{"id":509,"date":"2025-11-13T09:28:02","date_gmt":"2025-11-13T12:28:02","guid":{"rendered":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/?post_type=article&#038;p=509"},"modified":"2025-12-16T12:23:43","modified_gmt":"2025-12-16T15:23:43","slug":"artigo-de-opiniao","status":"publish","type":"article","link":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/article\/artigo-de-opiniao\/","title":{"rendered":"A cultura permanente da \u00e1gua na vis\u00e3o de Viktor Schauberger"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"271\" height=\"40\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/11\/artigo_opiniao.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-247\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-right has-medium-font-size\"><em><strong>Water and permaculture in Viktor Schauberger\u2019s vision<\/strong><\/em><\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-content-justification-right is-nowrap is-layout-flex wp-container-core-group-is-layout-fd526d70 wp-block-group-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/orcid.org\/0009-0004-4151-0880\"><img decoding=\"async\" width=\"24\" height=\"24\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/09\/ORCIDiD_icon24x24.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-61\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">FIGUEIRA, Felipe<sup><a href=\"#sdfootnote1sym\" id=\"sdfootnote1anc\"><sup>1<\/sup><\/a><\/sup><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Submetido em 29mai2025, Aceito em 3nov2025<br>Revis\u00e3o por Gabriela de Toledo e Tatsuo Shubo<br><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.5281\/zenodo.17586952\"><\/a><\/em>DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.5281\/zenodo.17586952\">https:\/\/doi.org\/10.5281\/zenodo.17586952<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resumo: <\/strong>Este artigo revisita a obra \u201cThe Water Wizard\u201d, do naturalista austr\u00edaco Viktor Schauberger, e discute suas reflex\u00f5es sobre a \u00e1gua, que antecipam princ\u00edpios contempor\u00e2neos da ecologia e da permacultura. Suas observa\u00e7\u00f5es descrevem a \u00e1gua n\u00e3o apenas como uma subst\u00e2ncia qu\u00edmica, mas como um sistema vivo, dotado de \u201calma\u201d e \u201ccar\u00e1ter\u201d. Para tanto, relaciona suas teorias com achados cient\u00edficos sobre estrutura molecular da \u00e1gua, condutividade e resson\u00e2ncia, evidenciando a m\u00e1xima vitalidade da \u00e1gua em seu fluxo natural nos rios, seu movimento natural em v\u00f3rtices e seus gradientes de temperatura.<br><br><strong>Palavras-chave<\/strong>: Viktor Schauberger; vitalidade da \u00e1gua; movimento da \u00e1gua; permacultura; ecologia sist\u00eamica; \u00e9tica ambiental<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Abstract<\/strong>: This article revisits <em>The Water Wizard<\/em> by Austrian naturalist Viktor Schauberger and discusses his reflections on water, which anticipated contemporary principles of ecology and permaculture. His observations describe water not merely as a chemical substance, but as a living system endowed with \u201csoul\u201d and \u201ccharacter.\u201d By relating his theories to scientific findings on the molecular structure of water, conductivity, and resonance, he highlights the water\u2019s highest vitality in its natural river flow, its vortex motion, and its temperature gradients. <br><br><strong>Keywords<\/strong>: Viktor Schauberger; water vitality; permaculture; systemic ecology; environmental ethics.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h1>\n\n\n\n<p>O livro \u201cThe Water Wizard\u201d (Schauberger, 1999) me foi apresentado em 2018, quando recebi a visita do Tita, fundador da ONG Nascentes, em uma propriedade rural onde desenvolvia um projeto de agrofloresta e recupera\u00e7\u00e3o de nascentes. O livro, ao mesmo tempo que desconstruiu a minha forma\u00e7\u00e3o em Engenharia Ambiental e tamb\u00e9m minha compreens\u00e3o sobre o manejo e a din\u00e2mica das \u00e1guas na natureza, formulou um desejo intuitivo e profundo de descobrir a vis\u00e3o de Viktor Schauberger sobre a intelig\u00eancia natural da \u00e1gua em moldar a vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Como ocorreu com muitas pessoas, a pandemia trouxe um novo <em>insight<\/em> e uniu esse desejo \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o, profiss\u00e3o na qual atuo h\u00e1 10 anos. Adquiri os direitos autorais do livro para o portugu\u00eas do Brasil em 2021 e, nessa caminhada, descobri diversas pessoas que tamb\u00e9m foram inspiradas por Viktor Schauberger. Desde ent\u00e3o, o projeto de publica\u00e7\u00e3o do livro conta com uma equipe editorial completa, na qual sou o tradutor e coordenador, cinco apoiadores institucionais do campo das \u00e1guas e da ecologia, apoio e pref\u00e1cio do estimado Professor Dr. Dem\u00e9trios Christofidis, um patroc\u00ednio <em>master<\/em> e uma grande rede de apoio e novos amigos que desejam mudar a atual concep\u00e7\u00e3o de manejo das \u00e1guas aplicado pelo poder p\u00fablico e privado no Brasil e no mundo. Em breve, o lan\u00e7amento e publica\u00e7\u00e3o do livro em portugu\u00eas, datada para mar\u00e7o de 2026, ser\u00e1 divulgada nas m\u00eddias com muita alegria e um belo caminho de uni\u00e3o percorrido.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio ao nosso crescente contato com as consequ\u00eancias das crises h\u00eddricas e do colapso de sistemas ecol\u00f3gicos, junto \u00e0 crescente perda da refer\u00eancia \u00e9tica na intera\u00e7\u00e3o com a natureza, emergem figuras como o austr\u00edaco Viktor Schauberger (1885\u20131958). Sua obra prop\u00f5e, al\u00e9m de solu\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas, uma profunda reconex\u00e3o entre ci\u00eancia, natureza e espiritualidade. Em seu livro <em>The Water Wizard<\/em>, suas observa\u00e7\u00f5es sobre a \u00e1gua, considerada um organismo vivo e em constante transforma\u00e7\u00e3o, lan\u00e7am luz sobre pr\u00e1ticas regenerativas alinhadas ao que hoje conhecemos como permacultura.<\/p>\n\n\n\n<p>A permacultura \u00e9 uma ci\u00eancia sist\u00eamica e de cunho socioambiental que congrega os saberes cient\u00edficos com os saberes tradicionais populares no planejamento de ambientes humanos permanentes e em equil\u00edbrio din\u00e2mico com a natureza, dentro de uma \u00e9tica que, hoje em dia, deve buscar novas cria\u00e7\u00f5es para os princ\u00edpios do cuidado com a terra, pessoas e os limites de consumo. Tais princ\u00edpios devem aceitar a intensidade e a escala em que as condi\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas atuais se manifestam nos contextos ecol\u00f3gico, social, econ\u00f4mico e cultural. As condi\u00e7\u00f5es para a ocorr\u00eancia da conex\u00e3o entre o equil\u00edbrio din\u00e2mico, hol\u00edstico e sist\u00eamico s\u00e3o justamente o ponto de encontro entre os caminhos de Schauberger e da permacultura.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">A \u00e1gua, por Viktor Schauberger<\/h1>\n\n\n\n<p>Viktor Schauberger defendia que a \u00e1gua, em seu estado natural, ou seja, nascida em fontes frescas, geralmente pr\u00f3xima a 4 \u00b0C, em movimento org\u00e2nico e em equil\u00edbrio com o ambiente, \u00e9 mais do que um l\u00edquido: \u00e9 uma subst\u00e2ncia viva, dotada de alma, car\u00e1ter e fun\u00e7\u00e3o vital. Embora rom\u00e2nticas, as palavras \u201calma\u201d e \u201ccar\u00e1ter\u201d tem fundamento cient\u00edfico e sist\u00eamico. Na \u00e9poca de Schauberger, em plena Segunda Guerra Mundial, cuja ci\u00eancia mecanicista era a voz condutora da tecnologia, houve muita resist\u00eancia \u00e0s suas ideias e teorias.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u201ccar\u00e1ter da \u00e1gua\u201d citado por Schauberger nada mais \u00e9 do que seu processo de matura\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o, que varia dependendo do ambiente na qual ela permeia. Sim, a \u00e1gua, como qualquer ser vivo, emerge em uma \u201cnascente\u201d e, como n\u00f3s, tem seu car\u00e1ter influenciado pelo ambiente de cria\u00e7\u00e3o na parte prim\u00e1ria da vida. Dependendo do seu ciclo de desenvolvimento, ou seja, sua intera\u00e7\u00e3o com as camadas mais profundas da terra, em um lento processo de transforma\u00e7\u00e3o geot\u00e9rmica, energ\u00e9tica e estrutural &#8211; em sua rea\u00e7\u00e3o com pH, press\u00e3o, temperatura, contorno e intera\u00e7\u00e3o com minerais e oligoelementos &#8211; a \u00e1gua nasce com determinadas caracter\u00edsticas vivas. Se captada no subsolo prematuramente, antes de seu processo total de matura\u00e7\u00e3o, a \u201c\u00e1gua juvenil\u201d, como descreve o autor, apresenta-se est\u00e9ril, ou seja, pobre em sais e microrganismos, biologicamente imatura, j\u00e1 que ainda n\u00e3o carrega a microbiota e os minerais que a tornam nutritiva, al\u00e9m de dotar alta capacidade de absor\u00e7\u00e3o de elementos do meio, da mesma forma que um beb\u00ea no \u00fatero. Segundo o autor, essa caracter\u00edstica pode ser extremamente prejudicial a quem a consome, pois tende a retirar minerais do organismo em vez de rep\u00f4-los.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando, em sua pesquisa, Viktor Schauberger cita a \u201calma da \u00e1gua\u201d, ele se refere \u00e0 capacidade de sustentar a vida atrav\u00e9s de sua organiza\u00e7\u00e3o funcional em seu regime natural. Hoje, a ci\u00eancia tamb\u00e9m poderia atribuir essa capacidade e organiza\u00e7\u00e3o \u00e0 estrutura molecular, condutividade e resson\u00e2ncia. Em outras palavras, o autor classificava a organiza\u00e7\u00e3o funcional da \u00e1gua como o estado din\u00e2mico onde ela conserva e renova seus processos vitais, relacionados a seus gradientes de temperatura e sua autorrefrigera\u00e7\u00e3o, conectada a seu movimento em v\u00f3rtices em seu fluxo natural. Tamb\u00e9m s\u00e3o parte de sua organiza\u00e7\u00e3o funcional, o contato da \u00e1gua com os minerais, ra\u00edzes e microvida do leito vivo do rio, a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o em seu percurso e a condensa\u00e7\u00e3o de energia em seu movimento, ou seja, sua capacidade de organiza\u00e7\u00e3o e equil\u00edbrio sist\u00eamico atrav\u00e9s de seu movimento natural.<\/p>\n\n\n\n<p>Autores como Sokhan et al. (2015), Brini et al. (2017) e Sieroka et al. (2024), trazem em seus estudos conceitos sobre a estrutura molecular da \u00e1gua, capacidade t\u00e9rmica, densidade an\u00f4mala e outros fatores que convergem com as teorias de Viktor Schauberger. Sabemos que a estrutura molecular, sustentada pelas din\u00e2micas das pontes de hidrog\u00eanio, regulam gradientes e estabilidade t\u00e9rmica da \u00e1gua. A condutividade est\u00e1 relacionada \u00e0s trocas i\u00f4nicas proporcionadas pelo contato com sais, gases e organismos dissolvidos na \u00e1gua. Por fim, a resson\u00e2ncia, expressa nos movimentos helicoidais e hidrodin\u00e2micos, organizam a energia em padr\u00f5es vibrat\u00f3rios. Essas dimens\u00f5es refor\u00e7am a vis\u00e3o de que a \u00e1gua \u00e9 um sistema vivo, capaz de conservar e renovar sua vitalidade em intera\u00e7\u00e3o com o ambiente que percorre. Podemos dizer que, segundo Viktor Schauberger, a \u00e1gua est\u00e1 longe de ser um composto \u201cneutro\u201d, pelo contr\u00e1rio: ela muda conforme o ambiente e sua hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, usando os achados atuais da ci\u00eancia, vamos entender outro ponto fundamental das teorias do autor sobre a rela\u00e7\u00e3o sist\u00eamica da \u00e1gua com o mundo. A \u00e1gua \u00e9 uma subst\u00e2ncia an\u00f4mala por excel\u00eancia e, ao contr\u00e1rio de outros l\u00edquidos, sua maior densidade ocorre a +4\u202f\u00b0C, e n\u00e3o em seu ponto de congelamento. Esse comportamento singular \u00e9 crucial para o equil\u00edbrio t\u00e9rmico da natureza e da vida. Viktor Schauberger destacava que o calor espec\u00edfico da \u00e1gua &#8211; sua capacidade de resistir a mudan\u00e7as r\u00e1pidas de temperatura &#8211; \u00e9 extremamente alto e, seu ponto mais baixo, est\u00e1 apenas 0,5\u202f\u00b0C acima da temperatura normal do sangue humano, de +37\u202f\u00b0C., ou seja, quando est\u00e1 a +36,5\u202f\u00b0C, a \u00e1gua apresenta sua maior resist\u00eancia a mudan\u00e7as de temperatura! Isso nos revela que o pr\u00f3prio corpo humano, composto em torno de 60-62% de \u00e1gua em um indiv\u00edduo adulto (Lu et al., 2023), se ancora nesse comportamento an\u00f4malo para manter a vida est\u00e1vel mesmo diante de intensas varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. A \u00e1gua, portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas um solvente, \u00e9 o mediador t\u00e9rmico e vital do organismo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o menos importante, o autor defendia com prioridade o movimento natural da \u00e1gua como algo intr\u00ednseco a sua qualidade e vitalidade. Schauberger observou que a natureza opera com movimentos centr\u00edpetos, espirais, v\u00f3rtices e ritmos, movimentos estes opostos \u00e0s formas de linha reta e angular propostos pela engenharia mecanicista. Seus estudos mostram o fluxo da \u00e1gua nos rios em camadas conc\u00eantricas espiraladas, com o centro do fluxo sendo mais frio, veloz e denso. Esse fluxo em v\u00f3rtices cria uma auto-organiza\u00e7\u00e3o que regula a temperatura, oxigena o sistema, transporta nutrientes e impede o ac\u00famulo patog\u00eanico.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o rio flui de forma espiralada, ou quando ocorre o fluxo helicoidal de seu n\u00facleo central, ele modela suas margens com intelig\u00eancia: a curva externa \u00e9 aprofundada, a interna suavizada, e os sedimentos s\u00e3o distribu\u00eddos de acordo com seu peso espec\u00edfico. Esse equil\u00edbrio din\u00e2mico n\u00e3o apenas preserva a estrutura do leito como tamb\u00e9m fertiliza as margens, permitindo que a vegeta\u00e7\u00e3o ribeirinha cres\u00e7a com vigor, criando um ciclo onde o rio alimenta a terra, e a terra, por sua vez, protege o rio com sua vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, Schauberger afirmava que, em um rio, o movimento helicoidal que ocorre na parte interna de cada meandro, a chamada \u201ccurva dentro da curva\u201d, constitui o \u00f3rg\u00e3o sexual da \u00e1gua, j\u00e1 que nesse ponto de inflex\u00e3o a corrente se regenera, fertiliza e multiplica sua vitalidade. O autor explica que o movimento espiralado longitudinal da \u00e1gua dentro do meandro do rio, uma esp\u00e9cie de v\u00f3rtice interno que faz a corrente ascender pela margem c\u00f4ncava e retornar pelo fundo, cria zonas de suc\u00e7\u00e3o e compress\u00e3o que lhe permitem absorver oxig\u00eanio e nutrientes do subsolo, misturando-os ao fluxo vivo do rio. Essa concep\u00e7\u00e3o foi posteriormente aprofundada por John Wilkes, criador das <em>Flow Forms<\/em>, que demonstrou como o movimento em espiral e o ritmo pulsante da \u00e1gua promovem processos de autodepura\u00e7\u00e3o e revitaliza\u00e7\u00e3o do fluxo. Logo, tanto em Schauberger quanto em Wilkes, a forma e o movimento da \u00e1gua revelam um princ\u00edpio morfogen\u00e9tico essencial \u00e0 regenera\u00e7\u00e3o dos ecossistemas aqu\u00e1ticos (Wilkes, 2003).<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, segundo Schauberger, cada curva do rio n\u00e3o \u00e9 apenas uma mudan\u00e7a de dire\u00e7\u00e3o, mas um ato de reprodu\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da energia e da fertilidade da \u00e1gua. Tal concep\u00e7\u00e3o traduz a ideia de que o rio, ao moldar-se em curvas sucessivas, perpetua seu car\u00e1ter formador e materno, sustentando tanto a si quanto a vida em suas margens. Nessa din\u00e2mica, o oxig\u00eanio absorvido nas curvas atua como subst\u00e2ncia fertilizante, reanimando a corrente com energia vital e enriquecendo o fluxo com elementos capazes de sustentar a fertilidade do solo e a sa\u00fade dos organismos que dele dependem, conforme ilustrado na Figura 1.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"958\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/figura1-700x958.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-512\" srcset=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/figura1-700x958.png 700w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/figura1-219x300.png 219w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/figura1-768x1051.png 768w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/figura1.png 838w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><br><em>Figura 1: Imagem da p\u00e1gina 32 do livro, concebida por Viktor e traduzida ao portugu\u00eas. Seus tra\u00e7os mostram a complexidade do fluxo da \u00e1gua nos rios, seus movimentos vitais e geradores de vida e sua intera\u00e7\u00e3o com atmosfera, radia\u00e7\u00e3o e oxig\u00eanio.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Segundo Schauberger, a radia\u00e7\u00e3o direta do sol sobre a \u00e1gua desnuda provoca sua degenera\u00e7\u00e3o. Embora a \u00e1gua em movimento e com carga org\u00e2nica dilu\u00edda possa resistir melhor ao impacto solar, (H\u00e4der et al., 2011) afirmam que a radia\u00e7\u00e3o solar provoca forma\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies reativas ao oxig\u00eanio, quebra de mat\u00e9ria org\u00e2nica dissolvida e altera\u00e7\u00e3o da rede tr\u00f3fica. Viktor Schauberger defendia que a \u00e1gua aquecida perde sua estrutura interna, oxig\u00eanio e capacidade vital, tornando-se estagnada e suscet\u00edvel \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o de pat\u00f3genos. O desmatamento rompe essa prote\u00e7\u00e3o natural e agrava o problema: sem sombra, os rios aquecem, seus v\u00f3rtices se rompem, os sedimentos se acumulam de forma desordenada e o leito se eleva. Isso reduz a infiltra\u00e7\u00e3o e provoca o desequil\u00edbrio entre superf\u00edcie e aqu\u00edferos, gerando as chamadas \u201cenchentes encadeadas\u201d, fen\u00f4meno corriqueiro no Brasil e no mundo, quando uma cheia leva \u00e0 pr\u00f3xima, em r\u00e1pida sucess\u00e3o, pela aus\u00eancia de recarga subterr\u00e2nea e perda da capacidade de reten\u00e7\u00e3o da paisagem.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Paralelos com a permacultura<\/h1>\n\n\n\n<p>Agora que vimos alguns conceitos importantes sobre as teorias do autor em rela\u00e7\u00e3o ao fluxo natural da \u00e1gua, encontramos paralelos diretos nas t\u00e9cnicas de manejo h\u00eddrico da permacultura, como os <em>swales<\/em><sup><em><a href=\"#sdfootnote2sym\" id=\"sdfootnote2anc\"><sup>2<\/sup><\/a><\/em><\/sup>, os canais curvos de infiltra\u00e7\u00e3o e os sistemas de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de chuva que respeitam os contornos do terreno e armazenamento de \u00e1gua nos solos. Na permacultura, desenhar com a \u00e1gua \u00e9 entender que ela busca caminhos harmoniosos, nunca retos, e que seu fluxo saud\u00e1vel regenera a vida ao seu redor.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda sobre a rela\u00e7\u00e3o de Schauberger com a permacultura, entre tantas virtuosidades como cientista vision\u00e1rio, f\u00edsico, naturalista e matem\u00e1tico, ele sempre foi lembrado principalmente pelo seu dom como observador. \u00c9 muito comum vermos o princ\u00edpio de planejamento \u201c<strong>observe e interaja<\/strong>\u201d no meio da permacultura. Schauberger, em contato com a floresta intocada, teve sua consci\u00eancia tocada pela vitalidade dos movimentos naturais da \u00e1gua na natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>De forma rom\u00e2ntica e, por vezes, revoltada, o autor escreveu suas teorias enfatizando como a sociedade caminhava em dire\u00e7\u00f5es totalmente opostas \u00e0 din\u00e2mica dos movimentos e ciclos vitais da natureza, citando como exemplo a canaliza\u00e7\u00e3o de rios em linha reta, condu\u00e7\u00e3o da \u00e1gua por tubos lineares, uso de turbinas centr\u00edfugas para bombeamento da \u00e1gua, enquanto na natureza, o movimento e a energia s\u00e3o gerados por gradientes de temperatura muito menores. O autor cita e critica tais pr\u00e1ticas da sociedade a fim de comparar o comportamento da \u00e1gua na natureza com o da sociedade, que habita o mesmo ambiente. Tal como a \u00e1gua, que ao perder seu leito vital se torna turbulenta e destrutiva, tamb\u00e9m a sociedade, se mal orientada, degenera em agressividade e desordem.<\/p>\n\n\n\n<p>As pr\u00e1ticas citadas acima n\u00e3o se tratam apenas do manejo inadequado: elas alteram algumas caracter\u00edsticas importantes da \u00e1gua vital. Como exemplo, Viktor afirmava que a composi\u00e7\u00e3o e o \u201ccomportamento\u201d do oxig\u00eanio na \u00e1gua se alteram, tornando-o \u201cagressivo\u201d, tema que vale a pena percorrermos brevemente. De forma simples, podemos dizer que o conceito de \u201coxig\u00eanio agressivo\u201d proposto por Schauberger dialoga com os ciclos biogeoqu\u00edmicos na agricultura regenerativa. A oxida\u00e7\u00e3o em excesso, seja no corpo humano ou no solo, degenera a vida. J\u00e1 o equil\u00edbrio entre oxig\u00eanio, carbono e umidade promove sa\u00fade. A \u00e1gua viva que Schauberger prop\u00f5e \u00e9, de fato, o elo condutor dos processos de respira\u00e7\u00e3o do solo e das plantas.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u201coxig\u00eanio agressivo\u201d, ent\u00e3o, \u00e9 um estado em que esse composto, intensamente ativado pelo calor ou agita\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica, deixa de construir e passa a destruir. Nesse contexto, o oxig\u00eanio sofre um aumento em seu potencial redox, tornando-se altamente reativo e manifestando-se, bioquimicamente, na forma de oxida\u00e7\u00e3o descontrolada.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse processo rompe cadeias moleculares, acelera a decomposi\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica e quebra os v\u00ednculos sutis que mant\u00eam a estrutura viva da \u00e1gua. No solo, isso se traduz na perda de h\u00famus, na morte de microrganismos ben\u00e9ficos e na prolifera\u00e7\u00e3o de pat\u00f3genos. Nos corpos de animais e humanos, o excesso de oxida\u00e7\u00e3o gera estresse metab\u00f3lico, inflama\u00e7\u00f5es e enfraquecimento sist\u00eamico. Mais profundamente, Viktor Schauberger afirmava que esse desequil\u00edbrio atinge tamb\u00e9m o car\u00e1ter e a alma das pessoas, pois desestrutura os ritmos naturais internos, impedindo o ser de viver em harmonia com os ciclos da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua obra, entre tantas indaga\u00e7\u00f5es como esta \u00faltima, Viktor Schauberger tamb\u00e9m questionava o uso de tubula\u00e7\u00f5es de ferro, material utilizado na \u00e9poca, para condu\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, sugerindo inclusive o uso da madeira para o fluxo sist\u00eamico. Criticou fortemente os processos de desinfec\u00e7\u00e3o da \u00e1gua com o uso do cloro, associando tal pr\u00e1tica ao aumento da incid\u00eancia de c\u00e2ncer na sociedade. At\u00e9 o uso de ferramentas de ferro na agricultura, dando prefer\u00eancia ao cobre por quest\u00f5es de oxida\u00e7\u00e3o do solo, menciona o autor.<br><br>Isso nos revela como um cientista fant\u00e1stico, vision\u00e1rio e rom\u00e2ntico, atuou em meio ao conturbado cen\u00e1rio da Europa Central entre as d\u00e9cadas de 1930 e 1950, per\u00edodo em que a \u00c1ustria foi anexada pela Alemanha nazista e subjugada por interesses militares e mecanicistas. Viktor Schauberger, com sua sensibilidade incomum e observa\u00e7\u00f5es profundas dos ritmos naturais, entrou em confronto direto com a vis\u00e3o cient\u00edfica dominante. Enquanto a ci\u00eancia ortodoxa se ancorava na Segunda Lei da Termodin\u00e2mica e nas tecnologias de explos\u00e3o, Viktor Schauberger propunha a implos\u00e3o, a regenera\u00e7\u00e3o e a energia viva, conceitos que pareciam m\u00edsticos demais para seu tempo. Frustrado por n\u00e3o ver suas ideias compreendidas ou aplicadas de forma \u00e9tica e, ap\u00f3s ser for\u00e7ado a colaborar com projetos militares durante a Segunda Guerra Mundial, o autor morreu desiludido, diante de uma humanidade que insistia em caminhar contra a sincronia viva da natureza. Deixo aqui a m\u00e1xima de Viktor Schauberger: \u201cCompreenda e copie a natureza!\u201d, tal como prop\u00f5e a permacultura.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Considera\u00e7\u00f5es finais<\/h1>\n\n\n\n<p>Considerando as informa\u00e7\u00f5es at\u00e9 ent\u00e3o citadas neste artigo, trago algumas reflex\u00f5es importantes sobre as ideias de Schauberger, publicadas h\u00e1 quase cem anos, considerando os dias atuais. A popula\u00e7\u00e3o mundial cresceu 112% entre 1950 e 1990 e, 51% entre 1990 e 2022 (<em>World Population Prospects<\/em>, 2022). O \u00e1pice do crescimento populacional est\u00e1 intimamente ligado \u00e0 sistematiza\u00e7\u00e3o da agricultura (Evenson &amp; Gollin, 2003), a chamada \u201crevolu\u00e7\u00e3o verde\u201d com os fertilizantes sint\u00e9ticos, mecaniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola com grandes m\u00e1quinas e sementes de alto rendimento. (Ritchie &amp; Roser, 2018) conecta a expans\u00e3o da sistematiza\u00e7\u00e3o da irriga\u00e7\u00e3o e do tratamento, canaliza\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua \u201cpot\u00e1vel\u201d ao aumento populacional. Como dito, Viktor Schauberger associava esse \u201cdesenvolvimento\u201d ao aumento da incid\u00eancia do c\u00e2ncer. Um estudo publicado na revista BMJ Oncology em 2023 revelou um aumento de 79% da doen\u00e7a a partir da d\u00e9cada de 1990, justamente os 40 anos de idade da gera\u00e7\u00e3o dos anos 1950.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, temos uma quest\u00e3o complexa: ao mesmo tempo, em que criticamos as pr\u00e1ticas comuns de agricultura e manejo das \u00e1guas e dos solos, a explora\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas, minera\u00e7\u00e3o, extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e ind\u00fastria de alimentos, devemos lembrar que n\u00f3s e nossos ancestrais estamos aqui, frutos de uma imensa popula\u00e7\u00e3o mundial, moldados e inseridos, a partir de certo ponto, nesse exato sistema. N\u00e3o menos importante, utilizando ao menos alguns de seus recursos todos os dias e tamb\u00e9m sentindo na pele as consequ\u00eancias de nossos h\u00e1bitos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito complexo tanto criticar como prover solu\u00e7\u00f5es em larga escala e curto prazo para problemas reais num contexto mundial onde as pessoas est\u00e3o trabalhando, criando seus filhos e buscando uma vida melhor. Assim como Schauberger, o livro \u201cA vida secreta das \u00e1rvores\u201d (Wohlleben, 2017) tamb\u00e9m cita como ritmo da natureza \u00e9 lento em sua cria\u00e7\u00e3o, defesa e regenera\u00e7\u00e3o. Schauberger, em suas previs\u00f5es quanto ao manejo e intera\u00e7\u00e3o inadequada com a natureza, bem como sua proposta de copiar a din\u00e2mica natural da \u00e1gua, buscava solu\u00e7\u00f5es como a regula\u00e7\u00e3o de cursos d&#8217;\u00e1gua, armazenamento e manejo e, da mesma forma, a permacultura e seus nichos, como a agrofloresta, buscam antecipar esses processos naturais de regenera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos que a permacultura, antes de qualquer t\u00e9cnica de enxerto ou bioconstru\u00e7\u00e3o, apela para solu\u00e7\u00f5es do micro ao macro, escala local, mudan\u00e7a no ambiente em que se vive e, da\u00ed, faz sentido a expans\u00e3o para o mundo. Enquanto as pol\u00edticas p\u00fablicas permeiam os gabinetes do Congresso e de minist\u00e9rios por anos e o incentivo p\u00fablico para tais pol\u00edticas demora, enquanto a fiscaliza\u00e7\u00e3o para leis ambientais quase inexiste e tem oponentes no pr\u00f3prio Congresso, devemos pensar em como reduzir a nossa vida a esse fluxo natural com uma certa urg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Reduzir n\u00e3o \u00e9 apenas consumir menos, \u00e9 alinhar nossos h\u00e1bitos ao metabolismo da pr\u00f3pria Terra. Como sugere (Capra &amp; Luisi, 2014) em seu livro \u201cA Vis\u00e3o Sist\u00eamica da Vida\u201d, os sistemas vivos operam por ciclos fechados, coopera\u00e7\u00e3o, efici\u00eancia energ\u00e9tica e equil\u00edbrio. Quando reduzimos o desperd\u00edcio, a velocidade, o ru\u00eddo e at\u00e9 os excessos nos relacionamentos, come\u00e7amos a nos mover no ritmo da natureza. Este artigo traz alguns aspectos cient\u00edficos e filos\u00f3ficos da obra de Viktor Schauberger e suas rela\u00e7\u00f5es com a permacultura. Al\u00e9m do car\u00e1ter cient\u00edfico e informativo, este texto \u00e9 tamb\u00e9m um apelo para buscarmos uma sintonia com a escala m\u00ednima e inteligente dos sistemas naturais. As consequ\u00eancias aos nossos h\u00e1bitos, a n\u00f3s mesmos e ao mundo ser\u00e3o, lentamente, ben\u00e9ficas.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias<\/h1>\n\n\n\n<p>Brini, E., Fennell, C. J., Fernandez-Serra, M., Hribar-Lee, B., Luk\u0161i\u010d, M., &amp; Dill, K. A. (2017). How Water\u2019s Properties Are Encoded in Its Molecular Structure and Energies. <em>Chemical Reviews<\/em>, <em>117<\/em>(19), 12385\u201312414. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1021\/acs.chemrev.7b00259\">https:\/\/doi.org\/10.1021\/acs.chemrev.7b00259<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Capra, F., &amp; Luisi, P. L. (2014). <em>A vis\u00e3o sist\u00eamica da vida: Uma concep\u00e7\u00e3o unificada e suas implica\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas, pol\u00edticas, sociais e econ\u00f4micas<\/em>. Cultrix.<\/p>\n\n\n\n<p>Evenson, R. E., &amp; Gollin, D. (2003). Assessing the Impact of the Green Revolution, 1960 to 2000. <em>Science<\/em>, <em>300<\/em>(5620), 758\u2013762. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1126\/science.1078710\">https:\/\/doi.org\/10.1126\/science.1078710<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e4der, D.-P., Helbling, E. W., Williamson, C. E., &amp; Worrest, R. C. (2011). Effects of UV radiation on aquatic ecosystems and interactions with climate change. <em>Photochemical &amp; Photobiological Sciences: Official Journal of the European Photochemistry Association and the European Society for Photobiology<\/em>, <em>10<\/em>(2), 242\u2013260. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1039\/c0pp90036b\">https:\/\/doi.org\/10.1039\/c0pp90036b<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Holmgren, D. (2017). <em>Permaculture: Principles and pathways beyond sustainability<\/em>. Holmgren Design Services.<\/p>\n\n\n\n<p>Lu, H., Ayers, E., Patel, P., &amp; Mattoo, T. K. (2023). Body water percentage from childhood to old age. <em>Kidney Research and Clinical Practice<\/em>, <em>42<\/em>(3), 340\u2013348. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.23876\/j.krcp.22.062\">https:\/\/doi.org\/10.23876\/j.krcp.22.062<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ritchie, H., &amp; Roser, M. (2018). Water Use and Stress. <em>Our World in Data<\/em>. <a href=\"https:\/\/ourworldindata.org\/water-use-stress\">https:\/\/ourworldindata.org\/water-use-stress<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Schauberger, V. (1999). <em>The Water Wizard: The Extraordinary Properties of Natural Water<\/em>. Gateway Books. <a href=\"http:\/\/archive.org\/details\/TheWaterWizard\">http:\/\/archive.org\/details\/TheWaterWizard<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Sieroka, N., Lossau, T., &amp; Neudecker, T. (2024). Emergent Properties in Chemistry\u2014Relating Molecular Properties to Bulk Behavior. <em>Chemistry \u2013 A European Journal<\/em>, <em>30<\/em>(25), e202303868. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1002\/chem.202303868\">https:\/\/doi.org\/10.1002\/chem.202303868<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Sokhan, V. P., Jones, A. P., Cipcigan, F. S., Crain, J., &amp; Martyna, G. J. (2015). Signature properties of water: Their molecular electronic origins. <em>Proceedings of the National Academy of Sciences<\/em>, <em>112<\/em>(20), 6341\u20136346. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1073\/pnas.1418982112\">https:\/\/doi.org\/10.1073\/pnas.1418982112<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Wilkes, A. J. (2003). <em>Flowforms: The rhythmic power of water<\/em> (2<sup>o<\/sup> ed.). Floris Books. <a href=\"https:\/\/cir.nii.ac.jp\/crid\/1970023484924344893\">https:\/\/cir.nii.ac.jp\/crid\/1970023484924344893<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Wohlleben, P. (2017). <em>A vida secreta das \u00e1rvores<\/em>. Sextante. <a href=\"https:\/\/sextante.com.br\/products\/a-vida-secreta-das-arvores\">https:\/\/sextante.com.br\/products\/a-vida-secreta-das-arvores<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><em>World Population Prospects: 2022: summary of results<\/em>. (2022). UN. <a href=\"https:\/\/digitallibrary.un.org\/record\/3989515\">https:\/\/digitallibrary.un.org\/record\/3989515<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote1anc\" id=\"sdfootnote1sym\">1<\/a> &#8211; Associa\u00e7\u00e3o Nascentes, <a href=\"mailto:felipefigueira.translator@gmail.com\"><u>felipefigueira.translator@gmail.com<\/u><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#sdfootnote2anc\" id=\"sdfootnote2sym\">2<\/a><em> &#8211; Swale<\/em> \u00e9 um termo em ingl\u00eas e pode ser traduzido como uma via de infiltra\u00e7\u00e3o ou canal de reten\u00e7\u00e3o de \u00e1guas pluviais, geralmente constru\u00eddo ao longo das curvas de n\u00edvel de um terreno. Essa t\u00e9cnica visa reter e infiltrar a \u00e1gua da chuva, reduzindo a eros\u00e3o e promovendo a recarga do len\u00e7ol fre\u00e1tico, sendo amplamente utilizada na permacultura e em pr\u00e1ticas de manejo da paisagem (Holmgren, 2017).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Water and permaculture in Viktor Schauberger\u2019s vision FIGUEIRA, Felipe1 Submetido em 29mai2025, Aceito em 3nov2025Revis\u00e3o por Gabriela de Toledo e Tatsuo ShuboDOI: https:\/\/doi.org\/10.5281\/zenodo.17586952 Resumo: Este artigo revisita a obra \u201cThe Water Wizard\u201d, do naturalista austr\u00edaco Viktor Schauberger, e discute suas reflex\u00f5es sobre a \u00e1gua, que antecipam princ\u00edpios contempor\u00e2neos da ecologia e da permacultura. 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