9cada paradigm\u00e1tica em que todas as esferas da sociedade humana foram atravessadas por duas brutais guerras mundiais, destrui\u00e7\u00f5es em grande escala dos ecossistemas &#8211; humanos e n\u00e3o humanos, e implementa\u00e7\u00e3o, no p\u00f3s-guerra, de pol\u00edticas desenvolvimentistas como a \u201crevolu\u00e7\u00e3o verde\u201d, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d cuja miss\u00e3o seria acabar com a fome, al\u00e9m de n\u00e3o reverter este problema social, criou outros, ao contaminar os sistemas alimentares com uma agricultura de monocultura baseada em pesticidas, eros\u00e3o dos solos, assoreamento de rios, aumento da perda da biodiversidade, sementes geneticamente modificadas, aumento do \u00eaxodo rural, desmatamento para cria\u00e7\u00e3o de pastos, entre outras mazelas relacionadas ao setor prim\u00e1rio da economia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, com tantos dados negativos \u00e0 vida no planeta, ainda teve quem comemorasse e se beneficiasse dessa pol\u00edtica \u201cesverdeada\u201d, como o agroneg\u00f3cio, que entre todas as perturba\u00e7\u00f5es ambientais j\u00e1 citadas, mantiveram com grande destaque a amplia\u00e7\u00e3o e o fortalecimento das monoculturas com o uso de agrot\u00f3xicos. O \u201cagro\u201d vai se tornar \u201cuma for\u00e7a internacional, presente em cada rinc\u00e3o do planeta, afetando a vida das pessoas e dos locais onde se estabeleciam seus protocolos e procedimentos\u201d (Ferreira-Neto, 2018, p. 51\u201352). Trata-se de uma esp\u00e9cie de reinven\u00e7\u00e3o das <em>plantations<\/em> coloniais, atualizado, com novas tecnologias, que permitem observar processos de recoloniza\u00e7\u00e3o da terra e escraviza\u00e7\u00e3o de tudo que chamamos de natureza. Esta realidade degenerativa da \u201crevolu\u00e7\u00e3o verde\u201d \u00e9 amplamente denunciada desde 1962, por Rachel Carson, uma cientista e ecologista estadunidense, que publicou importante pesquisa, intitulada: Primavera Silenciosa (Carson, 2010), que \u00e9 um marco no movimento ambientalista no mundo ao denunciar o uso de pesticidas como malignos \u00e0 sa\u00fade humana e ao meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"507\" height=\"495\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/01.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-569\" style=\"width:267px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/01.jpg 507w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/01-300x293.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 507px) 100vw, 507px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Figura 1: B\u00fassola 1 com os contextos da d\u00e9cada de 1970.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Movimento verde global: ambientalismos<\/h2>\n\n\n\n<p>Embora a Permacultura tenha emergido enquanto conceito ambientalista, no ano de 1978, David Holmgren afirma seu surgimento a partir da \u201cprimeira grande onda da moderna conscientiza\u00e7\u00e3o ambiental, ap\u00f3s o relat\u00f3rio do Clube de Roma de 1972 e as crises do petr\u00f3leo de 1973 e 1975\u201d (Holmgren, 2013, p. 30). Este documento-relat\u00f3rio, publicado em 1972 pela cientista Donella Meadows (Sanson, 2022) , foi um marco paradigm\u00e1tico que explicou a emerg\u00eancia, naquele contexto, de que est\u00e1vamos j\u00e1 imersos em uma \u201ccrise ambiental\u201d. As conclus\u00f5es desta pesquisa:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>[\u2026] teve o efeito de uma bomba. Pela primeira vez anunciou-se ao mundo os limites f\u00edsicos do crescimento econ\u00f4mico. Sua conclus\u00e3o \u00e9 clara: a persist\u00eancia do atual modelo de sociedade e o consequente esgotamento de recursos levaria inevitavelmente o mundo no s\u00e9culo XXI a um dram\u00e1tico \u201ccrash\u201d. No entanto, 50 anos depois, nada parece ter mudado (Sanson, 2022).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Segundo (Souza, 2020, p. 24), este relat\u00f3rio foi fundamental como uma das principais fontes \u201cde refer\u00eancia que impulsionaram a formula\u00e7\u00e3o das diretivas da Permacultura\u201d, bem como embasar politicamente e cientificamente os movimentos ambientais nesse cen\u00e1rio, a exemplo das lutas em defesa dos rios, Serpentine, Hoon, a bacia natural do Lago Pedder, rios Gordon e Franklin<sup><a href=\"#sdfootnote2sym\" id=\"sdfootnote2anc\"><sup>2<\/sup><\/a><\/sup>, na Austr\u00e1lia. Esta pauta dos \u201crecursos\u201d h\u00eddricos ficou conhecida \u201ccomo um dos maiores protestos c\u00edvicos da hist\u00f3ria da Austr\u00e1lia\u201d (SOUZA, 2020, p. 22), com muitos desdobramentos nesse pa\u00eds, que v\u00e3o desde as lutas pol\u00edticas dos Abor\u00edgenes, at\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o do Greenpeace, Partido Verde, ONGs ambientais e a pr\u00f3pria Permacultura. Segundo (Holmgren, 2017, p. 6):<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Desde o final dos anos 60, o ambientalismo de oposi\u00e7\u00e3o estava crescendo nos pa\u00edses afluentes. A inunda\u00e7\u00e3o do Lago Pedder na Tasmania em 1972 \u00e9 agora reconhecida como um dos marcos principais na emerg\u00eancia do movimento verde global.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>David Holmgren diferencia duas maneiras de se fazer pol\u00edtica na esfera chamada de \u201cmeio ambiente\u201d: O \u201cambientalismo <em>mainstream<\/em>\u201d e o \u201cambientalismo de oposi\u00e7\u00e3o\u201d. O primeiro se constitui e age no sentido do que passou a se chamar de \u201cdesenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d, defensor de um capitalismo verde dentro dos marcos do crescimento, e o segundo, por propor uma \u201cecologia profunda\u201d, ou \u201cecologia pol\u00edtica\u201d, que implica(va) n\u00e3o em se desenvolver no sentido do \u201ccrescimento\u201d j\u00e1 denunciado pelo relat\u00f3rio Meadows, mas em \u201cdescrescimento energ\u00e9tico\u201d e consumo consciente, o caso da Permacultura.<\/p>\n\n\n\n<p>O ambientalismo <em>mainstream<\/em> se destaca nesse contexto com a promo\u00e7\u00e3o de eventos importantes como a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Ambiente Humano, em 1972, criando o programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a agenda ambiental global<sup><a href=\"#sdfootnote3sym\" id=\"sdfootnote3anc\"><sup>3<\/sup><\/a><\/sup>. Eventos como a Comiss\u00e3o sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD), em 1983, permitiram o surgimento de novos conceitos como o de desenvolvimento sustent\u00e1vel a partir dos dados da Comiss\u00e3o Brundtland, cujo relat\u00f3rio mais conhecido \u00e9 intitulado \u201cNosso Futuro Comum\u201d. At\u00e9 aqui, por volta dos anos 80, parece ainda haver um interesse de governos e elite globalizada em falar de um mundo onde todos possam respirar. Trata-se de uma \u201conda de ambientalismo moderno (que) respondeu ao consenso cient\u00edfico sobre o aquecimento global com conceitos de sustentabilidade <em>mainstream<\/em>\u201d (Holmgren, 2017, p. 4) que, segundo Holmgren,<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>[\u2026] estavam sendo plantadas, focando em um futuro de \u201ctecno estabilidade\u201d para a humanidade refletindo o doce cen\u00e1rio final que o modelamento do Limits to Growth sugere ser poss\u00edvel atrav\u00e9s de pol\u00edticas globais coordenadas com o objetivo de reduzir o crescimento do gasto de energia e recursos, polui\u00e7\u00e3o e popula\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo que se aproveitam ao m\u00e1ximo da tecnologia para fazer a transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A Permacultura emerge nessa fase, na outra ponta, como ambientalismo de oposi\u00e7\u00e3o, afetada por acontecimentos e lutas que j\u00e1 antecediam essa d\u00e9cada, envolvendo degrada\u00e7\u00f5es de ecossistemas e aumento das exclus\u00f5es sociais e culturais, crises vis\u00edveis denunciadas pelo ativista Bill Mollison. Por volta de 1974, este australiano desenvolve pesquisas sobre agricultura sustent\u00e1vel com base \u201cna policultura de \u00e1rvores perenes, arbustos, ervas, vegetais, fungos e tub\u00e9rculos\u201d (Mollison &amp; Slay, 1998), produzindo um programa ambiental, ainda marcadamente voltado para o manejo da terra, mas que aos poucos ir\u00e1 se ampliar para inserir outras \u00e1reas e se tornar uma cosmovis\u00e3o sist\u00eamica com inclus\u00e3o de v\u00e1rias \u00e1reas do conhecimento como solu\u00e7\u00e3o para as apresentadas \u201ccrises\u201d daquele contexto.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, se esta primeira onda ambiental, que fez emergir a Permacultura em 1978, era uma onda revolucion\u00e1ria, a segunda onda, vem logo ap\u00f3s o \u201ccrescimento econ\u00f4mico da revolu\u00e7\u00e3o Reagan-Thatcher nas na\u00e7\u00f5es ricas durante os anos 1980\u201d (Holmgren, 2013, p. 30) atrav\u00e9s do surgimento do neoliberalismo. Este, \u00e9 liderado pela ideia de livre mercado com interven\u00e7\u00e3o m\u00ednima, e ser\u00e1 defendida pelo que Holmgren chama de \u201cRevolu\u00e7\u00e3o Friedmanita\u201d, orientada pelo economista Milton Friedman, conselheiro econ\u00f4mico de Ronald Reagan (presidente dos EUA de 1981 a 1989).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Holmgren, segue-se a\u00ed, a subida do neoliberalismo e as desregulamenta\u00e7\u00f5es dos sindicatos, da economia do bem-estar social, redu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e um conjunto de perdas sociais que ficaram conhecidas como \u201cterapia de choque\u201d, que nem mesmo as sementes \u201ctecno-estabilidade\u201d do ambientalismo <em>mainstrean<\/em> relatadas acima por ele, tiveram vez. Afirma Holmgren (2017, p.4):<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Tanto as perspectivas futuras da Tecno-Estabilidade quanto do Decrescimento Energ\u00e9tico foram deixadas de lado durante a Revolu\u00e7\u00e3o Friedmanita, que incluiu desregulamenta\u00e7\u00e3o de mercados, privatiza\u00e7\u00f5es, saques de recursos baratos em uma nova onda de neocolonialismo, e mais importante, uma expans\u00e3o de cr\u00e9dito para incentivar o futuro \u201ctecno-explosivo\u201d de crescimento perp\u00e9tuo.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A exist\u00eancia de um movimento <em>mainstream<\/em>, na primeira onda, parecia demonstrar uma certa preocupa\u00e7\u00e3o com a quest\u00e3o ambiental e do j\u00e1 anunciado aquecimento global. Contudo, esse outro movimento, contr\u00e1rio a qualquer defesa da ecologia, da sustentabilidade e das reivindica\u00e7\u00f5es sociais, definiu a cena: os neoliberais negacionistas neocoloniais, n\u00e3o interessados na regenera\u00e7\u00e3o do planeta. Segundo Suely Rolnik esta nova realidade, \u00e9 um tipo de vers\u00e3o contempor\u00e2nea colonial-capital\u00edstico, financeirizada, que<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>come\u00e7a a se formar j\u00e1 na virada do s\u00e9culo XIX para o s\u00e9culo XX e intensifica-se ap\u00f3s a Primeira Guerra Mundial, quando se internacionalizam os capitais; mas \u00e9 a partir de meados dos anos 1970 que atinge seu pleno poder, afirmando-se contundentemente &#8211; e n\u00e3o por acaso ap\u00f3s os movimentos micropol\u00edticos que sacudiram o planeta nos anos 1960 e 1970. (Rolnik, 2021, p. 29).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Alexandre Costa, em sua aula n\u00ba 1 do curso de extens\u00e3o em emerg\u00eancia clim\u00e1tica<sup><a href=\"#sdfootnote4sym\" id=\"sdfootnote4anc\"><sup>4<\/sup><\/a><\/sup>, cita as empresas petroleiras Exxon, Shell e Texaco, como aquelas que iniciam no ano de 1989 o negacionismo clim\u00e1tico, que inclusive construiu um plano de a\u00e7\u00e3o contra a ci\u00eancia do clima, no ano de 1998. Bruno Latour confirma que \u201cdesde os anos 1980, as classes dirigentes n\u00e3o pretendem mais liderar, mas se refugiar fora do mundo\u201d (Latour, 2020, p. 10). Essa elite obscurantista, como ele chama, ignora e vai destruir, como diz Holmgren, os sonhos de uma tecno-estabilidade e o \u201cdesenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d do ambientalismo <em>mainstream<\/em> que acreditava que poderia conduzir uma pol\u00edtica desenvolvimentista de crescimento, com o aval de todos, usando apenas paliativos de uma sustentabilidade que, no fundo, n\u00e3o se sustenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo lado do \u201cambientalismo de oposi\u00e7\u00e3o\u201d, tamb\u00e9m houve \u201ca doce ilus\u00e3o que suas condi\u00e7\u00f5es sociopol\u00edticas de acesso e suas ci\u00eancias permaneceriam fora da fratura colonial\u201d, como ressalta (Ferdinand, 2022, p. 26). A fratura que este autor fala \u00e9 a divis\u00e3o entre os movimentos sociais, culturais e ambientais, que causou o que ele chama de \u201cdupla fenda\u201d colonial e ambiental e que<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>se destaca pela dist\u00e2ncia entre os movimentos ambientais e ecologistas, de um lado, e os movimentos p\u00f3s-coloniais e antirracistas, de outro, os quais se manifestam nas ruas e nas universidades sem se comunicar (Ferdinand, 2022, p.23).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em sua cr\u00edtica decolonial, Malcon Ferdinand diz sobre \u201cprimavera silenciosa\u201d que \u201ca despeito de todas as qualidades liter\u00e1rias e pol\u00edticas\u201d, deste que \u00e9 o \u201clivro fundador\u201d do ambientalismo nos Estados Unidos, notadamente \u201cos perigos da polui\u00e7\u00e3o qu\u00edmica causada pelo uso compulsivo de pesticidas est\u00e3o totalmente desconectados das lutas dos Pretos estadunidenses pelos direitos civis em curso no momento de sua publica\u00e7\u00e3o\u201d (Ferdinand, 2022, p. 145). Bruno Latour refor\u00e7a essa fenda ressaltando que os dois campos \u2013 cultural e ambiental &#8211; atuaram como dois \u201cconjuntos distintos\u201d (Latour, 2020, p. 71).<\/p>\n\n\n\n<p>Embora n\u00e3o fosse pauta dos movimentos sociais, o \u201cmeio ambiente\u201d, segundo Malcolm Ferdinand, no Brasil a luta dos povos ind\u00edgenas pelo territ\u00f3rio sempre representou essa rela\u00e7\u00e3o com as lutas socioambientais. A fratura no discurso acad\u00eamico e at\u00e9 entre os movimentos sociais, entretanto, existe e diz respeito a uma antiga separa\u00e7\u00e3o (moderna) entre Natureza e Cultura, que \u201ctomou forma no s\u00e9culo XVIII em rea\u00e7\u00e3o \u00e0s destrui\u00e7\u00f5es ambientais nas col\u00f4nias sem se preocupar com as injusti\u00e7as constitutivas do mundo colonial\u201d (Ferdinand, 2022 p. 137). Superar essa fenda colonialista que dividiu cultura\/natureza \u00e9 uma das principais a\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas que a permacultura deve encarar como necessidade dessa Era Clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bill Mollison e David Holmgren: agentes pol\u00edticos<\/h2>\n\n\n\n<p>Gostaria de frisar nesse t\u00f3pico, a import\u00e2ncia das presen\u00e7as dos principais agentes pol\u00edticos na constitui\u00e7\u00e3o da Permacultura: Bill Mollison e David Holmgren, como criadores e aglutinadores, movidos por seus ativismos. A Permacultura n\u00e3o foi algo que surgiu do acaso. Ela \u00e9 tanto produto dos acontecimentos pol\u00edticos &#8211; que envolve movimentos, relat\u00f3rios, encontros, confer\u00eancias, mas tamb\u00e9m, das verdades pragm\u00e1ticas de um professor em sua percep\u00e7\u00e3o das transforma\u00e7\u00f5es das paisagens do seu territ\u00f3rio e, do seu aluno, atento e ativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Bill Mollison relata sua trajet\u00f3ria como esse ator pol\u00edtico integrado \u00e0 sua geografia, vivendo uma vida na inf\u00e2ncia e juventude de \u201csonho\u201d em que, aos poucos, ele v\u00ea transformar-se negativamente. Ele diz no pref\u00e1cio:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Eu cresci em uma pequena vila na Tasm\u00e2nia. Tudo do que precis\u00e1vamos, faz\u00edamos. Faz\u00edamos nossas pr\u00f3prias botas, nossos artefatos de metal. N\u00f3s pesc\u00e1vamos nosso pr\u00f3prio peixe, produz\u00edamos a comida e fazia p\u00e3o. Eu n\u00e3o conhecia ningu\u00e9m vivendo l\u00e1 que tivesse s\u00f3 um trabalho, ou qualquer coisa que pudesse ser definida como emprego. Todos trabalhavam em v\u00e1rias coisas. At\u00e9 aos 28 anos de idade, eu vivia uma esp\u00e9cie de sonho. Passava a maior parte do tempo no mato ou no mar. Pescava e ca\u00e7ava para ganhar a vida. Nos anos 50 eu comecei a perceber que grande parte dos sistemas naturais, dos quais eu vivia, estavam desaparecendo. Cardumes estavam diminuindo. As algas que cobriam a praia come\u00e7avam a desaparecer. Grandes \u00e1reas de florestas estavam morrendo. At\u00e9 ent\u00e3o, eu n\u00e3o tinha me apercebido que esta natureza me era muito querida, que eu estava apaixonado por minha terra. (Mollison &amp; Slay, 1998)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Mollison percebe, para al\u00e9m da destrui\u00e7\u00e3o das formas de vida daquela sociedade, o quanto poder\u00edamos estar aprendendo biomimeticamente com a \u201cNatureza\u201d. Diz ele em uma entrevista concedida a um dos seus alunos, Toby Hemenway<sup><a href=\"#sdfootnote5sym\" id=\"sdfootnote5anc\"><sup>5<\/sup><\/a><\/sup>,<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>[&#8230;] que a ideia original da permacultura lhe ocorreu em 1959, enquanto observava marsupiais pastando nas florestas tropicais da Tasm\u00e2nia, porque ele estava \u2018inspirado e maravilhado com a abund\u00e2ncia vivificante e a rica interconex\u00e3o deste ecossistema\u2019. Naquele momento, Mollison anotou as seguintes palavras em seu di\u00e1rio: \u2018Acredito que poder\u00edamos construir sistemas que funcionassem t\u00e3o bem como este.\u2019 (Hemenway, 2009, p. 5)<sup><a href=\"#sdfootnote6sym\" id=\"sdfootnote6anc\"><sup>6<\/sup><\/a><\/sup>.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Como um indiv\u00edduo inter-relacionado com os membros de sua comunidade, um \u201chomem\u201d, branco, falando de dentro de sua \u201cCultura\u201d local, Bill Mollison construiu suas ideias desde a observa\u00e7\u00e3o do seu entorno, marcado por uma egr\u00e9gora de luta e resist\u00eancia dos abor\u00edgenes, no seu corpo-territ\u00f3rio. Ele estava presente na luta \u201cpara salvar o Lago Pedder\u201d, destaca Holmgren, e \u201cfoi um dos protagonistas da campanha (&#8230;) e de outras campanhas ambientais quando eu o encontrei em 1974\u201d (Holmgren, 2017, p. 3).<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>No auge do florescimento dessa tomada coletiva de consci\u00eancia ambiental e de prote\u00e7\u00e3o das paisagens naturais, Bill Mollison (&#8230;) ocupava posi\u00e7\u00e3o de professor de biogeografia na Universidade da Tasm\u00e2nia, em Hobart. Contudo, seu interesse pela vida selvagem e pela agricultura natural, como o pr\u00f3prio relata em entrevistas, remete n\u00e3o \u00e0 sua tardia forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica em biologia, mas \u00e0 sua trajet\u00f3ria pessoal como habitante de uma pequena vila do noroeste da Tasm\u00e2nia. A vila foi o lugar onde Mollison viveu grande parte de sua vida, como muitos de seus conterr\u00e2neos, realizando atividades sazonais, atuando com pesca marinha durante o ver\u00e3o e extra\u00e7\u00e3o de madeira e ca\u00e7a durante o inverno\u201d. (SOUZA, 2020, p. 23).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Foram os movimentos pol\u00edticos ambientais e a refer\u00eancia em sua cultura, que nutriram Bill Mollison para constituir sua proposta com seu aluno, David Holmgren, que escreveria o trabalho de conclus\u00e3o da Escola de Design Ecol\u00f3gico e lan\u00e7ariam, juntos, em 1978, a primeira obra intitulada Permaculture One. Muito tempo \u00e0 frente, Stuart B. Hill, da Universidade de Western, Sydney NSW, Austr\u00e1lia, no pref\u00e1cio da edi\u00e7\u00e3o australiana do livro \u201cPermacultura, princ\u00edpios e caminhos al\u00e9m da sustentabilidade\u201d (2013), de David Holmgren, real\u00e7a os principais fatores que contribu\u00edram para o desenvolvimento da Permacultura como <em>design<\/em>: \u201ca sincronicidade e a colabora\u00e7\u00e3o\u201d (Holmgren, 2013, p. 14) entre Bill Mollison e David Holmgren, que estabeleceram uma<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>vis\u00e3o da permacultura como um movimento internacional; o requisito de que instrutores tenham treinamento extenso e experi\u00eancia de campo e que mantenham uma pr\u00e1tica cont\u00ednua para dar cursos; e a integra\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios \u00e9ticos e de design em todos os aspectos da teoria e da pr\u00e1tica\u201d (Holmgren, 2013, p.14).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>No entanto, houve um afastamento entre os dois autores \u201cque optaram por caminhos distintos e aparentemente n\u00e3o cultivaram mais uma rela\u00e7\u00e3o de proximidade ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do primeiro livro juntos, em 1978\u201d (Ferreira-Neto, 2018, p. 136). Esse fato, no entanto, n\u00e3o respingou na Permacultura, n\u00e3o sendo este afastamento observado como algo negativo, uma vez que ambos permaneceram com a mesma pauta, divulgando, cada um ao seu modo, a permacultura.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">B\u00fassola 2 &#8211; Recuperando e ressignificando epistemologias e ontologias: montando o <em>design<\/em><\/h1>\n\n\n\n<p>Como parte dessa b\u00fassola que nos guia nessa jornada, destaco um conjunto de epistemes, teorias e abordagens que a Permacultura acessa, recupera e ressignifica para montar o seu <em>design<\/em>. S\u00e3o pr\u00e1ticas ecol\u00f3gicas e sist\u00eamicas que j\u00e1 existiam na Escola de Design Ecol\u00f3gico na Tasm\u00e2nia, outras espalhadas em universidades estrangeiras, com pesquisas em \u00e1reas da educa\u00e7\u00e3o, economia, sa\u00fade, arquitetura, etc., bem como ontologias extra-acad\u00eamicas, a exemplo dos abor\u00edgenes australianos, os nativos ancestrais, habitantes de um lugar pelo qual Bill Mollison era t\u00e3o \u201capaixonado\u201d. Sobre estes primeiros povos australianos o antrop\u00f3logo Philipe Descola (Descola, 2016, p. 19\u201320) descreve-os da seguinte maneira:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>embora estejam divididos em centenas de tribos que falam l\u00ednguas diferentes, todos os abor\u00edgenes australianos t\u00eam em comum o fato de organizar segundo um mesmo sistema de grupos tot\u00eamicos cujas regras de composi\u00e7\u00e3o s\u00e3o id\u00eanticas em toda parte. (&#8230;) A despeito da diferen\u00e7a de forma, eles possuem as mesmas caracter\u00edsticas que derivariam do totem &#8211; habitualmente representado por um animal que d\u00e1 nome ao grupo tot\u00eamico. Mas o totem n\u00e3o \u00e9 de fato um ancestral, ele \u00e9 antes um prot\u00f3tipo. Mas, afinal, o que vem a ser um prot\u00f3tipo? \u00c9 um molde que serve para fazer c\u00f3pias id\u00eanticas, s\u00f3 que, nesse caso, n\u00e3o se trata de um molde que reproduz formas exatas como faria uma f\u00f4rma de bolo, mas sim um molde que reproduz qualidades, um pouco \u00e0 maneira do c\u00f3digo gen\u00e9tico que transmite caracter\u00edsticas f\u00edsicas de pais para filhos.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><a><\/a> Na representa\u00e7\u00e3o que simboliza a Permacultura, a flor com sete grandes \u00e1reas do conhecimento, modula as tecnologias como se fossem a representa\u00e7\u00e3o desta flor, um grupo tot\u00eamico. A Figura 2 representada \u00e9 quem d\u00e1 exist\u00eancia aos agrupamentos de saberes, como um molde que embora pare\u00e7a que \u00e9 igual, na verdade, \u00e9 a diferen\u00e7a de cada experi\u00eancia. Na constitui\u00e7\u00e3o do seu totem, a Permacultura dialoga com v\u00e1rios movimentos, tecnologias, ferramentas, metodologias, processos e conceitos, recuperando e dando visibilidade a muitas pesquisas e projetos sustent\u00e1veis &#8211; como os da agricultura biodin\u00e2mica de Rudolf Steiner, e a Escola Waldorf-, e os novos projetos, pensamentos e experimentos contempor\u00e2neos que se prop\u00f5em a serem ecossist\u00eamicos. Holmgren relata algo muito interessante, quando ele ainda nem tinha encontrado Mollison, em 1972, e ele depara-se com a Escola de Design Ambiental, fundada pelo arquiteto de Hobart Barry McNeil no Tasmanian College of Advanced Education (Faculdade da Tasm\u00e2nia de Educa\u00e7\u00e3o Avan\u00e7ada)\u201d. Este autor nos informa que:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Environmental Design atra\u00eda todos os radicais e dissidentes das faculdades de arquitetura, planejamento e design pela Austr\u00e1lia. Energia renov\u00e1vel, materiais naturais, autoconstru\u00e7\u00e3o, design participativo, transporte p\u00fablico, ecologia e biodiversidade eram parte do que eu acredito ter sido o experimento mais radical de educa\u00e7\u00e3o superior na Austr\u00e1lia (Holmgren, 2017, p.2).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Segundo ainda este autor, \u201cna estrutura do Curso de <em>Design<\/em> de Permacultura desenvolvido mais tarde por Bill, o foco estava firmemente direcionado as solu\u00e7\u00f5es de <em>design<\/em> ecol\u00f3gico\u201d (Holmgren, 2017, p.3) e parte deste programa era: \u201cagricultura org\u00e2nica, energia alternativa, autossufici\u00eancia, comunidades intencionais e localismo cooperativo foram parte da mistura da qual surgiu a permacultura\u201d, estas pautas, como j\u00e1 vimos, sendo objetos dessa Escola de Design Ambiental radical.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a> Em Hobart, na Austr\u00e1lia, convivem na mesma cena, al\u00e9m de Bill Mollison e David Holmgren, outros importantes ativistas e <em>designers<\/em> como o arquiteto, Barry McNeil, bem como outros criadores ecol\u00f3gicos como Percival Alfred Yeomans,<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>um inventor australiano e engenheiro de minera\u00e7\u00e3o. Em suas atividades se especializou-se em hidrologia e design de equipamentos, e ficou famoso por seu conceito de \u2018keyline\u2019, ou linha mestra, onde buscava os pontos principais para lidar com as \u00e1guas de uma propriedade a partir do seu relevo. Ele se notabilizou como escritor, tendo escrito quatro livros sobre suas ideias e influenciado toda uma gera\u00e7\u00e3o de agricultores e fazendeiros de todo mundo, entre eles, Bill Mollison e DavidHolmgren. (Ferreira Neto, 2018, p.75).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Nesse aspecto das influ\u00eancias e conex\u00f5es, acho importante frisar o depoimento de Holmgren no seu discurso de doutorado honoris causa sobre as bases acad\u00eamicas da Permacultura:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><a><\/a>No n\u00edvel conceitual, EF Schumacher (Small is Beautiful<\/p>\n\n\n\n<p>[O Neg\u00f3cio \u00e9 Ser Pequeno],1973) e Edward Goldsmith (Ecologist Magazine), Ian McHarg e Christopher Alexander, combinados com vision\u00e1rios do movimento da agricultura org\u00e2nica como FH King, Russel Smith, Albert Howard e outros. Mais importante, de acordo com a minha perspectiva, a primeira refer\u00eancia em Permaculture One foi ao Livro de Howard Odum, Power, Environment and Society (Energia, Ambiente e Sociedade) de 1971 (Holmgren, 2017, p. 3).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><a><\/a> E havia, tamb\u00e9m, outras \u201cinflu\u00eancias como a agricultura natural de Fukuoka\u201d (Ferreira-Neto, 2018, p. 74\u201375)<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>um microbi\u00f3logo e agricultor japon\u00eas, famoso por seus m\u00e9todos de cultivo chamados de agricultura natural, selvagem ou \u2018m\u00e9todo Fukuoka\u201d, onde a observa\u00e7\u00e3o e a rela\u00e7\u00e3o com a natureza constituem-se como pilares centrais. Autor, entre v\u00e1rios livros, das obras \u2018A Revolu\u00e7\u00e3o de uma palha\u2019 e \u2018A Senda Natural do Cultivo\u2019, neles apresenta suas propostas para uma forma de \u2018plantio direto\u2019 como sua forma particular de agricultura voltada \u00e0s rela\u00e7\u00f5es harmoniosas com a natureza\u201d(Ferreira-Neto, 2018, p. 74\u201375).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Outra grande refer\u00eancia foi<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><a><\/a>Joseph Russel Smith, nascido nos Estados Unidos em 1874, em Virginia, foi um professor de geografia e precursor das chamadas agroflorestas, que s\u00e3o sistemas de produ\u00e7\u00e3o alimentar que mimetizam ambientes florestais, mesclando preserva\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o, preserva\u00e7\u00e3o de solos com cultivo de alimentos. Em 1929 publicou o livro \u2018Tree Crops: a permanent agriculture\u2019, cujo conceito de agricultura permanente teria inspirado David Holmgren e Bill Mollison durante suas pesquisas em busca de uma forma sustent\u00e1vel de agricultura. Infelizmente o livro, ainda hoje, n\u00e3o conta com tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas, mesmo sendo um referencial antol\u00f3gico de todo o movimento ambientalista e da agricultura natural mundial\u201d(Ferreira-Neto, 2018, p. 74\u201375).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><a><\/a> A ecologia \u00e9 a principal base cient\u00edfica da Permacultura, uma disciplina que nasce do intenso debate dos bi\u00f3logos organ\u00edsmicos, da teoria geral dos sistemas e cibern\u00e9tica, ao lado do <em>design<\/em>. Ambos os campos &#8211; ecologia e <em>design-<\/em>, constituem os principais pilares desse desenho no qual, segundo o pr\u00f3prio Holmgren, teria \u201cuma d\u00edvida clara e especial para com o trabalho publicado pelo ec\u00f3logo americano Howard Odum\u201d (Holmgren, 2013, p.28). Al\u00e9m da ecologia de Odum, sobressai-se nesse campo, a ecologia, \u201cprofunda\u201d, uma abordagem concomitante \u00e0 Permacultura formulada pelo fil\u00f3sofo Arne Naes, o qual segundo Capra destaca, \u00e9 um conceito fundamental pois<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>n\u00e3o separa os seres humanos- nem separa qualquer outra coisa- do seu ambiente natural. Ela n\u00e3o reconhece o mundo como uma cole\u00e7\u00e3o de objetos isolados, mas como uma rede de fen\u00f4menos que s\u00e3o fundamentalmente interconectados e interdependentes. A ecologia profunda reconhece o valor intr\u00ednseco de todos os seres vivos e concebe os seres humanos apenas como um fio particular da teia da vida. (Capra &amp; Luisi, 2014, p. 37).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"580\" height=\"567\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/02.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-571\" srcset=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/02.jpeg 580w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/02-300x293.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Figura 2: B\u00fassola 2 &#8211; conjunto de epistemes, teorias e abordagens que a Permacultura acessa.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A hip\u00f3tese, e depois, teoria de Gaia, de James Lovelock e Lynn Margulis, \u00e9 uma vis\u00e3o difundida na Permacultura, que apresenta, nessa perspectiva, uma Terra viva, que se autorregula e tem ag\u00eancia. Lovelock ressalta que,<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Essa vis\u00e3o anal\u00edtica da Terra como um sistema \u00fanico, um sistema a que chamo de Gaia, \u00e9 essencialmente fisiol\u00f3gica. Ela tem a ver com o funcionamento de todo o sistema, e n\u00e3o das partes separadas de um planeta arbitrariamente dividido em biosfera, atmosfera, litosfera e hidrosfera. Essas n\u00e3o s\u00e3o divis\u00f5es reais da Terra, s\u00e3o esferas de influ\u00eancia habitadas por cientistas acad\u00eamicos(J. Lovelock, 2006, p. 12).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Segundo (Latour, 2020, p. 162) \u201cos organismos fazem seu ambiente, n\u00e3o se adaptam a ele\u201d. O ambiente n\u00e3o \u00e9 algo dado, simplesmente, ele \u00e9 constitu\u00eddo por for\u00e7as de ag\u00eancias coletivas, humanas e n\u00e3o humanas. A Terra est\u00e1 viva, afirmam (J. E. Lovelock &amp; Tickell, 2006), em sua teoria de Gaia<sup><a href=\"#sdfootnote7sym\" id=\"sdfootnote7anc\"><sup>7<\/sup><\/a><\/sup>, que trouxe a no\u00e7\u00e3o da Terra como um sistema em evolu\u00e7\u00e3o, com vida autorreguladora. Apesar dessa teoria ter sido formulada na d\u00e9cada de 1970,<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Os cientistas s\u00f3 reconheceram a Terra como entidadeautorreguladora na Declara\u00e7\u00e3o de Amsterdam, em 2001, e muitos ainda agem como se o nosso planeta fosse uma enorme propriedade p\u00fablica que possu\u00edmos e compartilhamos. Eles se aferram \u00e0 sua vis\u00e3o dos s\u00e9culos XIX e XX da Terra, ensinada na escola e universidade, de um planeta constitu\u00eddo de rocha inerte e morta, com vida abundante a bordo: passageiros na jornada desse planeta atrav\u00e9s do espa\u00e7o e do tempo (Lovelock e Tickell, 2006, p. 18-19).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Notadamente, a teoria de Gaia fez uma reviravolta na forma como a ci\u00eancia ocidental via o planeta Terra e de como ela hoje inspira importantes vers\u00f5es para novas epistemologias, assim como, di\u00e1logo com epistemologias que j\u00e1 apresentavam a Terra como um ser vivo em evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">B\u00fassola 3 &#8211; formas e for\u00e7as da permacultura<\/h1>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m das teorias, ontologias, abordagens, em que a Permacultura se relacionou para elaborar e sistematizar sua proposta, essa b\u00fassola (Figura 3) refor\u00e7a sua contribui\u00e7\u00e3o, promove um di\u00e1logo multilateral com diversas \u00e1reas do conhecimento acad\u00eamico para formalizar seu <em>design<\/em>. Nesse sentido s\u00e3o seus elementos formais: sua <strong>\u00e9tica<\/strong> (cuidar de si, do outro e partilha justa), 4 <strong>eixos<\/strong> (\u00e1gua, energia, habita\u00e7\u00e3o e alimenta\u00e7\u00e3o), <strong>trip\u00e9<\/strong> (ecologia, \u00e9tica e <em>design<\/em>), <strong>princ\u00edpios<\/strong> (observar e interagir, capte e armazene energia, obtenha um rendimento, aplique a autorregula\u00e7\u00e3o e aceite <em>feedback<\/em>, use e valorize recursos e servi\u00e7os renov\u00e1veis, evite o desperd\u00edcio, planeje dos padr\u00f5es aos detalhes, integre em vez de segregar, use solu\u00e7\u00f5es pequenas e lentas, use e valorize a diversidade, use os limites e valorize o marginal, use e responda \u00e0 mudan\u00e7a com criatividade), <strong>regras<\/strong>, <strong>flor<\/strong> com 7 p\u00e9talas (manejo da terra e da natureza, espa\u00e7o constru\u00eddo, ferramentas e tecnologias, educa\u00e7\u00e3o e cultura, sa\u00fade e bem-estar espiritual, economia e finan\u00e7as, posse da terra e governan\u00e7a comunit\u00e1ria), <strong>zonas<\/strong> (de 0 a 5) e <strong>setoriza\u00e7\u00f5es<\/strong> como a energia externa, chuvas, ventos, polui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse conjunto de formas e for\u00e7as esbo\u00e7a uma estrutura que organiza a ideia Permacultura, e as quais foram sendo divulgadas atrav\u00e9s de v\u00e1rios processos de comunica\u00e7\u00e3o, como cria\u00e7\u00e3o de Institutos que se iniciaram em 1979; Cursos de <em>Design<\/em> em Permacultura (PDC), desde 1981; Converg\u00eancias internacionais, desde 1984 (Souza, 2020, p. 28), e nacionais; Redes e publica\u00e7\u00f5es que permitiram promover a Permacultura como um movimento internacional, estilo de vida, resposta \u00e0 crise ambiental que viu nascer na d\u00e9cada de 70, entre outros. Ao estudarmos essa historiografia da Permacultura, vemos como a d\u00e9cada de 1980 tamb\u00e9m foi intensa e um per\u00edodo de sistematiza\u00e7\u00f5es e divulga\u00e7\u00e3o deste desenho ecol\u00f3gico\/cultural, com forma\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de cursos, editora\u00e7\u00e3o, document\u00e1rios e entrevistas em TV, r\u00e1dios, fundamentais para divulgarem as pesquisas sobre decrescimento energ\u00e9tico, sistemas de partilha justa, economias circulares e solid\u00e1rias, planejamento para assentamentos humanos, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"537\" height=\"535\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/03.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-573\" style=\"width:400px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/03.jpeg 537w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/03-300x300.jpeg 300w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/03-150x150.jpeg 150w\" sizes=\"(max-width: 537px) 100vw, 537px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><br><em>Figura 3: B\u00fassola 3 &#8211; a contribui\u00e7\u00e3o da permacultura e seu di\u00e1logo multilateral.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Do outro lado da fratura ambiental, na macropol\u00edtica, no Brasil, \u00e9 a d\u00e9cada da redemocratiza\u00e7\u00e3o, fortalecimento e expans\u00e3o do Movimento ind\u00edgena organizado, p\u00f3s-constituinte, avan\u00e7o do movimento quilombola, maior atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Movimento Negro. Destaca-se nessa d\u00e9cada, a cria\u00e7\u00e3o do Partido dos Trabalhadores (PT) e da Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT), do Movimento dos Trabalhadores Sem-terra na luta pela reforma agr\u00e1ria e, o surgimento da alian\u00e7a dos Povos da Floresta liderado pelo filho de nordestinos, Chico Mendes, em parceria com o ind\u00edgena Ailton Krenak e comunidades origin\u00e1rias. \u00c9 desse contexto a exist\u00eancia da ativista Marina Silva, que ao lado de Chico Mendes, no Acre, vem liderando e participando desse embate pol\u00edtico &#8211; o que fez de Marina Silva uma lideran\u00e7a feminina no campo ambiental e cultural brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Prel\u00fadios da terceira onda<\/h2>\n\n\n\n<p>Em 1988, tem-se a cria\u00e7\u00e3o do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7a do Clima (IPCC em ingl\u00eas), institu\u00eddo pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas e Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial, com o objetivo de produzir relat\u00f3rios sobre os impactos do clima. Este Painel tem publicado dados que deveriam deixar toda popula\u00e7\u00e3o de \u201ccabelo em p\u00e9\u201d, em total alerta, uma vez que estas informa\u00e7\u00f5es comprovam e reafirmam o aumento da temperatura planet\u00e1ria. Al\u00e9m do pr\u00f3prio IPCC, outras a\u00e7\u00f5es resultaram importantes nessa \u00e1rea, como a cria\u00e7\u00e3o de protocolos-, como os de Kioto, os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), todos com vistas a limitar o aquecimento global em 1,5\u00ba C. Um dos integrantes do IPCC, o professor brasileiro, Alexandre Costa<sup><a href=\"#sdfootnote8sym\" id=\"sdfootnote8anc\"><sup>8<\/sup><\/a><\/sup> diz que,<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>N\u00f3s temos hoje uma quantidade de\u00a0<strong>di\u00f3xido de carbono (CO2)<\/strong>na atmosfera que est\u00e1 acima de 400 ppm (partes por milh\u00e3o), na faixa dos 415, 420 ppm, isso \u00e9 equivalente a quase 50% do valor pr\u00e9-industrial, do clima, da<strong>atmosfera pr\u00e9-industrial<\/strong>. \u00c9 um valor que, da \u00faltima vez, que a Terra viu uma concentra\u00e7\u00e3o t\u00e3o alta de di\u00f3xido de carbono foi h\u00e1 cerca de 3,2 bilh\u00f5es de anos, no momento que a gente chama de per\u00edodo quente do Plioceno m\u00e9dio. (&#8230;) N\u00f3s tamb\u00e9m podemos afirmar com alta dose de certeza que n\u00f3s estamos marchando muito fortemente para ultrapassar o que seria o n\u00edvel administr\u00e1vel de altera\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, que \u00e9 o patamar de 1,5\u00b0 C.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Segundo Holmgren (2013, p.30), nos anos 90 \u201cenquanto a nova tecnologia e a economia global dividiram a aten\u00e7\u00e3o, houve outra fase de consolida\u00e7\u00e3o\u201d, da Permacultura. Ela segue fazendo seu trabalho de divulga\u00e7\u00e3o com as Confer\u00eancias Internacionais em Permacultura- IPC, na Austr\u00e1lia (1990), nos EUA e Nova Zel\u00e2ndia (Souza, 2020), Nepal (1991), e Europa. Na Am\u00e9rica Latina, o Brasil \u00e9 o primeiro a receber esse tipo de Confer\u00eancia, em 2007 (IPC8). Do outro lado do ambientalismo governamental, apesar dos horrores da globaliza\u00e7\u00e3o e das pol\u00edticas neoliberais, seguiram-se eventos como a C\u00fapula da Terra (Eco-92), as Confer\u00eancias das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre as quest\u00f5es clim\u00e1ticas, que se iniciam em Berlim em 1995, entre outros processos que coloca em pauta o aquecimento global, sobretudo.<\/p>\n\n\n\n<p>No mundo inteiro, veremos a cria\u00e7\u00e3o dos Institutos de Permacultura, por volta dos anos 1997<sup><a href=\"#sdfootnote9sym\" id=\"sdfootnote9anc\"><sup>9<\/sup><\/a><\/sup>, os quais garantiram que uma primeira gera\u00e7\u00e3o de permacultores se capacitasse<sup><a href=\"#sdfootnote10sym\" id=\"sdfootnote10anc\"><sup>10<\/sup><\/a><\/sup> atrav\u00e9s dos PDC. No Brasil, destacou-se, a integra\u00e7\u00e3o da Permacultura em um programa governamental, no governo de FHC<sup><a href=\"#sdfootnote11sym\" id=\"sdfootnote11anc\"><sup>11<\/sup><\/a><\/sup>, que investiu nos Institutos de Permacultura como pol\u00edtica p\u00fablica. Esse contexto foi rico nas reflex\u00f5es cr\u00edticas, sendo poss\u00edvel criar uma revista, em 1998 e, principalmente, uma articula\u00e7\u00e3o em rede, no ano 2000, e mais tarde, em 2003, uma rede de permacultores. Esse per\u00edodo permitiu maior populariza\u00e7\u00e3o deste <em>design<\/em> no ciberespa\u00e7o por volta de 2005.<\/p>\n\n\n\n<p>Eventos importantes sucederam no campo da ecologia, como a constitui\u00e7\u00e3o da Carta da Terra, em 2000, diversos encontros de Permacultura na \u00c1frica, no Oriente M\u00e9dio e Cuba (2013 &#8211; IPC11), Argentina e muitas outras a\u00e7\u00f5es importantes que colocavam esse <em>design<\/em> na pauta. Holmgren ressalta que \u201cpor volta de 1999 estava tudo pronto para uma terceira onda de ambientalismo\u201d (Holmgren, 2013, p.30), \u00e9poca em que ele esperava \u201cque o interesse p\u00fablico\u201d se voltasse \u201cpara a corrente dominante de muitas inova\u00e7\u00f5es da segunda onda\u201d (idem), e nessa expectativa, ele publica, \u201cPermacultura princ\u00edpios e caminhos al\u00e9m da sustentabilidade\u201d como um contributo para o que ele chamou de terceira onda do interesse p\u00fablico pelas quest\u00f5es ambientais e pela Permacultura.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">B\u00fassola 4 &#8211; a permacultura no contexto das muta\u00e7\u00f5es<\/h1>\n\n\n\n<p>Nesse s\u00e9culo XXI tudo est\u00e1 mudando velozmente. Estamos vivendo a sociedade da informa\u00e7\u00e3o, uma terceira revolu\u00e7\u00e3o industrial, que concorre, entretanto, com o aumento da desigualdade social e o aceleramento dos processos clim\u00e1ticos. Os movimentos anticoloniais e decoloniais<sup><a href=\"#sdfootnote12sym\" id=\"sdfootnote12anc\"><sup>12<\/sup><\/a><\/sup>, muitos deles liderados pelos povos ind\u00edgenas, disparam, em um momento colonial grave, ao tempo que reemerge na cena uma extrema-direita negacionista que vira as costas para a realidade social impondo regimes neofascistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, muitos questionamentos vindos da pr\u00f3pria academia, que problematiza a ci\u00eancia moderna cartesiana e antropoc\u00eantrica, implicando revisar verdades absolutas, como o antropocentrismo, a raz\u00e3o, e outros valores que predominam em nossa cultura. Tudo isso nos imp\u00f5e uma quarta b\u00fassola (Figura 4), que nos auxilie a olhar esse novo tempo por diferentes \u00e2ngulos, relocalizar temas, epistemes, processo e perspectivas para a Permacultura. No novo contexto imp\u00f5e-se uma revis\u00e3o dos antigos valores das velhas oposi\u00e7\u00f5es culturais, tais como, Natureza e Cultura, Sujeito-Objeto, Humanos e N\u00e3o Humanos, Sustentabilidade e Regenera\u00e7\u00e3o, Fratura Colonial e Ambiental, entre outras dicotomias que desabam com a emerg\u00eancia do aquecimento global.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"536\" height=\"536\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/04.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-574\" style=\"width:452px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/04.jpeg 536w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/04-300x300.jpeg 300w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/04-150x150.jpeg 150w\" sizes=\"(max-width: 536px) 100vw, 536px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><br><em>Figura 4: A b\u00fassola cosmopol\u00edtica em um mundo em muta\u00e7\u00e3o.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, se a d\u00e9cada de 1970 imp\u00f4s o debate sobre a crise ambiental e civilizat\u00f3ria, j\u00e1 n\u00e3o podemos falar da mesma, no contexto do s\u00e9culo XXI. Segundo Bruno Latour,<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>infelizmente, falar de \u2018crise\u2019 seria ainda outro modo de nos tranquilizar, dizendo \u2018isso vai passar\u2019, a crise \u2018logo estar\u00e1 superada\u2019. Se fosse apenas uma crise! Se tivesse sido apenas uma crise! De acordo com os especialistas, melhor seria falar de uma \u2018muta\u00e7\u00e3o (Latour, 2020, p.23).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Diante do grave quadro ambiental, sobretudo dos \u00faltimos 60 anos, foi poss\u00edvel, nos anos 1990, \u201co consenso cient\u00edfico a respeito das transforma\u00e7\u00f5es em curso do regime termodin\u00e2mico do planeta\u201d (Castro &amp; Danowski, 2014, p. 15). Isso culmina na declara\u00e7\u00e3o de Paul Crutzen e Eugene Stoermer, no ano 2000, sobre a emerg\u00eancia da entrada em cena, desde a revolu\u00e7\u00e3o industrial, de uma nova era geol\u00f3gica, chamada de Antropoceno. O Antropoceno<sup><a href=\"#sdfootnote13sym\" id=\"sdfootnote13anc\"><sup>13<\/sup><\/a><\/sup>, segundo Bruno Latour \u00e9 o \u201cNovo Regime Clim\u00e1tico\u201d, e ele trata de uma \u00e9poca \u201cem que os seres humanos se tornaram agentes geol\u00f3gicos e a Natureza, que julg\u00e1vamos um mero cen\u00e1rio, subiu ao palco reivindicando seu papel de co-protagonista na trama, diz a fil\u00f3sofa Alyne Costa (Costa, 2021, p. 3). Importa dizer, entretanto, que o conceito de antropoceno \u00e9 controverso e ainda n\u00e3o oficial pelo campo da geologia.<\/p>\n\n\n\n<p>Trazer a Permacultura para a cena p\u00fablica nesse Novo Regime Clim\u00e1tico, \u00e9 um desafio emergencial. A cena p\u00fablica s\u00e3o as escolas, pra\u00e7as, clubes, universidades, bibliotecas, etc., em que esta possa ser aplicada e vivenciada. Aterrar na Permacultura como possibilidade e movimento geossocial, como ag\u00eancia de sustenta\u00e7\u00e3o em modelos benevolentes de modos de exist\u00eancia pela vida, \u00e9 preciso.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00e3o<\/h1>\n\n\n\n<p>A caracteriza\u00e7\u00e3o da emerg\u00eancia da Permacultura, foi aqui contextualizada n\u00e3o somente pelo momento contracultural e do ambientalismo de oposi\u00e7\u00e3o que emerge nos anos 1970, sen\u00e3o, como movimento inter-relacionado aos reflexos da contraofensiva contempor\u00e2nea financeirizada e neoliberal do sistema capitalista, que tem justamente nessa d\u00e9cada, o marco temporal para reafirmar seu novo regime. Se esta d\u00e9cada foi emblem\u00e1tica em rela\u00e7\u00e3o aos protestos e lutas contra as desigualdades em todos os \u00e2mbitos, foi tamb\u00e9m, o in\u00edcio de uma contra-rea\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria e contra-revolucion\u00e1ria que teve maior magnitude e visibilidade na d\u00e9cada de 1980-1990 a partir dos governos neoliberais de Reagan e Thatcher no \u201cgrande Norte\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A Permacultura \u00e9 um desses importantes movimentos reativos \u00e0 \u201ctomada de poder mundial pelo atual regime\u201d (Rolnik, 2018, p.30). Apesar de que, como ambientalismo, sofreu e sofre, como a maioria dos movimentos da \u00e9poca, da fratura colonial e ambiental que a cr\u00edtica decolonial explica pela separa\u00e7\u00e3o dos dois maiores fronte da luta anticapitalista: o movimento ambiental e cultural. Nosso objetivo ser\u00e1 romper com essa fratura uma vez que o Novo Regime Clim\u00e1tico nos for\u00e7ar\u00e1 a atravessar essas fronteiras no objetivo maior que ser\u00e1 de combater essa onda catastr\u00f3fica em que o planeta atravessa e que em menos de um s\u00e9culo deslocou o que antes era uma crise ambiental-cultural para uma muta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. Precisamos de uma nova rea\u00e7\u00e3o, bem maior do que a d\u00e9cada de 60 e 70, e este desafio \u00e9 gigante, seja devido ao negacionismo (clim\u00e1tico, da ci\u00eancia, etc.), pelo avan\u00e7o do neoliberalismo e extrema-direita, como por estarmos vivendo em uma nova era, da informa\u00e7\u00e3o, que permite, pelo uso do ciberespa\u00e7o, compartilharmos a melhor informa\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m, <em>fake news<\/em> como estrat\u00e9gias de domina\u00e7\u00e3o. A permacultura, ent\u00e3o, apresenta-se com um programa capaz de contribuir com este novo momento clim\u00e1tico, trazendo para a cena as v\u00e1rias tecnologias sociais e ambientais, novas ontologias e movimentos sociais, como demonstra a experi\u00eancia do Centro de pesquisa pela paz de Tamera, em Portugal, que tive a oportunidade de conhecer em 2011.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias<\/h1>\n\n\n\n<p>Capra, F., &amp; Luisi, P. L. (2014). <em>A vis\u00e3o sist\u00eamica da vida: Uma concep\u00e7\u00e3o unificada e suas implica\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas, pol\u00edticas, sociais e econ\u00f4micas<\/em>. Cultrix.<\/p>\n\n\n\n<p>Carson, R. (2010). <em>Primavera silenciosa (1962)<\/em>. Gaia.<\/p>\n\n\n\n<p>Castro, E. V. de, &amp; Danowski, D. (2014). H\u00e1 mundo por vir? Ensaio sobre os medos e os fins. <em>Florian\u00f3polis: Cultura e Barb\u00e1rie; Instituto Socioambiental<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Costa, A. (2021). Da verdade inconveniente \u00e0 suficiente: Cosmopol\u00edticas do Antropoceno. <em>Cognitio-Estudos: revista eletr\u00f4nica de filosofia<\/em>, <em>18<\/em>(1), 37\u201349. https:\/\/doi.org\/10.23925\/1809-8428.2021v18i1p37-49<\/p>\n\n\n\n<p>Descola, P. (2016). <em>Outras naturezas, outras culturas<\/em>. Editora 34.<\/p>\n\n\n\n<p>Ferdinand, M. (2022). <em>Uma ecologia decolonial<\/em> (1<sup>o<\/sup> ed.). Ubu.<\/p>\n\n\n\n<p>Ferreira-Neto, D. N. (2018). <em>Uma alternativa para a sociedade: Caminhos e perspectivas da permacultura no Brasil<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Hemenway, T. (2009). <em>Gaia\u2019s garden: A guide to home-scale permaculture<\/em>. Chelsea Green Pub.<\/p>\n\n\n\n<p>Holmgren, D. (2013). <em>Permacultura: Princ\u00edpios e caminhos al\u00e9m da sustentabilidade<\/em>. Via Sapiens.<\/p>\n\n\n\n<p>Holmgren, D. (2017). <em>Permacultura: 4 d\u00e9cadas de educa\u00e7\u00e3o, design e a\u00e7\u00e3o para um futuro pr\u00f3spero de decrescimento energ\u00e9tico<\/em>. Discurso de aceita\u00e7\u00e3o do Doutorado \u2013 CQU (Central Queensland University). https:\/\/permacultura.paginas.ufsc.br\/files\/2018\/04\/Discurso-Homgren-doutorado-CQU_-portugues.pdf<\/p>\n\n\n\n<p>Latour, B. (2020). <em>Onde aterrar?: Como se orientar politicamente no antropoceno<\/em>. Bazar do Tempo Produ\u00e7\u00f5es e Empreendimentos Culturais LTDA.<\/p>\n\n\n\n<p>Lovelock, J. (2006). <em>A vingan\u00e7a de gaia<\/em>. Intr\u00ednseca.<\/p>\n\n\n\n<p>Lovelock, J. E., &amp; Tickell, C. (2006). <em>The revenge of Gaia: Earth\u2019s climate crisis and the fate of humanity<\/em>. Basic Books.<\/p>\n\n\n\n<p>Mollison, B., &amp; Slay, R. M. (1998). <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Permacultura. Tradu\u00e7\u00e3o de Andr\u00e9 Soares<\/em>. MA\/SDR\/PNFC. <a href=\"https:\/\/repositorio.ufsc.br\/handle\/123456789\/199851\">https:\/\/repositorio.ufsc.br\/handle\/123456789\/199851<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Rolnik, S. (2021). <em>Esferas da insurrei\u00e7\u00e3o: Notas para uma vida n\u00e3o cafetinada<\/em> (2<sup>o<\/sup> ed.). n-1 edi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Sanson, C. (2022). <em>O primeiro relat\u00f3rio sobre os limites do crescimento completa 50 anos<\/em> [Instituto Humanitas Unisinos]. <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/616607-o-primeiro-relatorio-sobre-os-limites-do-crescimento-completa-50-anos\">https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/616607-o-primeiro-relatorio-sobre-os-limites-do-crescimento-completa-50-anos<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Souza, G. M. de. (2020). <em>Envolver o que nos envolve: Permacultura e s\u00edtios ecol\u00f3gicos em paisagens multiesp\u00e9cies na Serra do Espinha\u00e7o.<\/em> [Tese (Doutorado), Universidade Federal de Minas Gerais &#8211; Departamento de Antropologia e Arqueologia &#8211; Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia]. <a href=\"https:\/\/repositorio.ufmg.br\/handle\/1843\/45379\">https:\/\/repositorio.ufmg.br\/handle\/1843\/45379<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote1anc\" id=\"sdfootnote1sym\">1<\/a> &#8211; Universidade Federal do Cariri \u2013 UFCA, <a href=\"mailto:francisca.fanka@ufca.edu.br\">francisca.fanka@ufca.edu.br<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote2anc\" id=\"sdfootnote2sym\">2<\/a> &#8211; Cf. National Museum of Australia. (2025). Franklin Dam and the Greens. <a href=\"https:\/\/www.nma.gov.au\/defining-moments\/resources\/franklin-dam-greens\"><u>https:\/\/www.nma.gov.au\/defining-moments\/resources\/franklin-dam-greens<\/u><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote3anc\" id=\"sdfootnote3sym\">3<\/a> &#8211; United Nations. (s. d.). United Nations Conference on the Human Environment, Stockholm 1972. United Nations; United Nations. Recuperado em 3 de dezembro de 2025, de <a href=\"https:\/\/www.un.org\/en\/conferences\/environment\/stockholm1972\">https:\/\/www.un.org\/en\/conferences\/environment\/stockholm1972<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote4anc\" id=\"sdfootnote4sym\">4<\/a> &#8211; COSTA, A. (2021) Live de Boas vindas &#8211; Curso de Extens\u00e3o em Emerg\u00eancia Clim\u00e1tica. Universidade Estadual do Cear\u00e1. Dispon\u00edvel no link: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/live\/jKlA16-VDtw\">https:\/\/www.youtube.com\/live\/jKlA16-VDtw<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote5anc\" id=\"sdfootnote5sym\">5<\/a> &#8211; Toby Hemenway escreveu os livros: Gaia&#8217;s Garden: A Guide to Home-Scale Permaculture e The Permaculture City: Regenerative Design for Urban, Suburban, and Town Resilience.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote6anc\" id=\"sdfootnote6sym\">6<\/a> &#8211; Toby Hemenway. (2023). Em Wikip\u00e9dia, a enciclop\u00e9dia livre. <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/w\/index.php?title=Toby_Hemenway&amp;oldid=65163790\"><u>https:\/\/pt.wikipedia.org\/w\/index.php?title=Toby_Hemenway&amp;oldid=65163790<\/u><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote7anc\" id=\"sdfootnote7sym\">7<\/a> &#8211; Teoria criada por James Lovelock e Lynn Margulis.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote8anc\" id=\"sdfootnote8sym\">8<\/a> &#8211; Ag\u00eancia Eco Nordeste. (2022, julho 13). \u2018Desigualdade e crise clim\u00e1tica est\u00e3o completamente juntas\u2019, aponta Alexandre Costa. Eco Nordeste. <a href=\"https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/clima\/desigualdade-e-crise-climatica-estao-completamente-juntas-aponta-alexandre-costa\/\">https:\/\/agenciaeconordeste.com.br\/clima\/desigualdade-e-crise-climatica-estao-completamente-juntas-aponta-alexandre-costa\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote9anc\" id=\"sdfootnote9sym\">9<\/a> &#8211; Confira os dados em <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=xwtSNXePfSM\">Hist\u00f3rias da permacultura: as permaculturas ao longo do tempo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote10anc\" id=\"sdfootnote10sym\">10<\/a> &#8211; Eu fiz o meu primeiro PDC no Instituto de permacultura do Cerrado &#8211; IPEC, em 2009, onde iniciei meu ativismo e pesquisas na \u00e1rea, abrindo em 2011 o <a href=\"http:\/\/institutoaldeiadaluz.com\/\">Instituto de permacultura da caatinga- Aldeia da Luz<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote11anc\" id=\"sdfootnote11sym\">11<\/a> &#8211; Programa novas fronteiras da coopera\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote12anc\" id=\"sdfootnote12sym\">12<\/a> &#8211; &#8220;o anticolonialismo do P\u00f3s-Segunda Guerra Mundial \u00e9 o primeiro polo que prop\u00f5e uma abordagem soberanista e estatut\u00e1ria da decoloniza\u00e7\u00e3o&#8221;, segundo Malcon Ferdinand (2022, p. 198). No tocante \u00e0 decolonialidade, o mesmo autor, ressalta: &#8220;inaugurado pelo soci\u00f3logo peruano An\u00edbal Quijano e por um conjunto de pesquisadores da Am\u00e9rica Latina no in\u00edcio dos anos 1990, o pensamento decolonial constitui um terceiro polo que prop\u00f5e uma cr\u00edtica epist\u00eamica da fratura colonial, ou seja, uma cr\u00edtica das categorias de pensamento do mundo que foram impostas pela coloniza\u00e7\u00e3o das Am\u00e9ricas&#8221; (Ferdinand, 2022, p. 199).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote13anc\" id=\"sdfootnote13sym\">13<\/a> &#8211; O conceito de Antropoceno, contudo, n\u00e3o \u00e9 um consenso, nem formalizado pela geologia. Outras nomenclaturas como Plantitioceno, Capitaloceno, Chthuluceno, Euroceno, entre outros, circulam, para apontar uma cr\u00edtica ao mundo do Novo Regime Clim\u00e1tico. Veja tamb\u00e9m \u201cUm bilh\u00e3o de antropocenos negros ou nenhum\u201d Kathryn Yusoff (bazar do tempo, 2025).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Permaculture as a strategy for the recovery and resurgences of human and non-human landscapes in the age of climate mutations Francisca Pereira dos Santos1Submetido em 31mai2025. Aceito em 3dez2025Revis\u00e3o por Adriana Angelita Concei\u00e7\u00e3o e Arthur NanniDOI: https:\/\/doi.org\/10.5281\/zenodo.17956091 Resumo Apresento nesse di\u00e1logo historiogr\u00e1fico, o contexto, os desdobramentos e as proposi\u00e7\u00f5es que explicam a emerg\u00eancia da Permacultura. 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