{"id":109,"date":"2023-11-02T17:58:35","date_gmt":"2023-11-02T20:58:35","guid":{"rendered":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/?post_type=article&#038;p=109"},"modified":"2025-01-31T10:31:31","modified_gmt":"2025-01-31T13:31:31","slug":"e11202303","status":"publish","type":"article","link":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/article\/e11202303\/","title":{"rendered":"Casa aut\u00f4noma: pr\u00e1ticas permaculturais para habitar uma casa sustent\u00e1vel em centros urbanos"},"content":{"rendered":"<p align=\"right\">Perma \u2013 Rev. Perma \u2013 Perma jour., v. 1, n. 1, e11202303, primavera de 2023<\/p>\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-size: small\"><i><b>Autonomous <\/b><\/i><\/span><\/span><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-size: small\"><i><b>house: permacultural practices to live in a sustainable house in urban centers<\/b><\/i><\/span><\/span><i><b> <\/b><\/i><\/p>\n<p align=\"right\">\u00a0<a href=\"https:\/\/orcid.org\/0009-0007-4131-5497\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-61\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/09\/ORCIDiD_icon24x24.png\" alt=\"\" width=\"24\" height=\"24\" \/><\/a>\u00a0<span style=\"font-family: Open Sans, serif\"><span style=\"font-size: small\">DE SOUZA, Vinicius Pereira<\/span><\/span><sup><span style=\"font-family: Open Sans, serif\"><span style=\"font-size: small\"><a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote1sym\" name=\"sdfootnote1anc\">1<\/a><\/span><\/span><\/sup><span style=\"font-family: Open Sans, serif\"><span style=\"font-size: small\">; <a href=\"https:\/\/orcid.org\/0000-0001-5782-3698\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-61\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/09\/ORCIDiD_icon24x24.png\" alt=\"\" width=\"24\" height=\"24\" \/><\/a> MACHADO<\/span><\/span><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Open Sans, serif\"><span style=\"font-size: small\">, Gustavo Carvalhaes Xavier Martins Pontual<\/span><\/span><\/span><sup><a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote2sym\" name=\"sdfootnote2anc\">2<\/a> <\/sup><\/p>\n<p align=\"right\"><span style=\"font-size: small\"><i>Submetido em 11dez2022, Aceito em 14set2023<\/i><\/span><\/p>\n<p align=\"right\"><span style=\"font-size: small\"><i>Avalia\u00e7\u00e3o por Soraya N\u00f3r, Carolina Dal Soglio e Julia Lahm<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em>DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.5281\/zenodo.14775879\">https:\/\/doi.org\/10.5281\/zenodo.14775879<\/a><\/em><\/p>\n<p><b>Resumo: <\/b>Seguindo a tend\u00eancia mundial, a popula\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 majoritariamente urbana e sofre cada vez mais com os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O presente trabalho prop\u00f5e, atrav\u00e9s de uma pesquisa-a\u00e7\u00e3o, relatar experi\u00eancias de uma habita\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel em S\u00e3o Paulo, que busca por meio de pr\u00e1ticas permaculturais promover a autonomia para seus habitantes. A pesquisa-a\u00e7\u00e3o foi conduzida a partir de interven\u00e7\u00f5es, acompanhamento e sistematiza\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es na Casa do Chap\u00e9u de Sol (atual sede da rede Permacultores Urbanos, na cidade de S\u00e3o Paulo) nos seguintes campos de intera\u00e7\u00e3o: i) gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos; ii) autonomia h\u00eddrica; e iii) autonomia alimentar. No processo de sistematiza\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es, buscou-se: i) apresentar o referencial te\u00f3rico pertinente contextualizando cada eixo tem\u00e1tico; ii) apresentar as pr\u00e1ticas, os processos construtivos realizados ou projetos desenvolvidos; e iii) apresentar os resultados a partir dos aprendizados e desafios. Foram postos em pr\u00e1tica distintos m\u00e9todos de compostagem, a capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de chuva e tratamento apropriado do esgoto para fins de re\u00faso n\u00e3o pot\u00e1vel e a produ\u00e7\u00e3o de alimentos atrav\u00e9s de aquaponia e hidroponia. A experi\u00eancia provou que existem muitas pr\u00e1ticas que podem trazer sustentabilidade para o dia a dia da popula\u00e7\u00e3o paulistana e urbana, tanto realizadas individualmente, quanto de forma coletiva.<\/p>\n<p><b>Palavras-chave:<\/b> Permacultura, Permacultura urbana, Habita\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel, Compostagem, \u00c1gua de chuva<\/p>\n<p lang=\"en-US\"><b>Abstract<\/b>: Following the global trend, the Brazilian population is mostly urban and is increasingly suffering from the impacts of climate change. This work proposes, through action research, to report experiences of sustainable housing in S\u00e3o Paulo, which seeks to promote autonomy for its inhabitants through permacultural practices. The action-research was conducted based on interventions, follow-up and systematization of actions at Casa do Chap\u00e9u de Sol (current headquarters of the Permacultores Urbanos network, in the city of S\u00e3o Paulo) in the following fields of interaction: i) solid waste management; ii) water autonomy and iii) food autonomy . In the process of systematizing the information, we sought to: i) present the relevant theoretical framework, contextualizing each thematic axis; ii) present practices, construction processes carried out or projects developed; iii) present the results from lessons learned and challenges. Different composting methods were put into practice, rainwater harvesting and appropriate sewage treatment for non-potable reuse, food production through aquaponics and hydroponics and responsible management of energy resources. Experience has proven that there are many practices that can bring sustainability to the day-to-day life of the S\u00e3o Paulo and urban population, whether carried out individually or collectively.<\/p>\n<p lang=\"en-US\"><b>Keywords:<\/b> Permaculture, Urban permaculture, Sustainable housing, Composting, rainwater<\/p>\n<h1 class=\"western\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h1>\n<p>No ano de 1940, 31% da popula\u00e7\u00e3o brasileira habitava as cidades, mas nas d\u00e9cadas seguintes o pa\u00eds vivenciou um intenso processo de \u00eaxodo rural. A partir de ent\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o urbana brasileira saltou para 84,4% segundo o censo demogr\u00e1fico produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE, 2010).<\/p>\n<p>Segundo a estimativa do IBGE calculada para 2018, a popula\u00e7\u00e3o da Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo era de aproximadamente 21.571.281 habitantes (IBGE, 2010). A maior do pa\u00eds, do continente sul-americano e uma das cinco maiores aglomera\u00e7\u00f5es humanas do planeta. Os problemas socioambientais criados por esta vis\u00e3o inconsequente de ocupa\u00e7\u00e3o do uso do solo e do territ\u00f3rio urbano s\u00e3o grav\u00edssimos e este artigo aborda os seguintes temas: gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos, autonomia h\u00eddrica e autonomia alimentar.<\/p>\n<p>O atual modelo centralizado de tratamento de esgoto polui rios e prejudica a fauna e a flora dos leitos aqu\u00e1ticos urbanos e periurbanos, quando os utiliza como meio de descarte de efluentes. Quando existem redes de coleta de esgoto, as poucas e distantes esta\u00e7\u00f5es de tratamento requerem extens\u00f5es quilom\u00e9tricas de dutos.<\/p>\n<p>Segundo o (Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o e do Desenvolvimento Regional, 2019), somente 60,4% do esgoto produzido na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo \u00e9 tratado, comprovando a necessidade de revis\u00e3o do atual modelo de saneamento de esgotos em funcionamento na regi\u00e3o. Enquanto a \u201cResolu\u00e7\u00e3o conjunta SES\/SIMA n\u00ba 01, de 13 de fevereiro de 2020\u201d disciplina o re\u00faso direto n\u00e3o pot\u00e1vel de \u00e1gua, para fins urbanos, o que a pr\u00e1tica nos demonstra \u00e9 que os efluentes tratados nas esta\u00e7\u00f5es de tratamento de esgoto (ETEs) paulistas s\u00e3o utilizados para fins pot\u00e1veis (Cust\u00f3dio, 2015). \u00c9 importante frisar que a situa\u00e7\u00e3o do uso atual das \u00e1guas tratadas das ETEs para fins pot\u00e1veis pode ser danosa \u00e0 sa\u00fade &#8211; enquanto abre uma demanda de desenvolvimento de tecnologias de tratamento de esgotos descentralizados e urge para a necessidade da atualiza\u00e7\u00e3o das legisla\u00e7\u00f5es, para serem capazes de abarcar as boas pr\u00e1ticas vigentes no pa\u00eds (Mancuso et al., 2021).<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o e a gest\u00e3o inadequada dos res\u00edduos s\u00f3lidos <span style=\"color: #444746\"><span style=\"font-family: Roboto, serif\"><span style=\"font-size: small\">acarreta uma crise sanit\u00e1ria<\/span><\/span><\/span>: lix\u00f5es ocupando \u00e1reas imensas nas bordas das grandes cidades, poluindo os solos, os len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos e gerando graves quest\u00f5es sociais. Conforme o relat\u00f3rio do Panorama dos Res\u00edduos S\u00f3lidos no Brasil (ABRELPE, 2020, p. 14), \u201centre 2010 e 2019, a gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos (RSU) no Brasil registrou consider\u00e1vel incremento, passando de 67 milh\u00f5es para 79 milh\u00f5es de toneladas por ano. Por sua vez, a gera\u00e7\u00e3o <i>per capita<\/i> aumentou de 348 kg\/ano para 379 kg\/ano.\u201d<\/p>\n<p>A reciclagem e a compostagem s\u00e3o ferramentas importantes para o solucionamento dessas quest\u00f5es, mas anteriormente a elas, \u00e9 necess\u00e1rio reduzir a quantidade de res\u00edduos produzidos, garantindo uma menor produ\u00e7\u00e3o de lixo.<\/p>\n<p>O presente artigo busca apresentar a permacultura urbana a partir de pr\u00e1ticas desenvolvidas em escala dom\u00e9stica, que foram acompanhadas por meio de pesquisa-a\u00e7\u00e3o (De Souza, 2022). Esse artigo apresenta um recorte da pesquisa original, n\u00e3o abordando a tem\u00e1tica energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>No campo da permacultura urbana, abre-se espa\u00e7o para a pesquisa de solu\u00e7\u00f5es de formas descentralizadas de lidar com a produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o, saneamento, uso e reuso de \u00e1guas, gest\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos, produ\u00e7\u00e3o de alimentos e produ\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de energia el\u00e9trica. Tanto pesquisas acad\u00eamicas, quanto pr\u00e1ticas permaculturais informais e comerciais, oferecem um leque de solu\u00e7\u00f5es que geram boas perspectivas, mas ainda se faz necess\u00e1rio aprofundar o tema para melhor difus\u00e3o das tecnologias at\u00e9 agora desenvolvidas, a fim de estimular a popula\u00e7\u00e3o a um processo de transi\u00e7\u00e3o no seu modo de vida para um modo mais consciente, respons\u00e1vel e sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Assim, o objetivo deste artigo \u00e9 analisar pr\u00e1ticas permaculturais utilizadas para atender \u00e0s necessidades de gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos, autonomia h\u00eddrica e alimentar, em um contexto urbano com alta densidade demogr\u00e1fica. Para isso, foram realizadas pr\u00e1ticas permaculturais com implementa\u00e7\u00e3o e acompanhamento das a\u00e7\u00f5es na Casa do Chap\u00e9u de Sol e as mesmas foram sistematizadas com an\u00e1lise dos resultados, apresentando aprendizados e desafios no processo de adapta\u00e7\u00f5es da resid\u00eancia, propiciando que as pr\u00e1ticas possam ser reaplic\u00e1veis em outros contextos urbanos.<\/p>\n<p>A casa fica situada no bairro Cidade dos Bandeirantes, h\u00e1 dois quarteir\u00f5es do Parque da Joia, \u00e1rea p\u00fablica que um dia abrigou uma favela e que hoje vem sendo cuidada pelos moradores da Casa do Chap\u00e9u de Sol em conjunto com outros moradores locais. A casa \u00e9 habitada por dois homens adultos: o autor deste artigo (pai de duas meninas) e seu amigo, o permacultor Gilberto Santana (pai de um menino). As crian\u00e7as filhas do autor ficam na casa em finais de semana alternados e o filho do Gilberto metade da semana. Durante o per\u00edodo da pesquisa, de mar\u00e7o de 2020 at\u00e9 setembro de 2021, as crian\u00e7as passaram a maior parte do tempo na casa (em m\u00e9dia cinco dias da semana). Ambos os moradores adultos trabalham com m\u00fasica e com educa\u00e7\u00e3o ambiental. Al\u00e9m de moradia dos m\u00fasicos e seus filhos, a casa \u00e9 tamb\u00e9m local de trabalho de ambos. Ali s\u00e3o realizados ensaios, os estudos musicais di\u00e1rios e \u00e9 tamb\u00e9m o escrit\u00f3rio dos dois profissionais que trabalham tamb\u00e9m como produtores musicais. S\u00e3o realizadas ali tamb\u00e9m as pr\u00e9-produ\u00e7\u00f5es dos cursos e oficinas realizados pela rede Permacultores Urbanos, como de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de chuva, compostagem, plantio etc.<\/p>\n<p>Este artigo demonstra um recorte das experi\u00eancias, a partir dos aprendizados, boas pr\u00e1ticas, desafios, servindo de refer\u00eancia para a sua continuidade, tanto pelo autor, quanto por outros pesquisadores\/permacultores, com o intuito de fomentar a difus\u00e3o do conceito de Casa Aut\u00f4noma, tanto entre o p\u00fablico com poder aquisitivo para contratar servi\u00e7os de empresas especializadas, quanto entre o p\u00fablico com menor poder aquisitivo, capaz de realizar adapta\u00e7\u00f5es de baixo custo em suas casas, muitas localizadas nas periferias dos grandes centros urbanos.<\/p>\n<h1 class=\"western\">Referencial te\u00f3rico<\/h1>\n<p>A permacultura surgiu na Austr\u00e1lia na d\u00e9cada de 1970 em resposta \u00e0 \u201ccrise civilizat\u00f3ria\u201d que se imp\u00f5e ao meio ambiente. Seus criadores, os acad\u00eamicos Bill Mollison e seu aluno David Holmgren buscavam formas de desenvolver um sistema agr\u00edcola sustent\u00e1vel, que chamaram de permacultura (Mollison &amp; Slay, 1998). O termo era ent\u00e3o uma abrevia\u00e7\u00e3o de \u201cAgricultura Permanente\u201d. Mas esse conceito foi se transformando ao longo dos anos, como explica o N\u00facleo de Estudos em Permacultura da Universidade Federal de Santa Catarina (2018):<\/p>\n<blockquote class=\"western\"><p>Nos dias atuais, a permacultura transpassa desde a compreens\u00e3o da ecologia, da leitura da paisagem, do reconhecimento de padr\u00f5es naturais, do uso de energias e do bem manejar os recursos naturais, com o intuito de planejar e criar ambientes humanos sustent\u00e1veis e produtivos em equil\u00edbrio e harmonia com a natureza. (NEPerma\/UFSC, 2018).<\/p><\/blockquote>\n<p>David Holmgren, afirma j\u00e1 no t\u00edtulo do seu livro \u201cPermacultura: princ\u00edpios e caminhos al\u00e9m da sustentabilidade\u201d (Holmgren, 2013), que \u00e9 poss\u00edvel habitarmos o planeta gerando um impacto positivo, ou seja, reconstituindo \u00e1reas danificadas pela explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais e oferecendo \u00e0 natureza espa\u00e7o para que a biodiversidade possa voltar a crescer e se intensificar.<\/p>\n<p>As principais refer\u00eancias para a realiza\u00e7\u00e3o deste trabalho s\u00e3o os fundadores do conceito da permacultura, os australianos Bill Mollison e David Holmgren. O conceito de permacultura nasceu no campo e tinha como ideia inicial ajudar os agricultores a planejar as suas propriedades rurais interconectando os elementos do s\u00edtio, ajudando-os a trazer mais efici\u00eancia ao seu trabalho do dia a dia, utilizando-se da menor quantidade de esfor\u00e7o poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Quando lan\u00e7a o livro \u201cRetrosuburbia\u201d, Holmgren (2018) oferece uma abordagem permacultural adaptada \u00e0 realidade dos sub\u00farbios dos centros urbanos australianos, adaptando o conceito da permacultura para a realidade suburbana daquele pa\u00eds. No Brasil, a realidade suburbana se difere da australiana em muitos aspectos, visto que l\u00e1 as casas possuem grandes \u00e1reas verdes e s\u00e3o ocupadas em grande parte pela classe m\u00e9dia australiana. J\u00e1 no Brasil, as \u00e1reas que margeiam os centros urbanos s\u00e3o ocupadas por uma popula\u00e7\u00e3o pobre, com um alto \u00edndice de densidade demogr\u00e1fica e pouqu\u00edssima \u00e1rea dispon\u00edvel para cultivo.<\/p>\n<p>A partir dessa compreens\u00e3o, \u00e9 essencial analisar o contexto urbano brasileiro e criar pr\u00e1ticas e metodologias que dialoguem com essa realidade. N\u00f3r et al. (2019) aplicaram o conceito de permacultura urbana para a cidade de Florian\u00f3polis, o que representa um avan\u00e7o para a permacultura urbana no Brasil. No entanto, falta uma adapta\u00e7\u00e3o para a realidade de S\u00e3o Paulo, que apresenta maior adensamento e condi\u00e7\u00f5es complexas para apropria\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas de permacultura.<\/p>\n<p>A permacultura \u00e9 considerada uma ci\u00eancia hol\u00edstica de cunho socioambiental que conecta os saberes tradicionais com a sistematiza\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, unindo as experi\u00eancias provenientes de pesquisas te\u00f3ricas com conhecimentos adquiridos atrav\u00e9s de pesquisas pr\u00e1ticas realizadas por pessoas sem liga\u00e7\u00f5es com o meio erudito. Sabedoria ancestral e tecnologia de vanguarda trabalhando juntas, regidas por princ\u00edpios \u00e9ticos, cuidando do futuro dos seres humanos e do restante da natureza, da qual um dia nos esquecemos que somos parte.<\/p>\n<blockquote class=\"western\"><p>Um dos grandes trunfos da permacultura \u00e9 o de justamente conectar mundos apartados temporal, cultural e territorialmente, fazendo a fus\u00e3o dos conhecimentos tradicionais e das novas tecnologias, buscando extrair o melhor dos dois mundos com o intuito de apresentar alternativas concretas e vi\u00e1veis. (Ferreira-Neto, Djalma Nery, 2018, p. 62).<\/p><\/blockquote>\n<p>\u00c9 Importante tamb\u00e9m revisitar o significado do termo autonomia, que pode ser associado \u00e0 ideia de independ\u00eancia, ou seja: a desassocia\u00e7\u00e3o de um ser com rela\u00e7\u00e3o ao outro, a habilidade de responder por si mesmo. Assim, conforme o Dicion\u00e1rio Aur\u00e9lio, autonomia significa: a faculdade de se governar por si (Ferreira, 1999). No presente estudo, a palavra autonomia ganha sentido a partir de outro ponto de vista: a ideia do poder de escolha.<\/p>\n<p>O tema da autonomia aparece na literatura acad\u00eamica, em alguns casos, vinculado \u00e0 ideia de participa\u00e7\u00e3o social, e, em outros, vinculado \u00e0 ideia de amplia\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no que tange \u00e0 descentraliza\u00e7\u00e3o e desconcentra\u00e7\u00e3o do poder (Martins, 2001).<\/p>\n<p>Ampliando esse conceito, para os autores, uma casa aut\u00f4noma \u00e9 \u201cuma resid\u00eancia planejada de tal maneira, que consegue oferecer aos seus habitantes o poder de escolha entre a gera\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria dos recursos a serem utilizados, ou a intera\u00e7\u00e3o e consumo externo desses recursos, ou ainda uma mistura de todas, dependendo da conveni\u00eancia, efici\u00eancia ou viabilidade de cada contexto urbano\u201d. Esse conceito \u00e9 demonstrado a partir de um diagrama<sup><a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote1sym\" name=\"sdfootnote1anc\">1<\/a><\/sup> que traz graficamente o conceito e funcionamento de uma casa aut\u00f4noma, conforme mostra a Figura 1.<\/p>\n<div id=\"attachment_117\" style=\"width: 710px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/irp.cdn-website.com\/163b808b\/dms3rep\/multi\/casa-autonoma.gif\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-117\" class=\"wp-image-117 size-large\" src=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/11\/figura1-700x495.png\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"495\" srcset=\"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/11\/figura1-700x495.png 700w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/11\/figura1-300x212.png 300w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/11\/figura1-768x543.png 768w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/11\/figura1-1536x1086.png 1536w, https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/11\/figura1.png 2048w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-117\" class=\"wp-caption-text\">Figura 1: Casa Aut\u00f4noma. Fonte: Vinicius Pereira de Souza (De Souza, 2022).<\/p><\/div>\n<p>Para oferecer esta autonomia aos seus habitantes, uma resid\u00eancia aut\u00f4noma interconecta sistemas, redes energ\u00e9ticas, h\u00eddricas e humanas e, portanto, n\u00e3o pode ser vista como geradora de independ\u00eancia, porque se compreende parte de um sistema integrado, uma rede interdependente que oferece multiplicidade de escolhas aos seus usu\u00e1rios exatamente por conta das suas conex\u00f5es. As ferramentas oferecidas pelo m\u00e9todo de planejamento permacultural proposto por Mollison e Holmgren foram muito \u00fateis na tarefa de interconectar os fluxos energ\u00e9ticos da casa.<\/p>\n<p>Assim, coube no recorte deste artigo discorrer sobre a utiliza\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas permaculturais a partir da pesquisa-a\u00e7\u00e3o, que consiste em elucidar problemas sociais ou t\u00e9cnicos, relevantes para a sociedade, por interm\u00e9dio de pesquisadores membros da situa\u00e7\u00e3o-problema que em parceria com outros atores interessados em resolver as quest\u00f5es propostas. No nosso caso as empresas, pessoas e coletivos parceiros se unem para aprimorar processos e desenvolver novas respostas, apoiados em referenciais te\u00f3ricos que constituem a base para a elabora\u00e7\u00e3o de conceitos, as linhas de interpreta\u00e7\u00e3o e as demais informa\u00e7\u00f5es colhidas durante a investiga\u00e7\u00e3o (Thiollent, Michel, 2022).<\/p>\n<p>Assim, foi escolhida a pesquisa-a\u00e7\u00e3o como m\u00e9todo principal para produzir a intera\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria entre o pesquisador e os atores parceiros, desde o planejamento das a\u00e7\u00f5es, seguido da implementa\u00e7\u00e3o, acompanhamento e sistematiza\u00e7\u00e3o, promovendo um aprendizado horizontal na constru\u00e7\u00e3o das solu\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s do di\u00e1logo e da troca de informa\u00e7\u00f5es ao longo do processo.<\/p>\n<p>Como foram analisadas pr\u00e1ticas permaculturais, uma revis\u00e3o te\u00f3rica das mesmas \u00e9 apresentada a seguir, considerando: a gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos, a autonomia h\u00eddrica e alimentar.<\/p>\n<h2 class=\"western\"><a name=\"_fcv67oo0zwgd\"><\/a>Gest\u00e3o de Res\u00edduos s\u00f3lidos<\/h2>\n<p>Uma adequada gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos consiste na separa\u00e7\u00e3o dos mesmos em uma primeira etapa. Os res\u00edduos secos &#8211; basicamente embalagens &#8211; devem ser destinados para a reciclagem e os res\u00edduos \u00famidos &#8211; material\u00a0org\u00e2nico &#8211;\u00a0destinados para a compostagem. H\u00e1 tamb\u00e9m uma parte de res\u00edduos org\u00e2nicos que n\u00e3o s\u00e3o compost\u00e1veis no m\u00e9todo da vermicompostagem dom\u00e9stica e tamb\u00e9m s\u00e3o inapropriados para a compostagem em leiras de compostagem comunit\u00e1rias, como os pap\u00e9is higi\u00eanicos usados nos banheiros, que acabam sendo destinados ao aterro sanit\u00e1rio atrav\u00e9s do sistema de coleta de lixo municipal (Zanta, Viviana Maria, 2013).<\/p>\n<h3 class=\"western\">Vermicompostagem<\/h3>\n<p>Existem algumas formas diferentes de se realizar uma compostagem dom\u00e9stica. A forma mais difundida no Brasil \u00e9 a vermicompostagem, mais especificamente o minhoc\u00e1rio, que utiliza minhocas para decompor os res\u00edduos org\u00e2nicos provenientes da cozinha de uma resid\u00eancia ou estabelecimento comercial. O produto \u00e9 o resultado da combina\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o de minhocas e da microflora que habita seu trato digestivo, dando origem ao vermicomposto, tamb\u00e9m conhecido como h\u00famus de minhoca (Amorin et al., 2016). Al\u00e9m do h\u00famus de minhoca, o processo de vermicompostagem produz tamb\u00e9m um efluente que pode ser utilizado como biofertilizante l\u00edquido. Lopes et al. (2020) revela que o \u201cchorume\u201d obtido a partir do processo de vermicompostagem de res\u00edduos org\u00e2nicos dom\u00e9sticos \u00e9 ben\u00e9fico \u00e0s plantas por ser rico em nutrientes e horm\u00f4nios, al\u00e9m de proteg\u00ea-las contra doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Como resultado do processo de vermicompostagem feito com minhocas obt\u00eam-se dois produtos. O h\u00famus de minhoca. que consiste em um adubo preto nutritivo e se constitui em um excelente composto org\u00e2nico para as plantas, rico em nutrientes. H\u00e1, tamb\u00e9m, o biofertilizante l\u00edquido, uma solu\u00e7\u00e3o altamente concentrada de nutrientes de colora\u00e7\u00e3o escura, que deve ser dilu\u00edda tanto para uso como adubo foliar, quanto para a aplica\u00e7\u00e3o no solo. A utiliza\u00e7\u00e3o do minhoc\u00e1rio \u00e9 simples, popular, havendo na internet, um vasto conte\u00fado sobre a montagem e manejo de um minhoc\u00e1rio dom\u00e9stico<sup><a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote2sym\" name=\"sdfootnote2anc\">2<\/a><\/sup>.<\/p>\n<p>Apesar de aceitar a maioria dos res\u00edduos org\u00e2nicos provenientes da cozinha, a vermicompostagem possui certas limita\u00e7\u00f5es. Restos de alimentos pr\u00e9-cozidos, salgados e de origem animal, n\u00e3o devem ser utilizados. Cascas de cebola, alho, alimentos c\u00edtricos ou outros alimentos \u00e1cidos, como o abacaxi, tamb\u00e9m devem ser evitados no processo. H\u00e1 uma toler\u00e2ncia aceit\u00e1vel para os \u00faltimos alimentos citados, mas existem outras formas de compostagem mais adequadas para os mesmos.<\/p>\n<h3 class=\"western\"><a name=\"_egg8m4dt85p5\"><\/a>Enzimas c\u00edtricas<\/h3>\n<p>As enzimas do lixo s\u00e3o um produto resultante de um processo de fermenta\u00e7\u00e3o que gera ao t\u00e9rmino do seu processo um catalisador que, em conjunto com o sab\u00e3o, potencializa o processo de remo\u00e7\u00e3o de gorduras. \u00c9 utilizado em pa\u00edses do oriente para a despolui\u00e7\u00e3o das \u00e1guas (Nazim, 2013), cuidados com a sa\u00fade humana, fertiliza\u00e7\u00e3o de \u00e1reas agricult\u00e1veis, entre outros fins.<\/p>\n<p>A enzima c\u00edtrica \u00e9 um produto l\u00edquido resultante do processo de fermenta\u00e7\u00e3o de res\u00edduos de alimentos c\u00edtricos. Sua forte acidez &#8211; quando pronta seu pH est\u00e1 em torno de 3,5 &#8211; a torna um potente desinfetante e sua col\u00f4nia viva de bact\u00e9rias e leveduras produzem enzimas catalisadoras que aceleram os processos qu\u00edmicos e tornam mais r\u00e1pida e eficiente a remo\u00e7\u00e3o de gorduras, quando associada ao uso de sab\u00f5es ou detergentes. As caracter\u00edsticas deste fermentado caseiro podem ser utilizadas para fins de limpeza de objetos e superf\u00edcies e tamb\u00e9m de higiene de alimentos, sem oferecer qualquer risco \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente (Permacultores Urbanos, 2021)<\/p>\n<h3 class=\"western\"><a name=\"_4dt1fkwm5vlq\"><\/a>Compostagem comunit\u00e1ria em leira termof\u00edlica de aera\u00e7\u00e3o passiva<\/h3>\n<p>H\u00e1 200 metros da Casa do Chap\u00e9u de Sol encontra-se uma \u00e1rea p\u00fablica chamada de Parque da Joia. L\u00e1 \u00e9 utilizado um m\u00e9todo de compostagem difundido pela Universidade Federal de Santa Catarina, que ganhou repercuss\u00e3o nacional atrav\u00e9s do projeto \u201cRevolu\u00e7\u00e3o dos Baldinhos\u201d (Abreu, 2013). At\u00e9 o ano de 2007 havia no local a antiga Favela da Joia. A prefeitura realizou a remo\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias neste ano, ap\u00f3s o t\u00e9rmino da constru\u00e7\u00e3o de um conjunto habitacional que as recebeu. A \u00e1rea da favela foi ent\u00e3o aterrada e depois abandonada pelo poder p\u00fablico. Desde 2011 a comunidade local vem se empenhando em dar vida ao espa\u00e7o e, desde 2019, pratica a compostagem comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>O processo de compostagem \u00e9 constitu\u00eddo por leiras compostas de pequenas pilhas de material org\u00e2nico que s\u00e3o montadas mesclando materiais ricos em nitrog\u00eanio (\u00famidos) e materiais ricos em carbono (secos, acastanhados). O processo de compostagem dos materiais acontece em dois est\u00e1gios: o primeiro \u00e9 microbiol\u00f3gico, quando acontece a decomposi\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias aer\u00f3bias. A a\u00e7\u00e3o dessas bact\u00e9rias produz calor e por este motivo este est\u00e1gio \u00e9 conhecido por termof\u00edlico. Quando bem equalizada a rela\u00e7\u00e3o de carbono e nitrog\u00eanio, a temperatura interna de uma leira est\u00e1tica pode atingir os 70 \u00baC.<\/p>\n<p>Quando o est\u00e1gio termof\u00edlico termina e a temperatura da leira baixa, os insetos presentes no solo come\u00e7am a participar da decomposi\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos org\u00e2nicos e passamos a partir desse momento a entrar na fase fria (humifica\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>O processo completo dura cerca de 90 dias e produz um adubo org\u00e2nico rico em nutrientes que pode ser utilizado para o plantio de \u00e1rvores, plantas arbustivas, hortali\u00e7as e demais plantas que gostam de solos ricos em nutrientes. As leiras est\u00e1ticas feitas no Parque da Joia possuem o seu fundo perme\u00e1vel e, portanto, todos os efluentes l\u00edquidos provenientes do processo s\u00e3o infiltrados no solo, beneficiando as plantas que se encontram abaixo das leiras no terreno.<\/p>\n<h2 class=\"western\">Autonomia h\u00eddrica<\/h2>\n<p>A crise h\u00eddrica que assolou a regi\u00e3o sudeste do Brasil no ano de 2014 fez com que a Casa do Chap\u00e9u de Sol ficasse tr\u00eas dias sem abastecimento de \u00e1guas fornecidas pela SABESP. As imagens da seca nos reservat\u00f3rios do sistema Cantareira de abastecimento de \u00e1gua municipal <span style=\"color: #444746\"><span style=\"font-family: Roboto, serif\"><span style=\"font-size: small\">alarmou os residentes da casa<\/span><\/span><\/span>.<\/p>\n<p>Esse fato revelou a fragilidade do sistema p\u00fablico de abastecimento de \u00e1gua e demonstrou a necessidade de se redesenhar as pr\u00e1ticas de coleta, armazenamento e tratamento de \u00e1gua em menores escalas, para garantir uma autonomia h\u00eddrica, tanto local, quanto regional. \u00c9 a partir desse paradigma, que as a\u00e7\u00f5es conduzidas na casa aut\u00f4noma buscaram atuar para trazer uma independ\u00eancia, tanto na coleta, quanto no armazenamento e tratamento da \u00e1gua, para garantir uma autonomia h\u00eddrica completa.<\/p>\n<p>Um projeto de autonomia h\u00eddrica para uma resid\u00eancia contempla estas solu\u00e7\u00f5es de fontes de abastecimento alternativas \u00e0 concession\u00e1ria, propiciando aos seus moradores um maior per\u00edodo com \u00e1gua em seus reservat\u00f3rios, mesmo com a falta de fornecimento de \u00e1gua por parte da concession\u00e1ria local &#8211; uma preocupa\u00e7\u00e3o pertinente ap\u00f3s a severa crise h\u00eddrica de 2014 (Cust\u00f3dio, 2015) &#8211; utilizando a \u00e1gua de chuva, do len\u00e7ol fre\u00e1tico ou mesmo a \u00e1gua de reuso produzida em casa como fontes secund\u00e1rias ao abastecimento local.<\/p>\n<h3 class=\"western\"><a name=\"_wntjuqz1clas\"><\/a>Mini cisterna para reservar \u00e1gua de chuva<\/h3>\n<p>A minicisterna foi uma cria\u00e7\u00e3o do desenvolvedor de tecnologias de baixo custo Edison Urbano, respons\u00e1vel pelo portal Sempre Sustent\u00e1vel<a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote3sym\" name=\"sdfootnote3anc\"><sup>3<\/sup><\/a>, onde compartilha manuais de todos os sistemas desenvolvidos por si. A ideia principal do conceito \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o do sistema de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de chuva para uma bombona, um reservat\u00f3rio reutilizado com volumes entre 200 e 280 litros.<\/p>\n<h3 class=\"western\"><a name=\"_5pzqd35wrjs3\"><\/a>Tratamento de esgoto por Ultragota<\/h3>\n<p>Para o tratamento adequado do esgoto foi utilizado o sistema cedido em parceria pela empresa de engenharia Vecchi Ambiental, chamado UltraGota. Trata-se de um reator biol\u00f3gico com membrana (MBR &#8211; membranas submersas em reatores biol\u00f3gicos), um sistema compacto de saneamento de esgoto domiciliar capaz de tratar esgoto de at\u00e9 oito pessoas e produzir \u00e1gua limpa capaz de atender as necessidades n\u00e3o pot\u00e1veis da casa<sup><a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote4sym\" name=\"sdfootnote4anc\">4<\/a><\/sup>. O sistema possui duas etapas complementares de tratamento\/desinfec\u00e7\u00e3o, sendo a primeira biol\u00f3gica e a segunda mec\u00e2nica (De Souza, 2022).<\/p>\n<h2 class=\"western\"><a name=\"_44ffy84m89rn\"><\/a>Autonomia Alimentar<\/h2>\n<h3 class=\"western\"><a name=\"_o1iqf41p06jr\"><\/a>Aquaponia<\/h3>\n<p>A aquaponia promove a integra\u00e7\u00e3o entre a piscicultura e a hidroponia, ou seja, uma forma de se produzir peixes e vegetais num sistema integrado que imita a natureza.<\/p>\n<blockquote class=\"western\"><p>O fornecimento de ra\u00e7\u00e3o aos peixes \u00e9 a entrada de insumo mais importante num sistema aquap\u00f4nico. Os peixes se alimentam da ra\u00e7\u00e3o e produzem excretas convertidas em nutrientes que, posteriormente, ser\u00e3o absorvidos pelas plantas. Na aquaponia, h\u00e1 um fluxo cont\u00ednuo de nutrientes entre diferentes organismos vivos que est\u00e3o relacionados por meio de ciclos biol\u00f3gicos naturais, notadamente a nitrifica\u00e7\u00e3o promovida por bact\u00e9rias. Bact\u00e9rias nitrificantes dos g\u00eaneros nitrosomonas e nitrobacter s\u00e3o respons\u00e1veis pela convers\u00e3o da am\u00f4nia (NH<sub>3<\/sub>) em nitrito (NO<sub>2<\/sub> ) e este em nitrato (NO<sub>3<\/sub>), transformando subst\u00e2ncias t\u00f3xicas produzidas pelos peixes em nutrientes assimil\u00e1veis pelas plantas. Ao consumir esses nutrientes, as plantas, com as bact\u00e9rias, desempenham papel importante na filtragem biol\u00f3gica da \u00e1gua, garantindo sua condi\u00e7\u00e3o adequada para o desenvolvimento normal dos peixes (Carneiro et al., 2015, p. 11).<\/p><\/blockquote>\n<p>Ainda segundo Carneiro et al. (2015), em pa\u00edses como Estados Unidos, Austr\u00e1lia e Canad\u00e1 j\u00e1 existem grandes empresas comercializando equipamentos especializados para aquaponia e tamb\u00e9m consultoria tanto para grandes produtores quanto para aquaponia de quintal. O autor tamb\u00e9m relata o uso da aquaponia como ferramenta pedag\u00f3gica, afirmando que \u201csistemas simples e compactos de aquaponia podem se tornar ferramentas de ensino muito eficientes para integrar temas t\u00e3o distantes quanto biologia, sustentabilidade, f\u00edsica, qu\u00edmica, matem\u00e1tica, economia e engenharia\u201d (Carneiro et al., 2015, p. 10).<\/p>\n<p>Segundo Alfaro &amp; In\u00e1cio (2017, p. 10), \u201cesta tecnologia \u00e9 livre de pesticidas e fertilizantes qu\u00edmicos, utiliza at\u00e9 90% menos \u00e1gua que a cultura convencional e outros recursos naturais, sendo uma excelente solu\u00e7\u00e3o para ambientes urbanos como casas e pr\u00e9dios\u201d.<\/p>\n<h3 class=\"western\">Hidroponia<\/h3>\n<p>A hidroponia \u00e9 um sistema de produ\u00e7\u00e3o de plantas sem solo. Produzidas diretamente na \u00e1gua com adi\u00e7\u00e3o de minerais, as plantas crescem r\u00e1pido, o controle de nutrientes \u00e9 facilmente ajust\u00e1vel e a quantidade de \u00e1gua utilizada na sua produ\u00e7\u00e3o \u00e9 menor do que num sistema convencional.<\/p>\n<blockquote class=\"western\"><p>O termo hidroponia vem das palavras gregas <i>hydro<\/i> = \u00e1gua e ponos = trabalho, significando, assim, &#8220;trabalho da \u00e1gua\u201d. Esta t\u00e9cnica tem sido, provavelmente, o mais importante instrumento de pesquisa para estudar a composi\u00e7\u00e3o das plantas, sua forma de crescimento, os nutrientes de que necessitam e as respostas que apresentam \u00e0s varia\u00e7\u00f5es ambientais. Ela vem sendo utilizada desde tempos remotos, como nos jardins suspensos da Babil\u00f4nia e nos jardins flutuantes dos astecas, no M\u00e9xico. Popularizou-se a partir da d\u00e9cada de 30, mas foi a partir da d\u00e9cada de 80 que a hidroponia se tornou uma pr\u00e1tica comercial para a produ\u00e7\u00e3o de hortali\u00e7as (Carrijo &amp; Makishima, 2000, p. 2).<\/p><\/blockquote>\n<h1 class=\"western\">Metodologia<\/h1>\n<p>A partir da metodologia da pesquisa-a\u00e7\u00e3o, esse estudo implementou e acompanhou solu\u00e7\u00f5es trazidas pela permacultura urbana para atender as necessidades dos habitantes de uma Casa Aut\u00f4noma com rela\u00e7\u00e3o aos seguintes recursos: a \u00e1gua oferecida pela concession\u00e1ria, ou a armazenada pelas suas cisternas; a produ\u00e7\u00e3o de folhagens em casa ou compra da rede agroecol\u00f3gica e; a gest\u00e3o do \u201clixo\u201d (res\u00edduos s\u00f3lidos) pela empresa municipal, ou a compostagem dos res\u00edduos org\u00e2nicos <i>in loco<\/i>, como ser\u00e1 aprofundado na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Para colaborar no fomento da autonomia residencial urbana, s\u00e3o apresentados os resultados das pesquisas e as experi\u00eancias pr\u00e1ticas provenientes das adapta\u00e7\u00f5es residenciais da Casa do Chap\u00e9u de Sol, resid\u00eancia do autor do trabalho e\u00a0atual sede da rede Permacultores Urbanos situada no subdistrito do Butant\u00e3, na cidade de S\u00e3o Paulo, onde vem sendo desenvolvido o projeto-piloto de Casa Aut\u00f4noma, desde 2016.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s das adapta\u00e7\u00f5es permaculturais na Casa do Chap\u00e9u de Sol, o projeto Casa Aut\u00f4noma acompanhou a cria\u00e7\u00e3o de uma casa sustent\u00e1vel desde 2011 empiricamente. A partir de 2015 foi idealizado o desenho do conceito e aprofundadas as adapta\u00e7\u00f5es permaculturais na casa. A pesquisa-a\u00e7\u00e3o com acompanhamento das a\u00e7\u00f5es implementadas se deu de dezembro de 2020 at\u00e9 julho de 2022. Ao longo deste percurso foram implementadas altera\u00e7\u00f5es com elementos hidr\u00e1ulicos e el\u00e9tricos expostos, de forma que foi entregue, ao seu t\u00e9rmino, uma casa pedag\u00f3gica, colaborando com a evolu\u00e7\u00e3o da arquitetura sustent\u00e1vel e tamb\u00e9m com a produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado did\u00e1tico em linguagem acess\u00edvel e gratuita<sup><a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote5sym\" name=\"sdfootnote5anc\">5<\/a><\/sup>.<br \/>\nNesse sentido, a pesquisa-a\u00e7\u00e3o foi conduzida em parceria com atores interessados no campo da permacultura urbana, para acompanhamento das solu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis e desenvolvimento do conceito de Casa Aut\u00f4noma. Para isso, foram desenvolvidas propostas, projetos e consultorias na Casa do Chap\u00e9u de Sol, como projeto-piloto, conjuntamente com as empresas AguaV, Vecchi Ambiental e CityFarm Brasil.<sup><a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote6sym\" name=\"sdfootnote6anc\">6<\/a><\/sup><\/p>\n<p>Uma extensa revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica de pr\u00e1ticas permaculturais no contexto de permacultura urbana foi realizada, para conhecimento de pr\u00e1ticas e solu\u00e7\u00f5es j\u00e1 desenvolvidas no Brasil. Esse processo se deu a partir da pr\u00e1xis, que consiste em uma pr\u00e1tica atrelada \u00e0 reflex\u00e3o. Compreendendo que a teoria na permacultura \u00e9 conjugada na pr\u00e1tica e que a pr\u00e1tica transforma a teoria, buscou-se um formato espec\u00edfico, tanto na escolha das solu\u00e7\u00f5es, quanto na busca acad\u00eamica.<\/p>\n<p>A partir das solu\u00e7\u00f5es escolhidas, no di\u00e1logo entre moradores e parceiros, p\u00f4de-se compreender quais foram os referenciais te\u00f3ricos a serem estudados e para n\u00e3o dissociar teoria da pr\u00e1tica, ambas foram realizadas conjuntamente ao longo do processo. Enquanto as atividades de constru\u00e7\u00e3o, opera\u00e7\u00e3o e sistematiza\u00e7\u00e3o aconteciam, o referencial te\u00f3rico foi estudado e sistematizado, para que a teoria pudesse acompanhar as pr\u00e1ticas ao longo do processo.<\/p>\n<p>Na gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos foram realizados relatos de experi\u00eancias para diferentes formas de compostagem atrav\u00e9s de minhoc\u00e1rio (suas pot\u00eancias e limita\u00e7\u00f5es), de c\u00edtricos e produ\u00e7\u00e3o de enzimas c\u00edtricas, das folhas da \u00e1rvore Chap\u00e9u de Sol, da compostagem comunit\u00e1ria no Parque da Joia por meio do sistema termof\u00edlico por leiras est\u00e1ticas e aera\u00e7\u00e3o passiva (Ferri, 2022), suas pot\u00eancias e desafios.<\/p>\n<p>A fim de alcan\u00e7armos a autonomia h\u00eddrica, os dois primeiros passos no projeto compreenderam a avalia\u00e7\u00e3o do consumo m\u00e9dio mensal e a identifica\u00e7\u00e3o das poss\u00edveis fontes de \u00e1gua na resid\u00eancia, para ent\u00e3o avaliar quais seriam as fontes mais sustent\u00e1veis e economicamente vi\u00e1veis para atender a demanda de consumo residencial.<\/p>\n<p>Em seguida, foram realizadas relatos de experi\u00eancias de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua da chuva e seu uso ao longo do ano, considerando potenciais e limita\u00e7\u00f5es do seu uso quando comparado o consumo de \u00e1gua antes e depois da sua instala\u00e7\u00e3o. Logo ap\u00f3s, foram registrados os relatos da instala\u00e7\u00e3o e uso cotidiano do UltraGota, sistema de tratamento de esgoto em duas etapas: aer\u00f3bia (lodos ativados) e ultrafiltra\u00e7\u00e3o e, por fim, a realiza\u00e7\u00e3o de um pr\u00e9-projeto de sistema de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de chuva dimensionado para atender a 100% das necessidades h\u00eddricas da resid\u00eancia<sup><a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote7sym\" name=\"sdfootnote7anc\">7<\/a><\/sup>. O m\u00e9todo escolhido para realizar este dimensionamento foi o desenvolvido por Ripple (1883). Para obter o volume de reservat\u00f3rio ideal, foi necess\u00e1rio tabular as m\u00e9dias pluviom\u00e9tricas mensais do local, a demanda de consumo mensal e a \u00e1rea da superf\u00edcie de capta\u00e7\u00e3o, no caso, o telhado da Casa do Chap\u00e9u de Sol.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 autonomia alimentar, foram apresentados relatos das experi\u00eancias de produ\u00e7\u00e3o de alimentos no quintal da Casa do Chap\u00e9u de Sol, incluindo o plantio na terra, nos sistemas de aquaponia e hidroponia.<\/p>\n<p>Seguindo na busca por um sistema de produ\u00e7\u00e3o eficiente de alimentos, capaz de produzir a maior quantidade de plantas comest\u00edveis por metro quadrado, utilizando-se da menor quantidade de \u00e1gua poss\u00edvel, foi necess\u00e1rio considerar a insola\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel na varanda da Casa do Chap\u00e9u de Sol, que \u00e9 de seis horas de sol no ver\u00e3o e somente duas horas de sol no inverno. Assim, decidimos tentar o sistema de hidroponia vertical fabricado pela empresa CityFarm Brasil, que se interessou pelo projeto da Casa Aut\u00f4noma e doou um sistema para testes.<\/p>\n<p>No processo de sistematiza\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es, buscou-se apresentar: o referencial te\u00f3rico pertinente contextualizando cada eixo tem\u00e1tico, o processo construtivo realizado ou projeto desenvolvido e os resultados a partir dos aprendizados e desafios.<\/p>\n<p>Assim, buscou-se contrapor os dados produzidos atrav\u00e9s de experi\u00eancias pr\u00e1ticas com o suporte bibliogr\u00e1fico na sistematiza\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias, como ser\u00e1 apresentado ao longo de cada eixo nos resultados.<\/p>\n<h1 class=\"western\"><a name=\"_2s8eyo1\"><\/a> Resultados e discuss\u00e3o<\/h1>\n<h2 class=\"western\">Gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos<\/h2>\n<p>As primeiras a\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos no projeto-piloto da casa aut\u00f4noma come\u00e7aram no ano de 2011. Foram realizadas muitas experi\u00eancias atrav\u00e9s da vermicompostagem para os res\u00edduos da cozinha, assim como aprofundados os estudos sobre a destina\u00e7\u00e3o correta de res\u00edduos s\u00f3lidos secos (recicl\u00e1veis), com o intuito de experimentarmos viver numa casa \u201clixo zero\u201d.<\/p>\n<p>Atualmente, o envio de rejeito ao aterro sanit\u00e1rio tem periodicidade quinzenal e se resume a uma sacola pl\u00e1stica basicamente com papel higi\u00eanico, fios dentais e eventualmente isopores, pap\u00e9is laminados, peda\u00e7os de fita adesiva e outros poucos materiais n\u00e3o compost\u00e1veis ou recicl\u00e1veis.<\/p>\n<h3 class=\"western\">Vermicompostagem dom\u00e9stica<\/h3>\n<p>Quando iniciamos a compostagem dom\u00e9stica no ano de 2011, o uso de minhocas para a compostagem dos res\u00edduos s\u00f3lidos provenientes da cozinha trouxe certa resist\u00eancia por parte dos moradores da casa. As crian\u00e7as, que a princ\u00edpio possu\u00edam nojo, com o passar do tempo come\u00e7aram a criar simpatia pelas minhocas e o processo de vermicompostagem atrav\u00e9s do uso do minhoc\u00e1rio se tornou um ato de divers\u00e3o e prazer. Com o passar dos anos, as crian\u00e7as passaram a participar ativamente do processo de compostagem e eventualmente realizam as atividades de compostagem sozinhas, animadas pelo momento de encontro com as minhocas.<\/p>\n<p>O momento da colheita do adubo \u00e9 sem d\u00favida o de trabalho mais pesado: inverter as caixas pesadas requer bastante esfor\u00e7o f\u00edsico e pode sujar as roupas de quem faz o manejo com o h\u00famus de minhoca. Uma caixa digestora cheia pode pesar em torno de 25 Kg. Coloc\u00e1-la no ch\u00e3o, para invert\u00ea-la com a caixa do meio \u00e9 sempre um momento de aten\u00e7\u00e3o. A remo\u00e7\u00e3o da caixa sem um apoio adequado do peso no corpo, pode gerar problemas na coluna de quem realiza o manejo.<\/p>\n<p>Aprender a equilibrar as quantidades de material seco e \u00famido e a lidar com a infesta\u00e7\u00e3o de insetos indesejados foram, sem d\u00favida, os maiores aprendizados ao longo dos anos de experi\u00eancia. Aprender novas t\u00e9cnicas de compostagem para lidar com os res\u00edduos n\u00e3o compost\u00e1veis atrav\u00e9s do processo da vermicompostagem tamb\u00e9m foram parte da riqueza do processo ao longo deste per\u00edodo.<\/p>\n<h3 class=\"western\">Enzimas c\u00edtricas<\/h3>\n<p>Como as cascas de c\u00edtricos n\u00e3o podem ser compostadas no sistema de vermicompostagem por conta da sua acidez, procuramos outras formas de se utilizar esses recursos e aproveitar as propriedades presentes neles para a obten\u00e7\u00e3o de produtos ben\u00e9ficos ao funcionamento da casa, que nos ajudam a propiciar autonomia. Em 2017, entramos em contato com a produ\u00e7\u00e3o de enzimas do lixo.<\/p>\n<p>A fim de utilizarmos os res\u00edduos de c\u00edtricos n\u00e3o compostados e termos uma mat\u00e9ria-prima para a faxina e desinfec\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica, iniciamos o processo de produ\u00e7\u00e3o de enzimas do lixo utilizando somente de cascas de frutas c\u00edtricas e de outras plantas que possuem poder de desinfec\u00e7\u00e3o, limpeza, aromatiza\u00e7\u00e3o e repel\u00eancia de insetos.<\/p>\n<p>Incentivadas pela educadora e permacultora Claudia Visoni, essas experi\u00eancias iniciaram durante as forma\u00e7\u00f5es realizadas nos cursos de planejamento permacultural ministrados pelo coletivo PermaSampa, quando come\u00e7amos a testar o produto em suas diversas finalidades, sendo aprovado como eficiente aliado nas tarefas de faxina dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>Atualmente as enzimas c\u00edtricas s\u00e3o utilizadas para a realiza\u00e7\u00e3o da lavagem de roupas escuras (mancham as roupas claras), para a desinfec\u00e7\u00e3o de alimentos substituindo o vinagre e tamb\u00e9m para a faxina da casa.<\/p>\n<p>Como s\u00e3o sempre utilizadas em pequenas doses, a produ\u00e7\u00e3o de um garraf\u00e3o de 5 litros pode durar aproximadamente seis meses. Portanto, a produ\u00e7\u00e3o regular de enzimas gera sempre excedentes, divididos em garrafas de 2 litros e doados para os vizinhos, estimulando-os a provar o produto e possivelmente produzi-lo tamb\u00e9m.<\/p>\n<h3 class=\"western\">Compostagem Comunit\u00e1ria<\/h3>\n<p>O m\u00e9todo de compostagem mais utilizado pelos moradores da Casa do Chap\u00e9u de Sol nos \u00faltimos dois anos \u00e9 a leira est\u00e1tica de aera\u00e7\u00e3o passiva, que fica localizada no Parque da Joia, \u00e1rea p\u00fablica pr\u00f3xima \u00e0 casa, que vem ao longo dos \u00faltimos anos sendo ocupada pela comunidade que a vem transformando, de uma \u00e1rea abandonada, numa \u00e1rea de conv\u00edvio, lazer e regenera\u00e7\u00e3o socioambiental.<\/p>\n<p>Aos s\u00e1bados, os moradores do entorno se re\u00fanem para compostar juntos os seus res\u00edduos s\u00f3lidos e tamb\u00e9m para realizarem ali outras atividades comunit\u00e1rias, como o plantio de \u00e1rvores frut\u00edferas e nativas, a limpeza do espa\u00e7o e a regenera\u00e7\u00e3o das nascentes presentes no local.<\/p>\n<p>Cada fam\u00edlia traz os seus res\u00edduos org\u00e2nicos em baldes. Juntos abrimos a leira de compostagem, reviramos os materiais presentes na mesma, alimentamos com os res\u00edduos trazidos pelos frequentadores, adicionamos folhas secas colhidas na pra\u00e7a atrav\u00e9s de varri\u00e7\u00e3o da rua ou palha proveniente da poda do campo de futebol de v\u00e1rzea presente no local. Ap\u00f3s o t\u00e9rmino da alimenta\u00e7\u00e3o da leira a mesma \u00e9 fechada com uma cobertura de palha seca.<\/p>\n<p>Quando atinge aproximadamente um metro de altura, a leira para de ser alimentada e fica em descanso. Ap\u00f3s aproximadamente seis meses ocorre a colheita do adubo pronto. Os participantes da compostagem comunit\u00e1ria espalham o composto pela pr\u00f3pria pra\u00e7a nos p\u00e9s das \u00e1rvores locais, contribuindo com a melhoria da qualidade do solo. Quando uma leira entra em descanso uma nova \u00e9 aberta, havendo desta maneira um revezamento de leiras em funcionamento.<\/p>\n<p>O p\u00fablico participante da compostagem comunit\u00e1ria \u00e9 oscilante. Varia entre quatro e dez fam\u00edlias. O processo de compostagem comunit\u00e1ria foi prejudicado por conta do distanciamento social promovido pela pandemia da COVID19. As atividades est\u00e3o voltando a se normalizar lentamente.<\/p>\n<h3 class=\"western\">Res\u00edduos recicl\u00e1veis<\/h3>\n<p>Todos os res\u00edduos secos (composto quase exclusivamente por embalagens) s\u00e3o separados num balde grande na cozinha e levados a uma pequena empresa de reciclagem situada a 300 metros da moradia. Ali, uma fam\u00edlia e agregados dedicam-se juntos a receber, pesar e comprar materiais recicl\u00e1veis dos catadores do bairro, que circulam com as suas carro\u00e7as, carrinhos de feira ou bicicletas coletando res\u00edduos secos nas ruas do bairro e os vendem ali. Alguns coletores tamb\u00e9m utilizam ve\u00edculos automotivos, muitas vezes adaptados para suportar grandes quantidades de volume e peso. Ou seja, h\u00e1 uma grande cadeia econ\u00f4mica, totalmente informal, de coleta de res\u00edduos recicl\u00e1veis.<\/p>\n<p>Percebendo os res\u00edduos como recursos, n\u00f3s n\u00e3o \u201cjogamos fora\u201d e nem tampouco vendemos a nossa produ\u00e7\u00e3o. Uma vez por quinzena (aproximadamente) doamos uma caixa de papel\u00e3o cheia de res\u00edduos secos para esta pequena empresa e ajudamos a gerar receita para este grupo que, na pr\u00e1tica, opera de forma cooperativa, mesmo estando legalmente configurados como uma microempresa. Segundo relatos dos empres\u00e1rios, no momento da legaliza\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio optaram pelo modelo empresarial, uma vez que n\u00e3o possu\u00edam cooperados em n\u00famero suficiente para optarem por esta modalidade de pessoa jur\u00eddica, o que nos faz entender que ainda h\u00e1 um grande trabalho a ser feito na revis\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas, a fim de fomentar a economia solid\u00e1ria e consequentemente facilitar o processo de formaliza\u00e7\u00e3o dessa e de outras classes trabalhadoras do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Todo o processo de implementa\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o de res\u00edduos trouxe muitos aprendizados, e desafios, especialmente na mudan\u00e7a de comportamento dos moradores, que para destinar adequadamente os mesmos, precisam destinar tempo e cuidado para cada caminho de res\u00edduos segregados (De Souza, 2022).<\/p>\n<h2 class=\"western\">Manejo sustent\u00e1vel das \u00e1guas<\/h2>\n<p>O consumo m\u00e9dio mensal da Casa do Chap\u00e9u do Sol nos \u00faltimos meses tem girado em torno de 8 m<sup>3<\/sup> (oito mil litros de \u00e1gua) por m\u00eas. As fontes poss\u00edveis para atender a essa demanda de consumo s\u00e3o: o fornecimento da concession\u00e1ria (SABESP) e a \u00e1gua de chuva. Para redesenhar o uso das \u00e1guas \u00e9 importante compreender sua proced\u00eancia a partir das suas origens, como descrito a seguir.<\/p>\n<h3 class=\"western\">\u00c1gua de chuva<\/h3>\n<p>A \u00e1gua de chuva \u00e9 uma fonte renov\u00e1vel de \u00e1gua, que incide com abund\u00e2ncia sobre o telhado de todas as casas da regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo. Desde a crise h\u00eddrica de 2014, a \u00e1gua de chuva vem sendo utilizada na Casa do Chap\u00e9u de Sol como fonte de \u00e1gua n\u00e3o pot\u00e1vel. A rega das plantas, abastecimento do sistema de aquaponia, lavagem de ferramentas e faxina da casa s\u00e3o os usos principais desse recurso. Recolhidas em mini cisternas (reservat\u00f3rios de 220 litros) a capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de chuva colabora com a economia de aproximadamente 30% do consumo de \u00e1gua da casa durante a \u00e9poca de chuvas (de setembro a abril). Esses resultados foram obtidos ap\u00f3s a an\u00e1lise das contas de \u00e1gua dos anos de 2017 e 2018. Durante o per\u00edodo de estiagem na regi\u00e3o (entre maio e agosto), as mini cisternas esvaziam-se. Nos \u00faltimos anos, temos regado menos as plantas durante este per\u00edodo ou reutilizado a \u00e1gua da lavagem de roupa e lou\u00e7a para tentarmos manter o mesmo n\u00edvel de consumo de \u00e1gua da concession\u00e1ria dos meses chuvosos. Para poder aproveitar a \u00e1gua de chuva no per\u00edodo de estiagem, \u00e9 necess\u00e1rio estocar um volume maior de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s do uso das minicisternas, conseguimos reduzir o consumo de \u00e1gua pot\u00e1vel em torno de 25%. Na \u00e9poca de chuvas, a economia \u00e9 maior, pois as minicisternas est\u00e3o todas cheias. Durante a estiagem, as cisternas secam e o consumo de \u00e1gua proveniente da concession\u00e1ria aumenta.<\/p>\n<h3>Redimensionamento da capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de chuva para autonomia h\u00eddrica (em desenvolvimento):<\/h3>\n<p>Baseado nas m\u00e9dias de chuvas da regi\u00e3o obtidas a partir dos registros de dados clim\u00e1ticos fornecidos pelo <i>site<\/i> (Minist\u00e9rio de Minas e Energias, 2023), desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Catarina, o reservat\u00f3rio capaz de suprir a demanda h\u00eddrica da resid\u00eancia deveria ter o volume de 8,24 m<sup>3<\/sup>.<\/p>\n<p>Considerando as m\u00e9dias mais recentes, influenciadas pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, o volume do reservat\u00f3rio ideal para atender a demanda de consumo da Casa Aut\u00f4noma no ano de 2018 (quando tivemos quatro meses de estiagem) deveria ser de 26,5 m<sup>3<\/sup>. A reserva de tal volume mostra-se impratic\u00e1vel no contexto de consumo dos moradores da Casa do Chap\u00e9u de Sol.<sup><a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote8sym\" name=\"sdfootnote8anc\">8<\/a><\/sup><\/p>\n<h3 class=\"western\"><a name=\"_kivc0cj7tker\"><\/a>Tratamento local e adequado do esgoto &#8211; UltraGota<\/h3>\n<p>A Casa do Chap\u00e9u de Sol conta hoje com um sistema de tratamento de esgoto para onde s\u00e3o destinadas todas as \u00e1guas, incluindo as cinzas (com as \u00e1guas utilizadas nas pias, chuveiros, m\u00e1quina de lavar roupas e tanque), amarelas e de sanit\u00e1rio<sup><a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote9sym\" name=\"sdfootnote9anc\">9<\/a><\/sup>. Essas \u00e1guas s\u00e3o destinadas a um reservat\u00f3rio pl\u00e1stico de 500 L enterrado no quintal inferior da casa, onde antigamente havia um sumidouro, que cont\u00e9m um equipamento chamado UltraGota.<\/p>\n<p>O sistema j\u00e1 trata os esgotos produzidos na casa. Por\u00e9m, a \u00faltima etapa da reforma ainda n\u00e3o foi realizada por falta de recursos financeiros. Dada a crise econ\u00f4mica causada pela pandemia, n\u00e3o foi poss\u00edvel terminar a obra a tempo de se obter resultados para este artigo. As tubula\u00e7\u00f5es de subida da \u00e1gua at\u00e9 o reservat\u00f3rio de re\u00faso j\u00e1 est\u00e3o no lugar, o reservat\u00f3rio sob o telhado tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e1 pronto para receber a \u00e1gua tratada, mas ainda faltam os tubos para distribuir essa \u00e1gua para os pontos de consumo n\u00e3o pot\u00e1vel, a bomba e as boias el\u00e9tricas para controlar o n\u00edvel dos reservat\u00f3rios e algumas pe\u00e7as de hidr\u00e1ulica.<\/p>\n<p>A \u00e1gua produzida no UltraGota atender\u00e1 as descargas de dois dos tr\u00eas banheiros da casa, da \u00e1rea de servi\u00e7o e torneiras no quintal. A \u00e1rea de servi\u00e7o receber\u00e1 \u00e1gua de re\u00faso para abastecer a m\u00e1quina de lavar roupas e tamb\u00e9m o tanque. A varanda, onde fica localizado o sistema de hidroponia, no qual s\u00e3o produzidas as hortali\u00e7as que alimentam a cozinha no dia a dia, tamb\u00e9m possuir\u00e1 um ponto de rega e haver\u00e1 pontos de consumo nos quintais da frente (pr\u00f3ximo \u00e0 garagem) e tamb\u00e9m no quintal dos fundos, oferecendo uma segunda fonte alternativa de \u00e1gua para a lavagem do quintal e rega das plantas produzidas no canteiro dos fundos, al\u00e9m da \u00e1gua de chuva, utilizada atualmente.<\/p>\n<h2 class=\"western\">Autonomia Alimentar<\/h2>\n<p>A busca por autonomia alimentar impulsiona os moradores da Casa do Chap\u00e9u de Sol a produzirem uma parte dos alimentos que consomem no seu dia a dia em casa. A falta de espa\u00e7o e de sol s\u00e3o fatores limitantes e, por esse motivo, as a\u00e7\u00f5es conduzidas limitam-se a produzir folhas, ch\u00e1s, temperos e ervas medicinais, em quantidade suficiente para n\u00e3o precisar compr\u00e1-los.<\/p>\n<p>Procurando por sistemas de produ\u00e7\u00e3o de alimentos altamente eficientes, encontramos sistemas de aquicultura para produzir diretamente na \u00e1gua. O primeiro sistema de produ\u00e7\u00e3o de alimentos na \u00e1gua testado na casa foi o de aquaponia.<\/p>\n<h3 class=\"western\">Aquaponia<\/h3>\n<p>Ap\u00f3s a leitura do livro de Claudio Alfaro (Alfaro &amp; In\u00e1cio, 2017), houve motiva\u00e7\u00e3o para implementar um sistema de aquaponia na pequena varanda que possui 5m<sup>2<\/sup>, a \u00e1rea mais ensolarada da Casa do Chap\u00e9u de Sol. Na ocasi\u00e3o, outro amigo, Leonardo Tannous, estava de mudan\u00e7a de S\u00e3o Paulo e estava se desfazendo do seu sistema composto por um tanque de 380 L onde viviam os peixes e cinco caixas de cultivo de 40 L onde eram cultivadas as plantas aliment\u00edcias.<\/p>\n<p>Durante os quase dois anos de uso do sistema de aquaponia supracitado, entendemos que a sua viabilidade em escala t\u00e3o pequena \u00e9 baix\u00edssima. Tivemos diversos problemas com os peixes, a come\u00e7ar pela ra\u00e7\u00e3o que era cara e que eles n\u00e3o gostavam de comer. Quando o sistema foi montado, haviam inicialmente sete peixes: tr\u00eas kinguios, duas carpas e dois cascudos. Experimentamos tr\u00eas tipos de ra\u00e7\u00e3o diferentes, mas os peixes n\u00e3o se interessavam pela comida. Al\u00e9m de cara e desinteressante para os peixes, todas as ra\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis no mercado eram transg\u00eanicas.<\/p>\n<p>O controle do pH da \u00e1gua era muito trabalhoso. A medi\u00e7\u00e3o e controle di\u00e1rio gerava muito trabalho e preocupa\u00e7\u00f5es com a sa\u00fade dos peixes. Com o tempo as plantas tamb\u00e9m foram apresentando defici\u00eancias nutricionais, causadas provavelmente pela m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o dos peixes. Foram meses de testes utilizando biofertilizante l\u00edquido proveniente dos minhoc\u00e1rios, que n\u00e3o melhoraram a contento a sa\u00fade das plantas e, ao mesmo tempo, colocavam em risco a sa\u00fade dos peixes gra\u00e7as ao desequil\u00edbrio de pH que sua aplica\u00e7\u00e3o causava.<\/p>\n<p>Por fim, para sanar o problema da falta de nutrientes para as plantas, nos utilizamos de nutrientes minerais utilizados em sistemas de hidroponia, gerando mais descontrole do pH e morte dos peixes. O barulho da bomba e da circula\u00e7\u00e3o de \u00e1gua no sistema tamb\u00e9m gerava grande inc\u00f4modo nos moradores da casa. Por todos estes motivos, optou-se pela migra\u00e7\u00e3o para o sistema de hidroponia.<\/p>\n<h3 class=\"western\">Hidroponia<\/h3>\n<p>O sistema de hidroponia adotado \u00e9 composto por um pequeno tanque de 100 L situado na parte de baixo do sistema e tr\u00eas torres verticais com 15 cavidades cada, onde s\u00e3o encaixadas as mudas das plantas. Este modelo de sistema de aeroponia desenvolvido pela Cityfarm Brasil tem, portanto, capacidade para a produ\u00e7\u00e3o de 45 mudas simult\u00e2neas, numa \u00e1rea de menos de 1 m<sup>2<\/sup>.<\/p>\n<p>Se o antigo sistema de aquaponia que testamos na varanda da Casa do Chap\u00e9u de Sol pesava em torno de 500 kg e produzia em torno de 30 mudas simultaneamente, o novo sistema de aeroponia tem em torno de 20% do seu peso e \u00e1rea e produz 50% mais mudas do que o anterior. O maior problema de ambos os sistemas de produ\u00e7\u00e3o de alimentos testados na varanda da Casa do Chap\u00e9u de Sol \u00e9 que ambos dependem de energia el\u00e9trica para o funcionamento das bombas que garantem a circula\u00e7\u00e3o das \u00e1guas. Numa ocasi\u00e3o, a bomba de circula\u00e7\u00e3o de \u00e1gua do sistema queimou. Como a queima foi percebida rapidamente e como havia na casa uma bomba reserva proveniente do antigo sistema de aquaponia, sua substitui\u00e7\u00e3o foi feita a tempo e n\u00e3o houve problemas com a produ\u00e7\u00e3o, mas durante uma queda de energia no ver\u00e3o de 2021, todas as mudas que cresciam nas torres do sistema de hidroponia morreram. Tal experi\u00eancia nos fez compreender a necessidade de haver um <i>no-break<\/i> ligado ao sistema, o que o encarece e complexifica a sua implementa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3 class=\"western\">Canteiro do quintal<\/h3>\n<p>Entre o final de 2021 e in\u00edcio de 2022 foram realizadas obras no quintal da Casa do Chap\u00e9u de Sol. Essas obras cuidaram dos esgotos da casa, da transforma\u00e7\u00e3o do pequeno quarto de empregada em um escrit\u00f3rio e com os entulhos produzidos na obra e com a terra removida das escava\u00e7\u00f5es do po\u00e7o. Onde est\u00e1 localizado o sistema de saneamento de esgoto, foi feito um banco bioconstru\u00eddo, utilizando-se da terra e do entulho na sua manufatura. Este banco serve tamb\u00e9m como borda do canteiro do quintal de baixo, onde s\u00e3o produzidas algumas hortali\u00e7as, temperos e ervas medicinais.<\/p>\n<p>A fim de evitar infiltra\u00e7\u00f5es de \u00e1gua nas resid\u00eancias dos vizinhos, o canteiro foi impermeabilizado e foi feito tamb\u00e9m um sistema de drenagem do excesso de \u00e1gua. O solo deste canteiro foi produzido atrav\u00e9s da compostagem das folhas da \u00e1rvore Chap\u00e9u de Sol localizada na frente da casa e a cobertura vegetal deste canteiro \u00e9 composta por folhas secas, tanto da \u00e1rvore Chap\u00e9u de Sol, quanto das outras \u00e1rvores da casa.<\/p>\n<p>A ideia foi plantar neste canteiro uma grande diversidade de plantas, respeitando sempre os extratos de crescimento de cada uma delas. As mais altas foram plantadas no sul e as menores no norte, para que umas n\u00e3o fizessem sombra sobre outras. No \u00faltimo plantio neste canteiro, foram introduzidas couves, abobrinhas, erva-doce, s\u00e1lvia, tomate, cebolinha, salsinha, manjeric\u00e3o verde e roxo, or\u00e9gano, alecrim, al\u00e9m de duas mudas de alface que sobraram do sistema de hidroponia. Foram plantadas tamb\u00e9m lavandas, para alimentar as abelhas. Espontaneamente crescem tamb\u00e9m algumas plantas aliment\u00edcias n\u00e3o convencionais como o trevo, major gomes, taiobas e outras plantas n\u00e3o identificadas.<sup><a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote10sym\" name=\"sdfootnote10anc\">10<\/a><\/sup><\/p>\n<h1 class=\"western\"><a name=\"_3rdcrjn\"><\/a>Conclus\u00f5es<\/h1>\n<p>Pode-se compreender, a partir dos oito anos de pesquisa-a\u00e7\u00e3o na Casa do Chap\u00e9u de Sol, que as ferramentas oferecidas pela permacultura de fato contribuem com a conquista de autonomia residencial, seja do ponto de vista da gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos, da autonomia h\u00eddrica, ou da autonomia alimentar. Essa busca por autonomia fez com que os moradores da casa melhorassem os seus h\u00e1bitos alimentares, consumissem de forma mais respons\u00e1vel e consciente, buscando produtos produzidos por pequenos produtores integrados a uma rede agroecol\u00f3gica, fomentando tamb\u00e9m a economia solid\u00e1ria. Assim, foi propiciada a produ\u00e7\u00e3o de boa parte das verduras consumidas no dia a dia da casa por meio da produ\u00e7\u00e3o hidrop\u00f4nica. Isso fez com que os residentes conseguissem compostar a grande maioria dos res\u00edduos org\u00e2nicos da casa e propiciou uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica do volume de res\u00edduos s\u00f3lidos secos produzidos na moradia, transformando-os todos em recursos financeiros para os catadores da vizinhan\u00e7a, num exemplo de gest\u00e3o descentralizada, participativa e comunit\u00e1ria de res\u00edduos s\u00f3lidos muito pr\u00f3xima de \u201clixo zero\u201d.<\/p>\n<p>Houve a economia de recursos h\u00eddricos atrav\u00e9s dos sistemas de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de chuva e, foi poss\u00edvel sanear 100% dos efluentes l\u00edquidos, devolvendo para a rede de transporte de esgotos, apenas \u00e1gua tratada, impactando positivamente tanto o volume dos reservat\u00f3rios como a qualidade dos corpos h\u00eddricos da cidade. No entanto, devido a sua escala reduzida, solu\u00e7\u00f5es simples comumente utilizadas no <i>design<\/i> permacultural aplicado ao meio rural mostraram-se invi\u00e1veis na escala domiciliar urbana. Compreendemos que quanto menor a \u00e1rea do terreno da resid\u00eancia, mais necess\u00e1rio se faz o uso de solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas complexas e dispendiosas, para lidar com recursos que s\u00e3o facilmente gerenci\u00e1veis em zonas rurais, evidenciando a l\u00f3gica de depend\u00eancia por recursos e servi\u00e7os praticados pelos atuais planos diretores para domic\u00edlios unifamiliares. O que dizer, ent\u00e3o, para os multifamiliares.<\/p>\n<p>O estudo realizado sobre autonomia h\u00eddrica, por exemplo, apontou que para a atender a demanda de \u00e1gua da Casa do Chap\u00e9u de Sol utilizando-se somente da \u00e1gua de chuva como fonte de abastecimento, seria necess\u00e1ria a constru\u00e7\u00e3o de um reservat\u00f3rio de 26m<sup>3<\/sup> (De Souza, 2022). A falta de espa\u00e7o territorial nos fez reduzir esse reservat\u00f3rio para 15m<sup>3<\/sup>, volume insuficiente para atender 100% da demanda h\u00eddrica da casa, em todos os cen\u00e1rios de chuvas apresentados nos \u00faltimos anos, o que nos mostra, mais uma vez, que algumas solu\u00e7\u00f5es tornam-se invi\u00e1veis quando pensadas em microescala, considerando a n\u00e3o mudan\u00e7a de h\u00e1bitos de consumo (volume\/pessoa). E o investimento para a realiza\u00e7\u00e3o de uma obra dessa magnitude tamb\u00e9m seria absolutamente invi\u00e1vel para a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos nos mostrou caminhos interessantes do ponto de vista da viabilidade econ\u00f4mica, de uma escala vi\u00e1vel e do fortalecimento social. P\u00f4de-se constatar que tanto \u00e9 poss\u00edvel realizar a compostagem dos res\u00edduos s\u00f3lidos em casa atrav\u00e9s da vermicompostagem com minhocas, como em \u00e1reas p\u00fablicas, a partir da compostagem comunit\u00e1ria. Contudo, a compostagem comunit\u00e1ria oferece, al\u00e9m de solu\u00e7\u00e3o para a gest\u00e3o dos res\u00edduos org\u00e2nicos, integra\u00e7\u00e3o social e regenera\u00e7\u00e3o ambiental. A nossa experi\u00eancia no Parque da Joia tem fortalecido a comunidade do bairro, que hoje se encontra para compostar, plantar, cuidar das nascentes, praticar esportes, conversar e, por outro lado, os res\u00edduos compostados se tornam solo, que alimenta a floresta que cresce no espa\u00e7o e ajuda a \u00e1rea abandonada pelo poder p\u00fablico a tornar-se um parque.<\/p>\n<p>A partir deste exemplo, vale pensar como podemos utilizar de \u00e1reas degradadas ou abandonadas n\u00e3o s\u00f3 para praticar a compostagem comunit\u00e1ria (aliviando a carga sobre os aterros sanit\u00e1rios), mas tamb\u00e9m para produzirmos alimentos em \u00e1reas urbanas, contribuindo para a produ\u00e7\u00e3o de autonomia para bairros inteiros e produzindo impactos socioambientais positivos em grandes \u00e1reas adensadas, promovendo a integra\u00e7\u00e3o social e a apropria\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos pela popula\u00e7\u00e3o, melhorando o bem-estar coletivo e fortalecendo la\u00e7os entre os moradores desses locais.<\/p>\n<p>As \u00e1reas destinadas \u00e0s linhas de transmiss\u00e3o de energia el\u00e9trica e aos dutos de \u00e1gua da companhia de abastecimento oferecem tamb\u00e9m um grande potencial para a gest\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos, para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos e tamb\u00e9m para o saneamento descentralizado. J\u00e1 existem muitos casos de concess\u00e3o dessas \u00e1reas para as hortas urbanas, o que \u00e9 um bom come\u00e7o, mas esses usos podem ser expandidos.<\/p>\n<p>Como as ferramentas de <i>design<\/i> permacultural foram concebidas inicialmente para a realidade rural, a metodologia de planejamento aplicada \u00e0s propriedades urbanas ultra adensadas como a Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo n\u00e3o tem muita ader\u00eancia. David Holmgren (2018), um dos fundadores da permacultura, no seu livro Retrosuburbia, mostra como a metodologia aplicada \u00e0s zonas periurbanas de Melbourne, na Austr\u00e1lia, funciona bem. No contexto suburbano onde David pratica os seus <i>designs<\/i>, as propriedades t\u00eam \u00e1reas grandes, com mais de 1000 m<sup>2<\/sup>. A realidade das periferias brasileiras \u00e9 muito diferente. Temos terrenos 100% impermeabilizados, \u00e1reas muito pequenas e uma densidade demogr\u00e1fica substancialmente maior.<\/p>\n<p>Portanto, para se aplicar a metodologia de <i>design<\/i> permacultural \u00e0 realidade urbana e periurbana dos centros urbanos brasileiros, faz-se necess\u00e1ria uma adapta\u00e7\u00e3o da mesma, direcionando o planejamento de acordo com cada contexto social e territorial, incluindo n\u00e3o s\u00f3 as quest\u00f5es t\u00e9cnicas, mas tamb\u00e9m as \u00e1reas e recursos financeiros dispon\u00edveis, o engajamento dos atores locais, a cultura e identidade dos distintos grupos sociais.<\/p>\n<p>Assim, cabe extrapolar esse estudo de projeto-piloto da Casa do Chap\u00e9u de Sol em outras realidades e contextos, principalmente naqueles com menor disponibilidade de recursos econ\u00f4micos e \u00e1reas dispon\u00edveis, uma vez que a metodologia de planejamento permacultural aplica-se bem \u00e0 realidade periurbana em resid\u00eancias com grandes \u00e1reas dispon\u00edveis, como nos mostra Holmgren (2018) na realidade australiana.<\/p>\n<p>A partir desta percep\u00e7\u00e3o, cabe salientar que o desenvolvimento de solu\u00e7\u00f5es para \u00e1reas coletivas, como pra\u00e7as, parques, terrenos baldios, \u00e1reas de servid\u00e3o de grandes concession\u00e1rias de \u00e1gua e energia e demais espa\u00e7os ociosos nos centros urbanos pode ser um bom caminho para o avan\u00e7o da permacultura em \u00e1reas adensadas.<\/p>\n<p>Nesse sentido, propomos que seja estudada outra forma de planejamento permacultural urbano, que possa atuar de forma coletiva sobre territ\u00f3rios ociosos dispon\u00edveis, contribuindo para uma atua\u00e7\u00e3o urban\u00edstica integradora, onde o zoneamento desenhado nos planejamentos permaculturais possa ser coletivo e compartilhado, interconectando uma rede de casas aut\u00f4nomas. Desta maneira, a concep\u00e7\u00e3o do <i>design<\/i> n\u00e3o teria como foco uma propriedade individual, mas uma vis\u00e3o territorial ampliada, priorizando o contexto comunit\u00e1rio do bairro em quest\u00e3o, a bacia hidrogr\u00e1fica e outros macroelementos sociais e geogr\u00e1ficos.<\/p>\n<p>Existe uma diversidade de contextos sociais, espaciais, econ\u00f4micos e culturais dentro de cada cidade e\/ou bairro. Por isso, especialmente no Brasil, um pa\u00eds com alta desigualdade social, cabe compreender que esses contextos diferentes precisam ser estudados e inclu\u00eddos na concep\u00e7\u00e3o de caminhos para constru\u00e7\u00e3o de uma metodologia de planejamento permacultural urbana apropriada a cada territ\u00f3rio.<\/p>\n<h1 class=\"western\">Refer\u00eancias<\/h1>\n<p><span style=\"font-size: small\">ABRELPE. (2020). <i>Panorama dos Res\u00edduos S\u00f3lidos no Brasil<\/i>. <a class=\"western\" href=\"https:\/\/abrelpe.org.br\/panorama\/\">https:\/\/abrelpe.org.br\/panorama\/<\/a> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Abreu, M. J. (2013). <i>Gest\u00e3o comunit\u00e1ria de res\u00edduos org\u00e2nicos: O caso do projeto revolu\u00e7\u00e3o dos baldinhos (PRB), capital social e agricultura urbana<\/i> [Disserta\u00e7\u00e3o, Universidade Federal de Santa Catarina . Centro de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias, Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Agroecossistemas]. <a class=\"western\" href=\"https:\/\/repositorio.ufsc.br\/handle\/123456789\/107404\">https:\/\/repositorio.ufsc.br\/handle\/123456789\/107404<\/a> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Alfaro, C., &amp; In\u00e1cio, R. (2017). <i>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Aquaponia: Cultivo de peixes e plantas em sistemas integrados<\/i>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Amorin, Vanessa Falc\u00e3o, Garcia, Naiara Louise, Silva, Fabian Andrei Lino, Silva, Macos Teixeira, &amp; Renata Farias Oliveira. (2016). Vermicompostagem dom\u00e9stica como alternativa na decomposi\u00e7\u00e3o de res\u00edduos org\u00e2nicos. <i>Anais<\/i>. 10<sup>o<\/sup> Simposio Internacional de Qualidade Ambiental, Porto Alegre.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Carneiro, P. C. F., Morais, C. A. R. S., Nunes, M. U. C., Maria, A. N., &amp; Fujimoto, R. Y. (2015). <i>Produ\u00e7\u00e3o integrada de peixes e vegetais em aquaponia. &#8211; Portal Embrapa<\/i>. Embrapa Tabuleiros Costeiros. <a class=\"western\" href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/busca-de-publicacoes\/-\/publicacao\/1025991\/producao-integrada-de-peixes-e-vegetais-em-aquaponia\">https:\/\/www.embrapa.br\/busca-de-publicacoes\/-\/publicacao\/1025991\/producao-integrada-de-peixes-e-vegetais-em-aquaponia<\/a> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Carrijo, O. A., &amp; Makishima, N. (2000). <i>Principios de hidroponia.<\/i> Embrapa Hortali\u00e7as. <a class=\"western\" href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/busca-de-publicacoes\/-\/publicacao\/769981\/principios-de-hidroponia\">https:\/\/www.embrapa.br\/busca-de-publicacoes\/-\/publicacao\/769981\/principios-de-hidroponia<\/a> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Cust\u00f3dio, V. (2015). A Crise H\u00eddrica na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo (2014-2015). <i>GEOUSP Espa\u00e7o e Tempo (Online)<\/i>, <i>19<\/i>(3), Artigo 3. <a class=\"western\" href=\"https:\/\/doi.org\/10.11606\/issn.2179-0892.geousp.2015.102136\">https:\/\/doi.org\/10.11606\/issn.2179-0892.geousp.2015.102136<\/a> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">De Souza, V. P. (2022). <i>Casa Aut\u00f4noma: Pr\u00e1ticas permaculturais para habitar uma casa sustent\u00e1vel em centros urbanos<\/i>. Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso da Especializa\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o para a Sustentabilidade &#8211; Universidade Federal de Alfenas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Ferreira, A. B. de H. (1999). <i>Aur\u00e9lio s\u00e9culo XXI: O dicion\u00e1rio da l\u00edngua portuguesa<\/i>. Editora Nova Fronteira.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Ferreira-Neto, Djalma Nery. (2018). <i>Uma alternativa para a sociedade: Caminhos e perspectivas da permacultura no Brasil<\/i>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Ferri, J. M. (2022). <i>Monitoramento de compostagem termof\u00edlica de leiras com aera\u00e7\u00e3o passiva<\/i>. <a class=\"western\" href=\"https:\/\/repositorio.ufsc.br\/handle\/123456789\/243190\">https:\/\/repositorio.ufsc.br\/handle\/123456789\/243190<\/a> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Holmgren, D. (2013). <i>Permacultura: Princ\u00edpios e caminhos al\u00e9m da sustentabilidade<\/i>. Via Sapiens.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Holmgren, David. (2018). <i>Retrosuburbia\u2014The Downshifters Guide to a Resilient Future\u2014RetroSuburbia<\/i>. Melliodora Publishing. <a class=\"western\" href=\"https:\/\/retrosuburbia.com\/\">https:\/\/retrosuburbia.com\/<\/a> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">IBGE. (2010, novembro 29). <i>Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). 29 de novembro de 2010<\/i>. Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). <a class=\"western\" href=\"https:\/\/cidades.ibge.gov.br\/\">https:\/\/cidades.ibge.gov.br\/<\/a> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Lopes, K. A. do L., Silva, T. F., Santos, J. F. dos, Sousa, A. P. de A., &amp; Silva-Matos, R. R. S. da. (2020). <i>CRESCIMENTO INICIAL DE COUVE-FOLHA EM FUN\u00c7\u00c3O DE DIFERENTES CONCENTRA\u00c7\u00d5ES DE CHORUME DE VERMICOMPOSTAGEM<\/i>. GLOBAL SCIENCE AND TECHNOLOGY. <a class=\"western\" href=\"https:\/\/rv.ifgoiano.edu.br\/periodicos\/index.php\/gst\/article\/view\/1161\">https:\/\/rv.ifgoiano.edu.br\/periodicos\/index.php\/gst\/article\/view\/1161<\/a> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Machado, Gustavo. (2022). <i>Somos Natureza: Solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza para o desenvolvimento local<\/i>. Bambual. <a class=\"western\" href=\"https:\/\/bambualeditora.com.br\/p\/somos-natureza\/\">https:\/\/bambualeditora.com.br\/p\/somos-natureza\/<\/a> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Mancuso, P. C. S., Mierzwa, J. C., Hespanhol, A., &amp; Hespanhol, I. (2021). <i>Re\u00faso de \u00e1gua pot\u00e1vel como estrat\u00e9gia para a escassez<\/i>. Manole. <a class=\"western\" href=\"https:\/\/repositorio.usp.br\/item\/003078589\">https:\/\/repositorio.usp.br\/item\/003078589<\/a> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Martins, A. M. (2001). <i>Autonomia e gest\u00e3o da escola p\u00fablica: Entre a teoria e a pr\u00e1tica<\/i>. Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o e do Desenvolvimento Regional. (2019). <i>Diagn\u00f3stico dos Servi\u00e7os de \u00c1gua e Esgotos\u20142019<\/i>. <a class=\"western\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/mdr\/pt-br\/assuntos\/saneamento\/snis\/diagnosticos-anteriores-do-snis\/agua-e-esgotos-1\/2019\/diagnostico-dos-servicos-de-agua-e-esgotos-2019\">https:\/\/www.gov.br\/mdr\/pt-br\/assuntos\/saneamento\/snis\/diagnosticos-anteriores-do-snis\/agua-e-esgotos-1\/2019\/diagnostico-dos-servicos-de-agua-e-esgotos-2019<\/a> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Minist\u00e9rio de Minas e Energias. (2023). <i>Gr\u00e1fico de Chuva<\/i>. ProjetEEE. <a class=\"western\" href=\"http:\/\/www.mme.gov.br\/projeteee\/grafico\/grafico-de-chuva\/\">http:\/\/www.mme.gov.br\/projeteee\/grafico\/grafico-de-chuva\/<\/a> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Mollison, B., &amp; Slay, R. M. (1998). <i>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Permacultura. Tradu\u00e7\u00e3o de Andr\u00e9 Soares<\/i>. MA\/SDR\/PNFC. <a class=\"western\" href=\"https:\/\/repositorio.ufsc.br\/handle\/123456789\/199851\">https:\/\/repositorio.ufsc.br\/handle\/123456789\/199851<\/a> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Nazim, F. (2013). Treatment of Synthetic Greywater Using 5% and 10% Garbage Enzyme Solution. <i>Bonfring International Journal of Industrial Engineering and Management Science<\/i>, <i>3<\/i>(4), 111\u2013117. <a class=\"western\" href=\"https:\/\/doi.org\/10.9756\/BIJIEMS.4733\">https:\/\/doi.org\/10.9756\/BIJIEMS.4733<\/a> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">NEPerma\/UFSC. (2018). O que \u00e9 permacultura? <i>Permacultura UFSC<\/i>. <a class=\"western\" href=\"http:\/\/permacultura.ufsc.br\/o-que-e-permacultura\/\">http:\/\/permacultura.ufsc.br\/o-que-e-permacultura\/<\/a> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">N\u00f3r, S., Kleba, A. J., Curta, C. C., &amp; Santa\u2019Ana, T. (2019). <i>Planejamento urbano permacultural: Um estudo sobre o pensamento sist\u00eamico e harm\u00f4nico da permacultura aplicado \u00e0 cidade de Florian\u00f3polis.<\/i> Programa de Educa\u00e7\u00e3o Tutoral &#8211; PET \/ Arqitetura &#8211; Universidade Federal de Santa Catarina &#8211; UFSC. <a class=\"western\" href=\"https:\/\/issuu.com\/albacamila\/docs\/caderno_final_16_abril\">https:\/\/issuu.com\/albacamila\/docs\/caderno_final_16_abril<\/a> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Permacultores Urbanos. (2021). <i>Enzimas C\u00edtricas<\/i>. Permacultores Urbanos. <a class=\"western\" href=\"https:\/\/www.permacultoresurbanos.com\/enzimas-citricas\">https:\/\/www.permacultoresurbanos.com\/enzimas-citricas<\/a> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Ripple, W. (1883). The capacity of storage-reservoirs for water-slpply. (Including plate). <i>Minutes of the Proceedings of the Institution of Civil Engineers<\/i>, <i>71<\/i>(1883), 270\u2013278. <a class=\"western\" href=\"https:\/\/doi.org\/10.1680\/imotp.1883.21797\">https:\/\/doi.org\/10.1680\/imotp.1883.21797<\/a> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Thiollent, Michel. (2022). <i>Metodologia da pesquisa-a\u00e7\u00e3o<\/i> (18<sup>o<\/sup> ed).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\">Zanta, Viviana Maria. (2013). <i>Compostagem familiar: Conceitos b\u00e1sicos a respeito da compostagem natural com o objetivo de incentivar o aproveitamento de parte significativa de res\u00edduos s\u00f3lidos<\/i>. Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Sa\u00fade (Funasa). <a class=\"western\" href=\"https:\/\/repositorio.funasa.gov.br\/\/handle\/123456789\/627\">https:\/\/repositorio.funasa.gov.br\/\/handle\/123456789\/627<\/a> <\/span><\/p>\n<h1 class=\"western\"><a name=\"_1ksv4uv\"><\/a>Contribui\u00e7\u00f5es<\/h1>\n<ul>\n<li>Vinicius Pereira de Souza \u2013 Concebeu o projeto, realizou a pesquisa-a\u00e7\u00e3o, e escreveu o presente artigo.<\/li>\n<li>Gustavo Machado \u2013 Desenvolveu a estrutura do artigo com o primeiro autor e contribuiu revisando o texto ao longo do processo.<\/li>\n<\/ul>\n<div id=\"sdfootnote1\">\n<p class=\"sdfootnote-western\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote1anc\" name=\"sdfootnote1sym\">1<\/a><span style=\"font-size: small\"> &#8211; O diagrama pode ser visto em <\/span><a class=\"western\" href=\"https:\/\/irp.cdn-website.com\/163b808b\/dms3rep\/multi\/casa-autonoma.gif\"><span style=\"color: #1155cc\"><span style=\"font-size: small\"><u>https:\/\/irp.cdn-website.com\/163b808b\/dms3rep\/multi\/casa-autonoma.gif<\/u><\/span><\/span><\/a><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote2\">\n<p class=\"sdfootnote-western\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote2anc\" name=\"sdfootnote2sym\">2<\/a> &#8211; Manual de Compostagem Dom\u00e9stica com Minhocas (2014) elaborado pela empresa Morada da Floresta para o projeto municipal de compostagem \u201cComposta S\u00e3o Paulo\u201d (2014)<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote3\">\n<p class=\"sdfootnote-western\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote3anc\" name=\"sdfootnote3sym\">3<\/a> &#8211; <a class=\"western\" href=\"http:\/\/sempresustentavel.com.br\/\">http:\/\/sempresustentavel.com.br\/<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote4\">\n<p class=\"sdfootnote-western\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote4anc\" name=\"sdfootnote4sym\">4<\/a> &#8211; https:\/\/vecchiambiental.com.br\/<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote5\">\n<p class=\"sdfootnote-western\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote5anc\" name=\"sdfootnote5sym\">5<\/a> &#8211; <a class=\"western\" href=\"https:\/\/www.permacultoresurbanos.com\/casa-autonoma\"><span style=\"color: #1155cc\"><span style=\"font-size: small\"><u>https:\/\/www.permacultoresurbanos.com\/casa-autonoma<\/u><\/span><\/span><\/a><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote6\">\n<p class=\"sdfootnote-western\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote6anc\" name=\"sdfootnote6sym\">6<\/a><span style=\"font-size: small\"> &#8211; A empresa de engenharia ambiental AguaV (<\/span><a class=\"western\" href=\"http:\/\/aguav.com.br\/\"><span style=\"color: #1155cc\"><span style=\"font-size: small\"><u>http:\/\/aguav.com.br\/<\/u><\/span><\/span><\/a><span style=\"font-size: small\">) trabalha com projetos relacionados \u00e0 gest\u00e3o dos recursos h\u00eddricos e auxiliou este projeto acompanhando as adapta\u00e7\u00f5es da casa para o saneamento do esgoto. A empresa Vecchi Ambiental (<\/span><a class=\"western\" href=\"https:\/\/vecchiambiental.com.br\/\"><span style=\"color: #1155cc\"><span style=\"font-size: small\"><u>https:\/\/vecchiambiental.com.br\/<\/u><\/span><\/span><\/a><span style=\"font-size: small\">) \u00e9 a fabricante do UltraGota, equipamento utilizado para sanear o esgoto da casa. A empresa CityFarm Brasil (<\/span><a class=\"western\" href=\"https:\/\/www.cityfarmbrasil.com.br\/\"><span style=\"color: #1155cc\"><span style=\"font-size: small\"><u>https:\/\/www.cityfarmbrasil.com.br\/<\/u><\/span><\/span><\/a><span style=\"font-size: small\">) \u00e9 fabricante do sistema de hidroponia utilizado na casa ao longo desta pesquisa.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote7\">\n<p class=\"sdfootnote-western\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote7anc\" name=\"sdfootnote7sym\">7<\/a> &#8211; Trata-se de um pr\u00e9-projeto que ser\u00e1 utilizado para a realiza\u00e7\u00e3o de um estudo de viabilidade t\u00e9cnica e financeira. Todas as etapas deste projeto ser\u00e3o revistas e aprofundadas caso encontremos parceiros dispostos a financiar este projeto de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de chuva em meio urbano para fins pot\u00e1veis.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote8\">\n<p class=\"sdfootnote-western\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote8anc\" name=\"sdfootnote8sym\">8<\/a> &#8211; As tabelas e c\u00e1lculos que nos levaram a estes resultados est\u00e3o presentes no trabalho de conclus\u00e3o de curso da especializa\u00e7\u00e3o em sustentabilidade (De Souza, 2022).<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote9\">\n<p class=\"sdfootnote-western\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote9anc\" name=\"sdfootnote9sym\">9<\/a> &#8211; Convencionalmente descritas como negras. Aqui utilizamos o conceito \u00e1guas de sanit\u00e1rio revisando o conceito como proposto por (Machado, Gustavo, 2022)<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote10\">\n<p class=\"sdfootnote-western\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote10anc\" name=\"sdfootnote10sym\">10<\/a> &#8211; Maior detalhamento do processo \u00e9 apresentado em De Souza (2022).<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote1\">\n<p class=\"sdfootnote-western\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote1anc\" name=\"sdfootnote1sym\">1<\/a><span style=\"font-size: small\">&#8211; Instituto de Projetos e Pesquisas Socioambientais, <\/span><a class=\"western\" href=\"mailto:viniciuspereiraonline@gmail.com\"><span style=\"color: #000080\"><span style=\"font-size: small\"><u>viniciuspereiraonline@gmail.com<\/u><\/span><\/span><\/a><span style=\"font-size: small\">.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote2\">\n<p class=\"sdfootnote-western\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote2anc\" name=\"sdfootnote2sym\">2<\/a><span style=\"font-size: small\"> &#8211; Universidade Federal do Rio de Janeiro &#8211; N\u00facleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social (NIDES\/UFRJ), <\/span><a class=\"western\" href=\"mailto:gustavoxmartins@gmail.com\"><span style=\"color: #000080\"><span style=\"font-size: small\"><u>gustavoxmartins@gmail.com<\/u><\/span><\/span><\/a><span style=\"font-size: small\">.<\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presente trabalho prop\u00f5e, atrav\u00e9s de uma pesquisa-a\u00e7\u00e3o, relatar experi\u00eancias de uma habita\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel em S\u00e3o Paulo, que busca por meio de pr\u00e1ticas permaculturais promover a autonomia para seus habitantes. <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"menu_order":3,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"issuem_issue":[7],"issuem_issue_categories":[6],"issuem_issue_tags":[20,19],"coauthors":[2],"class_list":["post-109","article","type-article","status-publish","format-standard","hentry","issuem_issue-primavera-2023","issuem_issue_categories-artigo-cientifico","issuem_issue_tags-permacultura-urbana","issuem_issue_tags-urban-permaculture"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/article\/109","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/article"}],"about":[{"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/types\/article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=109"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/article\/109\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":354,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/article\/109\/revisions\/354"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=109"}],"wp:term":[{"taxonomy":"issuem_issue","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/issuem_issue?post=109"},{"taxonomy":"issuem_issue_categories","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/issuem_issue_categories?post=109"},{"taxonomy":"issuem_issue_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/issuem_issue_tags?post=109"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/redepermacultura.ufsc.br\/revistaperma\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=109"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}