{"id":242,"date":"2024-11-10T21:04:31","date_gmt":"2024-11-11T00:04:31","guid":{"rendered":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/?post_type=article&#038;p=242"},"modified":"2025-11-13T09:38:58","modified_gmt":"2025-11-13T12:38:58","slug":"e21202404","status":"publish","type":"article","link":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/article\/e21202404\/","title":{"rendered":"Permacultura perif\u00e9rica: reflex\u00f5es contracoloniais e feministas para um debate necess\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"271\" height=\"40\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/11\/artigo_opiniao.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-247\" style=\"width:171px;height:auto\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em><strong>Peripheral permaculture: counter-colonial and feminist reflections for a necessary debate<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/4290461296424144\"><\/a>&nbsp;SARNO, Luciana N.<sup><a href=\"#sdfootnote1sym\">1<\/a><\/sup><br><em>Submetido em 30abr2024. Aceito em 6nov2024.<br>Revis\u00e3o por Adriana Angelita da Concei\u00e7\u00e3o e Paulo Eduardo Rolim Campos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em>DOI: <\/em><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.5281\/zenodo.14751295\"><em>https:\/\/doi.org\/10.5281\/zenodo.14751295<\/em><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Resumo:<\/strong> O artigo discute a necessidade de uma abordagem permacultural perif\u00e9rica, contracolonial e feminista no Brasil, que valorize os saberes ancestrais e as perspectivas marginalizadas no protagonismo da constru\u00e7\u00e3o do saber, na semi\u00f3tica e promova justi\u00e7a socioecon\u00f4mica e ambiental. A permacultura hegem\u00f4nica, muitas vezes, negligenciou a presen\u00e7a, no corpo, no conv\u00edvio e na linguagem dos indiv\u00edduos produtores de saberes ancestrais, o que a permacultura perif\u00e9rica, decolonial e feminista busca superar, propondo uma abordagem mais inclusiva e contextualizada. Existem projetos vinculados \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas populares, em comunidades perif\u00e9ricas, integrando diversos atores, que valorizam o contexto global e sist\u00eamico e caminham nessa dire\u00e7\u00e3o. Algumas experi\u00eancias concretas desta abordagem est\u00e3o representadas nas a\u00e7\u00f5es do Instituto de Permacultura da Bahia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Palavras-chave:<\/strong> permacultura perif\u00e9rica, contracolonial, decolonialidade, feminismo, saberes ancestrais, pertencimento, justi\u00e7a socioecon\u00f4mica e ambiental<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0<strong>Abstract:<\/strong> The article discusses the need for a peripheral, Counter-Colonial, and feminist permaculture approach in Brazil that values ancestral knowledge and marginalized perspectives in the protagonism of knowledge construction, in semiotics, and promotes socioeconomic and environmental justice. Hegemonic permaculture has often neglected the presence, in the body, in the coexistence, and in the language of individuals who produce ancestral knowledge, which peripheral, decolonial, and feminist permaculture seeks to overcome by proposing a more inclusive and contextualized approach. There are projects linked to popular public policies in peripheral communities, integrating various actors, that value the global and systemic context and move in this direction. Some concrete experiences of this approach are represented in the actions of the Permaculture Institute of Bahia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Keywords:<\/strong> peripheral permaculture, decoloniality, feminism, ancestral knowledge, belonging, socioeconomic and environmental justice.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading western\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A permacultura, como abordagem hol\u00edstica para um planejamento sustent\u00e1vel, resiliente, tem ra\u00edzes profundas na busca por harmonia entre seres humanos, ecossistemas e comunidades, uma constru\u00e7\u00e3o de coexist\u00eancia. No entanto, \u00e9 imperativo que repensemos os conceitos que norteiam as pr\u00e1ticas metodol\u00f3gicas de um campo hegem\u00f4nico da permacultura no Brasil, com a inten\u00e7\u00e3o de torn\u00e1-la mais inclusiva, consciente e pertinente para uma camada numerosa da sociedade que n\u00e3o aceita mais receita pronta, vinda de um saber r\u00edgido, narc\u00edsico. Neste artigo, exploro reflexivamente a necessidade de refundar a permacultura numa perspectiva pol\u00edtica, focando em uma abordagem perif\u00e9rica, decolonial, contracolonial e feminista. Al\u00e9m disso, destaco a import\u00e2ncia de resgatar n\u00e3o apenas os saberes ancestrais e promover a resili\u00eancia em nossa rela\u00e7\u00e3o com o meio ambiente, mas abrir espa\u00e7o para que encontremos a pedagogia de terreiro, de quilombo, de aldeia. \u00c9 essencial que os sujeitos desses campos espec\u00edficos apresentem a sua permacultura, a sua pr\u00e1xis, a sua cultura da perman\u00eancia, sem a interfer\u00eancia imperativa de sujeitos alien\u00edgenas, que expropriam saberes e fazeres. Essa reinterpreta\u00e7\u00e3o da permacultura n\u00e3o apenas valoriza as vozes marginalizadas, apagadas, menosprezadas, mas tamb\u00e9m reconhece a interconex\u00e3o entre as pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis e a justi\u00e7a social, criando um espa\u00e7o onde todos possam contribuir para um futuro mais equitativo, sustent\u00e1vel e resiliente.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading western\">Contexto<\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A permacultura, muitas vezes, foi ensinada e aplicada de acordo com padr\u00f5es ocidentais, euroc\u00eantricos, supondo que este modelo de di\u00e1logo funcionaria em perfeito encaixe com as bordas sociais do Brasil. Acredito que isso deva-se ao esfor\u00e7o de sistematizar as t\u00e9cnicas, o que \u00e9 v\u00e1lido e necess\u00e1rio, mas trouxe uma miopia para as observa\u00e7\u00f5es contextuais nas din\u00e2micas sociais, humanas e seus fazeres comunit\u00e1rios, a borda da borda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O decolonialismo nos convida a questionar essa universalidade e reconhecer que o conhecimento n\u00e3o \u00e9 neutro. A decolonialidade, nesse sentido, \u00e9 uma proposta que busca resgatar e valorizar saberes e pr\u00e1ticas que foram marginalizados, e exige a presen\u00e7a, o corpo, a linguagem desses sujeitos detentores de t\u00e9cnicas vivas e resilientes, evitando que se tornem meras teorias acad\u00eamicas desconectadas da realidade, quase folclorizadas. Devemos descentralizar o discurso e as pr\u00e1ticas da permacultura, valorizando as vozes, experi\u00eancias e presen\u00e7a das culturas marginalizadas, e, com isso, estruturar equidade, acesso e ressignifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O feminismo latino-americano surge nessa proposta nos ensinando sobre a import\u00e2ncia do cuidado, da interconex\u00e3o, do ac\u00famulo da aldeia, do local e da reciprocidade. A permacultura deve incorporar esses princ\u00edpios de forma mais radical, reconhecendo que a sustentabilidade n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o t\u00e9cnica, mas tamb\u00e9m uma quest\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es humanas, culturais, sociais, relacionais, ambientais e pol\u00edticas. As mulheres, historicamente respons\u00e1veis pelo cuidado da terra e da comunidade, t\u00eam muito a contribuir para uma permacultura mais sens\u00edvel, equitativa, intuitiva e reflexiva para dentro dos sujeitos. A pouca presen\u00e7a imag\u00e9tica dos feitos femininos no campo da permacultura, nas consultorias e nas din\u00e2micas de poder, principalmente para atividades de valor econ\u00f4mico elevado, \u00e9 um sintoma revelador de uma imagem ainda muito masculina, branca e de classe m\u00e9dia dos fazedores da permacultura no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A permacultura, numa perspectiva pol\u00edtica, deve ser vista como um fen\u00f4meno sociocultural e ambiental que promove a resili\u00eancia e a garantia de direitos dos povos, diferente disso, ela \u00e9 uma expropriadora de saberes ancestrais e perif\u00e9ricos. Nesse sentido, o \u201ccom quem\u201d e \u201cpara quem\u201d s\u00e3o elementos que precisam de an\u00e1lise e busca por solu\u00e7\u00f5es mais aproximadas com o povo perif\u00e9rico e a regionalidade. A permacultura n\u00e3o deve se limitar a t\u00e9cnicas de cultivo ou desenho de jardins e campos produtivos de propriedades particulares, pois tamb\u00e9m envolve a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o das periferias diante das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, sociais e econ\u00f4micas. Ou seja, a resili\u00eancia e a cultura da perman\u00eancia deve estar, para todos e todas, enraizada na diversidade, na coopera\u00e7\u00e3o e na flexibilidade.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading western\">A opini\u00e3o<\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A permacultura, enquanto movimento coletivo de planejamento de um territ\u00f3rio sustent\u00e1vel com a presen\u00e7a humana, tem desafiado paradigmas e inspirado a\u00e7\u00f5es em prol de um mundo mais equilibrado e regenerativo desde a d\u00e9cada de setenta do s\u00e9culo passado. No entanto, \u00e9 fundamental reconhecer que a permacultura convencional, praticada por um campo hegem\u00f4nico, muitas vezes, negligenciou a presen\u00e7a dos indiv\u00edduos produtores de saber ancestral na exposi\u00e7\u00e3o e no protagonismo de suas contribui\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas criativas e seus saberes. Os indiv\u00edduos pertencentes \u00e0s culturas perif\u00e9ricas, distantes da civilidade ocidental, j\u00e1 assinalam essa lacuna na pr\u00e1xis permacultural, principalmente quando seus saberes s\u00e3o submetidos a uma abordagem universalista e ocidental que carece de diversidade e inclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O chamado contempor\u00e2neo que refor\u00e7a a necessidade de decoloniza\u00e7\u00e3o do conhecimento e das a\u00e7\u00f5es, convida a repensar essa vis\u00e3o e a valorizar as perspectivas marginalizadas. N\u00e3o basta reconhecer a import\u00e2ncia dos saberes ancestrais, \u00e9 necess\u00e1rio abrir espa\u00e7o para que os indiv\u00edduos origin\u00e1rios sejam protagonistas em corpo, conv\u00edvio e linguagem pr\u00f3pria nos espa\u00e7os de forma\u00e7\u00e3o, de atua\u00e7\u00e3o profissional e de visibilidade imag\u00e9tica na cena brasileira dessa ci\u00eancia interdisciplinar. A permacultura perif\u00e9rica, decolonial e feminista surge, ainda acanhada, como uma resposta a esse desafio, propondo uma abordagem com a cara do territ\u00f3rio que hoje chamamos de Brasil, sendo mais inclusiva, contextualizada e transformadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao descentralizar o discurso, para que venha de muitos lugares, poderemos ver e ouvir as comunidades perif\u00e9ricas. Assim, n\u00e3o estaremos apenas enriquecendo nosso repert\u00f3rio de pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis, resilientes e integrativas, mas tamb\u00e9m promovendo a justi\u00e7a socioecon\u00f4mica e ambiental. Projetos vinculados \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas populares ou preferencialmente estabelecidos em comunidades perif\u00e9ricas<span style=\"text-decoration: line-through\">,<\/span> podem integrar os diversos atores, estabelecendo valor e lugar \u00e0 humanidade, valorizando o contexto global e sist\u00eamico, criando e recriando as t\u00e9cnicas. Essa perspectiva \u00e9 uma chave para a resili\u00eancia individual, comunit\u00e1ria e territorial. \u00c9 um caminho para que a permacultura fortale\u00e7a a sua relev\u00e2ncia diante das mudan\u00e7as significativas da contemporaneidade, buscando construir coletivamente, na diversidade de corpos, sotaques, biomas e cidades, promovendo assim, a\u00e7\u00f5es que atendam \u00e0s diversas realidades para a caminhada rumo a uma humanidade mais justa e harmoniosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A permacultura perif\u00e9rica, decolonial e feminista n\u00e3o \u00e9 apenas uma proposta te\u00f3rica, mas sim um chamamento \u00e0 a\u00e7\u00e3o. Cabe a cada uma, a cada um de n\u00f3s, enquanto agentes de mudan\u00e7a, adotar uma postura cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pr\u00e1ticas dominantes e buscar alternativas que promovam a diversidade, a equidade e o cuidado m\u00fatuo. Na pr\u00e1xis, \u00e9 a consci\u00eancia de caminhar rumo \u00e0s bordas, atuar nos bastidores quando for necess\u00e1rio e criar clareiras no sistema. A visibilidade e protagonismo dos grupos minorizados leva a que estes revisitem a permacultura com seus olhares, falas, e corpos e, somente a\u00ed, juntos, a ressignificaremos numa perspectiva pol\u00edtica e libertadora. Sabemos, de modo geral, que a permacultura tem sido um espa\u00e7o majoritariamente branco, masculino, acad\u00eamico e euroc\u00eantrico. Assim, a partir dessa realidade, percebo que n\u00e3o h\u00e1 outra op\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja a do campo dial\u00f3gico para que seja poss\u00edvel estabelecer di\u00e1logos entre os desiguais e com estes, caminhar para uma permacultura brasileira. Somente assim, com generosidade e solidariedade, poderemos construir um futuro no qual a Permacultura seja relevante em escala, alcan\u00e7ando os assentamentos, as periferias populosas, os territ\u00f3rios agr\u00edcolas e camponeses, seja diversificada em sua pr\u00e1xis e inclusiva para as gera\u00e7\u00f5es presentes e futuras. \u00c9 a promo\u00e7\u00e3o da cultura da perman\u00eancia sem aspectos metodol\u00f3gicos que replicam aspectos coloniais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um mundo marcado por desigualdades, degrada\u00e7\u00e3o ambiental, crescimento de a\u00e7\u00f5es disruptivas e colonizadoras, a permacultura perif\u00e9rica, decolonial e feminista representa uma filosofia, com m\u00e9todo e pr\u00e1xis que permitir\u00e1 apontar caminhos para a constru\u00e7\u00e3o de respostas sociais mais resilientes, justas, regenerativas, no tempo e escala que precisamos. \u00c9 poss\u00edvel aferir a\u00e7\u00f5es concretas dessa proposi\u00e7\u00e3o, em lugares espec\u00edficos, mas ainda minorit\u00e1rios. A Bahia destaca-se nessa caminhada com a atua\u00e7\u00e3o do Instituto de Permacultura da Bahia, fundado em setembro de 1992. Liderado por mulheres desde a sua funda\u00e7\u00e3o, executa papel que transcende a aplica\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas agr\u00edcolas sustent\u00e1veis, t\u00e9cnicas de saneamento ecol\u00f3gico e de constru\u00e7\u00e3o com barro e\/ou bambu, ou a consultoria permacultural. O Instituto se entrela\u00e7a com a ess\u00eancia da vida comunit\u00e1ria e prioritariamente caminha na implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas com a comunidade pela escuta de suas demandas. Atua em rede com v\u00e1rias outras organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil na constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas relevantes para a popula\u00e7\u00e3o, como a pol\u00edtica p\u00fablica de agroecologia do Estado da Bahia, constru\u00e7\u00e3o das confer\u00eancias de meio ambiente no Estado. Atualmente vem construindo uma metodologia de rede, fincada dentro das comunidades perif\u00e9ricas e tradicionais, construindo metodologias e tecnologias sociais com e para elas e estabelecendo alian\u00e7a na luta pela terra e pelo territ\u00f3rio. No entanto, tamb\u00e9m encontra desafios na forma\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as que atuem dentro da institui\u00e7\u00e3o, diversificando a origem de classe social. \u00c9 preciso aceitar o desafio de alcan\u00e7ar uma maior diversidade \u00e9tnica, pois como institui\u00e7\u00e3o baiana, \u00e9 incoerente ser majoritariamente branca. Outra experi\u00eancia digna de nota \u00e9 o movimento Permangola idealizado no Kilombo Tenond\u00e9<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote2sym\" name=\"sdfootnote2anc\"><sup>2<\/sup><\/a>, pelo Mestre Cobra Mansa, em conjunto com Isabel Fr\u00f3es Modercin, que teve o objetivo de integrar a filosofia da Capoeira Angola com a \u00e9tica e os princ\u00edpios da permacultura, visando proporcionar o desenvolvimento humano de forma hol\u00edstica, no qual corpo, mente, esp\u00edrito e meio natural est\u00e3o integrados. Ao longo do tempo, o Kilombo Tenond\u00e9 apresentou inquieta\u00e7\u00f5es referentes \u00e0 Permacultura que n\u00e3o dialoga com os saberes tradicionais e que n\u00e3o reflete a periferia do mundo, mas dela tudo copia. Isso afastou o Kilombo Tenond\u00e9 dessa proposi\u00e7\u00e3o de jun\u00e7\u00e3o, processo promovido a partir das reflex\u00f5es apresentadas pela lideran\u00e7a quilombola N\u00eago Bispo, instigando o Kilombo Tenond\u00e9 a identificar o que tem de ch\u00e3o e de di\u00e1logo \u00edntimo com seus sujeitos e territ\u00f3rios. Essa situa\u00e7\u00e3o trouxe ao Instituto de Permacultura da Bahia uma reflex\u00e3o profunda e tem fomentado as mudan\u00e7as pol\u00edticas e metodol\u00f3gicas rumo \u00e0 borda e \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de governan\u00e7a contracolonial e defesa de um feminismo decolonial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 uma percep\u00e7\u00e3o de que \u00e9 chegada a hora de abra\u00e7ar essa vis\u00e3o e trabalhar juntas\/ juntos na constru\u00e7\u00e3o dessa perspectiva complexa, m\u00faltipla, na qual a diversidade seja celebrada nos espa\u00e7os de poder da permacultura brasileira para que a interconex\u00e3o seja reconhecida na pr\u00e1tica popular, de modo que a cara da permacultura brasileira seja a cara do Brasil e, principalmente do territ\u00f3rio onde ela \u00e9 aplicada, ovacionada e vivida. Que o cuidado com a fonte ancestral do saber seja a base de nossas rela\u00e7\u00f5es, e que a presen\u00e7a dessa diversidade seja sentida concretamente. Juntas, juntos podemos transformar a pr\u00e1xis permacultural e moldar um futuro mais respons\u00e1vel com os saberes dos povos para que a solidariedade estabele\u00e7a rela\u00e7\u00f5es de trocas justas, populares e o ch\u00e3o da permacultura brasileira, sulamericana, seja um reflexo de Abya Yala.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading western\">Consultas<\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Santos, A. B. dos. (2015). <i>Coloniza\u00e7\u00e3o, Quilombos, Modos e Significa\u00e7\u00f5es<\/i> (Vol. 1). INCTI\/Universidade de Bras\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Santos, A. B. dos. (2023). O que a terra d\u00e1 a terra quer. Ubu Editora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Queiroz, L. (2020). Decolonialidade e concep\u00e7\u00f5es de l\u00edngua: Uma cr\u00edtica lingu\u00edstica e educacional. Pontes Editores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Verg\u00e8s, F. (2020). Feminismo decolonial. Ubu Editora.<\/p>\n\n\n\n<div id=\"sdfootnote1\">\n<p class=\"sdfootnote-western\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote1anc\" name=\"sdfootnote1sym\">1<\/a> &#8211; Instituto de Permacultura da Bahia. &#8211; <a class=\"western\" href=\"mailto:lucianasarno@gmail.com\">lucianasarno@gmail.com<\/a><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div id=\"sdfootnote2\">\n<p class=\"sdfootnote-western\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote2anc\" name=\"sdfootnote2sym\">2<\/a> &#8211; Associa\u00e7\u00e3o eco educativa e cultural &#8211; <a class=\"western\" href=\"https:\/\/kilombotenonde.net\/\">https:\/\/kilombotenonde.net\/<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peripheral permaculture: counter-colonial and feminist reflections for a necessary debate &nbsp;SARNO, Luciana N.1Submetido em 30abr2024. 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