{"id":420,"date":"2025-09-22T20:36:19","date_gmt":"2025-09-22T23:36:19","guid":{"rendered":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/?post_type=article&#038;p=420"},"modified":"2025-10-13T12:02:46","modified_gmt":"2025-10-13T15:02:46","slug":"e31202501","status":"publish","type":"article","link":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/article\/e31202501\/","title":{"rendered":"TERRA &#8211; uma abordagem permacultural para res\u00edduos s\u00f3lidos rurais"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right has-medium-font-size\"><em><strong>TERRA &#8211; a permaculture approach for rural solid waste<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\"><em><strong>Perma<\/strong> \u2013 Rev. Perma \u2013 Perma jour., v. 3, n. 1, e31202501, primavera de 2025.<\/em><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-content-justification-right is-nowrap is-layout-flex wp-container-core-group-is-layout-fd526d70 wp-block-group-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/orcid.org\/0000-0003-3491-265X\"><img decoding=\"async\" width=\"24\" height=\"24\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/09\/ORCIDiD_icon24x24.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-61\" style=\"width:25px;height:auto\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>NANNI, Arthur<\/em><sup><em><a href=\"#sdfootnote1sym\" id=\"sdfootnote1anc\">1<\/a><\/em><\/sup><em>, <\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/orcid.org\/0009-0008-7082-0131\"><img decoding=\"async\" width=\"24\" height=\"24\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/09\/ORCIDiD_icon24x24.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-61\" style=\"width:25px;height:auto\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>PULCENO, Cassandra<\/em><sup><em><a href=\"#sdfootnote2sym\" id=\"sdfootnote2anc\">2<\/a><\/em><\/sup><em>, <\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/orcid.org\/0009-0003-2986-0522\"><img decoding=\"async\" width=\"24\" height=\"24\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/09\/ORCIDiD_icon24x24.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-61\" style=\"width:25px;height:auto\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>LEOPOLDO, Krieger<\/em><sup><em>2<\/em><\/sup><em>, <\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/orcid.org\/0000-0002-7335-9730\"><img decoding=\"async\" width=\"24\" height=\"24\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/09\/ORCIDiD_icon24x24.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-61\" style=\"width:25px;height:auto\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p><em>VENTURI, Marcelo<\/em><sup><em>1<\/em><\/sup><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\"><em>Submetido em 30mai2025. Aceito em 31ago2025<\/em><br><em>Revis\u00e3o por Adriana Galbiati e Tamires Radharani Panche Castilho dos Santos<\/em><br><em>DOI &#8211; <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.5281\/zenodo.17039491\">https:\/\/doi.org\/10.5281\/zenodo.17039491<\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Objetivos<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Essa nota permacultural aborda a gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos rurais. Prop\u00f5e-se o uso da palavra TERRA para guiar sobre a gest\u00e3o desses, onde cada uma de suas letras indica a\u00e7\u00f5es que envolvem sua transforma\u00e7\u00e3o, seu encaminhamento, a recusa e o repensar, reciclar e aproveitar. Uma sinaliza\u00e7\u00e3o semaf\u00f3rica \u00e9 proposta nas figuras, onde o verde traz a import\u00e2ncia de pensar res\u00edduos como recursos, onde o importante ter em mente que \u00e9 necess\u00e1rio, ao m\u00e1ximo, tentar aproveit\u00e1-los localmente. J\u00e1 o amarelo, nos traz a necessidade de repensar o consumo de mat\u00e9rias-primas que ter\u00e3o de ser recicladas ou transformadas externamente \u00e0 escala comunit\u00e1ria. Por fim, o vermelho nos coloca a necessidade de recusar\/repensar sobre o consumo de \u201cbens\u201d cujo ciclo de reinser\u00e7\u00e3o desses como mat\u00e9rias-primas \u00e9 demasiadamente longo e envolve polui\u00e7\u00e3o e alto consumo energ\u00e9tico.<\/em><\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h1>\n\n\n\n<p>Essa nota foi originalmente escrita em 2020 em um formato interativo e publicada junto ao s\u00edtio eletr\u00f4nico da Rede NEPerma Brasil. Ap\u00f3s alguns retornos de leitores, sobretudo, extensionistas rurais, foi revisada e atualizada para o formato de artigo e publicado nesta edi\u00e7\u00e3o da Revista Perma.<\/p>\n\n\n\n<p>Vivemos em um mundo repleto de \u201cmodernidades\u201d e \u201cfacilidades\u201d conhecidas como \u201cbens\u201d de consumo, constitu\u00eddos por diferentes composi\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas, muitas vezes insepar\u00e1veis e, em muitos casos, irreconhec\u00edveis para a natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>Muito se fala sobre gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos, especialmente em rela\u00e7\u00e3o a velhos h\u00e1bitos e valores estigmatizados por uma gest\u00e3o centralizada, que sempre buscou trat\u00e1-los como um \u201cproblema\u201d e n\u00e3o um recurso, enviando-os para longe do cidad\u00e3o urbano, criando a falsa ideia de que o \u201cproblema\u201d foi resolvido. Essa obsoleta estrat\u00e9gia consola aqueles que n\u00e3o questionam ou n\u00e3o se importam sobre o destino dos res\u00edduos por si produzidos e, nos coloca na condi\u00e7\u00e3o de meros espectadores de um show de m\u00e1gica do desaparecimento, cujo resultado possui um alto custo socioambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas zonas rurais dos nossos munic\u00edpios brasileiros, essa realidade consegue ser pior. Muitas vezes, a gest\u00e3o p\u00fablica municipal n\u00e3o atende plenamente a popula\u00e7\u00e3o do campo, que se v\u00ea obrigada a gerir os res\u00edduos por meio de iniciativas individuais e\/ou comunit\u00e1rias, buscando atenuar os problemas gerados pelo consumo e descarte err\u00f4neo dessas mat\u00e9rias-primas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos (PNRS), \u201ca realiza\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos gerados nas \u00e1reas rurais \u00e9 dever dos munic\u00edpios brasileiros\u201d, mas \u201co deficit no acesso \u00e0 coleta de res\u00edduos s\u00f3lidos em comunidades rurais, muitas vezes compele a popula\u00e7\u00e3o do campo a optar por enterrar, queimar ou dispor de modo irregular o lixo produzido no domic\u00edlio\u201d (Brasil, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 15 anos, a Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos (PNRS) (Brasil, 2010), sequer mencionou o ambiente rural. Apenas em 2019, a Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Sa\u00fade (FUNASA, 2019) publicou o Programa Nacional de Saneamento Rural (PNSRural). Neste Programa, o \u201cVolume 2 &#8211; Processos participativos\u201d, traz uma discuss\u00e3o para os res\u00edduos s\u00f3lidos rurais, incluindo na l\u00f3gica de gest\u00e3o, a \u201cRedu\u00e7\u00e3o, reutiliza\u00e7\u00e3o, recupera\u00e7\u00e3o e reciclagem de res\u00edduos rurais\u201d. Tamb\u00e9m apresenta alternativas de gest\u00e3o, como \u201ca implanta\u00e7\u00e3o de aterros rurais de pequeno porte\u201d, o que replica a l\u00f3gica do \u201cres\u00edduo como problema\u201d. Ainda menciona \u201c\u00e0 cria\u00e7\u00e3o de cooperativas de catadores de materiais recicl\u00e1veis, que estimula a autogest\u00e3o comunit\u00e1ria\u201d (FUNASA, 2019, p. 35).<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda nesse volume, o PNSRural apresenta uma discuss\u00e3o sobre solu\u00e7\u00f5es coletivas e individuais de gest\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos recicl\u00e1veis, org\u00e2nicos e rejeitos, avan\u00e7ando na pauta da gest\u00e3o, quando coloca a \u201cn\u00e3o gera\u00e7\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o e reutiliza\u00e7\u00e3o\u201d como guias para res\u00edduos recicl\u00e1veis, a compostagem para org\u00e2nicos e, esta\u00e7\u00f5es de transbordo coletivas para rejeitos a serem encaminhados ao aterro sanit\u00e1rio (FUNASA, 2019, p. 36).<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao manejo, o PNSRural ainda foca na gest\u00e3o centralizada com a responsabilidade do munic\u00edpio, mas traz tamb\u00e9m, itens que estimulam a participa\u00e7\u00e3o popular, como a implanta\u00e7\u00e3o de Pontos de Entrega Volunt\u00e1ria (FUNASA, 2019, p. 53), operando como unidades de transbordo comunit\u00e1rias, fazendo com que as onerosas coletas por parte dos servi\u00e7os municipais, ocorram com menos frequ\u00eancia, diminuindo os custos ao er\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O Programa Sustentar da Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Sa\u00fade, coloca o cidad\u00e3o rural como \u201csujeito hist\u00f3rico e de direitos que se torna protagonista de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria e assume aquilo que \u00e9 seu, se envolve na implementa\u00e7\u00e3o e continuidade das a\u00e7\u00f5es\u201d (Brasil, 2018). Esse Programa prop\u00f5e a participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 por meio do <strong>operador domiciliar<\/strong>, orientado pelo <strong>orientador local<\/strong>, um t\u00e9cnico \u201cdevidamente instru\u00eddo e apoiado pelo n\u00edvel municipal de gest\u00e3o\u201d, que \u201ccontribui para a continuidade das a\u00e7\u00f5es mesmo frente as constantes mudan\u00e7as de gest\u00e3o dos munic\u00edpios\u201d (Brasil, 2018). Por fim, h\u00e1 o papel do <strong>Gestor Municipal<\/strong>, que segue a cartilha do res\u00edduo como \u201cproblema\u201d, resolvendo a gest\u00e3o com o \u201csumi\u00e7o\u201d do mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, mesmo que a legisla\u00e7\u00e3o e a gest\u00e3o federal estimulem a participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3o quanto a gest\u00e3o dos recursos, a maioria dos munic\u00edpios ainda adota uma l\u00f3gica urbana de gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos, onde prevalece o \u201cproblema\u201d a centraliza\u00e7\u00e3o como \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d, perpetuando uma pr\u00e1tica em que a disputa de poder e a m\u00e1 resolu\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os sanit\u00e1rios, coloca em risco toda a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Refor\u00e7a-se aqui que o entendimento de res\u00edduos s\u00f3lidos como um problema afeta a todos, pois n\u00e3o permite que encontremos boas indica\u00e7\u00f5es de insumos de consumo, bem como, nos deixa de fora do processo de cuidar desses res\u00edduos, sejam eles l\u00edquidos ou s\u00f3lidos. Focado nisso, os permacultores do N\u00facleo de Estudos em Permacultura da UFSC e da EPAGRI\/SC, trazem essa nota t\u00e9cnica que prop\u00f5e repensar nossa rela\u00e7\u00e3o com os res\u00edduos s\u00f3lidos rurais.<\/p>\n\n\n\n<p>Acreditamos que \u00e9 preciso estimular o senso cr\u00edtico de cada cidad\u00e3o da zona rural para o seu papel como respons\u00e1vel, individual e coletivo, nos processos que envolvem o consumo, uso, aproveitamento e destina\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, buscando a participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3, \u00e9 importante que a gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos rurais seja pensada a partir da escala de percep\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, da sua unidade rural ou mesmo, da comunidade que o abriga, permitindo que esse possa entender, estabelecer estrat\u00e9gias e resolu\u00e7\u00f5es efetivas para a gest\u00e3o das mat\u00e9rias-primas que comp\u00f5em os res\u00edduos.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">A educa\u00e7\u00e3o ambiental considerando a TERRA<\/h1>\n\n\n\n<p>Em nosso avan\u00e7ado est\u00e1gio de desconex\u00e3o com a Terra, a educa\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 abordada apenas atrav\u00e9s da l\u00f3gica dos 3Rs: <strong>Reduzir<\/strong>, <strong>Reciclar<\/strong> e <strong>Reutilizar<\/strong>. Por\u00e9m, essa abordagem n\u00e3o estimula, de forma clara, o \u201cn\u00e3o consumo\u201d, o <strong>Recusar<\/strong> &#8211; e t\u00e3o pouco nos aponta o <strong>Repensar<\/strong> de nossas escolhas e atitudes. Assim, considerar pelo menos esses 2Rs a mais se torna algo emergencial, pois nosso planeta \u00e9 uma ilha da qual n\u00e3o temos como sair, ou seja, n\u00e3o temos onde \u201cdescartar\u201d coisas que n\u00e3o queremos ou n\u00e3o gostamos. Dessa forma, buscando atender todos esses \u201cR\u201d e estar conforme o que estabelece a Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos (Brasil, 2010) &#8211; Figura 1), sugerimos pegar uma \u201ccola\u201d no nome do planeta TERRA (Figura 2) e, a partir de suas letras, estabelecer formas de gerenciar os res\u00edduos s\u00f3lidos numa compreens\u00e3o de recurso e n\u00e3o de \u201cproblema\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"153\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura01-700x153.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-425\" srcset=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura01-700x153.png 700w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura01-300x65.png 300w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura01-768x167.png 768w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura01.png 1096w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Figura 1: Ordem de prioridade na gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos segundo a PNRS (Brasil, 2010)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O <strong>Transformar<\/strong> considera a reutiliza\u00e7\u00e3o de um determinado res\u00edduo como recurso para outra finalidade dentro da unidade rural e, que n\u00e3o cause dano ambiental, pois ser\u00e1 incorporado na paisagem. <strong>Encaminhar<\/strong> compreende aqueles res\u00edduos cuja reinser\u00e7\u00e3o na unidade rural n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel e, assim, exige seu encaminhamento para unidades de disposi\u00e7\u00e3o final de res\u00edduos s\u00f3lidos. <strong>Recusar ou Repensar<\/strong> se referem \u00e0queles insumos que podem ser substitu\u00eddos pela ado\u00e7\u00e3o de alternativas de f\u00e1cil reinser\u00e7\u00e3o na unidade rural, com reciclagem ou reutiliza\u00e7\u00e3o em ciclo curto. <strong>Reciclar<\/strong> abrange aqueles res\u00edduos que n\u00e3o podem ser diretamente reinseridos na unidade rural e necessitam ser encaminhados para centros de triagem, visando sua posterior utiliza\u00e7\u00e3o como mat\u00e9rias-primas por outros processos de produ\u00e7\u00e3o. <strong>Aproveitar<\/strong> atende todo aquele res\u00edduo que pode ser reutilizado em outro processo dentro da unidade rural, prolongando sua vida \u00fatil, mas que em algum momento ter\u00e1 de ser encaminhado para a reciclagem, ou mesmo, ser descartado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"180\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura02-700x180.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-426\" style=\"width:445px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura02-700x180.png 700w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura02-300x77.png 300w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura02-768x198.png 768w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura02.png 797w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Figura 2: TERRA e as simbologias associadas a cada letra.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A permacultura, por meio da sua \u00e9tica e princ\u00edpios de planejamento, busca reconectar-se com a natureza, facilitando nossa rela\u00e7\u00e3o com os ambientes que nos abrigam. Assim, precisamos pensar que para cada uma das a\u00e7\u00f5es envolvidas na TERRA, temos um princ\u00edpio de planejamento da permacultura que evidencia sua escolha.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o <strong>Transformar<\/strong>, fica evidente o princ\u00edpio \u201cN\u00e3o produza desperd\u00edcios\u201d, que nos auxilia a pensar a convers\u00e3o de res\u00edduos internos ao espa\u00e7o rural, em adubos org\u00e2nicos e inorg\u00e2nicos.<\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>Encaminhar<\/strong>, nos coloca a necessidade de reconhecer que a gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos mistos \u00e9, geralmente, fruto de decis\u00f5es imediatistas e, que esses s\u00e3o de dif\u00edcil inser\u00e7\u00e3o em processos produtivos internos ao espa\u00e7o rural. Isso exigir\u00e1 sua destina\u00e7\u00e3o para ciclos externos longos, que est\u00e3o fora do nosso raio de a\u00e7\u00e3o. Essa rela\u00e7\u00e3o nos remete ao princ\u00edpio \u201cuse solu\u00e7\u00f5es pequenas e lentas\u201d, na busca por encontrar outras vias de consumo que evitem a gera\u00e7\u00e3o desse tipo de res\u00edduo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao buscar <strong>Recusar ou repensar<\/strong> insumos de fora da unidade rural, voc\u00ea \u00e9 estimulado a reconhecer recursos internamente, o que nos remete ao princ\u00edpio \u201cuse e valorize os recursos naturais renov\u00e1veis\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reciclar,<\/strong> considerando que res\u00edduos s\u00e3o, na verdade, recursos, possibilita a gest\u00e3o em n\u00edvel individual ou comunit\u00e1rio, priorizando ciclos curtos e evitando uso de energia em demasia. Essa a\u00e7\u00e3o nos mostra a necessidade de interagir com a comunidade para \u201cintegrar ao inv\u00e9s de segregar\u201d no intuito de buscar solu\u00e7\u00f5es coletivas locais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Aproveitar<\/strong> \u00e9 um est\u00edmulo para aumentar a vida \u00fatil de materiais tidos como res\u00edduos, antes de encaminh\u00e1-los para fora da unidade rural. Essa no\u00e7\u00e3o nos traz a l\u00f3gica do princ\u00edpio \u201cuse a criatividade e reaja \u00e0s mudan\u00e7as\u201d para pensarmos em re\u00fasos antes de descartar mat\u00e9rias-primas.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Zonas energ\u00e9ticas para res\u00edduos<\/h1>\n\n\n\n<p>Ainda dentro da l\u00f3gica de interagir com o ambiente e de produzir o menor impacto poss\u00edvel, a permacultura nos traz o conceito de zonas energ\u00e9ticas. Para res\u00edduos s\u00f3lidos, essas zonas de consumo de energia ou \u201cde gasto energ\u00e9tico das reciclagens\u201d, podem ser relacionadas ao tamanho do ciclo envolvido para que um determinado recurso retorne a unidade rural (Figura 3).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, respeitando uma l\u00f3gica semaf\u00f3rica, para cada ciclo temos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Ciclo curto<\/strong> &#8211; \u00e9 tido como desej\u00e1vel ou ideal e compreende a produ\u00e7\u00e3o e a transforma\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos dentro da unidade rural. Nesse contexto, a gest\u00e3o depende apenas de voc\u00ea.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Ciclo m\u00e9dio externo<\/strong> &#8211; \u00e9 algo que deve ser repensado, pois considera apenas a reciclagem em escalas maiores de gest\u00e3o, que envolvem voc\u00ea e sua comunidade sob o bojo da administra\u00e7\u00e3o municipal, que na maior parte das vezes enxerga apenas o per\u00edmetro urbano em suas a\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o de res\u00edduos, n\u00e3o permitindo a participa\u00e7\u00e3o direta da popula\u00e7\u00e3o na tomada de decis\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Ciclo longo externo<\/strong> &#8211; precisa ser encarado como algo indesej\u00e1vel, pois compreende uma gest\u00e3o que demanda muita energia, do in\u00edcio ao fim do ciclo da mat\u00e9ria-prima, por vir de longe e\/ou passar por muitos processos de transforma\u00e7\u00e3o e destina\u00e7\u00e3o, tornando-se, portanto, recus\u00e1vel.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"638\" height=\"553\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura03.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-427\" style=\"width:375px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura03.png 638w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura03-300x260.png 300w\" sizes=\"(max-width: 638px) 100vw, 638px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Figura 3: Zonas energ\u00e9ticas para res\u00edduos s\u00f3lidos rurais.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio, uma unidade rural t\u00edpica no Brasil produz basicamente tr\u00eas tipos de res\u00edduos: os transform\u00e1veis, os recicl\u00e1veis e os rejeit\u00e1veis (Figura 4). Os res\u00edduos <strong>transform\u00e1veis<\/strong> compreendem todos os que podem ser incorporados\/mantidos na unidade rural sem preju\u00edzo ambiental. J\u00e1 os res\u00edduos <strong>recicl\u00e1veis<\/strong>, compreendem aqueles que devem ser reutilizados quantas vezes puder e onde for poss\u00edvel, antes de serem enviados para fora da unidade rural, sendo ent\u00e3o, encaminhados a unidades de triagem e posterior destina\u00e7\u00e3o conforme forem separados. Os res\u00edduos <strong>rejeit\u00e1veis<\/strong> envolvem aqueles que n\u00e3o se enquadram nas condi\u00e7\u00f5es anteriores, ou seja, n\u00e3o podem ser incorporados \u00e0 unidade rural, pois s\u00e3o imposs\u00edveis de serem transformados em mat\u00e9ria-prima e, tamb\u00e9m, n\u00e3o podem ser usados ou reciclados.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"291\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura04-700x291.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-428\" srcset=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura04-700x291.png 700w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura04-300x125.png 300w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura04-768x319.png 768w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura04.png 1266w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Figura 4: A unidade rural e os fluxos de destino para diferentes tipos de res\u00edduos s\u00f3lidos. Fonte: (Inspirada\/modificada de FUNASA, 2019).<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Tomada de decis\u00e3o<\/h1>\n\n\n\n<p>Considerando toda a gama de produtos consumidos em uma unidade rural, seja ela convencional, org\u00e2nica ou agroecol\u00f3gica, a equipe de permacultores que discutiu a presen\u00e7a dos res\u00edduos s\u00f3lidos em ambiente rural, optou por lidar com todos eles, seguindo, tamb\u00e9m, a l\u00f3gica semaf\u00f3rica. Desta forma, um mapa conceitual (Figura 5) foi trabalhado para esquematizar, de forma sist\u00eamica, como pode ser conduzida a gest\u00e3o dos res\u00edduos considerando as seguintes perguntas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Quais res\u00edduos s\u00e3o transform\u00e1veis e no que podem ser transformados?<\/li>\n\n\n\n<li>Quais res\u00edduos s\u00e3o recicl\u00e1veis e quais s\u00e3o as alternativas em substitu\u00ed-los?<\/li>\n\n\n\n<li>Quais res\u00edduos s\u00e3o rejeit\u00e1veis e quais s\u00e3o as alternativas ao rejeitarmos?<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>O mapa conceitual apresenta uma categoriza\u00e7\u00e3o das mat\u00e9rias-primas mais consumidas em unidades rurais, incluindo: contaminantes, insumos, metais, mistos, org\u00e2nicos e papel, pl\u00e1sticos, tecidos, e vidros.<\/p>\n\n\n\n<p>Estruturado em diferentes n\u00edveis, o mapa conceitual apresenta um 1\u00ba n\u00edvel (ret\u00e2ngulos), que d\u00e3o acesso a explica\u00e7\u00f5es pertinentes a cada tipo de res\u00edduo e as suas ramifica\u00e7\u00f5es de 2\u00ba n\u00edvel (elipses). Dessa, partem ramifica\u00e7\u00f5es em padr\u00e3o dendr\u00edtico para cada categoria de res\u00edduo e, no 3\u00ba e&nbsp;4\u00ba n\u00edveis, temos as rela\u00e7\u00f5es de entrada\/sa\u00edda desses, na unidade rural.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized alignnone\"><a href=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/mapa_mental.png\"><img decoding=\"async\" width=\"569\" height=\"373\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura05.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-429\" style=\"width:529px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura05.png 569w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura05-300x197.png 300w\" sizes=\"(max-width: 569px) 100vw, 569px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Figura 5: Mapa mental (1\u00ba e 2\u00ba n\u00edveis) que organiza a l\u00f3gica de gest\u00e3o de res\u00edduos na unidade rural. Clique na figura para ver o mapa completo.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Res\u00edduos contaminantes<\/h2>\n\n\n\n<p>Res\u00edduos que apresentam compostos perigosos que promovem contamina\u00e7\u00e3o ambiental, incluindo \u00f3leos minerais e vegetais, graxas, madeiras \u201ctratadas\u201d (em autoclave, por exemplo), res\u00edduos de sa\u00fade, embalagens de agrot\u00f3xicos, eletroeletr\u00f4nicos, pilhas e baterias.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Transformar<\/h3>\n\n\n\n<p>O papel higi\u00eanico do banheiro pode ser compostado, se separado de eventuais pl\u00e1sticos presentes em embalagens de sabonetes e absorventes. \u00d3leos vegetais usados, ap\u00f3s filtrados, podem ser utilizados de forma dilu\u00edda em \u00e1gua (1\/10) na aplica\u00e7\u00e3o foliar em \u00e1rvores que apresentam fungos em sua superf\u00edcie. O in\u00edcio do fogo no fog\u00e3o a lenha pode receber um pouco de \u00f3leo vegetal usado. Isso auxilia na queima inicial e melhora a estabiliza\u00e7\u00e3o das chamas e fuma\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Encaminhar<\/h3>\n\n\n\n<p>As embalagens de agrot\u00f3xicos devem ser esvaziadas para o uso e tr\u00edplice lavagem, e ent\u00e3o encaminhadas de volta para quem vendeu ou forneceu os produtos, ou no local indicado na nota fiscal do mesmo, seguindo o ciclo da log\u00edstica reversa em que esta embalagem ser\u00e1 devolvida para a ind\u00fastria para ser reciclada<sup><a id=\"sdfootnote3anc\" href=\"#sdfootnote3sym\">3<\/a><\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os res\u00edduos de sa\u00fade, como rem\u00e9dios vencidos e seringas devem ser entregues no posto de sa\u00fade ou em farm\u00e1cias. Por se tratarem de res\u00edduos perigosos, esses estabelecimentos s\u00e3o obrigados a encaminhar os mesmos para a log\u00edstica reversa de medicamentos descartados pelos consumidores<sup><a id=\"sdfootnote4anc\" href=\"#sdfootnote4sym\">4<\/a><\/sup>. O mesmo deve ser considerado para pilhas e baterias, que devem ser entregues em pontos de coleta como estabelecimentos que comercializam itens dessa natureza ou em institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que os recebam. Esses encaminhar\u00e3o para empresas de reciclagem<sup><a id=\"sdfootnote5anc\" href=\"#sdfootnote5sym\">5<\/a><\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p>Madeiras \u201ctratadas\u201d devem ser enviadas para o aterro de res\u00edduos industriais perigosos, pois poluem tanto quanto agrot\u00f3xicos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Recusar\/repensar<\/h3>\n\n\n\n<p>Algumas estrat\u00e9gias para evitar o uso de absorventes \u00edntimos que contenham materiais sint\u00e9ticos podem ser adotadas. Nisso, calcinhas e cuecas absorventes podem ser grandes aliadas. Ainda existe o coletor ou copinho reutiliz\u00e1vel para o ciclo menstrual como alternativa para n\u00e3o gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos pl\u00e1sticos no lixo do banheiro.<\/p>\n\n\n\n<p>As fraldas descart\u00e1veis podem ser trocadas por fraldas de pano feitas com tecidos de fibra natural.<\/p>\n\n\n\n<p>As madeiras \u201ctratadas\u201d por processo de autoclave devem ser recusadas em virtude da carga poluidora dos compostos utilizados no \u201ctratamento\u201d. Uma solu\u00e7\u00e3o para mour\u00f5es\/palanques seria a utiliza\u00e7\u00e3o de moir\u00f5es vivos, pois a vida \u00fatil de \u00e1rvores \u00e9 muito maior. Outras alternativas ao uso de madeiras tratadas, seria utilizar as madeiras mais duras, ou ainda, elaborar uma solu\u00e7\u00e3o a base de \u00f3leo queimado ou o uso de solu\u00e7\u00e3o a base de \u00f3leos vegetais como linha\u00e7a, pr\u00f3polis e cera.<\/p>\n\n\n\n<p>Pilhas devem ser recusadas e, caso n\u00e3o seja poss\u00edvel, podem ser substitu\u00eddas por baterias recarreg\u00e1veis, o que n\u00e3o excluir\u00e1 a necessidade de destina\u00e7\u00e3o quando perderem sua fun\u00e7\u00e3o, mas, pelo menos, ser\u00e3o \u00fateis por mais tempo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Reciclar<\/h3>\n\n\n\n<p>Res\u00edduos eletroeletr\u00f4nicos devem ser entregues em pontos de coleta espec\u00edficos. Isso permitir\u00e1 seu encaminhamento para serem desagregados e terem seus constituintes separados e reaproveitados como mat\u00e9ria-prima pela ind\u00fastria.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Aproveitar<\/h3>\n\n\n\n<p>Em pequenas quantidades, os \u00f3leos vegetais podem ser utilizados para iniciar o fogo em fog\u00f5es a lenha. Quando incorporados a pap\u00e9is-toalha ou guardanapos, os mesmos podem ser incinerados com o res\u00edduo de banheiro, ou ainda, compostados apenas em processos termof\u00edlicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os \u00f3leos e graxas minerais, se n\u00e3o utilizados no tratamento de madeiras, devem ser entregues em estabelecimentos como oficinas mec\u00e2nicas e postos de abastecimento, que possuem protocolo para destina\u00e7\u00e3o desses res\u00edduos. Usando essa via, os mesmos poder\u00e3o ser transformados em outros produtos com retorno no ciclo longo de reciclagem, tais como \u00f3leo para lubrifica\u00e7\u00e3o de correntes de motosserra.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Res\u00edduos de insumos<\/h2>\n\n\n\n<p>S\u00e3o aqueles produtos utilizados como fontes de energia ou mat\u00e9rias-primas na unidade rural, tais como: sementes, mudas, agrot\u00f3xicos, p\u00f3s de rocha como o calc\u00e1rio e o fosfato natural, cinza de lenha, farinha de ossos, v\u00edsceras e outros.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Transformar<\/h3>\n\n\n\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o de cinzas da queima de madeiras n\u00e3o-tratadas e pap\u00e9is pode atender usos para pequenas \u00e1reas e evitar a aquisi\u00e7\u00e3o de p\u00f3 de rocha. Sua aplica\u00e7\u00e3o pode se dar como fertiliza\u00e7\u00e3o mineral e auxiliar na diminui\u00e7\u00e3o da acidez de solos com pH \u00e1cido.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das melhores formas de conservar sementes \u00e9 trocando-as. Sim! A troca compartilhada de sementes com vizinhos pode salvar voc\u00ea de uma eventual falta de sementes, caso os m\u00e9todos de conserva\u00e7\u00e3o que voc\u00ea utiliza n\u00e3o funcionem a contento.<\/p>\n\n\n\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o do esterco animal (fezes + urina) \u00e9 uma maneira sustent\u00e1vel e econ\u00f4mica de aproveitamento dos res\u00edduos s\u00f3lidos da pequena unidade rural, evitando assim, descarte de dejetos no ambiente e sua utiliza\u00e7\u00e3o como fertilizante do solo. A urina de vacas \u00e9 um dos fertilizantes mais populares em pequenas unidades rurais. O local de ordenha pode contar com piso imperme\u00e1vel e sistema de canaleta que direcionam a urina para bombonas, a serem utilizadas no transporte para \u00e1reas que necessitem de fertiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Encaminhar<\/h3>\n\n\n\n<p>Numa unidade rural que se utiliza insumos internos, n\u00e3o haver\u00e1 res\u00edduos a serem encaminhados para destinos externos, a n\u00e3o ser os excedentes, que podem servir como moeda de troca na comunidade, atendendo assim, a necessidade de vizinhos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Recusar\/Repensar<\/h3>\n\n\n\n<p>Os agrot\u00f3xicos adotados em unidades rurais com produ\u00e7\u00e3o convencional de alimentos ser\u00e3o incorporados \u00e0 paisagem da unidade rural, trazendo preju\u00edzos \u00e0 sa\u00fade humana, ao ambiente e aos cultivos. Assim, recus\u00e1-los passa a ser uma meta de boa gest\u00e3o rural, que pode ser amplificada com a convers\u00e3o dos sistemas produtivos para agroecol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p>As sementes e mudas se constituem em um importante recurso de sucess\u00e3o das atividades produtivas na unidade rural. Em tempos de sementes que se acabam (<em>terminator<\/em>) ou perdem seu vigor (h\u00edbridas): o cultivo pr\u00f3prio de mudas, a preserva\u00e7\u00e3o e sele\u00e7\u00e3o natural de sementes em n\u00edvel local s\u00e3o \u00f3timas op\u00e7\u00f5es para se manter a unidade rural sempre bem servida de plantas adaptadas ao ambiente em que se desenvolveram.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante lembrar que as minhocas produzem h\u00famus, que s\u00e3o excelentes corretoras do pH dos solos e da estrutura, que facilitam o desenvolvimento de ra\u00edzes. Assim, agriculturas de clima tropical e subtropical, que compreendem quase a totalidade do Brasil, devem considerar o aporte e manuten\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria org\u00e2nica nos solos para garantir a reten\u00e7\u00e3o de minerais essenciais ao crescimento das plantas. Nesse sentido, todo e qualquer processo de compostagem \u00e9 bem-vindo, sobretudo se for feito diretamente no local de plantio.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Reciclar<\/h3>\n\n\n\n<p>Todos os insumos s\u00e3o mat\u00e9rias-primas que ser\u00e3o incorporadas na unidade rural, evitando assim, a necessidade de reciclagem. A escolha certa de quais insumos ser\u00e3o usados \u00e9 fundamental para que se mantenha a sa\u00fade ambiental da unidade rural.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Aproveitar<\/h3>\n\n\n\n<p><br>O uso do esterco produzido na unidade rural deve ser priorizado e refor\u00e7ado por aduba\u00e7\u00e3o verde. O esterco \u00e9 um material de baixo custo, alto teor em nutrientes e eficiente na promo\u00e7\u00e3o da vida no solo e na aduba\u00e7\u00e3o das plantas. Al\u00e9m dos macronutrientes, os estercos fornecem tamb\u00e9m cerca de mais 13 micronutrientes, que s\u00e3o indispens\u00e1veis \u00e0s plantas e \u00e0 microbiota do solo. Galinhas e outros animais (Figura 6) podem incrementar a produ\u00e7\u00e3o de esterco e, nas regi\u00f5es de pomar, realizar o trabalho de aduba\u00e7\u00e3o por restos de poda e, assim, acelerar o crescimento das culturas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"330\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura06-700x330.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-430\" srcset=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura06-700x330.png 700w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura06-300x141.png 300w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura06-768x362.png 768w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura06.png 948w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Figura 6: Cria\u00e7\u00e3o de galinhas e esterqueira como fonte de energia.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><br>Processos de fermenta\u00e7\u00e3o dos estercos promovem a inativa\u00e7\u00e3o dos microrganismos patog\u00eanicos, causadores de doen\u00e7as. A esterqueira (Figura 5) \u00e9 um dispositivo acess\u00edvel que auxilia nesse processo de transforma\u00e7\u00e3o do chorume, permitindo que o mesmo seja tratado no pr\u00f3prio local e n\u00e3o v\u00e1 para o solo e corpos d\u2019\u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>Os l\u00edquidos das esterqueiras, ap\u00f3s maturados, poder\u00e3o ser usados como adubo l\u00edquido, dilu\u00eddo na propor\u00e7\u00e3o de 1\/10 (1 parte de chorume para 10 partes de \u00e1gua), com excelentes resultados no desenvolvimento das plantas. O processo de matura\u00e7\u00e3o do esterco \u00e9 lento e depende das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Para se acelerar o processo, recomenda-se a agrega\u00e7\u00e3o de materiais como palha, folhas, serragem, entre outros, que favorecer\u00e3o a aera\u00e7\u00e3o da pilha de compostagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez curtido, o esterco pode ser utilizado como adubo org\u00e2nico na agricultura, hortas, pomares, vasos e jardins, como ingrediente na elabora\u00e7\u00e3o de compostos org\u00e2nicos e na cria\u00e7\u00e3o de minhocas (vermicompostagem), dependendo de seu estado de matura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Se a unidade rural possuir a\u00e7ude\/tanque \u00e9 poss\u00edvel bombear a \u00e1gua com a lama (lodo) concentrada no fundo, estabelecendo um processo de fertirriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Metais<\/h2>\n\n\n\n<p>Os metais compreendem todos aqueles materiais constitu\u00eddos por ferro, alum\u00ednio, cobre, zinco, a\u00e7o, enfim, ligas met\u00e1licas, em geral. Na unidade rural esse tipo de mat\u00e9ria-prima est\u00e1 geralmente presente em cercas, ferramentas, utens\u00edlios, pe\u00e7as de autom\u00f3veis e tratores e embalagens de consumo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Transformar<\/h3>\n\n\n\n<p>Pregos de ferro usados podem ser descartados junto a touceiras de bananeira. Quando enferrujados, podem ser imersos em vinagre para compor uma solu\u00e7\u00e3o de tingimento para ser utilizado em madeiras. Ap\u00f3s serem utilizados como tingidores, os mesmos podem ser destinados \u00e0s touceiras de bananeiras.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Encaminhar<\/h3>\n\n\n\n<p>Tampas de metal de potes de geleias e conservas, os enlatados em geral e demais pe\u00e7as met\u00e1licas, devem ser encaminhados \u00e0 coleta seletiva do seu munic\u00edpio ou serem entregues em pontos e postos que recebem esse tipo de mat\u00e9ria-prima.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Recusar\/repensar<\/h3>\n\n\n\n<p>Por fazerem parte de uma cadeia de ciclo longo, proveniente da minera\u00e7\u00e3o, os metais em geral devem ser repensados e, na emin\u00eancia n\u00e3o poderem ser substitu\u00eddos, sua vida \u00fatil deve ser prolongada na unidade rural.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do uso de cercas met\u00e1licas, outras possibilidades de isolamento de \u00e1reas s\u00e3o vi\u00e1veis utilizando-se cercas vivas com bambus, gravat\u00e1s, azaleias e outras diversas esp\u00e9cies vegetais (Figura 7). Outra op\u00e7\u00e3o s\u00e3o os mour\u00f5es vivos ligados por treli\u00e7as de bambus ou de outras madeiras flex\u00edveis, conforme a finalidade do cercamento.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"354\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura07-700x354.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-431\" srcset=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura07-700x354.png 700w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura07-300x152.png 300w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura07-768x389.png 768w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura07.png 950w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Figura 7: Op\u00e7\u00f5es de cercamento usando-se elementos vivos como limitadores.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Reciclar<\/h3>\n\n\n\n<p>Os itens e as pe\u00e7as de origem met\u00e1lica necessitam de processos industriais para a sua reciclagem, exigindo que esse tipo de mat\u00e9ria-prima seja retornada a um ciclo longo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Aproveitar<\/h3>\n\n\n\n<p>Antes de descartar arames e cercas, outros usos podem ser feitos, como: galinheiros m\u00f3veis (tratores de galinhas), parreirais, composteiras de cerca e adornos (artesanato e decora\u00e7\u00e3o) no turismo rural. Telas soldadas podem ser usadas como ferraria em lajes de concreto e passeios para autom\u00f3veis. Ap\u00f3s a serventia desses materiais nessas diferentes aplica\u00e7\u00f5es os mesmos dever\u00e3o ser encaminhados para a reciclagem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mistos<\/h2>\n\n\n\n<p>Res\u00edduos constitu\u00eddos por materiais diversos e indissoci\u00e1veis tais como embalagens de Tetra Pak\u00ae, cal\u00e7ados, pneus e botas que n\u00e3o podem ser reutilizados ou mesmo reciclados.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Transformar<\/h3>\n\n\n\n<p>Entulhos como restos de telhas de barro e tijolos podem ser usados no preenchimento de buracos em acessos e estradas. Com o tempo esses materiais ser\u00e3o incorporados ao meio ambiente, dando resist\u00eancia ao pavimento. Peda\u00e7os de azulejo n\u00e3o devem ser utilizados em acessos, pois podem cortar pneus. Para entulhos que contenham materiais cortantes, uma sa\u00edda \u00e9 o seu uso no nivelamento de contrapisos, como comentado a seguir em &#8220;Aproveitar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Encaminhar<\/h3>\n\n\n\n<p>A destina\u00e7\u00e3o mais indicada \u00e9, infelizmente, o envio para o lixo comum.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Recusar\/repensar<\/h3>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante recusar embalagens mistas e priorizar aquelas constitu\u00eddas por materiais \u00fanicos e retorn\u00e1veis, dessa forma, prefira o vidro ao inv\u00e9s do Tetra Pak\u00ae.<\/p>\n\n\n\n<p>A bioconstru\u00e7\u00e3o pode ser uma boa op\u00e7\u00e3o para se evitar a produ\u00e7\u00e3o de entulhos da constru\u00e7\u00e3o civil convencional. Edifica\u00e7\u00f5es bioconstru\u00eddas apresentam menor impacto ambiental, pois se utilizam, em boa parte, de materiais locais&nbsp;que poder\u00e3o ser reutilizados\/descartados na pr\u00f3pria unidade rural.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Reciclar<\/h3>\n\n\n\n<p>Em alguns locais existem centrais de recebimento de restos da constru\u00e7\u00e3o civil, para serem utilizados como mat\u00e9ria-prima na confec\u00e7\u00e3o de novos materiais a serem aplicados no mesmo setor. Procure saber se na sua cidade\/regi\u00e3o h\u00e1 esse tipo de recebimento.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Aproveitar<\/h3>\n\n\n\n<p>Res\u00edduos como entulho\/cali\u00e7a, a depender da composi\u00e7\u00e3o, \u00e9 aconselh\u00e1vel serem utilizados como material de preenchimento em leitos de pisos que ser\u00e3o, posteriormente, cobertos por cimento. Seria uma esp\u00e9cie de sepultamento desse material que \u00e9 considerado um res\u00edduo inerte.<\/p>\n\n\n\n<p>Restos de telhas, tijolos, azulejos, geralmente produzidos na constru\u00e7\u00e3o de edifica\u00e7\u00f5es podem ser utilizados no final da obra como camada de preenchimento em sistemas de tratamento de \u00e1guas contaminadas (vaso sanit\u00e1rio do banheiro), como a bacia de evapotranspira\u00e7\u00e3o (BET) ou tanque de evapotranspira\u00e7\u00e3o (Figura 8).<\/p>\n\n\n\n<p>Na mesma linha, pneus de carro podem ser utilizados na estrutura\u00e7\u00e3o da c\u00e2mara s\u00e9ptica da BET ou mesmo como forma de sapata em funda\u00e7\u00f5es de edifica\u00e7\u00f5es. N\u00e3o utilize pneus para conformar canteiros ou mesmo proteger \u00e1rvores, pois estar\u00e3o expostos ao sol, permitindo sua degrada\u00e7\u00e3o e libera\u00e7\u00e3o de componentes qu\u00edmicos nocivos ao meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"551\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura08-700x551.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-432\" srcset=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura08-700x551.png 700w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura08-300x236.png 300w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura08-768x604.png 768w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura08.png 1080w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Figura 8: Bacia de evapotranspira\u00e7\u00e3o com uso de pneus velhos e entulhos. Fonte: (Castagna et al., 2019).<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Org\u00e2nicos e papel<\/h2>\n\n\n\n<p>Res\u00edduos s\u00f3lidos org\u00e2nicos e papel s\u00e3o todos os que v\u00eam da natureza e podem ser reabsorvidos pela mesma, como cascas de frutas, folhas de \u00e1rvores, pap\u00e9is, embalagens de folhas, cestas de palha, tecidos de algod\u00e3o, linha, seda, l\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Transformar<\/h3>\n\n\n\n<p>Os pap\u00e9is usados no banheiro podem ser compostados separadamente (Figura 9), e ap\u00f3s serem transformados em mat\u00e9ria org\u00e2nica e, ent\u00e3o, utilizados para aduba\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores no pomar ou sistema agroflorestal. Cascas e folhas podem ser utilizadas como cobertura morta em canteiros. Isso inibir\u00e1 a prolifera\u00e7\u00e3o de ervas \u201cdanadinhas\u201d (espont\u00e2neas) e, de brinde, voc\u00ea far\u00e1 a compostagem desses materiais nos pr\u00f3prios canteiros.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Encaminhar<\/h3>\n\n\n\n<p><br>Caso n\u00e3o tenha espa\u00e7o para compostar, o que \u00e9 dif\u00edcil em ambiente rural, \u00e9 poss\u00edvel separar os res\u00edduos org\u00e2nicos dos demais e ceder a algum vizinho que queira compost\u00e1-los. N\u00e3o sendo poss\u00edvel e, mesmo que v\u00e1 para a coleta comum e depois para o aterro, o fato de estar separado facilitar\u00e1 a separa\u00e7\u00e3o pelos catadores e isso ajudar\u00e1 no tempo de decomposi\u00e7\u00e3o destas mat\u00e9rias org\u00e2nicas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"363\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura09-700x363.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-433\" srcset=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura09-700x363.png 700w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura09-300x155.png 300w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura09-768x398.png 768w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura09.png 928w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Figura 9: Processos de compostagem na unidade rural (Instituto Souza Cruz, 2004).<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Recusar\/repensar<\/h3>\n\n\n\n<p>Descasque mais e desembale menos! \u00c9 importante valorizar alimentos produzidos na unidade rural e\/ou localmente, bem como, recusar aqueles que venham de fora e embalados em pl\u00e1sticos, metais ou em composi\u00e7\u00f5es mistas como o Tetra Pak\u00ae.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Reciclar<\/h3>\n\n\n\n<p>Utilize composteiras ou vermicompostagem para a reciclagem dos org\u00e2nicos em sua pr\u00f3pria casa. Outra forma de reciclar org\u00e2nicos \u00e9 atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o em biodigestores, resultando na produ\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s para uso dom\u00e9stico e biofertilizantes.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Aproveitar<\/h3>\n\n\n\n<p>Utilize cascas e sementes em receitas alimentares, porque elas s\u00e3o fontes de nutrientes importantes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 indicado aproveitar o composto que voc\u00ea mesmo fez na sua composteira. Desse processo de compostagem, o chorume produzido pode ser usado de forma pura em cima das plantas que voc\u00ea deseja exterminar. Sob \u00f3tica oposta, o chorume pode ser usado como biofertilizante na fertirriga\u00e7\u00e3o. Para isso, dilua-o em 10 partes de \u00e1gua e aplique no solo entre as plantas. Isso melhora a biota do solo, disponibilizando nutrientes para as plantas no curto prazo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pl\u00e1sticos<\/h2>\n\n\n\n<p>Os pl\u00e1sticos compreendem aquelas mat\u00e9rias-primas oriundas do petr\u00f3leo, que apresentam embutido um grande consumo de energia e alto impacto ambiental, devido \u00e0 sua cadeia produtiva longa. O pl\u00e1stico est\u00e1 muito difundido atualmente, mas nossos pais e av\u00f3s viviam tranquilamente sem eles. Apresentando in\u00fameras composi\u00e7\u00f5es, os pl\u00e1sticos causam muita confus\u00e3o, quando o quesito \u00e9 a sua destina\u00e7\u00e3o para a reciclagem, por essa raz\u00e3o s\u00e3o elencados como res\u00edduos rejeit\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Transformar<\/h3>\n\n\n\n<p>Devido \u00e0 diversidade de formas e constituintes de recursos oriundos do pl\u00e1stico, sua transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel na unidade rural, exigindo que o mesmo seja inserido no ciclo externo longo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Encaminhar<\/h3>\n\n\n\n<p>Os res\u00edduos pl\u00e1sticos gerados dentro da unidade rural, ap\u00f3s serem usados como lonas, potes e outros, devem ser encaminhados para a reciclagem, onde catadores os separar\u00e3o por tipo, visando direcionar o recurso ao processo de reciclagem e serem usados como mat\u00e9ria-prima em novos processos industriais.<\/p>\n\n\n\n<p>Para estarem aptos \u00e0 reciclagem, as embalagens precisam ser limpas antes de serem descartadas no lixo recicl\u00e1vel. Essa lavagem pode ser feita com \u00e1gua cinza proveniente da m\u00e1quina de lavar roupas. Para tal, voc\u00ea pode armazenar essa \u00e1gua em bombonas ou caixas d&#8217;\u00e1gua a cada lavagem de roupa. Essa \u00e1gua ainda poder\u00e1 ser usada na irriga\u00e7\u00e3o, caso n\u00e3o tenha contaminantes. Caso haja muita \u00e1gua cinza proveniente das lava\u00e7\u00f5es, essa pode ser tamb\u00e9m utilizada para lavar pisos, m\u00e1quinas agr\u00edcolas, carros entre outros.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Recusar\/Repensar<\/h3>\n\n\n\n<p>\u00c9 necess\u00e1ria uma mudan\u00e7a de h\u00e1bitos e atitudes que repensem os materiais que podemos utilizar. Assim, se formos utilizar pl\u00e1sticos, que os mesmos sejam constitu\u00eddos de mat\u00e9rias-primas biodegrad\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel substituir as embalagens pl\u00e1sticas utilizadas para a comercializa\u00e7\u00e3o de produtos da unidade rural, por uma s\u00e9rie de folhas e fibras vegetais (Figura 10). Dentre eles podemos destacar: bananeira, a\u00e7afr\u00e3o, palmeira, milho, bambu, helic\u00f4nias, folhosas como couve e repolho, pia\u00e7ava e taioba.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"346\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura10-700x346.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-434\" srcset=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura10-700x346.png 700w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura10-300x148.png 300w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura10-768x379.png 768w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura10.png 956w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Figura 10: Fibras vegetais usadas para embalar produtos da unidade rural.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><br>Em vez de usar lonas pl\u00e1sticas como cobertura de canteiros, pode-se optar por coberturas mortas e vivas (Figura 11). O sistema de plantio direto na palhada tamb\u00e9m \u00e9 uma boa sa\u00edda. Nele, as plantas que restaram do plantio anterior, servir\u00e3o de cobertura e fonte de nutrientes para a pr\u00f3xima cultura, mantendo o solo protegido e com uma microbiota excelente para as plantas, diminuindo o trabalho de capina.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"298\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura11-700x298.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-435\" srcset=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura11-700x298.png 700w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura11-300x128.png 300w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura11-768x327.png 768w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura11.png 960w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Figura 11: Coberturas vivas e mortas em canteiros, mimetizando a natureza.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Na cobertura da silagem podem ser utilizadas paredes permanentes como nas trincheiras de concreto ou de madeira, cobertas com madeira e\/ou argila, bem como, seu armazenamento pode ser feito em barris.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Reciclar<\/h3>\n\n\n\n<p>Os itens pl\u00e1sticos necessitam de processos industriais para a sua reciclagem, exigindo que esse tipo de mat\u00e9ria-prima seja retornada em um ciclo longo. Assim, sua destina\u00e7\u00e3o \u00e9 externa \u00e0 unidade rural, ou mesmo, \u00e0 comunidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Aproveitar<\/h3>\n\n\n\n<p>Os pl\u00e1sticos utilizados na unidade rural podem ser reutilizados, aumentando sua vida \u00fatil antes de serem encaminhados \u00e0 reciclagem. \u00c9 poss\u00edvel aumentar a vida \u00fatil de uma embalagem num ciclo curto de comercializa\u00e7\u00e3o estimulando-se o retorno da mesma por parte dos clientes em feiras, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Sugere-se tamb\u00e9m a ado\u00e7\u00e3o de embalagens retorn\u00e1veis, como vidros para mel, pastas e geleias. Para essas embalagens, tamb\u00e9m funciona a l\u00f3gica de retorno em ciclo curto, com algum incentivo financeiro ao cliente, como um desconto na compra de um novo produto da mesma linha, ou mesmo um cr\u00e9dito para ser abatido na compra total, quando o cliente trouxer a embalagem vazia para troca.<\/p>\n\n\n\n<p>A venda de por\u00e7\u00f5es, como, por exemplo, de tomate-cereja, morango ou fis\u00e1lis, pode ser feita com caixas de papel\u00e3o usadas no reverso ou papel\u00e3o encerado, solicitando, tamb\u00e9m, que o cliente traga na pr\u00f3xima feira.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tecidos<\/h2>\n\n\n\n<p>Os tecidos de fibras naturais est\u00e3o geralmente presentes nas malhas de algod\u00e3o, l\u00e3, seda, bambu e bananeira (Figura 12). As fibras sint\u00e9ticas s\u00e3o encontradas nas malhas de PET, tecidos tecnol\u00f3gicos, n\u00e1ilon, elastano e licra. Os tecidos de fibras mistas est\u00e3o geralmente presentes em EPIs como luvas e aventais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Transformar<\/h3>\n\n\n\n<p>Os tecidos de fibras naturais podem ser utilizados tanto na composteira, como nos canteiros para abafar plantas espont\u00e2neas (Figura 12), ou mesmo, serem incinerados para posterior utiliza\u00e7\u00e3o da cinza como fertilizante mineral.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Encaminhar<\/h3>\n\n\n\n<p>Encaminhe os tecidos sint\u00e9ticos com pl\u00e1sticos para a coleta seletiva do seu munic\u00edpio ou entrega em pontos e postos de coleta.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Recusar<\/h3>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante recusar fibras sint\u00e9ticas em virtude do longo ciclo que as mesmas possuem para serem transformadas e, no contraponto, deve-se priorizar a ado\u00e7\u00e3o de fibras naturais, por serem de f\u00e1cil transforma\u00e7\u00e3o em recursos para serem reutilizados na unidade rural.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"352\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura12-700x352.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-436\" srcset=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura12-700x352.png 700w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura12-300x151.png 300w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura12-768x386.png 768w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/figura12.png 960w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Figura 12: Fibras naturais, substitui\u00e7\u00f5es e aplica\u00e7\u00f5es.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Reciclar<\/h3>\n\n\n\n<p>Caso seja inevit\u00e1vel o consumo de fibras sint\u00e9ticas, escolha aquelas que voc\u00ea conhece a composi\u00e7\u00e3o e sabe como destinar \u00e0 reciclagem.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Aproveitar<\/h3>\n\n\n\n<p>Antes de descartar roupas que n\u00e3o tenham mais funcionalidade, pense em usos secund\u00e1rios como na confec\u00e7\u00e3o de outras roupas, tapete de banheiro, pano de ch\u00e3o, pano de limpeza, artesanato, etc. Caso estejam em boas condi\u00e7\u00f5es de uso, repasse a assist\u00eancia social de seu munic\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Vidros<\/h2>\n\n\n\n<p>O vidro \u00e9 um dos materiais que mais podemos reutilizar at\u00e9 retornar ao ciclo longo da reciclagem industrial. \u00c9 um material dur\u00e1vel e esteriliz\u00e1vel que podemos reutilizar v\u00e1rias vezes aumentando sua vida \u00fatil e a de alimentos na unidade rural.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Transformar<\/h3>\n\n\n\n<p>Os vidros de conservas e doces podem ser reutilizados como potes na sua casa ou, ainda, serem devolvidos ao fornecedor do produto para ser reutilizado, evitando novas aquisi\u00e7\u00f5es de embalagens dessa natureza e, que seja necess\u00e1rio mais mat\u00e9ria-prima e gasto de energia para fabrica\u00e7\u00e3o de novos vidros.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Encaminhar<\/h3>\n\n\n\n<p>Quando for encaminhar vidros quebrados para o lixo (res\u00edduo s\u00f3lido) recicl\u00e1vel, lembre-se de embalar bem e escrever na embalagem \u201cvidro quebrado\u201d, para que a pessoa que recolhe o nosso lixo n\u00e3o se machuque. Para embalar os vidros quebrados voc\u00ea pode usar um papel\u00e3o ou v\u00e1rios pap\u00e9is, garrafas PET, ou ainda, tecidos que n\u00e3o podem mais ser aproveitados.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Recusar\/Repensar<\/h3>\n\n\n\n<p>Devemos recusar embalagens de vidro descart\u00e1veis ou que n\u00e3o possam ser reutilizadas v\u00e1rias vezes. \u00c9 importante, tamb\u00e9m, evitar consumir produtos de empresas que n\u00e3o tem log\u00edstica reversa, que \u00e9 a possibilidade de devolu\u00e7\u00e3o dos produtos ou suas embalagens para o vendedor que os fornece.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Reciclar<\/h3>\n\n\n\n<p>Os itens de vidro necessitam de processos industriais para a sua reciclagem, exigindo que esse tipo de mat\u00e9ria-prima seja retornada \u00e0 ind\u00fastria por meio de catadores e empresas que efetivem o destino correto.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Aproveitar<\/h3>\n\n\n\n<p>Aproveitar e reaproveitar o m\u00e1ximo de vezes dentro da unidade rural, usar potes para compotas e doces, copos como unidades de medida, garrafas e vidros lisos em constru\u00e7\u00f5es como tijolos de vidros em paredes ou como janelas, ou ent\u00e3o doando a vizinhos que possam utilizar de outras formas. Esse ciclo curto para o vidro s\u00f3 serve para reutiliza\u00e7\u00e3o, pois ap\u00f3s quebrados, os mesmos precisar\u00e3o ser encaminhados \u00e0 reciclagem.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Resultados<\/h1>\n\n\n\n<p>Espera-se com essa nota t\u00e9cnica ofertar uma nova abordagem que inclui um leque de possibilidades de gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos para os cidad\u00e3os do campo.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa nota contou com uma apresenta\u00e7\u00e3o em v\u00eddeo \u201cSess\u00e3o ao vivo &#8211; Permacultura e saneamento: res\u00edduos s\u00f3lidos rurais\u201d<sup><a id=\"sdfootnote6anc\" href=\"#sdfootnote6sym\">6<\/a><\/sup>, que traz cada ponto comentado.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias<\/h1>\n\n\n\n<p>Brasil. (2010). <em>Lei n<\/em><sup><em>o<\/em><\/sup><em> 12.305 de 02 de agosto de 2010<\/em>. <a href=\"https:\/\/legislacao.presidencia.gov.br\/atos\/?tipo=LEI&amp;numero=12305&amp;ano=2010&amp;ato=e3dgXUq1keVpWT0f1\">https:\/\/legislacao.presidencia.gov.br\/atos\/?tipo=LEI&amp;numero=12305&amp;ano=2010&amp;ato=e3dgXUq1keVpWT0f1<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Brasil. (2018). <em>Programa SUSTENTAR Saneamento e Sustentabilidade em \u00c1reas Rurais<\/em>. Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Brasil. (2020). <em>Caderno did\u00e1tico t\u00e9cnico para curso de gest\u00e3o de manejo de res\u00edduos s\u00f3lidos em \u00e1reas rurais do Brasil<\/em>. Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Sa\u00fade &#8211; FUNASA. <a href=\"http:\/\/www.funasa.gov.br\/web\/guest\/publicacoes\">http:\/\/www.funasa.gov.br\/web\/guest\/publicacoes<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Castagna, G., Barros, L., Yamamoto, P., &amp; Dias, J. (2019). <em>Manejo da \u00e1gua: Guia pr\u00e1tico<\/em>. Instituto de Projetos e Pesquisas Socioambientais. <a href=\"https:\/\/ipesa.org.br\/arquivos\/cartilha_manejo_da_agua_ipesa_v2.pdf\">https:\/\/ipesa.org.br\/arquivos\/cartilha_manejo_da_agua_ipesa_v2.pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>FUNASA. (2019). <em>Programa Nacional de Saneamento Rural<\/em>. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Sa\u00fade. \u2013 Bras\u00edlia\/DF: Funasa. <a href=\"https:\/\/repositorio.funasa.gov.br\/bitstream\/handle\/123456789\/501\/MNL_PNSR_2019.pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y\">https:\/\/repositorio.funasa.gov.br\/bitstream\/handle\/123456789\/501\/MNL_PNSR_2019.pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Instituto Souza Cruz. (2004). <em>Hortas Escolares: O ambiente horta escolar como espa\u00e7o de aprendizagem no contexto do Ensino Fundamental<\/em>. <a href=\"http:\/\/fazenda.ufsc.br\/files\/2011\/11\/Hortas-Escolares.rar\">http:\/\/fazenda.ufsc.br\/files\/2011\/11\/Hortas-Escolares.rar<\/a><\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Contribui\u00e7\u00f5es<\/h1>\n\n\n\n<p>Todos os autores auxiliaram na concep\u00e7\u00e3o e escrita dos conte\u00fados.\n\nNotas:<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"sdfootnote1sym\" href=\"#sdfootnote1anc\">1<\/a> &#8211; N\u00facleo de Estudos em Permacultura\/UFSC &#8211; <a href=\"mailto:neperma.ufsc@gmail.com\">neperma.ufsc@gmail.com<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"sdfootnote2sym\" href=\"#sdfootnote2anc\">2<\/a> &#8211; Empresa de Pesquisa Agropecu\u00e1ria e Extens\u00e3o Rural de Santa Catarina.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"sdfootnote3sym\" href=\"#sdfootnote3anc\">3<\/a> &#8211; Saiba mais em <a href=\"https:\/\/sinir.gov.br\/perfis\/logistica-reversa\/logistica-reversa\/agrotoxicos-seus-residuos-e-embalagens\/\"><u>Agrot\u00f3xicos, seus Res\u00edduos e Embalagens<\/u><\/a> (Brasil, 2010).<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"sdfootnote4sym\" href=\"#sdfootnote4anc\">4<\/a> &#8211; Saiba mais em <a href=\"https:\/\/sinir.gov.br\/perfis\/logistica-reversa\/logistica-reversa\/medicamentos-seus-residuos-e-embalagens\/\"><u>Medicamentos, seus Res\u00edduos e Embalagens<\/u><\/a> (Brasil, 2010).<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"sdfootnote5sym\" href=\"#sdfootnote5anc\">5<\/a> &#8211; Saiba mais em <a href=\"https:\/\/sinir.gov.br\/perfis\/logistica-reversa\/logistica-reversa\/pilhas-e-baterias\/\"><u>Pilhas e Baterias<\/u><\/a> (Brasil, 2010).<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"sdfootnote6sym\" href=\"#sdfootnote6anc\">6<\/a> &#8211; Acess\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/live\/mVEgHFJDsQI?si=QAHlc1WcGp7SZkWh\"><u>https:\/\/www.youtube.com\/live\/mVEgHFJDsQI?si=QAHlc1WcGp7SZkWh<\/u><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Essa nota permacultural traz uma abordagem permacultural para a gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos rurais. Prop\u00f5e-se o uso da palavra TERRA para guiar sobre a gest\u00e3o desses, onde cada uma de suas letras indica a\u00e7\u00f5es que envolvem sua transforma\u00e7\u00e3o, seu encaminhamento, a recusa e o repensar, reciclar e aproveitar. Uma sinaliza\u00e7\u00e3o semaf\u00f3rica \u00e9 proposta nas figuras, onde o verde traz a import\u00e2ncia de pensar res\u00edduos como recursos, onde o importante ter em mente que \u00e9 necess\u00e1rio, ao m\u00e1ximo, tentar aproveit\u00e1-los localmente. J\u00e1 o amarelo, nos traz a necessidade de repensar o consumo de mat\u00e9rias-primas que ter\u00e3o de ser recicladas ou transformadas externamente \u00e0 escala comunit\u00e1ria. Por fim, o vermelho nos coloca a necessidade de recusar\/repensar sobre o consumo de \u201cbens\u201d cujo ciclo de reinser\u00e7\u00e3o desses como mat\u00e9rias-primas \u00e9 demasiadamente longo e envolve polui\u00e7\u00e3o e alto consumo energ\u00e9tico.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"issuem_issue":[53],"issuem_issue_categories":[23],"issuem_issue_tags":[35,32,34,54,31],"coauthors":[4],"class_list":["post-420","article","type-article","status-publish","format-standard","hentry","issuem_issue-primavera-2025","issuem_issue_categories-nota-tecnica","issuem_issue_tags-perma-journal","issuem_issue_tags-permacultura","issuem_issue_tags-permaculture","issuem_issue_tags-residuos-solidos-rurais","issuem_issue_tags-revista-perma"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/article\/420","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/article"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/types\/article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=420"}],"version-history":[{"count":33,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/article\/420\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":495,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/article\/420\/revisions\/495"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=420"}],"wp:term":[{"taxonomy":"issuem_issue","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/issuem_issue?post=420"},{"taxonomy":"issuem_issue_categories","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/issuem_issue_categories?post=420"},{"taxonomy":"issuem_issue_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/issuem_issue_tags?post=420"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=420"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}