{"id":181,"date":"2024-09-22T00:01:00","date_gmt":"2024-09-22T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/?post_type=article&#038;p=181"},"modified":"2025-02-04T19:14:22","modified_gmt":"2025-02-04T22:14:22","slug":"permacultura-para-seguranca-e-soberania-alimentar","status":"publish","type":"article","link":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/article\/permacultura-para-seguranca-e-soberania-alimentar\/","title":{"rendered":"Permacultura para seguran\u00e7a e soberania alimentar"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em><strong>Permaculture for food security and sovereignty<\/strong><\/em><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancia completa da obra que foi traduzida<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">HOLMGREN, David. <em>Permaculture for food security and sovereignty<\/em>. Holmgren Design, Australia, 2014. <a href=\"https:\/\/holmgren.com.au\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/food-for-thought.pdf\"><u>https:\/\/holmgren.com.au\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/food-for-thought.pdf<\/u><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/orcid.org\/0000-0002-4234-2709\"><\/a> MONTEIRO, Yasmin El Kadri<sup><a href=\"#sdfootnote1sym\" id=\"sdfootnote1anc\"><sup>1<\/sup><\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Submetido em 28abr2024. Aceito em 14jun2024.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Avaliado por Maria Francisca Santos Daussy e Clovis Jos\u00e9 Fernandes de Oliveira Jr.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>DOI: <\/em><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.5281\/zenodo.14751291\"><em>https:\/\/doi.org\/10.5281\/zenodo.14751291<\/em><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#ebebeb\"><strong>Resumo: <\/strong>O presente artigo \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o ao portugu\u00eas do texto original escrito em ingl\u00eas por David Holmgren. Uma vers\u00e3o resumida desse mesmo texto foi publicada primeiramente na revista <em>PIP Magazine: Australian Permaculture<\/em> em mar\u00e7o de 2014. O autor articula diversos conceitos, a\u00e7\u00f5es e consequ\u00eancias que t\u00eam impactado a seguran\u00e7a e a soberania alimentar, bem como aponta para a permacultura como um importante sistema de princ\u00edpios para a organiza\u00e7\u00e3o eficiente da alimenta\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea. Enquanto por um lado o sistema alimentar industrial resulta em uma l\u00f3gica linear em que a produ\u00e7\u00e3o, o processamento, a distribui\u00e7\u00e3o e o consumo de alimentos produzem desperd\u00edcio material e energ\u00e9tico em todas as etapas, o sistema alimentar com base nos princ\u00edpios da permacultura promove ciclos em que prosperam a biodiversidade, a resili\u00eancia \u00e0s adversidades, o acesso a alimentos org\u00e2nicos e o empoderamento de escolher o que plantar, coletar e comer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Palavras-chave:<\/strong> permacultura; seguran\u00e7a alimentar; soberania alimentar; sistema alimentar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Abstract<\/strong>: This article is a Portuguese translation of the original text written in English by David Holmgren. An abridged version of this same text was first published in PIP Magazine: Australian Permaculture in March 2014. The author articulates several concepts, actions and consequences that have impacted food security and sovereignty, as well as pointing to permaculture as an important system of principles for the efficient organization of contemporary eating. While on the one hand the industrial food system results in a linear logic in which the production, processing, distribution and consumption of food produces material and energy waste at all stages, the food system based on permaculture principles promotes cycles in which thrive the biodiversity, resilience to adversities, the access to organic food and empowerment of choosing what to plant, collect and eat.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Keywords:<\/strong> permaculture; food security; food sovereignty; food system.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A atual cadeia industrializada de produ\u00e7\u00e3o\/consumo de alimentos \u00e9 a maior contribuidora para o impacto ambiental, incluindo as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, enquanto a seguran\u00e7a alimentar continua a ser a quest\u00e3o mais cr\u00edtica para o bem-estar humano e a estabilidade social. A seguran\u00e7a alimentar \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o que \u201cexiste quando todas as pessoas, em todos os momentos, t\u00eam acesso f\u00edsico e econ\u00f4mico a alimentos seguros, nutritivos e em quantidade, suficientes para satisfazer as suas necessidades nutricionais e prefer\u00eancias alimentares para uma vida ativa e saud\u00e1vel\u201d<sup><a href=\"#sdfootnote2sym\" id=\"sdfootnote2anc\"><sup>2<\/sup><\/a><\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo do s\u00e9culo XX, o sistema alimentar industrializado aumentou a produ\u00e7\u00e3o mundial de alimentos e a capacidade de processamento, preserva\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o, acelerando a utiliza\u00e7\u00e3o direta e indireta de combust\u00edveis f\u00f3sseis em esgotamento e de reservas preciosas de rocha fosf\u00e1tica. No processo, degradou o solo e poluiu as \u00e1guas, incluindo os mares. Os agrot\u00f3xicos aumentam as taxas de c\u00e2ncer, acumulam-se em peixes oce\u00e2nicos e degradam os servi\u00e7os ecol\u00f3gicos, incluindo a poliniza\u00e7\u00e3o por abelhas e outros insetos. Al\u00e9m das toxinas residuais, as desvantagens do sistema alimentar industrializado para a sa\u00fade, t\u00eam sido m\u00faltiplas. As perdas de vitaminas resultantes do armazenamento e do transporte prolongados e o decl\u00ednio da densidade mineral resultante das monoculturas anuais, alimentadas por aplica\u00e7\u00f5es desequilibradas de fertilizantes em solos degradados, tem reduzido o valor nutricional dos alimentos. O processamento excessivo de alimentos e novos aditivos, como o amido de milho rico em frutose, resultaram numa epidemia de obesidade em muitos pa\u00edses e no aumento de doen\u00e7as relacionadas com a dieta. O uso generalizado de antibi\u00f3ticos necess\u00e1rios para manter a produ\u00e7\u00e3o animal intensiva tem contribu\u00eddo para que bact\u00e9rias resistentes a antibi\u00f3ticos surgissem em todos os lugares, desde no intestino humano at\u00e9 nos animais selvagens. A perda de antibi\u00f3ticos eficazes pode ser uma das grandes trag\u00e9dias para a humanidade no s\u00e9culo XXI. As tentativas de melhorar a grande inefici\u00eancia na alimenta\u00e7\u00e3o das vacas com gr\u00e3os e outros alimentos concentrados t\u00eam resultado na reciclagem de res\u00edduos de matadouros de volta ao gado, resultando na doen\u00e7a da vaca louca e outras amea\u00e7as \u00e0 sa\u00fade humana, \u00e0 \u00e9tica e ao bom senso. As recentes introdu\u00e7\u00f5es de novas gen\u00e9ticas aos cultivos alimentares amea\u00e7am uma nova onda de consequ\u00eancias nutricionais n\u00e3o intencionais, com as consequ\u00eancias ecol\u00f3gicas j\u00e1 estabelecidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas consequ\u00eancias n\u00e3o intencionais, tornaram-se agora o caminho comprovado para as empresas do agroneg\u00f3cio continuarem a desenvolver novos mercados com produtos que direcionam os problemas que elas j\u00e1 haviam criado. Esta forma de capitalismo de desastre \u00e9 bem ilustrada pela resposta da multinacional Monsanto \u00e0 propaga\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e prevista de ervas daninhas resistentes ao glifosato presente no <em>Roundup<\/em><sup><em><a href=\"#sdfootnote3sym\" id=\"sdfootnote3anc\"><sup>3<\/sup><\/a><\/em><\/sup>. Os primeiros agricultores a produzir estas ervas daninhas resistentes tornaram-se a fonte involunt\u00e1ria das culturas geneticamente modificadas de <em>Roundup Ready <\/em>da Monsanto, que permitiram a pulveriza\u00e7\u00e3o direta de herbicidas sobre as culturas alimentares<sup><a href=\"#sdfootnote4sym\" id=\"sdfootnote4anc\"><sup>4<\/sup><\/a><\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar destas consequ\u00eancias adversas, a capacidade da agricultura industrial produzir grandes excedentes tem sido real e os custos dos alimentos representam uma pequena propor\u00e7\u00e3o da renda da classe m\u00e9dia global. Contudo, isso n\u00e3o se traduziu numa abund\u00e2ncia de alimentos para todos devido \u00e0s falhas do mercado em alimentar as pessoas em primeiro lugar. A alimenta\u00e7\u00e3o e engorda do gado para manter e aumentar o consumo excessivo de carne, lactic\u00ednios e peixe pela crescente classe m\u00e9dia global, engoliu grande parte da produ\u00e7\u00e3o de cereais, legumes e sementes oleaginosas; um dos aspectos mais obscenos e desumanos do sistema alimentar global. A ascens\u00e3o dos biocombust\u00edveis, especialmente a partir do milho, adicionou insulto \u00e0 inj\u00faria, com estudos que sugerem que a potencial procura por biocombust\u00edveis para os autom\u00f3veis da classe m\u00e9dia global poderia superar os cerca de 5 bilh\u00f5es sem acesso a carros, para o seu total abastecimento de alimentos. As culturas de exporta\u00e7\u00e3o (para pagar as d\u00edvidas nacionais) t\u00eam ocupado grande parte das melhores terras agr\u00edcolas nos pa\u00edses pobres densamente povoados, cultivando culturas de luxo para abastecer os pa\u00edses ricos e as pessoas com mais alimentos e medicamentos do que deveriam consumir, bem como com roupas suficientes para 10 vidas. A degrada\u00e7\u00e3o dos solos, as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, a guerra e a inseguran\u00e7a tem reduzido enormemente a capacidade das pessoas de se alimentarem de forma confi\u00e1vel. Me lembro de uma hist\u00f3ria de algu\u00e9m que viajou pelo Sud\u00e3o h\u00e1 20 anos e observou que qualquer pessoa que tivesse dinheiro compraria ovo em p\u00f3 importado da Europa. Questionados sobre por que n\u00e3o criavam galinhas, responderam que algu\u00e9m com um fuzil M16 apareceria e diria: \u201cessas s\u00e3o as minhas galinhas perdidas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais universalmente, a mudan\u00e7a do campo para a cidade por centenas de milh\u00f5es de pessoas atra\u00eddas por melhores oportunidades econ\u00f4micas (e impulsionadas pelas consequ\u00eancias da degrada\u00e7\u00e3o da terra, do cerco de terras comuns e dos conflitos), tem aumentado enormemente a depend\u00eancia ao rendimento monet\u00e1rio e aos subs\u00eddios governamentais para comprar alimentos. Dessas e de outras formas, o sistema econ\u00f4mico global n\u00e3o tem conseguido proporcionar seguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A inseguran\u00e7a alimentar tamb\u00e9m se manifesta nos pa\u00edses ricos de muitas formas surpreendentes. Na Austr\u00e1lia, o decl\u00ednio da produ\u00e7\u00e3o de alimentos no quintal desde a d\u00e9cada de 1960 e a perda de rela\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, reduziram as oportunidades de troca e seguro social decorrentes de trocas n\u00e3o-monet\u00e1rias. Nas d\u00e9cadas seguintes, o aumento da vida em apartamentos e os quintais menores reduziram a capacidade de produ\u00e7\u00e3o familiar de alimentos. M\u00faltiplas gera\u00e7\u00f5es de sal\u00e1rios, e mesmo de depend\u00eancia da assist\u00eancia social, deixaram muitos australianos sem sequer as \u201ccompet\u00eancias da pobreza\u201d, incluindo o cultivo alimentar e a preserva\u00e7\u00e3o da casa. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, os elevados n\u00edveis de endividamento tem feito com que todos os membros da fam\u00edlia se deslocassem para o trabalho ou para a escola, deixando pouco tempo para o cultivo de alimentos, a cria\u00e7\u00e3o e a preserva\u00e7\u00e3o dos animais. O decl\u00ednio do ato de cozinhar e armazenar alimentos em casa tem aumentado a depend\u00eancia por estabelecimentos comerciais de alimentos que est\u00e3o abertos 24 horas por dia, 7 dias por semana, tornando esse ato ref\u00e9m dos monop\u00f3lios comerciais altamente dependente de transportes de longa dist\u00e2ncia. A busca constante por maior efici\u00eancia e lucros por parte das empresas aliment\u00edcias fez com que a log\u00edstica <em>Just In Time<\/em> substitu\u00edsse o armaz\u00e9m e o armazenamento nas lojas. As interrup\u00e7\u00f5es nas cadeias de abastecimento devido a cat\u00e1strofes naturais ou econ\u00f4micas criaram uma instant\u00e2nea depend\u00eancia de grandes popula\u00e7\u00f5es da ajuda emergencial numa escala sem precedentes. Mesmo sem o pico petrol\u00edfero e as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, as perspectivas de in\u00fameras pessoas sofrerem de inseguran\u00e7a alimentar na Austr\u00e1lia aumentam inexoravelmente devido \u00e0s disfun\u00e7\u00f5es da riqueza multigeracional. Eu me pergunto por que as pessoas se sentem t\u00e3o confort\u00e1veis em confiar no <em>Coles<\/em><sup><em><a href=\"#sdfootnote5sym\" id=\"sdfootnote5anc\"><sup>5<\/sup><\/a><\/em><\/sup>como seu arm\u00e1rio pessoal de comida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A aplica\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios da permacultura \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos n\u00e3o muda apenas como produzimos alimentos, mas tamb\u00e9m as maneiras e os graus em que os armazenamos, preservamos, transportamos, distribu\u00edmos, preparamos e consumimos. Para al\u00e9m da mesa de jantar, o planejamento da permacultura reorganiza a cadeia de abastecimento alimentar para garantir que todos os res\u00edduos, incluindo dejetos humanos, sejam reciclados em terras produtoras de alimentos. Estes ciclos fechados s\u00e3o muito mais f\u00e1ceis e mais eficientes em termos energ\u00e9ticos quando organizados \u00e0 escala dom\u00e9stica e local. Ao priorizar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos na economia familiar, a permacultura reintroduz este aspecto frequentemente ignorado do debate sobre seguran\u00e7a alimentar. O cultivo de alimentos em casa aumenta a seguran\u00e7a alimentar de muitas maneiras que se sobrep\u00f5em e se autorrefor\u00e7am.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em primeiro lugar, \u00e9 relativamente f\u00e1cil produzir vegetais perec\u00edveis, frutas e pequenos produtos pecu\u00e1rios utilizando m\u00e9todos org\u00e2nicos que reciclam res\u00edduos dom\u00e9sticos e locais. Estes alimentos podem n\u00e3o ser b\u00e1sicos, mas reduzem a conta alimentar, diversificam a dieta e melhoram a sa\u00fade de todos, tanto na produ\u00e7\u00e3o como no consumo. Eles tamb\u00e9m requerem mais fertilidade e \u00e1gua do que as culturas b\u00e1sicas. O excedente de fertilidade \u00e9 um subproduto natural dos assentamentos humanos, enquanto as grandes \u00e1reas de telhados e superf\u00edcies duras nos assentamentos modernos permitem a capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua para apoiar a horticultura de alta produtividade. Os alimentos cultivados em casa proporcionam uma sensa\u00e7\u00e3o de orgulho e sufici\u00eancia, desenvolvem compet\u00eancias e confian\u00e7a para serem ampliados se necess\u00e1rio, geram excedentes para preserva\u00e7\u00e3o que aumentam as reservas alimentares das fam\u00edlias, enquanto a oferta e a troca aumentam ainda mais o seu cr\u00e9dito com outras pessoas da comunidade. Estes processos ajudam a relan\u00e7ar as economias familiares e comunit\u00e1rias que outrora eram o pano de fundo, em grande parte dado como certo, da economia monet\u00e1ria. A hist\u00f3ria nos mostra que sempre que a economia global monet\u00e1ria afunda, as economias familiares e comunit\u00e1rias crescem rapidamente. Em pa\u00edses h\u00e1 muito tempo ricos como a Austr\u00e1lia, o desafio tem sido como construir as compet\u00eancias e a infraestrutura antes que condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas terr\u00edveis exijam uma reconstru\u00e7\u00e3o dolorosa das economias familiares e comunit\u00e1rias a partir de um patamar muito baixo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo dos \u00faltimos trinta anos, a permacultura tem sido um fator importante nessa reconstru\u00e7\u00e3o, contra as tend\u00eancias dominantes de decl\u00ednio da produ\u00e7\u00e3o e da resili\u00eancia das fam\u00edlias. Embora a moderniza\u00e7\u00e3o de quintais suburbanos para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos tenha sido um tema importante da pr\u00e1tica, do planejamento e do ativismo da permacultura, estas atividades n\u00e3o t\u00eam se limitado ao dom\u00ednio privado. A permacultura tem sido um importante agente de influ\u00eancia positiva no crescimento de hortas comunit\u00e1rias e escolares e de fazendas urbanas, nas planta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de \u00e1rvores aliment\u00edcias e na reintrodu\u00e7\u00e3o de animais pequenos e at\u00e9 de animais maiores em ambientes urbanos para nos reconectar com a natureza, ao mesmo tempo que fornece alternativas \u00e0s m\u00e1quinas e aos herbicidas no manejo da vegeta\u00e7\u00e3o. Os praticantes da permacultura foram pioneiros em muitos destes projetos na onda ambiental do final dos anos 1970, mas depois da cultura \u201ca gan\u00e2ncia \u00e9 boa\u201d do in\u00edcio dos anos 80, a segunda onda do in\u00edcio dos anos 90 estava mais focada na constru\u00e7\u00e3o energeticamente eficiente e na tecnologia de energia renov\u00e1vel. A biologia ficou em segundo plano, com exce\u00e7\u00e3o do reflorestamento ind\u00edgena. Esse per\u00edodo estabeleceu o padr\u00e3o para a sustentabilidade dominante que em grande parte ignorou a agricultura, a alimenta\u00e7\u00e3o e a potencial contribui\u00e7\u00e3o da agricultura urbana. Uma men\u00e7\u00e3o de dois par\u00e1grafos aos alimentos no plano de sustentabilidade urbana de Adelaide no final da d\u00e9cada de 1990<sup><a href=\"#sdfootnote6sym\" id=\"sdfootnote6anc\"><sup>6<\/sup><\/a><\/sup> foi um sinal de que a longa neglig\u00eancia dominante aos alimentos poderia estar chegando ao fim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, na Austr\u00e1lia rural, a gera\u00e7\u00e3o pioneira de agricultores biol\u00f3gicos estava finalmente obtendo reconhecimento e pre\u00e7os <em>premium <\/em>atrav\u00e9s do mecanismo de certifica\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica que dava seguran\u00e7a de qualidade \u00e0queles que valorizavam a diferen\u00e7a e podiam pagar pelo <em>premium<\/em>. Embora o <em>marketing <\/em>org\u00e2nico tenha inicialmente estimulado um novo tipo de distribui\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis, os supermercados rapidamente entraram em a\u00e7\u00e3o, contratando grandes produtores org\u00e2nicos, impondo-lhes a mesma produ\u00e7\u00e3o especializada (monocultura) e log\u00edstica que aplicam aos produtores convencionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pequenos produtores e os consumidores org\u00e2nicos responderam com feiras de agricultores, esquema de cestas e a sua evolu\u00e7\u00e3o para a Comunidade que Sustenta a Agricultura (CSA), que melhoraram os retornos para os agricultores, reduziram os pre\u00e7os aos consumidores e constru\u00edram conex\u00f5es que melhoraram a seguran\u00e7a alimentar de todos, incluindo os agricultores que trocaram as sobras da produ\u00e7\u00e3o com outros produtores no final do dia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos \u00faltimos dez anos, a preocupa\u00e7\u00e3o com a epidemia de obesidade tem tido um forte foco no cultivo, na prepara\u00e7\u00e3o e no consumo de alimentos nas escolas. A maioria das pessoas empregadas para projetar, organizar e administrar esses jardins foram influenciadas pelo planejamento da permacultura e muitos fizeram Cursos de <em>Design<\/em> em Permacultura (PDC), que est\u00e1 gradualmente se tornando uma qualifica\u00e7\u00e3o reconhecida nessa \u00e1rea de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao mesmo tempo, a profiss\u00e3o de planejador alcan\u00e7ou o interesse p\u00fablico e as hortas comunit\u00e1rias e a agricultura urbana voltaram \u00e0 moda. Os \u201c<em>nerds<\/em>\u201d da pol\u00edtica de sustentabilidade percebem agora que a cadeia de abastecimento alimentar, do pasto ao prato e at\u00e9 aos aterros sanit\u00e1rios e ao tratamento de esgoto, \u00e9 de longe a maior contribuinte para as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, a m\u00e1 utiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e a pegada ecol\u00f3gica da sociedade. As prioridades pol\u00edticas anteriores, que ignoravam o sistema de abastecimento alimentar, foram pensadas olhando-se para setores econ\u00f4micos como transportes, produ\u00e7\u00e3o de eletricidade, ind\u00fastria, agricultura, etc., sem perguntar o que estas atividades econ\u00f4micas e infraestrutura estariam produzindo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O \u00faltimo defensor ignorante das contribui\u00e7\u00f5es dos combust\u00edveis f\u00f3sseis e dos alimentos convencionais para moldar a natureza e as vulnerabilidades de toda a economia \u00e9 a pr\u00f3pria economia dominante, em grande parte porque esses fatores de produ\u00e7\u00e3o t\u00eam sido muito baratos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, a rea\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00e0s consequ\u00eancias adversas do sistema alimentar industrial estimulou ainda mais o interesse pela agricultura org\u00e2nica, pelas feiras, pelo com\u00e9rcio justo, pela agricultura urbana e jardinagem, <em>WWOOFing<\/em><sup><a href=\"#sdfootnote7sym\" id=\"sdfootnote7anc\"><sup>7<\/sup><\/a><\/sup> e pela colheita selvagem e pela coleta de res\u00edduos do sistema alimentar industrial. Para muitas pessoas, a permacultura \u00e9 o sistema de planejamento e estilo de vida que re\u00fane estes interesses numa abordagem integrada, que vai al\u00e9m do conceito de seguran\u00e7a alimentar para um conceito de \u201csoberania alimentar\u201d, no qual as comunidades t\u00eam controle sobre sua produ\u00e7\u00e3o e seu consumo de alimentos para benef\u00edcio m\u00fatuo de ambos produtores e consumidores. A reconstru\u00e7\u00e3o do sistema alimentar a n\u00edvel familiar \u00e9 o cerne que gera naturalmente esse conceito mais amplo, porque os produtores e os consumidores est\u00e3o unidos pelos la\u00e7os \u00edntimos e pela reciprocidade entre seus familiares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A soberania alimentar refere-se ao direito de produzir alimentos no seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio. Originou-se da Via Campesina<sup><a href=\"#sdfootnote8sym\" id=\"sdfootnote8anc\"><sup>8<\/sup><\/a><\/sup> nos pa\u00edses de segundo e terceiro mundo em 1996, em resposta \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o do conceito de seguran\u00e7a alimentar pela agricultura industrial controlada por empresas, entregando os seus excedentes subsidiados publicamente \u00e0s pessoas famintas em regi\u00f5es afetadas por crises humanit\u00e1rias, e atrav\u00e9s do com\u00e9rcio livre globalizado, destruindo sistemas locais de abastecimento alimentar. A soberania alimentar foi posteriormente assumida por Permacultores australianos e \u201cativistas da alimenta\u00e7\u00e3o justa\u201d<sup><a href=\"#sdfootnote9sym\" id=\"sdfootnote9anc\"><sup>9<\/sup><\/a><\/sup> refletindo a aplica\u00e7\u00e3o passada do conceito de seguran\u00e7a alimentar no contexto australiano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A vis\u00e3o da permacultura sobre a seguran\u00e7a e soberania alimentar \u00e9 a de comunidades cheias de hortas, despensas cheias de conservas e sementes prontas para serem colocadas em canteiros irrigados pela \u00e1gua coletada da chuva e fertilizados pelos res\u00edduos reciclados do disfuncional sistema alimentar industrial, muitas vezes por meio de p\u00e1ssaros que p\u00f5em ovos e revolvem intensamente serrapilheira e linhas de agrofloresta (semelhantes aos ancestrais das galinhas, as aves selvagens do sudeste asi\u00e1tico). Estende-se \u00e0s terras p\u00fablicas com hortas comunit\u00e1rias, pomares de \u00e1rvores frut\u00edferas e de castanhas, avenidas e florestas alimentares, rebanhos de cabras manejando ervas daninhas e convertendo o excedente de biomassa de nossos sub\u00farbios frondosos em produtos l\u00e1cteos, e sistemas rotativos de aves e su\u00ednos que cultivam os campos ar\u00e1veis da agricultura urbana e periurbana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A permacultura coloniza os espa\u00e7os urbanos de maior densidade com canteiros que drenam \u00e1gua e jardins nos telhados, sistemas aquap\u00f4nicos usando uma abund\u00e2ncia de tanques, canos e bombas recuperados, e ocupa o espa\u00e7o escuro e frio dos estacionamentos subterr\u00e2neos com cont\u00eaineres reaproveitados, produzindo o deleite dos fungos que crescem em res\u00edduos de madeira dos sub\u00farbios arborizados. Essa vis\u00e3o da permacultura incorpora facilmente a necessidade de colher a exuber\u00e2ncia de planta\u00e7\u00f5es passadas de grandes \u00e1rvores perenes de r\u00e1pido crescimento, para permitir que a luz solar sustente plantas alimentares mais produtivas, estufas anexas, vidros e pain\u00e9is solares orientados ao sol. A abund\u00e2ncia de madeira se torna material estrutural, combust\u00edvel e forragem, e substratos f\u00fangicos que sustentam a moderniza\u00e7\u00e3o dos sub\u00farbios e super-sub\u00farbios<sup><a href=\"#sdfootnote10sym\" id=\"sdfootnote10anc\"><sup>10<\/sup><\/a><\/sup> periurbanos na Austr\u00e1lia para atingirem seu potencial de tornar as paisagens agr\u00edcolas mais produtivas e bonitas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora uma grande parte da a\u00e7\u00e3o continue a ser centrada em ecologias intensivamente cultivadas em jardins e fazendas, a vis\u00e3o da permacultura sempre envolveu a coleta de plantas e animais selvagens das margens dos nossos espa\u00e7os cultivados e dos bens comuns mais amplos que uma vez foram a fonte de sustento dos povos ind\u00edgenas e tradicionais. Especialmente em tempos de dificuldades, as esp\u00e9cies marginais, os espa\u00e7os e os bens comuns t\u00eam sido um apoio resiliente que alimentou e curou as pessoas quando as colheitas fracassaram, quando ocorreram cat\u00e1strofes naturais ou jogos de poder pol\u00edtico e conflitos que privaram de direitos e deslocaram pessoas. Tem ocorrido um renascimento do interesse pelos alimentos silvestres, desde a comida do mato dos povos abor\u00edgines at\u00e9 os segredos culin\u00e1rios com plantas espont\u00e2neas comuns e animais selvagens trazidos pelos nossos antepassados europeus<sup><a href=\"#sdfootnote11sym\" id=\"sdfootnote11anc\"><sup>11<\/sup><\/a><\/sup>, bem como aqueles conhecidos e utilizados pelos migrantes mais recentes da \u00c1sia, Am\u00e9rica Latina e \u00c1frica. Na Austr\u00e1lia, muitos migrantes continuaram a coletar alimentos silvestres, n\u00e3o apenas para complementar o or\u00e7amento alimentar, mas tamb\u00e9m para manter liga\u00e7\u00f5es culturais, muito antes do funcho e da \u201c<em>horta<\/em>\u201d (vegetal grego verde e folhoso) estarem dispon\u00edveis nos supermercados. Hoje, os permacultores est\u00e3o na vanguarda de uma explos\u00e3o de interesse em coletar e cozinhar plantas espont\u00e2neas comest\u00edveis comuns.<sup><a href=\"#sdfootnote12sym\" id=\"sdfootnote12anc\"><sup>12<\/sup><\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estrat\u00e9gias da permacultura para aumentar a seguran\u00e7a e soberania alimentar s\u00e3o centradas tanto na mudan\u00e7a dos nossos h\u00e1bitos de consumo alimentar para o que pode ser facilmente cultivado localmente, abundante e especialmente subvalorizado ou at\u00e9 mesmo desprezado. Plantas espont\u00e2neas e animais selvagens muitas vezes t\u00eam uma reputa\u00e7\u00e3o t\u00e3o ruim, n\u00e3o apenas porque somos os \u201cnot\u00f3rios pirralhos mimados e ricos\u201d que podemos escolher entre as despensas de alimentos do mundo, mas porque os povos tradicionais sobreviveram comendo alimentos comuns e silvestres em tempos de dificuldades, e muitos que vivenciaram essas dificuldades ficaram com lembran\u00e7as ruins relacionadas \u00e0 comida que os sustentavam. As crian\u00e7as da classe m\u00e9dia, cuja fonte de prote\u00edna era principalmente o coelho durante a Grande Depress\u00e3o<sup><a href=\"#sdfootnote13sym\" id=\"sdfootnote13anc\"><sup>13<\/sup><\/a><\/sup>, fizeram com que a carne de coelho fosse considerada um alimento inferior; um legado que s\u00f3 desapareceu nas \u00faltimas d\u00e9cadas, \u00e0 medida que aquela gera\u00e7\u00e3o passou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1994, na costa de Amalfi, no sul de It\u00e1lia, o meu filho Oliver subia avidamente nas velhas alfarrobeiras para recuperar deliciosas vagens de alfarroba que ningu\u00e9m usava, porque nos disseram que, durante os tempos dif\u00edceis da Segunda Guerra Mundial, as pessoas eram sustentadas pela alfarroba, mas a chegada de tropas estadunidenses marcou o in\u00edcio dos bons tempos com a distribui\u00e7\u00e3o (pelas tropas invasoras) de chocolate e cigarros. No Arquip\u00e9lago Gulag, o autor dissidente russo Alexander Solzhenitsyn, ilustrou as dificuldades do Gulag observando que eles tinham que comer urtigas para sobreviver. Tenho certeza de que Solzhenitsyn estava tendo uma experi\u00eancia p\u00e9ssima na \u00e9poca, mas a sopa de urtiga \u00e9 uma fonte deliciosa de nutri\u00e7\u00e3o mineral e vitam\u00ednica concentrada e, \u00e9 uma planta espont\u00e2nea que vale a pena coletar. Considero a abund\u00e2ncia de urtigas saud\u00e1veis um bom sinal de solo f\u00e9rtil<sup><a href=\"#sdfootnote14sym\" id=\"sdfootnote14anc\"><sup>14<\/sup><\/a><\/sup>, e as picadas durante a colheita como parte da experi\u00eancia gastron\u00f4mica e um lembrete do equil\u00edbrio entre a dor e o prazer, e do equil\u00edbrio entre a terra e as pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Jap\u00e3o, o respeito pelas fontes silvestres de sustento \u00e9 refletido no jardim, onde as pessoas aproveitam partes de plantas que os ocidentais sempre descartam, como as folhas e os talos das cenouras. Os tempos dif\u00edceis no Jap\u00e3o contribu\u00edram, em vez de prejudicar, a vis\u00e3o das plantas espont\u00e2neas em tempos de prosperidade. A reten\u00e7\u00e3o e agora o ressurgimento do interesse nas coletas tradicionais, tanto nas fazendas como nas florestas do Jap\u00e3o rural, \u00e9 um dos aspectos positivos num futuro de baixa energ\u00e9tica<sup><a href=\"#sdfootnote15sym\" id=\"sdfootnote15anc\"><sup>15<\/sup><\/a><\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A coleta de alimentos selvagens suscita outra estrat\u00e9gia de seguran\u00e7a alimentar, a da recolha, que inclui coletar restos da produ\u00e7\u00e3o comercial que um agricultor n\u00e3o pode usar ou vender. Os direitos de recolher fazem parte de uma longa tradi\u00e7\u00e3o na Europa, que contribuiu para o sistema informal de seguran\u00e7a social atrav\u00e9s do qual os mais necessitados tinham acesso a alimentos que os mais favorecidos n\u00e3o utilizavam.<sup><a href=\"#sdfootnote16sym\" id=\"sdfootnote16anc\"><sup>16<\/sup><\/a><\/sup> Durante quase tr\u00eas d\u00e9cadas na Austr\u00e1lia, os permacultores t\u00eam sido coletores de alimentos, recolhendo frutos ca\u00eddos que os suburbanos ricos n\u00e3o valorizam. Parte dessa coleta foi feita com permiss\u00e3o e incentivo, outras vezes sem. No processo, constru\u00edmos uma cultura confiante de sobreviv\u00eancia e prosperidade sem muito dinheiro, enquanto a maioria das pessoas continuava a dar seu dinheiro aos grandes supermercados. Ocasionalmente, \u00e9ramos v\u00edtimas de tais a\u00e7\u00f5es, como um permacultor amigo meu, com uma horta altamente produtiva em Coburg<sup><a href=\"#sdfootnote17sym\" id=\"sdfootnote17anc\"><sup>17<\/sup><\/a><\/sup>, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980, que encontrou uma mulher mais velha de origem mediterr\u00e2nea colhendo todos os seus lim\u00f5es no jardim da frente. Quando ele sugeriu que ela deveria levar apenas alguns, a mulher disse \u201cvoc\u00eas, <em>Anglos<\/em>, n\u00e3o os valorizam nem os usam\u201d. Sem d\u00favida essa era a experi\u00eancia gen\u00e9rica dela. Hoje, os protocolos sobre a coleta dos excedentes suburbanos tornaram-se mais sofisticados e cooperativos, com grupos como <em>Growing Abundance<\/em><sup><em><a href=\"#sdfootnote18sym\" id=\"sdfootnote18anc\"><sup>18<\/sup><\/a><\/em><\/sup> em Castlemaine<sup><a href=\"#sdfootnote19sym\" id=\"sdfootnote19anc\"><sup>19<\/sup><\/a><\/sup> conseguindo distribuir a produ\u00e7\u00e3o excedente de \u00e1rvores frut\u00edferas de quintais pela comunidade para um n\u00famero crescente de pessoas que valorizam e s\u00e3o capazes de processar, preservar e fermentar o excedente. O professor de permacultura e articulador de redes, Ian Lillington diz que a <em>Growing Abundance<\/em> est\u00e1 combinando os aspectos de desenvolvimento das hortas comunit\u00e1rias, com as habilidades de horticultura dos produtores org\u00e2nicos comerciais e as preocupa\u00e7\u00f5es com a alimenta\u00e7\u00e3o justa de grupos como a Associa\u00e7\u00e3o Australiana de Soberania Alimentar<sup><a href=\"#sdfootnote20sym\" id=\"sdfootnote20anc\"><sup>20<\/sup><\/a><\/sup> para aumentar a utiliza\u00e7\u00e3o e a valoriza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de alimentos das fam\u00edlias e comunidades existentes, como um caminho para melhorar a seguran\u00e7a e soberania alimentar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o fim mais selvagem da recolha da permacultura continua com a explos\u00e3o do <em>skipping <\/em>(ou mergulho no lixo), onde o fluxo de res\u00edduos de alimentos perfeitamente bons jogados fora pelo sistema alimentar industrial \u00e9 interceptado, principalmente sem permiss\u00e3o, por jovens ativistas comprometidos em fazer o bem por obter algo gr\u00e1tis. Em muitos casos, o <em>skipping <\/em>envolve um jogo de gato e rato com guardas de seguran\u00e7a e expressa um protesto radical contra o sistema alimentar dominado pelas corpora\u00e7\u00f5es&nbsp;que est\u00e1 destruindo o planeta. Da mesma forma que muitos permacultores na d\u00e9cada de 1970 expressaram o seu desd\u00e9m radical pela cultura de consumo, comprando as suas roupas em bazares, e ao longo da vida poupando dezenas de milhares de d\u00f3lares, os jovens permacultores de hoje alargaram o boicote \u00e0 loucura do consumo por meio de uma combina\u00e7\u00e3o de <em>skipping<\/em>, cultivo e fermenta\u00e7\u00e3o de alimentos, juntamente com compras selecionadas em feiras de agricultores e produtores org\u00e2nicos. Em vez de comer <em>junk food<\/em><sup><em><a href=\"#sdfootnote21sym\" id=\"sdfootnote21anc\"><sup>21<\/sup><\/a><\/em><\/sup> de gra\u00e7a, a maioria dos que praticam <em>skipping <\/em>que conhe\u00e7o, restringe sua ingest\u00e3o a produtos certificados organicamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O aspecto chocante dessas a\u00e7\u00f5es \u00e9 o fato de pessoas da classe m\u00e9dia, capacitadas e capazes, escolherem agir de forma associada aos mais necessitados. Uma narrativa contada por um amigo estadunidense muito capaz, que vive com US$ 500 por ano, destaca a diferen\u00e7a. Um dia, enquanto trabalhava nas lixeiras em busca de comida, ele conversou com um homem negro que tamb\u00e9m vasculhava as lixeiras. O que voc\u00ea est\u00e1 procurando? Latas, responde o homem. O que voc\u00ea faz com as latas? Vendo, responde o homem. O que voc\u00ea faz com o dinheiro? Compro comida, responde o homem, enquanto meu amigo recolhe comida perfeitamente boa em embalagens lacradas das lixeiras. A tr\u00e1gica necessidade dos desamparados de manter a dignidade atrav\u00e9s da participa\u00e7\u00e3o na economia monet\u00e1ria contrasta com o empoderamento radical dos agentes de mudan\u00e7a que condensaram num \u00fanico ato a a\u00e7\u00e3o contra o sistema, o bem-estar pessoal e a subsist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cada vez mais, o esc\u00e2ndalo do desperd\u00edcio alimentar no sistema industrial, est\u00e1 de certa forma atenuado pelo desvio desse desperd\u00edcio atrav\u00e9s da assist\u00eancia social convencional, o que facilitou o decl\u00ednio da reputa\u00e7\u00e3o das empresas do setor aliment\u00edcio. Esses esquemas parecem ter mais subst\u00e2ncia e \u00e9tica do que as campanhas das empresas de alimentos para mostrar como s\u00e3o amigos dos agricultores, uma vez que continuam a reduzir os retornos aos produtores e a dar prefer\u00eancia a grandes produtores empresariais com contratos de fornecimento rigorosos. No entanto, a grande diferen\u00e7a entre o <em>skipping <\/em>e a redistribui\u00e7\u00e3o assistencial \u00e9 que o primeiro cria uma cultura de responsabilidade pessoal fortalecida, enquanto a segunda simplesmente refor\u00e7a a cultura de depend\u00eancia da autoridade, que quando a situa\u00e7\u00e3o se torna dif\u00edcil, n\u00e3o conseguir\u00e1 fornecer os bens e muito menos manter a dignidade humana diante das graves amea\u00e7as ao sistema de abastecimento alimentar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o que ocorre a muitos quando consideram esta explos\u00e3o marginal do cultivo de alimentos nas casas e na economia paralela, sem mencionar a coleta selvagem e o <em>skipping<\/em>, \u00e9: Isso prejudica o mercado para os produtores comerciais s\u00e9rios, na sua maioria org\u00e2nicos, que tentam ganhar a vida fornecendo \u00e0queles na sociedade que n\u00e3o confiam no sistema alimentar industrial dominado pelas corpora\u00e7\u00f5es? At\u00e9 certo ponto, estas redes informais competem com os melhores estabelecimentos comerciais pequenos, as feiras de agricultores e as CSA, mas em outros aspectos s\u00e3o complementares e se apoiam mutuamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por exemplo, as pessoas que t\u00eam alguma experi\u00eancia no cultivo dos seus pr\u00f3prios alimentos compreendem que embora os alimentos saiam do solo e das \u00e1rvores, s\u00e3o necess\u00e1rios planejamento, esfor\u00e7o e boa no\u00e7\u00e3o de tempo para ser um produtor eficaz e consistente. Essas pessoas s\u00e3o muitas vezes as melhores clientes para os pequenos produtores org\u00e2nicos que vendem nas feiras de agricultores e especialmente aqueles que usam cestas sazonais para atrair os clientes que possuem uma escolha ilimitada no sistema de mercado central, para uma alimenta\u00e7\u00e3o sazonal que aceita os altos e baixos da abund\u00e2ncia, diversidade e qualidade como parte da realidade de um sistema alimentar local e resiliente. Em 1991, argumentei que \u00e9 prov\u00e1vel que uma na\u00e7\u00e3o de jardineiros estivesse preparada para pagar um pre\u00e7o justo aos agricultores e apoiar pol\u00edticas que favore\u00e7am aqueles que produzem alimentos como meio de subsist\u00eancia. Acredito que foi a desconex\u00e3o da realidade do trabalho com a natureza que permitiu pol\u00edticas que apoiam o fornecimento confi\u00e1vel durante todo o ano de <em>junk food<\/em> padronizado e barato, controlado por grandes empresas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na nossa pr\u00f3pria experi\u00eancia ao longo dos \u00faltimos dez anos, criando e gerindo um h\u00edbrido informal entre o esquema de cestas CSA, a partilha de produtos secos e a redistribui\u00e7\u00e3o do excedente familiar, temos visto uma rotatividade de clientes de cestas \u00e0 medida que alguns se tornam produtores dom\u00e9sticos mais competentes e s\u00e3o substitu\u00eddos por outros que querem ir al\u00e9m da compra selecionada em mercearias e feiras de agricultores locais. Ao mesmo tempo, compreendemos que os n\u00fameros que chegam \u00e0s feiras de agricultores e \u00e0s mercearias locais continuam aumentando, presumivelmente devido aos clientes que est\u00e3o abandonando o h\u00e1bito de ir ao <em>Coles <\/em>ou <em>Woolworths<\/em><sup><em><a href=\"#sdfootnote22sym\" id=\"sdfootnote22anc\"><sup>22<\/sup><\/a><\/em><\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 a diversidade de produtores, mercados e trocas que garante mais resili\u00eancia na constru\u00e7\u00e3o de um sistema paralelo de abastecimento alimentar que possa sobreviver aos rigores de um futuro de baixa energ\u00e9tica, incluindo a possibilidade de que a replica\u00e7\u00e3o viral das estrat\u00e9gias e dos sistemas mais bem-sucedidos possa um dia substituir um sistema alimentar industrial cada vez mais centralizado e disfuncional. A permacultura oferece poderosos princ\u00edpios de organiza\u00e7\u00e3o e estrat\u00e9gias que podemos aplicar nos nossos esfor\u00e7os para sobreviver e prosperar, cultivando por n\u00f3s pr\u00f3prios, intercambiando excedentes, explorando a natureza e os res\u00edduos, e apoiando os produtores \u00e0s margens da economia formal. N\u00e3o devemos hesitar em aproveitar os res\u00edduos dos sistemas centralizados controlados pelas empresas e a abund\u00e2ncia dos excedentes da natureza, enquanto nos concentramos na importante tarefa de desenvolver as compet\u00eancias dos produtores dom\u00e9sticos e do mercado local.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a>Agradecimentos<\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agrade\u00e7o \u00e0 equipe do Holmgren Design e ao pr\u00f3prio David Holmgren por concederem autoriza\u00e7\u00e3o para realizar essa tradu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#sdfootnote1anc\" id=\"sdfootnote1sym\">1<\/a><em> &#8211; Nutricionista, Mestranda no programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Nutri\u00e7\u00e3o da Universidade Federal de Santa Catarina, <a href=\"mailto:yasmin_ekm@hotmail.com\">yasmin_ekm@hotmail.com<\/a>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#sdfootnote2anc\" id=\"sdfootnote2sym\">2<\/a> &#8211; Defini\u00e7\u00e3o da FAO (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura). Food Security Information for Action Practical Guides: An Introduction to the Basic Concepts of Food Security. 2008. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.fao.org\/4\/al936e\/al936e00.pdf\"><u>https:\/\/www.fao.org\/4\/al936e\/al936e00.pdf<\/u><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#sdfootnote3anc\" id=\"sdfootnote3sym\">3<\/a> &#8211; O glifosato \u00e9 um agrot\u00f3xico herbicida que faz parte dos ingredientes ativos do produto comercialmente conhecido como <em>Roundup<\/em>. A empresa que o apresentou ao mercado em 1974 foi a Monsanto, que manteve a patente at\u00e9 2000. Fonte: <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/mundo\/noticias-53180741\"><u>BBC News Mundo<\/u><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#sdfootnote4anc\" id=\"sdfootnote4sym\">4<\/a> &#8211; Tendo j\u00e1 levado a limites absurdos nos tribunais o conceito de direitos de propriedade intelectual, a Monsanto roubou efetivamente esses genes criados pelos agricultores sem compensa\u00e7\u00e3o \u00e0queles que fornecem os laborat\u00f3rios agr\u00edcolas gratuitos para o pr\u00f3ximo salto estrat\u00e9gico da corpora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#sdfootnote5anc\" id=\"sdfootnote5sym\">5<\/a> &#8211; <em>Coles <\/em>\u00e9 uma grande rede de supermercados australiana<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#sdfootnote6anc\" id=\"sdfootnote6sym\">6<\/a> &#8211; Trabalho de um \u201cativista da permacultura\u201d no departamento de planejamento da Austr\u00e1lia do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#sdfootnote7anc\" id=\"sdfootnote7sym\">7<\/a> &#8211; Rede global de trabalhadores dispostos em fazendas org\u00e2nicas &#8211; WWOOF <a href=\"https:\/\/wwoof.net\/\">https:\/\/wwoof.net\/<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#sdfootnote8anc\" id=\"sdfootnote8sym\">8<\/a><sup><\/sup>&#8211; <em>A Via Campesina ou Movimento Campon\u00eas Internacional, com cerca de 150 organiza\u00e7\u00f5es, \u201ccoordena organiza\u00e7\u00f5es camponesas de pequenos e m\u00e9dios produtores, trabalhadores agr\u00edcolas, mulheres rurais e comunidades ind\u00edgenas da \u00c1sia, \u00c1frica, Am\u00e9rica e Europa\u201d. <\/em><a href=\"http:\/\/viacampesina.org\/en\/\"><em><u>http:\/\/viacampesina.org\/en\/<\/u><\/em><\/a><em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#sdfootnote9anc\" id=\"sdfootnote9sym\">9<\/a> &#8211; <em>Consulte o site da AFSA. Plano alimentar para a popula\u00e7\u00e3o <\/em><a href=\"http:\/\/www.australianfoodsovereigntyalliance.org\/peoples-%E2%80%90food-%E2%80%90plan\"><em><u>http:\/\/www.australianfoodsovereigntyalliance.org\/peoples-\u2010food-\u2010plan<\/u><\/em><\/a><em> \/ em resposta ao <\/em><a href=\"https:\/\/catalogue.nla.gov.au\/catalog\/6102353\"><em><u>Plano Alimentar Nacional <\/u><\/em><\/a><em>do governo federal.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#sdfootnote10anc\" id=\"sdfootnote10sym\">10<\/a> &#8211; Os sub\u00farbios na Austr\u00e1lia tem caracter\u00edsticas bastante distintas do que conhecemos como sub\u00farbio ou periferia no Brasil. Um sub\u00farbio australiano \u00e9 geralmente estabelecido a partir de uma l\u00f3gica urbana de ocupa\u00e7\u00e3o horizontal, com espa\u00e7amento entre as casas e \u00e1reas verdes, enquanto no Brasil a l\u00f3gica urbana \u00e9 vertical, com alta concentra\u00e7\u00e3o de pessoas e em edif\u00edcios com pequenos apartamentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#sdfootnote11anc\" id=\"sdfootnote11sym\">11<\/a> &#8211; Os povos abor\u00edgines australianos s\u00e3o descendentes daqueles que habitavam primeiramente o que hoje conhecemos por Austr\u00e1lia, um territ\u00f3rio que come\u00e7ou a ser colonizado pela Gr\u00e3-Bretanha em 1788. Atualmente os povos abor\u00edgenes representam apenas 3,8% da popula\u00e7\u00e3o australiana. Fonte: AUSTRALIAN INSTITUTE OF HEALTH AND WELFARE. Profile of First Nations people. 2023. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.aihw.gov.au\/reports\/australias-welfare\/profile-of-indigenous-australians\">https:\/\/www.aihw.gov.au\/reports\/australias-welfare\/profile-of-indigenous-australians<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#sdfootnote12anc\" id=\"sdfootnote12sym\">12<\/a> &#8211; <em>Veja, por exemplo, \u201cO manual do coletor de ervas daninhas: um guia para ervas daninhas comest\u00edveis e medicinais na Austr\u00e1lia\u201d, de Adam Grubb e Annie Raser Rowland, no site Eat That Weed. <\/em><a href=\"http:\/\/www.eatthatweed.com\/\"><em><u>http:\/\/www.eatthatweed.com\/<\/u><\/em><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#sdfootnote13anc\" id=\"sdfootnote13sym\">13<\/a> &#8211;<sup> <\/sup>A Grande Depress\u00e3o, tamb\u00e9m conhecida como A Crise de 1929, foi uma crise econ\u00f4mica que afetou a economia mundial logo ap\u00f3s a quebra da Bolsa de Valores de Nova York em 1929. Fonte: <a href=\"https:\/\/brasilescola.uol.com.br\/historiag\/crise29.htm\"><u>Brasil Escola<\/u><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#sdfootnote14anc\" id=\"sdfootnote14sym\">14<\/a> &#8211; As urtigas (<em>Stachys arvensis L<\/em>.) s\u00e3o plantas bioindicadoras de solos com elevado teor de nitrog\u00eanio e falta de cobre. Fonte: <a href=\"https:\/\/www.infoteca.cnptia.embrapa.br\/bitstream\/doc\/419412\/1\/Dc093.pdf\"><u>Embrapa<\/u><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#sdfootnote15anc\" id=\"sdfootnote15sym\">15<\/a> &#8211; O autor, David Holmgren, apresenta uma abordagem integrada para compreender a intera\u00e7\u00e3o entre as Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas e o Pico Petrol\u00edfero na produ\u00e7\u00e3o de energia, utilizando um modelo de planejamento de cen\u00e1rios, dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/www.futurescenarios.org\/\"><u>Future Scenarios<\/u><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#sdfootnote16anc\" id=\"sdfootnote16sym\">16<\/a> &#8211; Para uma explora\u00e7\u00e3o fant\u00e1stica das express\u00f5es hist\u00f3ricas e modernas da tradi\u00e7\u00e3o, consulte \u201cOs Gleaners e eu\u201d (<em>Les glaneurs et la glaneuse<\/em>). <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/The_Gleaners_and_I\"><u>Wikipedia<\/u><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#sdfootnote17anc\" id=\"sdfootnote17sym\">17<\/a> &#8211; Coburg \u00e9 um sub\u00farbio em Melbourne, Victoria, Austr\u00e1lia, 8 km ao norte do Distrito Central de Melbourne.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#sdfootnote18anc\" id=\"sdfootnote18sym\">18<\/a> &#8211; <a href=\"https:\/\/www.growingabundance.org.au\/\"><em><u>Growing Abundance<\/u><\/em><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#sdfootnote19anc\" id=\"sdfootnote19sym\">19<\/a> &#8211; Castlemaine \u00e9 uma cidade no centro-oeste de Victoria, Austr\u00e1lia, na regi\u00e3o de Goldfields, a cerca de 120 quil\u00f4metros a noroeste por estrada de Melbourne e a cerca de 40 quil\u00f4metros do principal centro provincial de Bendigo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#sdfootnote20anc\" id=\"sdfootnote20sym\">20<\/a> &#8211; <a href=\"https:\/\/afsa.org.au\/\">Australian Food Sovereignty Alliance<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#sdfootnote21anc\" id=\"sdfootnote21sym\">21<\/a><em> &#8211; Junk food<\/em> \u00e9 uma express\u00e3o pejorativa para alimentos com alto teor cal\u00f3rico e baixa qualidade nutricional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#sdfootnote22anc\" id=\"sdfootnote22sym\">22<\/a><em> &#8211; Woolworths <\/em>\u00e9 outra grande rede de supermercados australiana<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Permaculture for food security and sovereignty Refer\u00eancia completa da obra que foi traduzida: HOLMGREN, David. Permaculture for food security and sovereignty. Holmgren Design, Australia, 2014. https:\/\/holmgren.com.au\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/food-for-thought.pdf. MONTEIRO, Yasmin El Kadri1 Submetido em 28abr2024. Aceito em 14jun2024. Avaliado por Maria Francisca Santos Daussy e Clovis Jos\u00e9 Fernandes de Oliveira Jr. DOI: https:\/\/doi.org\/10.5281\/zenodo.14751291 Resumo: O presente artigo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"issuem_issue":[27],"issuem_issue_categories":[],"issuem_issue_tags":[],"coauthors":[2],"class_list":["post-181","article","type-article","status-publish","format-standard","hentry","issuem_issue-primavera-2024"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/article\/181","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/article"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/types\/article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=181"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/article\/181\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":369,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/article\/181\/revisions\/369"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=181"}],"wp:term":[{"taxonomy":"issuem_issue","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/issuem_issue?post=181"},{"taxonomy":"issuem_issue_categories","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/issuem_issue_categories?post=181"},{"taxonomy":"issuem_issue_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/issuem_issue_tags?post=181"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=181"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}